De momento, no centro de investigação, tenho dois projetos em mão. A responsável de um deles sempre me deu prazos, a outra não. Desde início que previa que isto ia correr mal quanto à que não deu datas limite. Dizia-me sempre "vá fazendo" e quando lhe perguntei se queria que fosse enviando à medida que fosse completando o trabalho respondeu-me "não, prefiro tudo no fim". Tudo certo então, pensei eu, mas logo a fazer a nota mental de que assim sendo a senhora ainda ia ter de esperar um bocado até ter tudo tudo prontinho, porque digamos que da última vez que verifiquei ainda não era uma máquina.
Ora pois: o que previa aconteceu. De repente, chegou a pedir tudo para ontem. A mim e a todos, que pelos vistos ela tirou o dia para se zangar com tudo o que estava a chateá-la... Quanto a mim, queria que a esta hora já tivesse um artigo todo escrito em português, lido por ela e reescrito em inglês para submetermos em junho. É verdade que já fez um mês desde que comecei a trabalhar, mas digamos que transformar uma dissertação de mestrado em artigo, dissertação essa que está cheia de erros e incompleta, conciliando as tarefas de reorganizar o texto todo, ler mais artigos para encaixar informação e formatar tudo segundo as regras da APA e da revista... Tudo isso, ao mesmo tempo que também se investe num outro projeto de investigação com análise qualitativa (com a qual nunca tinha trabalhado) e com uma temática da qual tão pouco estava informada... Oh 'miga, 'cê 'tá louca. Escrever e ler pode não ser uma tarefa complicada - porque não é - mas é trabalhosa na mesma e leva o seu tempo, ainda para mais quando estamos a falar de algo que a meu ver é muito sério (i.e., trazer ciência cá para fora) e que não pode ser só visto como algo a fazer só porque sim, para pôr um check na lista e adicionar mais uma publicação ao CV. Agora... se a senhora me tivesse avisado com antecedência que queria que eu só demorasse um mês a fazer tudo, aí talvez nos tivéssemos conseguido organizar de outra maneira, não é verdade? Porque sim, um mês dá para muita coisa - agora, se dá para tudo... Diria que é questionável. Seja como for, agradecia muito que me fosse logo dito o que se espera de mim desde início, ao invés de no fim virem cascar por algo que eu não sabia se estava a levar tempo de mais ou não.