- Fundiram-se-lhe os fusíveis. Anda para ali todo apaixonado que já se esqueceu que é laranja inteira. Só a vê a ela, só a quer a ela; anda como se a tentar ser metade dela.
- É que sabes, há uma diferença entre paixão e amor. Na paixão quer-se sofregamente o outro, há algo em nós que grita em urgência pelo outro em nós e nós no outro; como se fossemos um só, sem poder existir de outra forma. No amor... No amor sabe-se que o outro está lá sendo outro, e nós cá sendo nós. Não nos precisamos para sobreviver, mas queremo-nos para viver. E há algo de muito belo nisso.
- Então... Mas a paixão e o amor podem coexistir.
- Claro. Mas quando há amor, a paixão é um encontro connosco, com o outro, e com o nós. Quando não há... Andamos perdidos de todo. De tudo. Loucamente perdidos, perdidamente loucos.
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