quinta-feira, 31 de maio de 2018

Brincando de Vidente

De momento, no centro de investigação, tenho dois projetos em mão. A responsável de um deles sempre me deu prazos, a outra não. Desde início que previa que isto ia correr mal quanto à que não deu datas limite. Dizia-me sempre "vá fazendo" e quando lhe perguntei se queria que fosse enviando à medida que fosse completando o trabalho respondeu-me "não, prefiro tudo no fim". Tudo certo então, pensei eu, mas logo a fazer a nota mental de que assim sendo a senhora ainda ia ter de esperar um bocado até ter tudo tudo prontinho, porque digamos que da última vez que verifiquei ainda não era uma máquina.
Ora pois: o que previa aconteceu. De repente, chegou a pedir tudo para ontem. A mim e a todos, que pelos vistos ela tirou o dia para se zangar com tudo o que estava a chateá-la... Quanto a mim, queria que a esta hora já tivesse um artigo todo escrito em português, lido por ela e reescrito em inglês para submetermos em junho. É verdade que já fez um mês desde que comecei a trabalhar, mas digamos que transformar uma dissertação de mestrado em artigo, dissertação essa que está cheia de erros e incompleta, conciliando as tarefas de reorganizar o texto todo, ler mais artigos para encaixar informação e formatar tudo segundo as regras da APA e da revista... Tudo isso, ao mesmo tempo que também se investe num outro projeto de investigação com análise qualitativa (com a qual nunca tinha trabalhado) e com uma temática da qual tão pouco estava informada... Oh 'miga, 'cê 'tá louca. Escrever e ler pode não ser uma tarefa complicada - porque não é - mas é trabalhosa na mesma e leva o seu tempo, ainda para mais quando estamos a falar de algo que a meu ver é muito sério (i.e., trazer ciência cá para fora) e que não pode ser só visto como algo a fazer só porque sim, para pôr um check na lista e adicionar mais uma publicação ao CV. Agora... se a senhora me tivesse avisado com antecedência que queria que eu só demorasse um mês a fazer tudo, aí talvez nos tivéssemos conseguido organizar de outra maneira, não é verdade? Porque sim, um mês dá para muita coisa - agora, se dá para tudo... Diria que é questionável. Seja como for, agradecia muito que me fosse logo dito o que se espera de mim desde início, ao invés de no fim virem cascar por algo que eu não sabia se estava a levar tempo de mais ou não. 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Desabafo/Spoiler: OUAT

Deixei de ver Once Upon a Time faz um tempo - estava a tornar-se uma história demasiado rebuscada e complicada, com maldições atrás de maldições no fim de tudo estar  bem, para ainda fazer sentido existir. Entretanto, a série foi cancelada (já se esperava). Então, o episódio final aconteceu e, Maria curiosa como sou, fui ver só essa parte. Bom... Digamos que o final foi (spoiler alert) algo tão foleiro quanto a Rainha Má acabar por ser coroada Rainha Boa pela Branca de Neve e pelo Príncipe Encantado. Digamos que fiquei muito desiludida: a série no início tinha potencial para tanto mais... Enfim, a parte boa foi mesmo que deixei de ver ou tinha ficado muito chateada com este fim depois de tanto acontecimento.

You Only Live Once

Não sei se já o disse, mas gosto de me despedir da minha idade à medida que se aproxima o meu aniversário. Então, ontem adormeci a pensar que hoje seria a minha última segunda-feira da vida - de sempre - com vinte e três anos. Até acordei com outra disposição!...

Seize the day.

À Parte: Questão

Ando com problemas a comentar as páginas da blogosfera. Alguém mais?
(A ironia de ninguém responder na caixa de comentários é que talvez sim.)

sábado, 19 de maio de 2018

16. Índias

Começo a escrever e embarco daqui até às tribos índias. Ergo âncoras, iço as velas, assumo e delego comando do leme, sigo e ignoro mapas. A minha tripulação (de letras) é tão grande quanto for a alma e o horizonte tão infinito quanto for a vontade. Sou simultaneamente uma simples marinheira e a mais ilustre capitã. Apaixona-me isto escrever porque posso tudo.

15. Esplendor

Fecho os olhos e consigo encontrar sempre esplendor numa distância feita de frações de segundo percorrida pela imaginação. Obrigada à minha família por me ter permitido e ainda permitir crescer assim.

14. Ostra

Humanos são tal e qual ostras, já viram? Seres moles, que se protegem dentro de conchas altamente calcificadas e que têm a capacidade de transformar os invasores em pérolas.

13. Anafado

Se os social media nos tornassem anafados, vai na volta e havia mais obesidade do que aquela que existe hoje em dia pela comida.

12. Abc

Tudo começa com a aprendizagem do abc. Existe uma linguagem diferente para cada coisa e, daí, não devemos martirizar-nos por cada calinada dada no seu "português próprio". É tentar de novo - e de novo, e de novo. Por exemplo: sou ainda muito iletrada nisto da vida adulta no geral. Quanto ao trabalho então, só agora comecei a desenhar a letra a e juro que ela me sai torta mais de quinhentas vezes. Mas não há mal nenhum - só não se pode é desistir. A melhoria é uma constante.

11. Encobrir

Pegar em metáforas para pensar sempre correu muito bem para mim. Desta vez, vou usufruir-me do Sol e do enublado: foi a última vez que te encobri, pois entendi que assim, por muito que ainda emanes alguma luz, te estou a impedir de brilhar.

10. Celestial

Gasta-se muito com a eterna procura pelo celestial; investe-se pouco no encontro.

09. Derredor

Passava horas ao derredor de folhas brancas e cadernos de pintar, criando e pintando universos como quisessem ver meus olhos. Ainda faço isso um pouco - ainda que não só diante de folhas e lápis de cor.

08. Esticar

Nem sempre é digna a alegria. Quando estamos a esticá-la à força, não será.

07. Indigno

Não é indigna a tristeza. É indigno nunca sair dela.

06. Adorno

Gosto tanto de adornos como de máscaras: prefiro sem. Sou pelo vai como és e conquista o mundo.

05. Égide

O amor será sempre égide e cura, por muito que haja quem injustamente lhe atribua como sinónimos o desamparo e inúmeras feridas abertas. Ainda assim, podemos aprender muito sobre o amor em momentos de desalento e de sangue a escorrer. Aliás: é, muitas vezes, nesses momentos que mais se aprende sobre o amor.

04. Longevidade

Comentei noutro dia que se tivesse qualidade de vida não me importava de viver muitos anos, mas que se fosse para ficar acamada já não queria. A Vanessa riu-se ironicamente e anunciou que só quer viver até aos 75 anos porque o avô tem 90, perfeita saúde, mas que "não tem qualidade de vida" dados todos os cuidados que é preciso ter quando se acumula longevidade. Deu o exemplo do avô querer viajar de avião e não poder por tal não ser aconselhável. "O corpo não foi feito para viver tanto tempo", argumentou.
Tenho as minhas reservas quanto a esta troca de ideias por conhecer um idoso com bastante saúde, também na casa dos 90 e que, ainda assim, é feliz e aproveita o melhor que os dias têm (acho que é tudo uma questão de perspetiva e da forma como escolhermos adaptar-nos às novas condições a que estamos sujeitos - mesmo que se gostasse muito de andar de avião e de repente tal já não ser possível). Não obstante tudo isto, esta semana choquei com uma frase num artigo que me fez todo o sentido e que seria perfeita para resumir a conversa. Dizia mais ou menos o seguinte: não foi o life span que aumentou, foi o health span. Estou em completo acordo, pois podemos viver muito tempo e não ter saúde; da mesma maneira, também podemos ter saúde mas não necessariamente sentir que estamos a viver coisa alguma*.

* sim, aqui usei life span para falar mais de quality of life, mas foi a analogia que o meu cérebro fez automaticamente ao chocar com a frase.

03. Polvo

Sofremos todos um bocadinho, em algum momento, o síndrome do polvo - sete dias tem a semana, mas achamos que esse tempo não chega; era preciso haver mais um dia para equacionar oito tentáculos, e aí sim termos mãos e pernas para fazer tudo e ir a todo o lado.

02. Explorador

O meu espírito explorador é mais pelas pequenas aventuras do que pelas grandes; é o ato de descobrir nas pequenas coisas um mundo que me traz borboletas à barriga.

(Brincando um pouco: talvez por isso descer uma simples rampa seja o auge da adrenalina para mim.)

01. Fervoroso

- Esse teu discurso é fervoroso demais. Queima os ouvidos de quem escuta.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Hoje Só Quero Deitar Isto Cá Para Fora...

Há dias que não são fáceis...

terça-feira, 8 de maio de 2018

(...)

Sabem aquele estado de vai-se andando? É muito aquilo que sinto que está a acontecer enquanto trabalho em investigação. Não é um mau trabalho mas, para mim, também não me enche as medidas. Dou por mim a desejar arduamente que (mais) este ano acabe de uma vez por todas, que chegue finalmente 31 de dezembro, que o dinheiro que vou ganhar por aqui esteja todo na conta e que a minha liberdade seja conquistada uma vez mais para tentar pôr as mãos na massa enquanto clínica pura. Pois é: nunca pensei dizê-lo, mas parece que a minha maior motivação para estar aqui é mesmo o dinheiro que vou conseguir juntar para ficar mais perto de outros sonhos. E, claro, porque mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, e assim ao menos o meu currículo não tem um espaço vazio relativamente à minha formação de base. É só isto - é só e exclusivamente isto que me faz levantar da cama todos os dias para vir trabalhar. Isso e impedir-me de pensar muito no que estou a fazer, assim como repetir para mim própria aquilo que todos os outros que me rodeiam acham: ah, isto é uma boa oportunidade.

Uma boa oportunidade... sim, é. Se eu quisesse fazer disto carreira então, já cá estava dentro. Mas eu não sou feliz aqui. Sinto-me um bocado como quem vai para medicina porque há a convenção social de que é muito bom, mesmo se, se formos a ver, o verdadeiro sonho profissional seja na área da pintura. Mas claro, não sejamos injustos: não é só a convenção social que me faz estar aqui. Como disse, não é uma má coisa de se estar a fazer. A meu ver, e tendo em conta os meus gostos pessoais, pode-se dizer que estou satisfeita q.b., não estou infeliz - simplesmente, também não estou feliz. E isso chateia-me muito - não estar a viver plenamente de acordo com o coração como estou habituada a fazer desde que sou gente. Só que, enfim, a vida não me deixou, ainda, alinhar o meu modo de estar no mundo com as oportunidades do meu caminho... Tanto que, pronto: mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e aceitei o mais-ou-menos por não haver o ideal.

Agora: estou rodeada de pessoas doutoradas, a fazer o doutoramento, ou que estão altamente motivadas para concorrer a uma bolsa de doutoramento a seguir. Ou seja, sinto-me um verdadeiro peixe fora de água. Eu? Fazer doutoramento? Ainda por cima... já? Eu estou farta da vida académica, pessoas! Fartinha! Gosto muito de aprender mais dentro da minha área, mas se ainda não cheguei ao meu limite de estudo constante sem dar consultas pelo caminho - o que eu chamo de trabalhar efetivamente - com certeza que vou chegar até dezembro. Neste momento, não me sinto nem trabalhadora nem estudante - sinto-me ali no meio termo. A questão é que eu quero sentir-me trabalhadora.

Raios parta a porcaria da desordem, que não serve mais para desordenar a vida às pessoas e dizer (como se acima da lei constitucional?) que a educação superior não chega para trabalhar...

A parte lógica de mim vê várias vantagens em seguir o mesmo caminho que todas estas pessoas que se regem para e pela vida de PhD, mas importa-me mais o peso pessoal que as vantagens e desvantagens têm em mim do que propriamente a quantidade delas que constam na lista...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Caixa das Palavras II" de Maio

[ dia 1 ] - fervoroso
[ dia 2 ] - explorador
[ dia 3 ] - polvo
[ dia 4 ] - longevidade
[ dia 5 ] - égide
[ dia 6 ] - adorno
[ dia 7 ] - indigno
[ dia 8 ] - esticar
[ dia 9 ] - derredor
[ dia 10 ] - celestial
[ dia 11 ] - encobrir
[ dia 12 ] - abc
[ dia 13 ] - anafado
[ dia 14 ] - ostra
[ dia 15 ] - esplendor
[ dia 16 ] - índias
[ dia 17 ] - alarme
[ dia 18 ] - aborrecimento
[ dia 19 ] - carruagem
[ dia 20 ] - findar
[ dia 21 ] - lancinante
[ dia 22 ] - bodas
[ dia 23 ] - verduras
[ dia 24 ] - rancor
[ dia 25 ] - aliviar
[ dia 26 ] - interromper
[ dia 27 ] - entornar
[ dia 28 ] - azulíneo
[ dia 29 ] - esquecimento
[ dia 30 ] - antigamente
[ dia 31 ] - rubro