segunda-feira, 26 de março de 2018

(Afinal) A Psicologia Não é o Único Caminho (Nem Podia Ser Nunca!)

Vinte e seis de março de dois mil e dezoito: o dia em que me relembrei (!) do meu maior sonho - o meu maior sonho de todos - e enviei, finalmente, o meu livro para uma editora.

sábado, 24 de março de 2018

16. Uníssono

A omissão fala em uníssono com a mentira. De uma ou de outra forma, por meio de silêncio ou de palavras, ambas comunicam algo irreal.

15. Células

Not my pic - googled it.

Algures nas minhas células está ADN irlandês. Descobri recentemente que parte da família do meu bisavô materno era irlandesa. Está explicado o meu amor à Escócia e à Irlanda (gosto mais da Escócia do que da Irlanda, mas digamos que não me importo propriamente com o facto de poder não ter sangue escocês em nenhuma percentagem mas ter irlandês - não senhora, não me importo na-di-ca).

sexta-feira, 23 de março de 2018

14. Recesso

Num qualquer recesso há de estar o momento da concretização dos meus sonhos. Felizmente, sempre gostei de cantinhos e pequenos refúgios, pelo que experimentarei todos até acertar de vez.

13. Itinerário

Entendo que o itinerário que tenho pela frente poderá não ser mais bonito e leve que o do ano passado. Entendo que, talvez, até se venha a tornar mais sombrio e difícil de suportar. Mas, de repente, também entendo que se calhar não é tanto o itinerário em si mas o tipo de calçado que levar comigo que fará toda a diferença na agradabilidade da viagem.

12. Espantar

A chave estará em tentar encontrar o espantoso no monstruoso. O que te assusta no monstro? E o que te faz admirá-lo?

11. Abutre

No seio das simulações finais do curso para a obtenção do CCP, uma colega fez uma apresentação sobre processos de luto, em que nos presenteou com alguns rituais típicos de outras culturas perante funerais. Um deles, chama-se funeral celestial, é praticado no Tibete e mete abutres à mistura a comer o corpo e os ossos do falecido. Basicamente: o corpo é preparado durante alguns dias, é-lhe feito alguns cortes para ser mais fácil os abutres comerem-no e é levado para um local de culto por alguém significativo da pessoa. Depois da carne ter sido toda consumida, essa pessoa recolhe os ossos, parte-os, e volta a colocá-los à disposição dos abutres e companheiros para comerem o interior. Esta é a prova da importância imensa de conhecer cada pessoa e cada qual por aquilo que é, sendo que a cultura também tem, sim, de ser extremamente considerada enquanto contribuindo para os seus processos psicológicos. No Tibete, com certeza, a maioria das pessoas deverá estar em perfeita harmonia com este ritual, sendo algo adaptativo para elas e que realmente as ajuda a gerir o luto e a atingir o seu bem-estar. Agora... se isto se passasse por aqui, entre os portugueses, seria, no mínimo, algo considerado extremamente excêntrico e bizarro e no extremo oposto seria visto como macabro. Eu, por exemplo, comecei logo com o estômago às voltas e tive de desviar o olhar durante a apresentação, e imaginei logo que se tivesse de fazer um ritual destes que passaria o processo todo aos berros e que provavelmente desenvolveria uma PSPT no decorrer.

10. Comilança

Deem-me Toblerones e é a comilança total. Ou ontem o meu plano de doentinha não teria sido refastelar-me o dia inteiro no sofá, manjar dois filmes e uns quantos desenhos animados e, ao final do tarde, pôr a leitura dos blogs em dia ao mesmo tempo que devorava esses triângulos de sabor a céu (até me espantei por só ter comido quatro deles, mas também estamos a falar do Toblerone em ponto gigante - still: espantei-me).

09. Exorcizar

Precisa-se, urgente: exorcista.

Funções:
  • Repor a ordem nos anúncios de emprego e mercado de trabalho, nomeadamente tirar o diabo de dentro dos empregadores de pouca vergonha que andam para aí.

08. Sororidade

Ainda hoje me pergunto o que levou à diminuição da nossa sororidade...Talvez, mesmo, o final da adolescência. Afinal... que maior fase de identificação plena e total uns com os outros que não essa? Que outra fase para nos sentirmos, mais do que nunca, irmãs de coração? Ainda o somos e seremos sempre de alguma forma, bem sei... Mas a procura uma da outra é muito menor, muito mais esporádica. Se, por um lado, isso nos diz que crescemos e nos tornámos mais independentes e autónomas, mais confiantes da nossa capacidade para resolver e enfrentar a vida a solo, por outro, deixa-me um pouco triste não haver já tanta proximidade, tanta partilha, tantos "hey, estou aqui!". Talvez tenha sido o final da adolescência, a entrada na vida adulta... ou talvez tenha ocorrido mais qualquer coisa que se impôs entre as duas sem nenhuma dar conta concreta disso.

07. Carícias

Uma carícia que odiava profundamente e que, de repente, talvez pela pessoa certa, passei a amar para lá de todos os Universos? Dormir em conchinha. Agora até saudades tenho disso - antes, só a ideia fazia-me urticaria, pois odeio sentir-me presa em todos os sentidos e era o que esse ato me fazia sentir. Mas agora não! Agora, ao dormir assim, sinto-me protegida e aconchegada.

06. Vasilha

Vasilha: uma pequena ilha de água em terra firme.

quinta-feira, 22 de março de 2018

quarta-feira, 21 de março de 2018

05. Reter

"Faz o que eu digo, não faças o que eu faço" - no fundo, julgo que isto é um dos ensinamentos que nos estão a tentar que retenhamos no Curso Inicial de Formação de Formadores. Juro, nem vos passa a quantidade de coisas que vou apontar como crítica no Projeto Final que temos de entregar.

04. Alicate

Desastrada como sou, se alguma vez fizesse bricolage, julgo que em vez de usar, por exemplo, o alicate para a sua função, que acabaria, sem querer, por arrancar um dente a alguém. Bem que estou a visualizar a pequena ferramenta a voar e a bater no meu próprio rosto ou de algum terceiro enquanto tentasse extarir algum prego de algum lado. Tenho alguns episódios em que dentes de leite me caíram por acidentes como bater com a boca na cama, resolver chamar o elevador pondo uma garrafa de água contra o botão e pressioná-lo com a força de impacto da minha cara... Pois é: Maria, fazendo asneira desde o seu primórdio de vida.

03. De mansinho

O momento mais bonito e entusiasmante do início de um amor é, na minha opinião, aquele em que, de mansinho, um e outro aproximam suas mãos, tocam ao de leve suas peles, e por fim juntam palma com palma enquanto os rostos ruborizam e o sorriso espreita por entre os lábios de cada um. Quem está comigo?
Entre a procura de estágio, levar o curso para obtenção do CCP a bom porto e ficar doente pelo caminho, a blogosfera tem ficado de lado. Pergunto-me quantas publicações, a contar com esta, é que já terei feito por estes lados só para informar que continuo viva, que só não tenho tido grande tempo/disposição para escrever, mas que voltarei.

Nota: fui louca e concorri a uma bolsa de investigação e já fui à entrevista (julgo que correu bem, simplesmente somos mais candidatados do que eu pensava, pelo que a ver vamos). Como se não estivessemos traumatizadas com a tese, não é verdade? Contudo, nada que uma espécime de emprego na área e um bom apoio monetário não ponha em questão (como é o caso).

sábado, 10 de março de 2018

02. Emenda

Tenho vindo a aprender que procrastinar - pelo menos, para mim - resulta de uma tentativa de emenda no equilíbrio defeituoso entre as necessidades de trabalho-lazer. Tentativa de emenda, esta, que só estraga mais.

01. Inquilino

As pessoas das nossas vidas são-nos inquilinos que pagam a renda por outra forma de casa.

sexta-feira, 9 de março de 2018

"Caixa das Palavras II" de Março

[ dia 1 ] - inquilino
[ dia 2 ] - emenda
[ dia 3 ] - de mansinho
[ dia 4 ] - alicate
[ dia 5 ] - reter
[ dia 6 ] - vasilha
[ dia 7 ] - carícias
[ dia 8 ] - sororidade
[ dia 9 ] - exorcizar
[ dia 10 ] - comilança
[ dia 11 ] - abutre
[ dia 12 ] - espantar
[ dia 13 ] - itinerário
[ dia 14 ] - recesso
[ dia 15 ] - células
[ dia 16 ] - uníssono 
[ dia 17 ] - evidências 
[ dia 18 ] - trapaceiro 
[ dia 19 ] - estátua 
[ dia 20 ] - malícia 
[ dia 21 ] - noticiário 
[ dia 22 ] - masturbação 
[ dia 23 ] - enferrujado 
[ dia 24 ] - cristaleira 
[ dia 25 ] - inóspito 
[ dia 26 ] - vacilar 
[ dia 27 ] - arrufo 
[ dia 28 ] - entranhar
[ dia 29 ] - frívolo
[ dia 30 ] - radar 
[ dia 31 ] - varal

28. Movediço

A prova de que aplicamos etiquetas de forma errónea (o certo era nem as aplicar - pelo menos, não com super cola três), é que quando leio movediço, primeiro, relembro o pânico que a areia movediça me provoca. No entanto, logo a seguir, e se tentar rodar o jogo a meu favor, movediço também me relembra aquela sensação bestial de me afundar num puff ou numa piscina de bolas coloridas dos parques de diversões. Ah, que saudade boa...

27. Andragogia

Havia uma altura, sendo uma pitinha pequena e imersa na completa e total descoberta do que era isto do mundo, em que julgava que os adultos é que a sabiam toda. Foi graças a isso que hoje sei que todos estamos nessa completa e total descoberta independentemente das velas sopradas, e que ensinar uma criança ou um adolescente é capaz de ser, grande parte das vezes, bem mais fácil do que dar à manivela da andragogia no meio dos "crescidos".

26. Lúnula

O amor não pode ser cheio nem vazio. Ser vazio não pode por razões óbvias - nesse caso, não há aí amor, não há nada. Cheio... Ser cheio também não pode, porque da última vez em que verifiquei o amor não é estanque. Não é possível compará-lo a um balão cheio no qual não entra nem mais uma partícula de ar (isso, na verdade, até transmite uma sensação de sufoco... e, se é sufoco, também não é amor). Então, pensemos antes no amor como pensamos nos quartos da lua. Sim: o amor é uma lúnula. Minga e cresce, cresce e minga, continua apenas a crescer e a crescer sem fim à vista ou minga de tal forma que quase deixa de se ver. Mas se chega a cheio ou a vazio... Não sei até que ponto estaremos a falar de amor.

25. Torvelinho

- Tens um torvelinho no topo da cabeça.
- Não é de espantar, com o tornado que aqui vai dentro.

24. Cessar

Cesse esta excessividade de tempo e de ser caído no vazio, no desperdício; dê-se atenção às razões dos lamentos, aos porquês da inércia, às motivações do (di)vagar - mas que cesse esta sensação dia finito sem qualquer fim. Que cesse esta sede sem procura de água, sem provar essa água ou, até, sem imaginar o ar que nos entra por dentro como essa água - há que senti-la. Precisamos de colocar um ponto final a tudo o que nos limita, a tudo o que nos impede de ser mais.

23. Consistência

Não assustam propriamente os padrões de comportamento, pensamento ou emoção que gritam alarme, mas a sua consistência.

22. Elefantes

Há dias em que a dor não só tem memória como pegada de elefante.