quarta-feira, 21 de junho de 2023

ii.

A malfadada da ansiedade, que nos faz o coração bater mais e mais forte, mais rápido. Mais vivo que nunca. Tão vivo que parece encher o peito até rebentar, rasgar, sangrar, ou até jorrar. Tão intenso que, ao mesmo tempo que salta, parece encolher-se todo numa fração de segundo, cravar-se mais fundo, atirar-se para as profundezas de nós.
Essa malfadada ansiedade, que abre o peito todo para engolir todo o ar do mundo, como se fosse uma necessidade sôfrega, uma necessidade última. Quase que como um último suspiro, para um último passo para a frente ou para um recôndito esconderijo, longe de tudo, imediatamente ali ao lado.
Essa malfadada ansiedade, que rouba todo o espaço, todo o tempo, todos os sentidos e razões da existência, querendo o foco inteiro só para si. Ela, a mais importante de todas as coisas, um instinto de sobrevivência.
Ai, malfadada ansiedade, que me roubas a visão lá do horizonte, das estrelas, da lua e dos sonhos; que me esbugalhas os olhos, me obrigas a ordenar as mãos, pés, membros ao trabalho, a servir-te de todas as formas e feitios, sem pestanejar ou emitir um único som, uma única vez. Já não sei falar. Não sei onde foi a minha voz. Sumiu para um lugar indefinido, desconhecido, que não sei encontrar.
Ai, malfadada ansiedade. No fundo, imploras por colo, pilares, casa, uma qualquer segurança que te encaixe e te faça perceber vida além. Desafios ultrapassáveis, paz almejável.
Ai, ansiedade. O que fazes por amor. Que guerras estas te dispões a travar, que imaginas e reimaginas para treinar. Empunhas escudos, empunhas espadas. Tudo vale, no amor e nas batalhas.

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