acabei de entender que ando desaparecida daqui desde metade deste ano. de facto, foi meio-ano que não sei onde se meteu, passou num ápice, a uma velocidade estonteante. chegamos a dezembro e está inaugurada a época dos balanços. olhando para trás, para já, o ano 2017 continua a ser o mais duro que alguma vez vivi. o ano 2018 também teve um sabor agridoce, mas um pouco mais doce que amargo porque hey, aprendemos a estabelecer alguns limites. por um tempo, contudo, estiquei os meus. não tenho dúvida disso, pois andei muitas vezes na linha. o trabalho de investigação que estive (e ainda estou) a fazer é o que resume o grosso do meu ano, aquilo para que mais vivi. é triste dizê-lo assim, mas foi o que aconteceu. e daí, vou sair deste trabalho gritando a alto e bom som que investigação não é para todos, a carreira académica não é para todos... e sem dúvida que não é para mim. e não falo no sentido de não ter competências técnicas para isto: já me disseram que, um dia, se eu quiser, posso voltar. digo que não é para mim do ponto de vista emocional. andei muito mais afastada de mim, do que gosto de fazer, e daqueles de quem gosto. os meus fins-de-semana foram, muitas vezes, passados a trabalhar e, quando assim não o era, lá estava a culpa por não estar a fazê-lo. no início deste mês entreguei o trabalho mais difícil que me foi confiado, publiquei o meu primeiro artigo científico, e estou agora na recta final de três artigos que há muito me acompanham. e daí começar agora a respirar um pouco mais de alívio, um pouco mais de ar.* tirei, também, de mim o peso daquele estágio, que primeiro me foi de uma alegria imensa e que depressa comecei a perceber que ia accionar em mim tendências ansiosas e depressivas, que me ia afastar ainda mais de tudo o que me dá sentido à vida e a quem sou - mais do que a investigação o fez. não: não quero para mim algo que me faz mal! algo que me afasta de mim! algo que não se coaduna com os meus princípios e valores, algo que não me permite espaço para perceber o meu amor pela psicologia, criando revoltas mal direccionadas face a esta área que eu sei que me apaixona, mas cujo mercado de trabalho é, muitas vezes, cruel, fazendo-me questionar tudo.
em breve, um balanço mais bonito chegará.
em breve, estarei de volta. toda eu, de volta.
em breve, um balanço mais bonito chegará.
em breve, estarei de volta. toda eu, de volta.
* amo muito a minha equipa e a minha chefe atual, contudo. além disso, aprendi muito este ano a nível científico e isso é algo de que me orgulho muito. mais: tanto a nível clínico como a nível científico, a minha chefe tornou-se, sem sombra de dúvida, a minha ídolo a nível profissional. duvido que algum dia vá encontrar uma chefe tão maravilhosa e com tanto para ensinar, e uma equipa que me deixe tantas saudades a nível das relações que ali se estabeleceram como esta. nem tudo foi mau, de verdade. muitas coisas boas, comigo, para sempre levarei daqui.
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