domingo, 20 de janeiro de 2019

O que faz brilhar os teus olhos? Resposta: Os Piquininos

Ponto alto do mês e que me restituiu por completo a nível motivacional e intelectual: formação em ludodiagnóstico e ludoterapia e formação em análise e interpretação do desenho infantil. Olhem 'migues, estou louca. Lou-ca. Adorei do fundo do coração ambas as formações. Sabem o que é que é isso de ir e sair de uma formação sem sentir um pingo de cansaço? Esse ser estranho sou eu, depois deste fim-de-semana a acordar às 6h da manhã e a ter formação das 9h às 18h. Sabem o que é que é isso de sentir que se cresceu profissionalmente e que, ao mesmo tempo, também ocorreu ali uma realização imensa a nível pessoal ao longo de todo o tempo em sala? Foi o que me aconteceu com estas duas formações. Há um fascínio qualquer em mim face à população infantojuvenil, um fascínio que eu não sei conter e que, sinceramente, não quero aprender a conter. Se eu não nasci para trabalhar com piquenos, pelo menos existo agora para trabalhar com eles. É para aí que a minha energia e alma de psi-rinho estão viradas neste momento (e, confesso, desde há muito que estão... e duvido que isto mude até conseguir concretizar este querer tão grande de trabalhar com crianças e adolescentes).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

From 2018, with love, to the future


Recordo-me de uma altura em que resolvi eliminar tudo o que trouxesse em si carga negativa do meu primórdio espacinho na blogosfera. Hoje já não o faria, porque apesar de almejar a que a positividade reine a vida, a minha e a de todos, essa é uma utopia inalcançável e que em nada se aproxima do que perfaz a alma do ser humano. Todos temos momentos luz e sombra, todos somos capazes de desempenhar ambos os papéis, e ambos são necessários em certas circunstâncias, nem que seja para descobrirmos que parte de nós queremos alimentar a seguir. O ano de 2018 começou cheio de luz a emanar de mim, cheio de vontade de alcançar o estrelato. O plano era candidatar-me tão ativamente quanto possível para conseguir um estágio profissional, começar a ganhar dinheiro para poder  começar a construir a minha independência aos poucos, obter a minha cédula profissional, e voilá: todo um mundo em aberto à minha frente. Como é óbvio, o universo não segue os planos magicados por uma mera mortal, por muito dedicada e focada que ela possa ser. De repente, o mundo em aberto à minha frente estava lá; afinal, já estava conquistado desde início, só não da forma e na altura como eu imaginei: no fim, quando chegasse à meta do por mim desejado. Esse mundo em aberto, porém, começou a assustar-me, a assustar-me mesmo muito. O que faria eu com esta liberdade toda? Tinha de fazer alguma coisa, estar parada é que nem pensar (achei eu), mas o quê? Pois é. Logo nos primeiros meses, o ano de 2018 revelou-me a sua parte sombra, e as pressas provaram-me nesse ano que nem sempre funcionam - apenas em algumas situações, tal como tudo. Continuei a lutar, a lutar, e a lutar pela parte luz, mas admito que a pressa constante, rígida e inflexível fez com que me deixasse ir consumindo um pouco pela sombra. Visitou-me o desânimo, o desespero, a revolta. Mesmo assim, continuei. Continuei a candidatar-me, a procurar o meu rumo, fui a entrevistas várias - quase todas uma desilusão. Até que uma pequena janela de oportunidade surgiu: ser investigadora. Quando percorro a memória do meu ano, em termos profissionais, é basicamente isso que me surge: o ano em que me dediquei à ciência, cheia de pressa e prazos. Não foi espetacular, não me senti feliz. Mas... também não foi tudo mau, pois não? Não. Consegui algumas conquistas, juntei alguns trocos para a vida futura como queria, e o meu currículo está mais cheio. Fui a novos lugares, conheci pessoas, fiz coisas que nunca pensei que iria fazer e fui bem sucedida nelas. Porém, a maior conquista de todas foi a de que o ano de 2018 foi um ano de descoberta. Aos poucos, comecei a perceber que, muitas vezes, havia que contactar simultaneamente com as minhas partes de luz e sombra, numa tentativa constante de encontrar um equilíbrio entre ambas. Aceitar o que não gostava, reconhecer o que me deitava a baixo, admitir o que não era para mim - e, aí, perceber o que realmente me fazia os olhos brilhar e o que é que eu estava disposta a fazer para o obter. Compreendi melhor os meus limites pessoais dentro dos profissionais e não só, os meus limites pessoais no geral também, porque a vida não foi nem é só trabalho, ainda que à primeira vista não o pareça. Contudo, passaram-se coisas sobre as quais não há como escrever sobre sem ser por metáforas, e é por aí que tentarei seguir este ano. Isto é, sei agora que trago desde 2017 algumas mágoas por chorar, algumas feridas por fechar, e que outras se foram aglomerando ao longo de 2018. E há que escrever sobre isso, que uma das coisas que mais sinto saudades é desta minha capacidade e recurso de me organizar a mim própria através das palavras. Este ano, pois, começo-o com as palavras da Rita, uma antiga colega da faculdade, muito linda, muito amor. Disse-me ela que achava que eu ainda não tinha feito o luto de tudo o que me magoou, e que eu precisava de parar, de tempo e espaço para pensar o que quero realmente para mim, e não lançar-me nessa corrida desenfreada por chegar a algum lugar com o qual nem sequer sou capaz de sonhar. Ela tem razão. Preciso, mais do que tudo, agora, de me permitir paciência, calma, paz,... Permitir-me a respirar e absorver tudo o que tenho a absorver, expurgar tudo o que tenho a expurgar, refletir em tudo o que tenho de refletir, desbravar tudo o que sinto que tenho de desbravar e de compreender melhor. Se assim não for, encontrar-me-ei novamente em sítios que não quero, em tempos que não quero, e que não terão para me oferecer algo que me preencha verdadeiramente. Encontrar-me-ei, uma vez mais, com grandes dificuldades em conciliar a minha parte luz e a minha parte sombra, porque terei sempre alguns fantasmas-sombra ainda por dar atenção, por abraçar e acolher, e mostrar que podem andar mão-na-mão com a luz.
Tenho o mundo à minha frente sim, uma liberdade imensa - sempre tive -, e esta não é comprada por um estágio profissional, por uma cédula, por qualquer trabalho ou desemprego em que calhe, pela vida pessoal a ser como achávamos que tinha de ser, por um cento de coisas possíveis de enumerar e que não passam de conceitos e ideias abstratas das mentes humanas, mas que se formos a ver não são o que estar vivo é de facto. Eu sou livre em tudo o que faço e o que não faço, e tudo, repito, tudo, faz parte - sombra, luz; vitórias, derrotas; sorrisos, lágrimas; dualidades, complexidades. Ou seja, tudo o que quero dizer é que irei encarar 2019 de uma forma diferente. Vou dar-me toda a tranquilidade de que preciso - mereço-a. Vou dar-me toda a ponderação de que preciso - mereço-a. E também arriscarei quando achar que sim, lançar-me-ei de cabeça quando achar que sim, correrei quando achar que sim. No entanto, se seja o que for que eu faça, de repente, se revelar um erro, não vou esquecer nem o meu coração nem a minha alma nas suas diversas facetas; não irei negligenciar aquilo que poderá ser tinta entornada no papel, tentando escondê-la como se lá não estivesse; não irei esquecer o perdão a mim própria e à vida, nem a reconciliação comigo mesma e com a natureza que me rodeia nesses casos. E, talvez tão ou mais importante que isso (pelo menos, em alguns casos), não irei esquecer de celebrar cada ganho, cada bênção. Tantas, tantas vezes me esqueci eu de fazer isso ao longo do meu caminho - tenho-me esquecido; tantas, tantas vezes se esquece o ser humano de fazer isso, na verdade. E não faz sentido. Não faz sentido ligarmos tanto ao que dói e nem tanto assim ao que cura. Equilíbrio é o que eu procuro para este ano e, sendo sincera, para a minha vida inteira. Então, tentaremos que assim seja - o mais fielmente, que assim seja.
Bem-vindo, 2019. Bem-vinda, vida.