quarta-feira, 27 de junho de 2018

Uma Pessoa "(Es)força(-se)", Mas...

Pronto. Esqueaçam lá. Hoje já não quero fazer doutoramento nenhum outra vez.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Vira-Casacas

Às vezes, penso: queres ver que mesmo depois de tanto fincar o pé que, de tão volátil nas minhas ideias que sou, no fim de tudo, ainda vou acabar a fazer o doutoramento por livre vontade?

Aguardemos. Ontem um potencial tema atraiu-me e já vamos no dia de hoje e ainda o acho giro. Portanto, aguardemos.*

* se bem que o fascínio estava mais em altas durante a manhã; a moleza depois de almoço está a fazer-se sentir.

domingo, 24 de junho de 2018

21. Arrastão

Por vezes, sabe bem ir de arrastão - quando, claro, não nos faz ir de raspão.

20. Exangue

Enxaguou a cara um cento de vezes, mas a vergonha não saiu. A vergonha é uma nódoa que só sai com o produto certo.

19. Extremo

Diz-se que, no extremo, somos irracionais. Mas não é a racionalidade que nos leva a extremos?

18. Calcário

Uma das coisas que mais me diverte no meu amor é ele ser uma mini-enciclopédia andante, fico fascinada a ouvi-lo. Ontem falámos sobre lagos. Parece que existe um na Venezuela onde estão constantemente a cair trovões, que há um outro na Tanzânia que tem tanto calcário que calcifica animais e que até existe um outro em Los Angels que é uma espécie de poço natural de alcatrão. O que eu não sei sobre este planeta.

17. Máquina

Sintra serve-me sempre como máquina do tempo. Desde que comecei a trabalhar que os fins-de-semana me parecem fugir que nem areia por entre os dedos, mas depois visitei Sintra como visito sempre que preciso de uma pausa e eis que quatro horas de vida pareceram doze ou mais. Fossem todas as terrinhas e terriolas (ainda) como Sintra e havia maior saúde mental.

16. Insolência

Insolência e insegurança partilham mais do que as três primeiras letras - olhem que sim.

15. Vibrar

Vibra o despertador, vibra a mesa.
- Ah! Um tremor de terra!!!
O caos instala-se por dentro, afinal não é por fora - mas ele não sabe. Vive o cenário catastrófico de acordar para um dia novo, coitado, achando que ainda é um dia velho.

14. Misterioso

Tudo corre melhor quando aceitamos o misterioso ao invés de lhe fugir, de fingir que não existe. Tudo corre melhor, na verdade, quando aceitamos, quando encaramos de frente, quando admitimos, quando lidamos - quando abraçamos. Não será à toa que o abraço é das melhores coisas que existem, das que mais acalmam, das que mais seguram, das que mais dá forças.

13. Pródigo

Pródigos conheço uns quantos. Não lhes é o maior prodígio, mas também não lhes é o pior defeito, a meu ver. Para mim, o maior defeito de todos será sempre tudo o que tenha a ver com desamor.

12. Forjar

Forjar o conjunto de palavras certas: o orgasmo tanto do escritor como do psicólogo.

11. Sinistro

Sinistro. Diz que somos animais e que temos instinto de sobrevivência, certo? Mas quantos de nós vivem no e para o futuro? Quantos de nós estão ansiosos pelo avançar do relógio? Por aquele tempo  e momento que nunca mais vem? Por chegar mais e mais rápido ao final das nossas vidas?

10. Melindrar

Ninguém me disse que ser adulta era, muitas vezes, sentir-se mais melindrada que uma criança com medo do escuro. Melhor: ninguém me disse que, muitas vezes, ser adulta é igual a estar fechada num quarto escuro - seja a jogar para ver o que se encontra, seja a tremer a um canto, seja,... bom. Que seja antes a relembrar-me que posso sempre acender uma lanterna.

09. Inverosímil

«Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.» Um dos ditados que mais me chateiam - a mim e aposto que à maioria dos seres humanos à face da Terra. Vamos a votos?

08. Bioluminiscência

Não fazia a mínima ideia que, por vezes, à noite, é possível ver como se pirilampos à tona da água. Saber da existência do fenómeno da bioluminiscência revolucionou, pois, a minha bucket list.

07. Povoar

Quero povoar a minha pequena vivência neste mundo com entrega tête-à-tête. Não menos do que isso ou esse será o meu maior arrependimento, maior do que qualquer outro possível, tenho quase cem por cento de certeza.

06. Dependurar

Essa vontade de nos dependurarmos de cabeça para baixo no baloiço, rir, gargalhar, abrir os braços, despentear os cabelos, soltar uns gritinhos histérios. Essa alegria pura de viver e as saudades que deixa em tantos dias. Porque paras por aqui, saudade? Queres-me dizer alguma coisa? Sim. Cada emoção, cada sentimento fala; fala connosco, sobre nós. Há que escutá-los.

05. Amachucar

Amachucar o que machuca, fazer pontaria ao ecoponto. Preferimos transformar o inútil em útil, por aqui. Retenhamos, pois é assim a vida: "essa não me serve, mas talvez sirva a outro". Há que pôr as coisas em perspetiva e saber qual é a nossa no meio de tudo. Cada um calça determinados sapatos, cada um tem os seus formatos e tipos preferidos para caminhar, mas nem todas as dicas e opiniões nos vão chegar em bons modos, assentar que nem uma luva. Não: muitos parecerão lixo, saberão a lixo, cheirarão a lixo. Por isso, reciclemos. Separemos cada coisa de outra, coloquemos cada uma no seu devido lugar para surtir transformações noutras paragens, noutras vidas. Em vez de amontoar tudo no caixote, paremos para ver, para realmente compreender, e tomemos opções conscientes, integras, descansadas - por nós, por todos.

sábado, 23 de junho de 2018

04. Espalhar

Junho: o mês em que me espalhei no chão; ou melhor, nas escadas rolantes; ou melhor, foi o meu rabo que se espalhou. Mas está tudo bem, ando a gelo e pomadinha. Fica, contudo, já aqui divulgado: não recomendo a experiência.

03. Sistemático

Sistemática a procura pela parte que falta, sistemático o falhanço. Faltará, mesmo, alguma coisa?



02. Memória

Desenganem-se aqueles que defendem as partidas da nossa cabeça enquanto atribuíveis ao processo de recuperar do que já foi. A memória é tão traiçoeira quanto a percepção aqui-agora dos nossos sentidos... Umas vezes mais mas, às vezes, até menos.

01. Adormecido

Adormecido do mundo, desligado para a realidade depois de um dia difícil. E, ainda assim, não estará, enquanto dorme, a viver verdadeira e honestamente na mesma?

domingo, 10 de junho de 2018

Boa noite, até amanhã

Love Will Set You Free

'cause this is it

Little Reminder:

(E escrevi eu no diário dos meus 14/15 anos que "nunca vou ser dessas que liga a roupas"... Amm...)

(Quem Não Adora BD Psi?)


Diz que o Estômago é o Segundo Cérebro

100% Accurate

"Caixa das Palavras II" de Junho

[ dia 1 ] - adormecido
[ dia 2 ] - memória
[ dia 3 ] - sistemático
[ dia 4 ] - espalhar
[ dia 5 ] - amachucar
[ dia 6 ] - dependurar 
[ dia 7 ] - povoar 
[ dia 8 ] - bioluminiscência
[ dia 9 ] - inverosímil 
[ dia 10 ] - melindrar
[ dia 11 ] - sinistro
[ dia 12 ] - forjar
[ dia 13 ] - pródigo
[ dia 14 ] - misterioso
[ dia 15 ] - vibrar
[ dia 16 ] - insolência
[ dia 17 ] - máquina
[ dia 18 ] - calcário
[ dia 19 ] - extremo
[ dia 20 ] - exangue
[ dia 21 ] - arrastão
[ dia 22 ] - combativo
[ dia 23 ] - catedral
[ dia 24 ] - enigmático
[ dia 25 ] - sobressalto
[ dia 26 ] - rumo / sem rumo
[ dia 27 ] - pressentir
[ dia 28 ] - secar
[ dia 29 ] - redes
[ dia 30 ] - dunas

31. Rubro

Há pessoas que nos mudam e o Arlindo é uma delas. Agora fico ao rubro com filmes da Marvel e da DC, sendo ainda fã assumida da saga Star Wars. Então, o dia de ontem teve basicamente como principal dilema escolher entre ir ver o Han Solo ou o Deadpool 2. O resto dos filmes no cinema? Puff, interessam lá!...

30. Antigamente

Alto lá! Sendo o tempo relativo e uma invenção do Homem... até que ponto existe o antigamente? Não será tudo o presente? Até porque, tendo acontecido, está presente de alguma maneira.

29. Esquecimento

A Maria do presente nunca estará livre da Maria do passado, uma vez que a do passado resolveu documentar toda a sua adolescência em trinta mil diários. Estava meio que em esquecimento, essa Maria que fui. Acontece que, noutro dia, a minha mãe reencontrou uns tesourinhos e eu dediquei o resto do dia a passar os olhos nas páginas por mim escritas. Resultado? Fui dormir com a barriga a doer de riso, tais eram os meus dramas da altura. Se eu me conhecesse agora, enquanto adolescente, não me aturava. Como tal, resta-me agradecer muito a todos os meus amigos que lealmente cresceram a meu lado sem nunca terem pensado abandonar-me.
(A sério, eu era terrível. Uma pita histérica autêntica, lunática, muito apaixonada mas a roçar ali no psicótico. De verdade.)

28. Azulíneo

Cresci menina toda cor-de-rosa para agora descobrir que sou muito mais menina de azulíneos. Azul pacifica, rosa excita. Rosa lembra-me purpurina e brilhantes pirosões; um mundo de doces, unicórnios, fantasia. Acontece que eu já me excito sozinha que nem criança princesa, sem precisar de cor nenhuma. Assim, uma dose de azul no resto da vida faz-me bem.

27. Entornar

- O que é que te aconteceu? Estás toda encharcada! Apanhaste chuva? Não dei por ela.
- Entornaram-me um copo de lágrimas em cima. Sabes como é que é: não saímos imunes às dores dos que nos são queridos.

26. Interromper

Sei bem que não estou a produzir grandes textos. Sei bem que não estou a escrever com todo meu coração agora. Mas também sei, de coração, que mais vale ir digitando do que interromper por completo a ação. 
Diz que a prática é tudo e que o que mais custa é começar. Depois, seguir sem julgar. Diz que continuar apesar dos tropeços é o que nos faz andar para a frente - e já há muito aprendi que, de facto, é assim que se desbrava caminho. Viajar nas letras não é muito diferente das viagens feitas pelo próprio pé: umas vezes andamos por andar; outras... há algo que nos chama - algo que promete, de nós para nós, baixinho, deslumbrar.

sábado, 9 de junho de 2018

25. Aliviar

Falei cedo demais, ainda que o que tenha dito na altura seja verdade na mesma: tudo se resume à qualidade da comunicação - e dessa qualidade há que cuidar. No mês de maio, eu e o meu amor discutimos feio pela primeira vez. Adivinhem? Coisas não ditas ou meio ditas. No mês de maio, contudo, também relembrámos que bem comunicar é o melhor para aliviar o que está cá dentro. E assim começámos junho prometendo falar tudo na hora certa, conversando ao invés de gritando palavras, silêncios ou gestos que doem. Tudo já está bem.

24. Rancor

Sou dessas em que se conta pelos dedos das mãos as vezes em que sinto rancor por alguém. Mas, quando sinto, fica o aviso: fujam.

23. Verduras

A partir do momento em que um amigo teu partilha uma piada seca sobre as vegetarianas, uma pessoa não tem mais maturidade para encarar a palavra "verduras" da mesma maneira.
Segue a peça (pedindo desde já desculpas a eventuais suscetibilidades; não é da minha autoria e sou vegetariana, mas tem muita graça na mesma):

«- Porque é que a maior parte das putas são vegetarianas?
- Porque as adoram ver-duras.»

22. Bodas

Diz o dicionário que as bodas estão associadas ao casamento. Mas diz que hoje em dia também há bodas de namoro - ou o amor, existindo, não se deve celebrar em todas as suas formas?

21. Lancinante

Feridas na alma são, muitas vezes, mais lancinantes do que aquelas que se levam no corpo. Não é novidade nenhuma, mas ainda somos poucos face àqueles que devíamos ser que realmente dão atenção a esse facto. E o mais curioso é que o ser humano é feito de emoções quase tanto quanto é feito de músculos, ossos e pele, mas isso não chega. Há todo um cepticismo face àquilo que sentimos precisar de ser cuidado. É quase como se estivéssemos a falar na existência de um Deus - por não se ver as pessoas torcem o nariz, ficam de pé atrás. Quando vamos aprender que lá por nossos olhos não verem tudo, não quer dizer que uma coisa não exista, que não é assim tão importante ou que "não é bem assim que funciona"? Quando é que vamos deixar de priorizar apenas um dos 5 sentidos face a todos os outros na nossa conexão com a realidade?

20. Findar

Findam-se prazos mas também se findam trabalhos. So, take it easy.
(Nota-se muito que estou acelerada? Se calhar sim. Mas diz que, entre várias outras coisas que eventualmente depois explicarei, vamos submeter uma comunicação oral para o congresso da Ordem e só falta uma semana para a deadline. Diz que vou ser eu a ir lá em nome da equipa. Ah!!!)

19. Carruagem

Perco carruagens atrás de carruagens e o resultado é ficar ansiosa. Contudo, esqueço que há comboios mais lentos que outros e que basta balancear o atraso recorrendo a um comboio mais rápido do que aquele anterior que já partiu. Tudo se resolve, tudo se faz - e o que não se fizer, paciência. Se não dá para solucionar, não vale a pena por isso soluçar.

18. Aborrecimento

Note-se a ironia da expressão "que aborrecimento!" ser usada para descrever tanto um estado em que nada se passa e nos sentimos à deriva como um estado em que tudo se passa e rebenta dentro de nós. É assim a vida: um fenómeno em que o "é isso ou sopas" não reflete uma escolha concreta entre isso ou sopas mas sim a relatividade, as mais diversas possibilidades, perspetivas e valências.

17. Alarme

Nada do que acontece de preocupante passa do toque de um alarme: faz-se ouvir, vibra, chocalha; por vezes, atordoa. Obriga a sair do nosso estado de adormecimento face à vida, a pôr os pés no chão. Faz acelerar o passo, carregar no botão, tomar decisões entre continuar a ignorar que algo chama ou atender logo ao pedido desse chamamento e desligá-lo por fim. 
Contudo, vamos a ver e depois de tudo passar era só o toque de um alarme. Passou o sobressalto - o equilíbrio voltou.