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sexta-feira, 23 de junho de 2023

v.

Às vezes sou montanha, muralha, estrutura, pilar, casa, abrigo. Venham os ventos, as chuvas, os terramotos, os furacões, as tempestades, os assaltos, os exércitos e os dragões. Sou soberana, mãe, guerreira, dona, chefe e mulher do Universo.
Mas há vezes em que sou só uma pedrinha, um tijolo, uma parte, uma peça, um lugar qualquer; propriedade do mundo, tão grande e imenso, tão cheio de possibilidades e impossibilidades. E, aí, o mundo engole-me. Para o bem e para o mal.

quarta-feira, 21 de junho de 2023

ii.

A malfadada da ansiedade, que nos faz o coração bater mais e mais forte, mais rápido. Mais vivo que nunca. Tão vivo que parece encher o peito até rebentar, rasgar, sangrar, ou até jorrar. Tão intenso que, ao mesmo tempo que salta, parece encolher-se todo numa fração de segundo, cravar-se mais fundo, atirar-se para as profundezas de nós.
Essa malfadada ansiedade, que abre o peito todo para engolir todo o ar do mundo, como se fosse uma necessidade sôfrega, uma necessidade última. Quase que como um último suspiro, para um último passo para a frente ou para um recôndito esconderijo, longe de tudo, imediatamente ali ao lado.
Essa malfadada ansiedade, que rouba todo o espaço, todo o tempo, todos os sentidos e razões da existência, querendo o foco inteiro só para si. Ela, a mais importante de todas as coisas, um instinto de sobrevivência.
Ai, malfadada ansiedade, que me roubas a visão lá do horizonte, das estrelas, da lua e dos sonhos; que me esbugalhas os olhos, me obrigas a ordenar as mãos, pés, membros ao trabalho, a servir-te de todas as formas e feitios, sem pestanejar ou emitir um único som, uma única vez. Já não sei falar. Não sei onde foi a minha voz. Sumiu para um lugar indefinido, desconhecido, que não sei encontrar.
Ai, malfadada ansiedade. No fundo, imploras por colo, pilares, casa, uma qualquer segurança que te encaixe e te faça perceber vida além. Desafios ultrapassáveis, paz almejável.
Ai, ansiedade. O que fazes por amor. Que guerras estas te dispões a travar, que imaginas e reimaginas para treinar. Empunhas escudos, empunhas espadas. Tudo vale, no amor e nas batalhas.

sábado, 7 de novembro de 2020

Amores Unidos

Namoro um artista; namoro um artista e sou psicóloga. Achei que seria, eventualmente, o único ponto da minha vida em que poderia dizer que a arte e a psicologia andam de mãos dadas, se abraçam, se beijam. Mas enquanto psicóloga, num dia qualquer e de formas que nem sei, pintei um quadro - e, assim, de repente, sem querer, fui calhar a trabalhar no SPO de uma escola de artes (faz hoje uma semana e três dias).

sábado, 10 de outubro de 2020

Tenho alguma vergonha em escolher (mais) um título

Vamos dizê-lo: a tentativa de regresso a este blog quase que parece a Odisseia do Coronavírus versão internet. 

Confinamento durante uma data de meses... vamos lá tentar desconfinar. Ups, se calhar não: confinados outra vez, sem previsão de regresso. Vamos anunciar o regresso - põe uma publicaçãozita de fora (como quem diz um pézinho)... ai, se calhar não: mais uns meses até ao próximo post, que nem sabe bem àquilo que devia; que se esperava, que se queria.

E já que o garantido, para já, é o mero anúncio de coisas...

Venho dizer ao povo que já sou psicóloga reconhecida pela Desordem, que não pude continuar a trabalhar no sítio (indescritivelmente) bonito onde estagiei e que estou de volta à procura de um sítio onde possa ser feliz. Supostamente fiquei com um cliente para dar sessões privadas, mas continuo a aguardar notícias dos responsáveis legais da criança e também não tenho feito demasiada pressão para as ter - por estar a tentar perceber, precisamente, em que sítio é que, a seguir, irei ser feliz. Ainda não tratei de registar o livro que escrevi faz meio século nem tentei enviá-lo para muitas editoras (algo que está nos meus planos não deixar mais em águas de bacalhau assim que perceber como ficará a minha vida profissional nos próximos meses). Não obstante, não gosto de estar parada e resolvi recentemente abraçar a causa que mais me faz sentido à alma, ao sangue que me corre nas veias e me bombeia à vida, neste momento: vou ser voluntária num programa para pôr as crianças a brincar mais na rua, ao ar livre, em contacto com a natureza e construindo relações com a comunidade do seu bairro (chamo-me Guardiã do Brincar - ou não é o título e missão maaaaaaais belos!). Tenho um sobrinho emprestado lindíssimo, de derreter qualquer um - o Benjamin - nascido a 3 de fevereiro deste louco ano e só me chateia não acompanhar mais de perto o seu crescimento - em parte, graças ao corona. Morreu-me também uma prima esta semana, de forma inesperada e absolutamente inexplicável, em nada relacionada com o corona mas sem ainda razão apurada; deixa uma filha, um marido, pais, tios, toda uma família e amigos inconsoláveis para trás, mas que estou certa que ganharão forças e coragem no seu sorriso, alegria e energia de viver aos poucos e poucos, a seu tempo e compasso. Tenho ainda o objetivo de, algures no próximo ano, se assim for possível, arranjar um ninho com o meu amor. E, sinceramente, para já, penso que mais não há de muito relevante ou importante para relatar.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Venho e vou;
Vou e venho.

Olá a todos, de novo; não sei quanto tempo ficarei. Mas informo que: tenho estado de férias desde o início do mês, que o meu local de estágio fecha agosto inteiro (nunca eu pensei que voltasse a ter 1 mês inteiro de férias na vida e estou en-can-ta-da); estou a gostar muito do meu estágio (milhões!), do trabalho com os mais pequenos e em contexto de creche e pré-escolar (embora já me tenham tentado converter para freira que aquilo é gerido por elas, ups - not gonna happen, sorry); ando encantada, no geral, com crianças e bebés, sendo que o relógio biológico está a começar a fazer tic-tac embora os meus (nossos) planos ainda nem por isso; vou ser "tia" que a minha Rute vai ter bebé no início do ano (yay, first baby of the gang!); já tenho mais um par de publicações científicas de psicologia concretizadas, não tendo mexido um único dedo mais face ao trabalho que fechei no ano passado (a isto chama-se felicidade). 

And that's all folks. Estas são as big news. Sem promessas ou garantias, tentarei retornar aqui nos próximos dias e pegar na Caixa das Palavras, que grita por conclusão há mais de um ano.

Até lá!

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Sobre Finais de Abril e Inícios de Maio

E pronto! Sou uma autora de livros técnicos publicada (e logo no primeiro capítulo)!

E pronto! Aprovaram o meu estágio profissional da desordem (agora é que é)!

E pronto! Por cá andamos, felizes.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

11. Tórax

O tórax até pode ser a casinha dos pulmões e coração, mas és tu quem protege meu amor e minha respiração.