sexta-feira, 2 de junho de 2023

i.

Aos anos que as letras partiram numa viagem sem bilhete de regresso, mas têm-me feito sinais de fumo lá de onde estão. Creio que longe, mas tão mais perto do que entretanto me acostumei. Chamam-me, imploram-me que as vá salvar. Relembram-me (ao escutar o palpitar do meu coração) que me arrependerei se não mais as acudir.
Treme-me a alma de pensar se o tempo nos consumiu ao ponto de nos desunir para sempre. E, no entanto, esta pequena nota de lembrança de uma outra época, feita de encontros diários marcados, é-me esperança suficiente de que, talvez, estejamos mais perto do que as amarras da exaustão fazem parecer.

Talvez nunca nos tenhamos afastado. Talvez nunca nos tenhamos ido embora. Talvez só tenhamos estado em silêncio, e as histórias e os poemas se libertem mal lhes seja dada voz.

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