Nossos monstros algo demonstram.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
29. Entidade
Hoje uma entidade cumprimentou-me pela energia que emana a minha candidatura. Vamos ficar felizes? Vamos ficar felizes.
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domingo, 28 de janeiro de 2018
28. Subalterno
Quem age por amor, por amizade, por ética e integridade não procura subalternos. Fica a nota para o mundo inteiro registar e levar para todo o lado no bolso e, sempre que for preciso, usar como cábula.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
26. Ermo
Precisava de um ermo agora para esvaziar a cabeça e não me importar com nada. Era. Sem esse ermo, a cabeça continuará cheia. Continuará em guerra até quebrar de cansaço (talvez até desmaiar, mais do que adormecer). Já agora, posso deixar o coração aqui antes de partir? Ia ajudar a conseguir manter a paz... Não, o meu coração também não está em paz. Como se vê, assim, não o posso levar. As espingardas continuarão a ressoar, as espadas a ferir. Mas também não é comigo que ele está, de qualquer forma - não comigo só, pelo menos... pelo que, como se vê, nunca o conseguiria levar inteiro.
Sobre a Primeira Entrevista de Clínica
Assim, numa primeira análise... e após um entusiasmo ingénuo de quem sai de uma entrevista que parece ter condições muito boas comparativamente às oportunidades que existem.. A pulga atrás da orelha por não me terem feito perguntas nenhumas acerca do meu percurso cresceu de tamanho ao trocar impressões sobre o que aconteceu dentro daquela sala e me foi dito quanto ao funcionamento do estágio.
Conclusão: acho que fui apresentada à podridão dos estágios de autêntica exploração que andam para aí. Agora só falta perceber, caso liguem a chamar-me, se há cedências nos termos impostos ou não. Porque se não houver, meus amigos, é impossível uma pessoa fazer aquele estágio e não se arriscar a desenvolver uma doença mental (a ironia) ou até a gastar mais dinheiro (e em favor da entidade, atenção) do que se ganha.
[Fora os aspetos e garantias que não me foram esclarecidos e que terei de pôr a pratos limpos à posteriori, aqui fica um resumo das condições por eles estabelecidas: primeiro mês à experiência sem pagar, cerca de 10h por dia, 12 meses, sem férias e com a possibilidade de ter de fazer uns sábados de vez em quando, 500 euros, gasolina ao meu encargo se num raio de 30km - sendo que há deslocações constantes porque a intervenção é feita em contexto e tendo em conta que daqui ao centro de Lisboa são 20km... Ou seja: gasolina paga coisa nenhuma. A não ser que eles concordem em estabelecer que pagam a partir de x número de km acumulados, pois convenhamos que é possível fazer 300km num raio de 30km e isso é incomportável. Há mais, pessoas! Há mais. Mas se calhar aí os motores de busca já me acusam, pelo que deixo apenas estes aspetos - já muito agradáveis por si só - no ar.]
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
25. Rumorejar
Aos meus dedos, hoje, deu-lhes para rumorejar: mal se escutam, mal se lêem... mal escrevem.
[Shhh! Acabou de sair qualquer coisa. Guardem segredo!]
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
May The Luck Be With You
Quem é que declinou ir à segunda fase do recrutamento da empresa de RH e conseguiu para esse mesmo suposto dia uma entrevista para Clínica, quem foi?!
*dançando, torcendo, cantando, sorrindo, lutando*
24. Tranquilizar
Vamos brincar de significados e acrescentar um pontinho ao dicionário?
Tranquilizar.
(tranquilo + -izar)
verbo transitivo
1. Sossegar; acalmar; aquietar; fazer perder a inquietação.
verbo pronominal
2. Recuperar a tranquilidade.
sinónimo de
3. Escrever; namorar; correr; dançar; nadar; ler; rir; chorar; dormir; viajar; ver as estrelas; sentar ao pé de uma árvore e mirar o vento a passar entre as folhas; passear ao pé do mar; ir ao cinema; fazer do sofá um cinema em casa; cozinhar; comer um gelado; beber uma xícara de chá; dar cafunés ao cachorro; desenhar; pintar; tudo o que a alma pedir.
verbo transitivo
1. Sossegar; acalmar; aquietar; fazer perder a inquietação.
verbo pronominal
2. Recuperar a tranquilidade.
sinónimo de
3. Escrever; namorar; correr; dançar; nadar; ler; rir; chorar; dormir; viajar; ver as estrelas; sentar ao pé de uma árvore e mirar o vento a passar entre as folhas; passear ao pé do mar; ir ao cinema; fazer do sofá um cinema em casa; cozinhar; comer um gelado; beber uma xícara de chá; dar cafunés ao cachorro; desenhar; pintar; tudo o que a alma pedir.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
23. Nefanda
Convenhamos: há pedagogias e pedagogias, psicologias e psicologias, éticas e éticas dependendo de quem as pratica. Parece-me (ou antes: tenho a certeza absoluta sintética analítica) que há para aí uma estação de televisão muito nefanda em todas estas práticas.
Já dizia o Telminho em supervisão e com toda a razão do seu lado: a intervenção psicológica não faz bem só porque é intervenção psicológica.
Esta coisa que está a ocorrer em televisão não tem em vista melhorar a vida de ninguém nem nunca teve. Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe-o a milhas daqui. Pena que escasseiem desses com dois dedos. Pena que alguns até têm três e quatro dedos mas prefiram continuar a colaborar no dark side porque, ops, we have money on the dark side, not cookies (antes fossem bolachas e que o monstro das bolachas os comesse a todos pelo caminho também, durante um qualquer acesso descontrolado de fome e gula).
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
22. Plácida
Decidi que os fins-de-semana são pura e exclusivamente para descanso. E assim foi neste primeiro trial do ano: passei o sábado inteirinho sentada, enrolada numa manta, devorando um livro página atrás de página - prazer a que já não me dava há muito, muito tempo. Fi-lo muito tranquila, muito despreocupada, muito plácida. Pensei em levantar-me umas quantas vezes para mudar de atividade, mas depois pensava para mim "não estás aqui bem?" e, sendo isto retórica e consciencialização de estado, permaneci no meu cantinho. Depois veio domingo e decidi que podia pefeitamente voltar a deitar-me na cama depois do pequeno-almoço - já com os estores abertos, já com os olhos bem abertos, mas dar-me ao direito de disfrutar do pijama com macaquinhos, do edredon quentinho, da almofada fofinha. Despachei-me sem pressas, almocei com menos pressa ainda, pintei as unhas de vermelho rosado, publiquei e agendei escritos no blog, fui ao café conviver.
Começa a semana e recomeçam as tarefas, a organização, as regras - por cinco dias, apenas. Decidido foi, decidido está: os últimos dois em falta são, doravante, para as não-obrigações. Não há cá mandar currículos, pensar em ligar à Desordem, em ir aqui e acolá tratar dos mais diversos assuntos - nada; era isso ou nunca sentiria que tenho descanso apesar de ainda não ter estágio (pensam o quê? Só o preocupar-me com candidaturas suga energia e disposição). Melhor decisão da vida nos últimos tempos, só vos digo.
domingo, 21 de janeiro de 2018
21. Descarnada
Por vezes, dou por mim presa num segundo de dúvida cortante; volta e meia, dou por mim numa posição de como quem mira o gume da faca: penso em falar-te, em dirigir-te a palavra - mesmo que uma só...
Logo me sinto descarnada.
Aí, pois, desisto. Decido hoje não. Escolho assim, e não tanto pelo medo de pôr o dedo numa ferida que não sei, sinceramente, se sarada - não... Isso, na verdade, também mete medo. Mas escolho assim mais pelo medo de desferir golpes profundos e letais onde corre sangue quente, onde corre vida que traz rubor ao rosto - rosto esse que, se rasgado, agora, é apenas por sorrisos. Então, escolho assim; escolherei assim enquanto for isso que encarnar o mais certo e o mais íntegro.
sábado, 20 de janeiro de 2018
20. Torcer
Torço por ti a todas as horas. Mesmo que te torça o juízo - sabe que, quando o faço, faço por ti, para ti, junto a ti; sempre.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
19. Estalidos
- A minha mente tem som de estalidos que nem pipocas. Quando anunciam ideias é bom, sabes? É fantástico, na verdade! É um pleno entretém, melhor que ir ao cinema e levar os aperitivos de graça. Mas às vezes é só ruído de fundo. Tipo a televisão sem sinal, mas pior: mais alto, mais intenso, mais estonteante; mais tudo.
Não sou claustrofóbica nem nada do género, mas o comboio da linha de Sintra às oito da manhã faz-me muito sentir como se fosse. Então, dou por mim a pensar que quem for de facto claustrofóbico e tenha de apanhar tal comboio, das três uma: (i) ou se levanta ainda mais com as galinhas e apanha os comboios de madrugada para não chegar atrasado; (ii) ou tem uma incrível capacidade de autorregulação; (iii) ou entra em pânico, desmaia, vomita - todas as reações que conseguirem imaginar.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
17. Fosca
Mirando o futuro:
- Fosca, esta vista.
- Fosse fosca. Diria que é opaca.
- Fosca, para mim, assenta melhor. Há sempre a probabilidade de aquilo que estás a pensar ser aquilo que está ali à frente.
- Ainda assim: nunca poderás ter a certeza. E, daí, acho que é opaca.
- Será uma mistura das duas? Vejamos... Uma vista opasca? Fospaca?
- (Risos) podemos ficar assim, sim.
- Fosca, esta vista.
- Fosse fosca. Diria que é opaca.
- Fosca, para mim, assenta melhor. Há sempre a probabilidade de aquilo que estás a pensar ser aquilo que está ali à frente.
- Ainda assim: nunca poderás ter a certeza. E, daí, acho que é opaca.
- Será uma mistura das duas? Vejamos... Uma vista opasca? Fospaca?
- (Risos) podemos ficar assim, sim.
Amor de Ontem numa Mensagem
Mãe: - Querida filha, não vás à entrevista triste e desanimada. Eu e o Filipe estamos a passar por um período difícil, pois estamos muito cansados sobretudo do Hockey e de ajudar o Rafa na escola e andamos um pouco desanimados com a vida, acabando por transmitir isso a vocês. Deve ser com felicidade que vês os desafios. Só felicidade atrai mais felicidade. Tudo irá correr bem para ti e para o Arlindo. Nós vamos ajudar. Vamos estar do vosso lado. Nunca desistam dos vossos sonhos e de perseguir a vida que querem. E não liguem muito às palavras dos mais velhos, que estão cansados da vida... Esses já não fazem a diferença. Segue o teu coração. Amo-te. Estou sempre disponível e do teu lado! Vais ver que vais conseguir o melhor para ti. E o mais apaixonante. Não duvido nem um segundo disso pois és a Maria. O Arlindo também vai conseguir encontrar um caminho bem melhor e que o apaixone. Beijinho e um dia muito feliz.
- do dia 16 de janeiro de 2018
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terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Sobre Hoje, Tiradas as Teimas
Não me consegui identificar com o projeto da entrevista: muito pouco contacto com as pessoas e nada ao encontro das vertentes que, ainda assim, achava mais interessantes de abraçar na empresa. Teria de investigar sobre um tema com o qual não me identifico rigorosamente nada e construir essa tal investigação do zero. Ficar-me-ia bem no currículo? Ui, se corresse bem aposto que sim! Acrescentar-me-ia como pessoa que sou e aos meus sonhos? Duvido muito. Assim, espero que haja alguma alminha extremamente empolgada e de olhinhos a brilhar no meio das várias que se candidataram ao cargo e que se enquadre melhor que eu; essa que consiga a oportunidade da sua vida. Da minha não é... Não vai dar. Não consigo esticar a motivação e o entusiasmo se estes não os há nem numa pequena nesga.
Continua assim a saga de emboscada à caixa de entrada e à porta das Clínicas - esses pedaços de nuvem de algodão-doce na Terra!
16. Exercitar
Mantra para a entrevista de agorinha:
Que se nada daqui provir, que te sirva ao menos para (te) exercitar.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
15. Fruteira
Fazes-me sentir muito fruteira por seres a minha dose saudável e diversificada de açúcar dos dias. Podias ser bolo de chocolate, tarte de amêndoas, gelado multi-sabores. Mas és-me muito mais do que gula: és imprescindível. És o açúcar de que preciso, aquele que faz falta às veias. Um açúcar que alimenta por dentro; que dá energia, nutrientes e vida.
domingo, 14 de janeiro de 2018
14. Desenterrar
- Desenterras mortos como quem desenterra tesouros, um atrás do outro.
- Tem de ser, preciso de o fazer. Sabes? Ainda são tesouros aqueles que estão meio vivos. É preciso que os vejamos desprovidos de vida para os enterrar de uma vez, entendes? Antes disso, se ainda os vês meio a respirar, é sinal de que ainda há algo de precioso, de importante a resolver por aqui, ou já se tinham ido. Agradável ou não, não podemos deixar na terra um baú que ainda vemos como tal, compreendes? Que ainda distingamos da terra alguma coisa mais que não os grãos que a perfazem. Os nossos fantasmas têm de se ir. Têm de deixar o purgatório. E, para isso, convém perceber porque é que ainda lá estão.
- É preciso abrir caixões, então?
- É, há alturas em que tem de ser. Não basta esconder debaixo do solo e esperar que se evapore tudo para uma nuvem que depois vá chover noutro sítio.
- É preciso abrir caixões, então?
- É, há alturas em que tem de ser. Não basta esconder debaixo do solo e esperar que se evapore tudo para uma nuvem que depois vá chover noutro sítio.
sábado, 13 de janeiro de 2018
(Querida Paula, tenho-te aqui uma dívida de gratidão eterna!)
Há pouquinho disseram-me que falaram de mim a uma psi e, por acaso, esta advertiu que um estágio em Clínica vai abrir. Depois de gritar, sorrir, tremer e chorar, já fui a correr lançar-me com uma candidatura espontânea. O sítio e as funções que são... são de sonho.
Que venham daí todos os dedos cruzados, trevos de quatro folhas e as rezas que forem precisas para que este momento de esperança e felicidade histérica que tive (que até me fez esquecer que eram horas de almoçar) se estique para os próximos dias, semanas,... pelo tempo que for preciso. Não largo o telemóvel nem a caixa de entrada agora - ai não.
13. Cegar
- Não imagino o que seja cegar, perder dos olhos a visão.
- Não imagino o que seja isso, mas no coração.
Eu Disse Que Me Assumi Mutante
E de repente até estou mais ou menos disposta a experimentar a empresa de RH, se for RH que querem que eu faça - porque não tem de ser um destino fatalista para abandonar Clínica só por aceitar RH, e até pode ser uma coisa que me abra caminhos para o que eu quero e para outras coisas que eu ainda nem sei que quero.
O que aconteceu para eu mudar de ideias e tornar as minhas ideias mais flexíveis? Pois claro que tinha de ser uma razão do coração: a minha pessoa a chorar a meu lado, no meu colo, porque acabou o curso há três anos mas a arte em Portugal está às portas da morte no mercado de trabalho e não arranja nada na área, vê os sonhos a evaporarem-se todos, as expectativas degoladas, os trinta anos a baterem à porta, o arrependimento de não ter aproveitado certas oportunidades que, apesar de não serem aquilo que ele mais gostava, se calhar não se tinha importado tanto assim de as agarrar se fosse hoje em dia, se calhar a função não tinha sido assim tão má.
Não me devo reger pelos outros e pelo que correu mal aos outros para tomar as minhas decisões, eu sei. Não há como adivinhar o que me vai acontecer e que possibilidades é que eu vou ser capaz de abrir. E daí estar em permanente conflito interno nos últimos dias - daí a ter uma parte de mim a gritar para ir só atrás do meu sonho para já porque é muito cedo para não me focar exclusivamente nisso (nem há dois meses estou formada) e outra parte de mim ter as lágrimas ao canto dos olhos porque sei que as coisas não estão fáceis e que também não me posso propriamente dar ao luxo de pôr oportunidades de lado. Assim, julgo que o que vai acontecer na terça-feira é sair da entrevista a pedir nem que um dia para pensar melhor na proposta, pois sinto-me toda divididinha, partidinha, estilhaçadinha em mil versões de mim, mil perspetivas, mil possibilidades, mil cenários. Tenho medos, tenho desejos, tenho objetivos em várias áreas da minha vida, tenho aquele fantasma do no fim, tudo também depende um bocado da sorte a assolar-me. Tenho dúvidas, tenho-me a mim e a tudo aquilo que amo nas mãos sem saber bem onde nos colocar.
(Ou seja: eu continuo a não querer esse caminho de RH para mim; mas vou de mente aberta ver o que pretendem de mim e depois logo se vê do que me sinto capaz de abraçar ou não agora.)
(Sinto-me não eu só de ter escrito este post - acho que isso já diz o bastante do quão alto e com quanta força grita aquela parte de mim que quer que a deixem sonhar e lutar pelos sonhos só e apenas para já. Eu preciso de pessoas, eu preciso de pessoas, e à pala disso já estou a criar relutâncias, intolerâncias, mini-ódios, ideias pré-concebidas face a outras coisas - diz que não é um bom princípio.)
(Porque é que te candidataste então, Maria? Porque também pediam alguém que gostasse de escrever. Pronto, já disse. Foi essa a principal razão para me candidatar. Psicologia e escrita juntas? Não pude como não. O que me está a matar é mesmo não saber mais nada da função e estar a fazer filmes pelo meio.)
(Ou seja: eu continuo a não querer esse caminho de RH para mim; mas vou de mente aberta ver o que pretendem de mim e depois logo se vê do que me sinto capaz de abraçar ou não agora.)
(Sinto-me não eu só de ter escrito este post - acho que isso já diz o bastante do quão alto e com quanta força grita aquela parte de mim que quer que a deixem sonhar e lutar pelos sonhos só e apenas para já. Eu preciso de pessoas, eu preciso de pessoas, e à pala disso já estou a criar relutâncias, intolerâncias, mini-ódios, ideias pré-concebidas face a outras coisas - diz que não é um bom princípio.)
(Porque é que te candidataste então, Maria? Porque também pediam alguém que gostasse de escrever. Pronto, já disse. Foi essa a principal razão para me candidatar. Psicologia e escrita juntas? Não pude como não. O que me está a matar é mesmo não saber mais nada da função e estar a fazer filmes pelo meio.)
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
12. Medrar (parte II)
Quando a pê disse que a nova Caixa de Palavras ia ter algumas palavras que não tinham de vir do dicionário, assumi que medrar fosse uma delas. Assumi que seria um neologismo, um novo verbo para encher-se de medo. Afinal não: a palavra existe. Quer dizer crescer, desenvolver-se, prosperar. Assumo então aqui que acabei de medrar um pouco, pois novo conhecimento adquiri para mim.
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Entre dias e noites,
Sonho letras e vida em livros
Para Enquadrar
Estas reflexões todas derivam de ir a uma entrevista para uma empresa de RH (?) na próxima terça-feira. Não sei se o cargo é para RH, na verdade. Não havia grandes informações sobre o que era para fazer e não pediam especificidade do mestrado em Organizações, pediam só psicologia e que se gostasse de investigação. A modos que vou para descobrir qual é a proposta, porque a empresa em questão não me parece uma entidade igual às outras da área. É muito virada para dar o melhor aos outros também, e foi essa uma das razões que me encantou; não foi a principal, mas foi uma das que me puxou a candidatar-me apesar de tudo. Sem compromisso, veremos, pois então. Veremos.
Entretanto, por me perceber Clínica de espírito às vísceras, nasceu uma nova etiqueta: alma de psi-rinho.
Parem-me, se se Atrevem
Entendi-me mutante quando assumi o meu pleno direito a mudar de ideias quando entender e as vezes que sentir necessárias. Entendi que aquilo que digo num momento é verdade, a mais pura e genuína verdade - mas para aquele momento. Assumo a minha costela de gémeos vira-casacas - ou melhor, de humana vira-casacas, porque toda a pessoa que seja humana é vira-casacas nos seus campos, nas suas alturas. Estou numa fase reflexiva da minha vida, numa fase de alinhavar planos A, B, C, numa fase em que a minha vida profissional é um dos centros principais ainda que não o mais querido para mim - pelo menos achava eu até hoje à noite, quando senti que precisava de algo mais no mundo que faça o meu coração pulsar ainda mais para lá além. Vejamos se nos entendemos: a minha prioridade na vida estará sempre no campo do Amor - o Amor que tenho pelo e com o Arlindo, o Amor que tenho pelas e com as pessoas da minha família e do meu círculo de amigos, o Amor que tenho pela escrita, o Amor que tenho pela descoberta do mundo. Simplesmente, hoje à noite, antes de dormir, descobri que também vai ter de ser Amor pelo trabalho. O campo profissional está incluído, não me é tão indiferente assim como eu achava que seria. Amor em todo o lado eu preciso, eu procuro, eu cobiço. Amor e mais Amor - e por esse Amor com letra maiúscula lutarei, erguerei espadas e escudos.
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Mais Mundo,
Sonho letras e vida em livros
12. Medrar
Eu medro, tu medras, ele medra, nós medramos, vós medrais, eles medram. Há famílias que formam círculos viciosos, e há para aí delas às carradas - não só das famílias de sangue, mas daquelas que se criam dos constantes contactos relacionais. Então, por exemplo: a Clara partilha o seu medo disto e daquilo, que por sua vez é subscrito pelo João que teve uma experiência parecida, que por sua vez a Fátima também ouviu falar que já aconteceu à Rita, que por sua vez o Zé e o Alexandre também tremem só de ouvir - independentemente de, se calhar, estar lá uma Ana e um António que abrem ali o jogo de probabilidades e constatam que esse episódio tem a possibilidade mínima de se materializar. Está tudo estragado: formou-se ali uma irmandade de atenção seletiva e de reforços baseados em catastrofizações e em historiais de insólitos que só acontecem uma vez na vida mas ó diabo se acontecem de novo. E de repente o drama, o mundo a ruir, toda uma vida a girar à volta daquilo, e se for preciso até um novo verbo se inventa para coisa que tal.
Pessoas, pessoas!!!... Vamos parar um bocadinho e procurar ter em conta também Anas e os Antónios da vossa vida, sim?
A Última Contra-Argumentação Mental Antes de Ir Dormir
- A tua prioridade é entrar para a Desordem.
Não, não é. A minha prioridade é ser feliz.*
* entrar para a Desordem poderá, ou não, ser a mesma coisa.
É: isso do se Clínica não resultar vou para RH não vai dar. Se Clínica não resultar eu não faço ideia para onde irei, mas RH não me encaixa como Clínica não encaixa a tantas pessoas de RH, que excluem esse caminho logo à partida. Seria melhor profissional num café e mais feliz, tenho quase a certeza absoluta. E virão os entendidos adultos dizer que vou precisar de mais dinheiro que aquele que se ganha num café, que trabalhar numa empresa é upa-upa, que o emprego do meu namorado também não é o melhor e depois como é que pensam ter uma vida, que fui até ao fim de um mestrado e como assim não fazes um último esforço de um ano em RH só para entrar para a Desordem, como assim, como assado. Pessoas: viva eu como viver, vou sempre viver comigo, e é por mim e por mais ninguém que tenho de fazer o meu percurso, seja ele qual for. Não me tentem ver por menos por isto ou por aquilo que a minha pessoa e a minha vida é do mesmíssimo tamanho e valor, só se as vossas lentes estiverem desajustadas é que acharão que não. Maria, não te deixes ir nas lenga-lengas do tu não sabes o que é, escuta-me que eu é que tenho razão que sou mais ancião.
Então, eu achei que se houvesse só a escrita e mais nada bastava para eu ser feliz, mas depois entendi que da escrita só e apenas não bebe nem o meu corpo nem a minha alma. Então, eu percebi que preciso das pessoas, das histórias delas, de desbravar interiores com elas, porque no fundo ser psicóloga também já é um pedaço grande de quem eu sou e daquilo que eu não poderia não ser. Então, estou aqui a viver um dilema existencial à hora de dormir, ou melhor, muitos dilemas existenciais, porque a vida balança balança e a gente ou balança também ou aguenta firme, e eu como sou apologista de sentir tudo o que há para sentir até às camadas mais fundas do ser já devo ter em modo automático para balançar também.
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
11. Leviano
Leve, leve, é o que diz que diz em África. Leve, leve. Não fiz voluntariado em África quando pensava que ia fazer lá para dois mil e trezes, catorzes, mas só de ir à reunião de apresentação do programa, esta marcou-me logo: leve, leve. Porque... para quê levar a vida com pressa? Para quê levar a vida pesada? Para quê escolher fazer assim? Leve, leve. Vão, sigam caminho, façam, vivam tudo o que tiverem de viver de mais e de menos e de sobe e desce. Mas vão leve, leve.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
«I read once that the ancient Egyptians had fifty words for sand and the Eskimos had a hundred words for snow. I wish I had a thousand words for love, but all that comes to mind is the way you move against me while you sleep and there are no words for that.»
- Brian Andreas, Story People: Selected Stories & Drawings of Brian Andreas
10. Entreolhar
Do melhor que a vida tem: entreolhares apaixonados.
Não se escreve mais sobre isso, que não se quer. Essa magia arrebatadora e fugaz toda, inteira e última só faz sentido vivida - mesmo que linda nos romances, hipnotizadora nos filmes, invejável na rua, memorável em fotografias e diários. Não se pode comparar.
Não se escreve mais sobre isso, que não se quer. Essa magia arrebatadora e fugaz toda, inteira e última só faz sentido vivida - mesmo que linda nos romances, hipnotizadora nos filmes, invejável na rua, memorável em fotografias e diários. Não se pode comparar.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
09. Urbano
Hoje era para ser o meu primeiro dia urbano do ano: sair dos subúrbios para acompanhar o meu amor a uma entrevista no centro da cidade, que estava com gripe (ele que não ficava doente desde a terceira classe, diz) e há uns dias mal se aguentava em pé. Felizmente está melhor, pelo que já não irei, pois já não tenho mais medo dessa imagem de ele se escancarar no meio do chão se se sentisse mal de repente. Seria esta a primeira visita de muitas nos próximos tempos ao lufa-lufa de Lisboa, pois em breve, breve, vou começar a entregar currículos em mão assim que acabar de organizar a minha folha de Excel toda bonitinha com possíveis locais de estágio por localização (já faltou mais).
Pois é: começa a luta externa para encontrar um lugar... e a interna também. Quer dizer: a interna já começou. Continuará, pois então. Faço-me agora aqui astróloga do meu ano e vejo que os planetas estão alinhados a espelhar terramotos nas cidades que for construindo no meu coração, à medida que acumulo tijolos em forma de casas e castelos. Mas também diz o site de astrologia que este ano é um ano de organização para mim, de ganho de maturidade. Tenha ou não a astrologia razão na maior parte dos casos, a dica faz todo o sentido. Por isso, é fazer-me Marquês de Pombal e reconstruir inteligentemente toda e cada rua central sempre que um desastre ocorrer. Daí, há de vir qualquer coisa de bom.
Pois é: começa a luta externa para encontrar um lugar... e a interna também. Quer dizer: a interna já começou. Continuará, pois então. Faço-me agora aqui astróloga do meu ano e vejo que os planetas estão alinhados a espelhar terramotos nas cidades que for construindo no meu coração, à medida que acumulo tijolos em forma de casas e castelos. Mas também diz o site de astrologia que este ano é um ano de organização para mim, de ganho de maturidade. Tenha ou não a astrologia razão na maior parte dos casos, a dica faz todo o sentido. Por isso, é fazer-me Marquês de Pombal e reconstruir inteligentemente toda e cada rua central sempre que um desastre ocorrer. Daí, há de vir qualquer coisa de bom.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
08. Desintegrar
Antigamente, não olhava o sentir-me esmiuçada por dentro a bons olhos; o sentir-me feita em pedaços, separada do que conhecia, desintegrada em peças de puzzle espalhadas e amontoadas sem sentido; estilhaçada qual vidro partido a formar o caos. Hoje, creio que já olho isso de outra forma. Porque, quando em cacos, não temos mais nada que não nós. Repare-se: não há altura em que se possa ter mais certezas de quem se é, mesmo que o sentimento predominante seja o de se estar totalmente à deriva. Afinal de contas, é a altura em que podemos com toda a certeza dizer que nos sentimos todos, de uma ponta à outra, em cada célula; é a altura em que nos somos todos sem mais nada, só com o que somos e quem somos, porque de resto caiu-nos tudo. Somos ali; naquele momento; naquele lugar; naquelas condições: genuínos. Em tudo o que nos vai dentro, somos nós. Só nós. Mesmo que amanhã possamos vir a ser mais do que naquele momento e arrecadar um pouco de melhor da vida para usar como cola e criar de nós qualquer coisa diferente e nova: ali, naquele instante de confusão, de desestruturação, somos cada lágrima, cada arcar de dor, cada saudade, cada desejo, e cada sorriso que possa eventualmente surgir por qualquer razão inesperada. Ali, não podíamos ser mais nós.
Creio hoje, mais do que ontem, que, talvez, mais do que o renascimento, a morte da fénix é o momento. Pelo menos, já tem dias em que consigo pensar assim.
domingo, 7 de janeiro de 2018
Há daquelas coincidências da vida em que passo de cética a inconformada com as respostas que a ciência e a lógica podem dar. Preciso muito da lógica na minha vida para me guiar (preciso mesmo, mais do que aparento)... mas convenhamos que, talvez, não pudesse ser Maria se toda eu procurasse apenas as regras e as fórmulas. Eu era aquela criança a quem a minha mãe escrevia cartas que besuntava com um creme de maquilhagem dourado fingindo que o remetente era uma fada. A partir daí, aquela carta passava a ser o meu maior tesouro. Assim sendo, sinto-me no direito de volta e meia indagar ao Universo qualquer coisa, e agora o que indago é: será que o Sr. Agostinho não é mesmo um anjo que anda por aí a saltitar entre vidas para levar sabedoria e amor a quem encontra durante os seus passeios na rua? Disse-me ele que saiu da terrinha mais a mulher para vir viver com a filha para Lisboa. Porém, não sei se esta foi a sua primeira morada. É que reparei noutro dia que, pelo menos mais uma pessoa minha conhecida, também já teve um Sr. Agostinho nos seus dias - um Sr. Agostinho assim destes, que para e cumprimenta cheio de educação e alegria toda a gente.
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"Estamos todos ligados no grande ciclo da vida" disse o Mufasa,
Entre dias e noites
Sou uma pessoa que precisa muito do tempo para si própria, para ficar em casa no seu cantinho ou sair para fazer as suas coisas, que necessita muito de estar só consigo mesma. Não me interpretem mal: também gosto muito de estar com as minhas pessoas - só não preciso daquela rotina de ver os amigos todas as semanas. Já muitas das pessoas do meu círculo precisam, e se fosse possível até faziam planos de dois em dois dias. Comigo, há daquelas fases em que fico satisfeita se ocorrerem encontros de três em três semanas ou de mês a mês. Então, tenho muita dificuldade em lidar com convites quando eles vêm em forma de "Maria, o que vais fazer dia x...?" em vez de "Maria, quero convidar-te para vires ao café/cinema/passear dia x". Quando os convites vêm formulados da primeira maneira sinto-me muito incomodada, porque às vezes não tenho planos mas na realidade não quero ter planos. A minha resposta acaba então por sair sempre um envergonhado "acho que até agora não tenho nada de especial, mas porquê?...", quando o que me surge na cabeça é um "oh não! Não, não vou fazer nada, mas apetece-me nada fazer". Sei que se dissesse que não estou muito disposta para sair naquele dia que, muito provavelmente, aqueles amigos do peito iam entender (e já disse umas quantas vezes, e entendem). Mas sinto-me constrangida, porque as vezes em que não me apetece sair são muitas, e se os convites chegam sempre desta forma quase que soa que não gosto nem tenho vontade de estar com as minhas pessoas. Gosto e tenho vontade, só não é uma necessidade minha constante, o que não diminuí a importância que essas pessoas têm para mim e que faço por mostrar sempre que estou com elas.
Ah, isto é especialmente verdade para os planos que são feitos à noite. A noite é muito minha, do meu pijama, da minha cama, dos meus livros, das minhas séries, das minhas escritas. A noite é o tempo em que muitas vezes me viro para dento de mim própria e que devagarinho começo a desligar de tudo do dia-a-dia para recomeçar no amanhecer seguinte. Preciso muito da noite para mim e só para mim, só consigo conceder um pouquinho dela para os outros de tempos a tempos ou quando sei que é um plano realmente importante para alguém que amo.
07. Regressar
Regressar fará sentido se há algo lá atrás que precisamos de ir buscar para o agora nos fazer sentido. Se há tempo lá atrás que precisamos para viver o tempo daqui da frente, se há espaço lá atrás que precisamos para dar balanço na vida daqui. Não fará tanto sentido, contudo, se o tempo e espaço daqui são possíveis de nos ser no que são e se só nisso já nos sabem a casa. Cabe, pois, a cada um pesar o que levam nos bolsos dos casacos de ontem e de hoje nos pratos da balança.
sábado, 6 de janeiro de 2018
06. Sugar
Sanguessuga suga menos que muita gente nos suga a vida.
Há que sugar essa gente aspirador dentro, limpar o chão em que pisamos e a casa do nosso coração.
Há que sugar essa gente aspirador dentro, limpar o chão em que pisamos e a casa do nosso coração.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
quinta-feira, 4 de janeiro de 2018
04. Mamilo
Um golfinho mamã a amamentar um golfinho bebézinho. Uma cadelinha mamã a amamentar muitos cãezinhos e cadelinhas bebés. Uma gatinha mamã a amamentar os gatitos pequenotes. O conforto dessa imagem da mamã a cuidar de seus filhotes, a permiti-los crescer, a dar-lhes o que precisam para um dia vingarem felizes por aí. É o pensamento de amor que aqui deixo por hoje.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
03. Ardilosas
É preciso ardil para sobreviver neste mundo, dizem. Mas não será isso uma tamanha manha contada por si só?
terça-feira, 2 de janeiro de 2018
Let's Go Party
Problemas de sair à noite: no dia seguinte, se precisas de sono, ele não está nem perto. Estará com certeza dançando algures e noite dentro como se fosse dia de festa outra vez.
Em contrapartida, eu estou aqui à espera que ele chegue a casa e entretida no entretanto com isto de voltar a pôr mãos à obra na Caixa das Palavras.
Etiqueta de (re)nome:
Caixa das Palavras,
Entre dias e noites,
Sonho letras e vida em livros
02. Clarão
Com a alvorada, o clarão. A luz ofuscante a doer-lhe na vista e, ironicamente, só aí fazendo-a ver de verdade: o que acontecera não fora um pesadelo que passaria como passam os sonhos numa noite de sono. O que acontecera era real. Só se estivesse cega é que, talvez, não se aperceberia... mas a dor ia-lhe além dos olhos.
Devia saber: luz demais pode magoar.
Acordar para a realidade, por vezes, fere.
Devia saber: luz demais pode magoar.
Acordar para a realidade, por vezes, fere.
segunda-feira, 1 de janeiro de 2018
01. Açucareiro
Querem-se dias açucareiros! Daqueles que sabem àquelas colheradas no pote de gelado enquanto sentados no sofá a ver uma bela de uma série que atinge o fundo de nós. Querem-se dias açucareiros - mas nos gestos. Destronem-se as barrigas redondas, os umbigos empinados.
Sobre a Etiqueta "Mais Mundo"
Para os curiosos: o resto do relato da minha viagem à Escócia (faltam três dias) será publicado sob a data de trinta e um de dezembro de dois mil e dezassete, que quero guardar o que for de cada ano em seu respetivo. Isto serve, também, para o resto do relato do Interrail que fiz em dois mil e dezasseis e que não terminei de escrever, assim como serve à publicação sobre a viagem a Cuba em dois mil e quinze que também ainda não saiu cá para fora mas que há séculos habita os meus rascunhos no blogger. É este ano - mais especificamente, nos próximos dias - que tudo acontecerá - não porque é ano novo e porque isso implica magicamente coisas novas, mas porque eu quero fazer tudo isto acontecer. Quero porque preciso de espaço para o que há de vir. Quero porque preciso de limpar o pó dos meus armários e baús. Quero porque, para começar, basta querer.
"Caixa das Palavras II" de Janeiro
[ dia 1 ] - açucareiro
[ dia 2 ] - clarão
[ dia 3 ] - ardilosas
[ dia 4 ] - mamilo
[ dia 5 ] - elo
[ dia 6 ] - sugar
[ dia 7 ] - regressar
[ dia 8 ] - desintegrar
[ dia 9 ] - urbano
[ dia 10 ] - entreolhar
[ dia 11 ] - leviano
[ dia 12 ] - medrar
[ dia 13 ] - cegar
[ dia 14 ] - desenterrar
[ dia 15 ] - fruteira
[ dia 16 ] - exercitar
[ dia 17 ] - fosca
[ dia 18 ] - rochedos
[ dia 19 ] - estalidos
[ dia 20 ] - torcer
[ dia 21 ] - descarnada
[ dia 22 ] - plácida
[ dia 23 ] - nefanda
[ dia 24 ] - tranquilizar
[ dia 25 ] - rumorejar
[ dia 26 ] - ermo
[ dia 27 ] - inflamável
[ dia 28 ] - subalterno
[ dia 29 ] - entidade
[ dia 30 ] - bocas
[ dia 31 ] - demonstrar
Mais Palavras em Dois Mil e Dezoito
Novo ano pede começos e recomeços. Um dos recomeços é o desafio da Caixa das Palavras, que as minhas andam a gritar por sair da caixa.
Meu Caro Dois Mil e Dezassete,
Apeteceu-me escrever-te este ano, porque em muita coisa me foste caro, de facto. Não sei qual o significado de caro aqui: se estamos a falar de riqueza e de amor ou se estamos a falar daquilo que me fizeste dar de mim, tirar de mim, sentir o meu espírito e aqueles das pessoas que me são muito queridas de bolsos vazios. Deverá ser uma mistura dos dois, no fim de tudo. Tu, caro dois mil e dezassete, deste-me um estágio que despertou em mim muitas lágrimas ao final do dia e um abate físico e psicológico incomportáveis por muitos, muitos meses, meses estes em que questionei um cento de vezes se era a psicologia que eu queria para a minha vida ou se tinha só tido um azar desgraçado com o local e população que escolhera para começar o meu caminho profissional. Tu, caro dois mil e dezassete, também me mostraste que afinal a psicologia me faz todo o sentido, que afinal aquele local até me apaixonava e que a sua população tinha conquistado um pedaço do meu coração; tu, caro ano, fizeste-me perceber que todo o meu conflito interno era, de facto, puramente interno; de mim para comigo; de mim para com a minha falta de autocompaixão; de mim para com a minha pobre capacidade autorregulação da ansiedade; de mim para com a minha urgência de ser perfeita e ter medo de falhar; de mim para com a falta de tempo concedida para mim mesma e para os meus. Tu, caro ano, fizeste-me cair de joelhos perante o estado para que caminhava a minha saúde mental e, por isso, foste a minha alavanca para procurar o meu corrimão. Parei. Respirei. Procurei soluções. Encontrei-as, aos poucos... Enquadrei tudo o que sentia; descobri sobre as minhas emoções e pensamentos, porque é que estavam lá e principalmente como ressoavam enfim na minha vida; fui desarmando uma grande percentagem da minha tricotilomania e orgulhei-me, em muito tempo, da quase ausência de marcas nas minhas pernas dos pêlos arrancados, embora tenha sempre piorado um pouco em fases críticas, como já estou preparada para que possa acontecer ao longo da minha vida e que não me devo culpabilizar por isso, mas consciencializá-lo sempre e tentar de novo no fim. O percurso até terminar a tese também não ajudou a acalmar a atribulação externa e interna deste ano. Ver o meu avô, aqui pelo meio, a saltar de lar para lar, a perder o foco do olhar, a acolher as visões como algo recorrente do dia-a-dia, a perder a coerência do discurso, a perder peso, a ir-se devagarinho e eu sem poder estar todo o tempo que queria junto dele apesar de me ter esforçado para estar o mais frequentemente possível... tudo isso também me custou muito. A morte do meu avô... a morte do meu avô pressenti-a eu sem saber, chorei muito no dia antes, tive de ganhar coragem para o ir visitar porque sentia que tinha de ir. Fui. Mas não esperava que fosse a última visita, apesar de tudo. Acho que não chorei o meu avô em tudo o que queria chorar (ainda noutro dia deitei umas lágrimas a caminho de casa, agora que escrevo também as sinto a espreitar). Dei-me alguns dias no momento, mas tinha uma tese para fazer e o tempo à queima roupa. Usei como força o facto de ele sempre ter dito que queria viver até eu acabar o curso (e até me casar; mas isso são outras histórias) para retomar as minhas tarefas. Dou-me grata, contudo, de o ter ido ver no dia da bênção das fitas. Dou-me grata por, no último dia, lhe ter dito que o amava muito. Dou-me grata por todos os minutos passados com ele neste último ano. Dou-me grata por este amor que lhe tenho e que nunca vai desaparecer. Dou-me grata pela sensação que fica de ter de aproveitar o tempo ao máximo com as minhas duas avós que me restam e que tão preciosas são para mim em tanto de indescritível.
Caro dois mil e dezassete: feriste muito e até ao último momento - é inacreditável. Acabo de vir do velório do pai do meu Afonso. Morte na morte do ano, do mais cruel que podia ter acontecido. O meu amor também perdeu a avó paterna pouco tempo depois do meu avô se ir do corpo, e eis que não me diz ele que a materna caiu e foi parar ao hospital neste fechar de dois mil e dezassete - felizmente, vá lá, está tudo bem e não partiu nada (obrigada pelo alívio e lufada de ar fresco, dois mil e dezoito). Ontem... ontem, para além do DJ terrível a estragar as danças da pista, também vi a minha Nês a ressacar não só do álcool da passagem mas da grande traição que sofreu no verão e que lhe roubou o chão todo em tanta coisa, mais do que alguma pessoa que não lhe seja próxima e lhe conheça a história pode imaginar. E depois... depois, em dois mil e dezassete, também houve os dramas familiares de sempre a juntar àqueles que surgiram de surpresa e que abalaram aquilo que se julgava conhecer. Os problemas psicológicos e funcionamentos psicológicos não-adaptativos em pessoas diferentes, cada um de sua expressão e impacto diferentes. Cirurgias para resolver potenciais problemas graves adiadas. A má situação profissional ou o medo dessa má situação em mais do que uma pessoa do meu círculo. O meu amor a ver, também, situações familiares inesperadas a acontecer umas atrás de outras, sem descanso.
Caro dois mil e dezassete: talvez, por tudo isto que brevemente expressei, também tenhas dado muito. As aprendizagens são imensas, e o caminho que me mostraste a mim e aos meus se, num primeiro momento, pareceu que nos deixou completamente perdidos, sem saber para onde nos virarmos, na verdade, foi um caminho direto para dentro de nós. Tu, caro ano, que tanto pareceste não ser o nosso ano, se calhar foste o ano mais nosso dos últimos tempos. Não foste, de longe, o ano predilecto, o preferido, o melhor, aquele que guardaremos com o nosso maior carinho. Mas talvez tenhas sido, mesmo, o mais nosso; o que nos fez ir mais fundo; o que nos fez descobrirmo-nos e descobrir os mais diversos recantos da vida. Fica o meu desejo, contudo, que dois mil e dezoito e os anos que se sigam sejam um pouco mais doces que o pouco doce explícito que dois mil e dezassete teve - sim, porque felizmente nem tudo são espinhos. Fale-se do simples facto de ter terminado o curso, e com melhor desempenho do que achava. Da escapadinha em abril para Porto e de me ter encantado por tal cidade. De ter visto a minha Té duas vezes. Da minha viagem de sonho à Escócia se ter concretizado após ser dada como finalista, e ter casado a fingir e de repente, sem eu nem o Arlindo termos tido tempo de pensar bem na vergonha (e para mim alegria) que o nosso guia nos estava a fazer passar. De ver o amor que vivo e partilho com este meu príncipe encantado e real a crescer sem igual à medida que o tempo passa. De ter visto o Jorge duas vezes. De ter conhecido o senhor Agostinho durante os passeios à rua com o Yeti e encher-me sempre de amor com a conversa, histórias e conselhos para a vida que este velhote com olhos e voz de anjo sempre dá quando me vê. De ter visto éne filmes de super-heróis como se de filmes de princesas da Disney se tratassem, numa euforia e entusiasmo que não se diz nem se conta. De ter transformado muito do meu pessimismo face ao mercado de trabalho numa abertura um pouco maior e mais serena face àquilo que o mundo poderá vir a dar. De ter escutado que o teu ponto fraco é não teres pontos fracos, e então complicas onde não há complicação e não dês importância àqueles que não conseguem ver mais longe e acompanhar a tua ambição, vai em frente tu mesma. De ter aprendido um pouco mais a respeitar o meu ritmo e o que sinto que posso dar em determinado momento e circunstâncias, mesmo que não seja na velocidade e quantidade ideal para os outros. De ter aprendido a impor algumas barreiras para mim mesma face ao quanto as palavras das outras pessoas me podem afetar, mesmo que não dê mostras descaradas disso a ninguém. Do meu amor ter arranjado emprego ao final de muito tempo calando tudo e todos, mesmo que não o ideal, e estar a tentar afincadamente estabelecer novos objetivos para a sua vida. Da minha mãe ter iniciado um curso de ilustração e contos infantis e estar a entusiasmar-se. De ter filtrado, ainda mais, aqueles que são os verdadeiros amigos, diferenciando-os dos que não são e deixando de os tratar por igual. De ter despendido mais tempo junto desses amigos genuínos. Da minha Cláudia ter arranjado emprego num banco como sempre quis, da minha Joaninha andar a fazer furor em Londres no mundo das artes, da minha Cati ter tido duas empresas a escolher quanto ao seu primeiro emprego após o mestrado e da minha Cata estar a tratar de todos os preparativos para ir viver com o Rui. De ter visto a minha Mafalda ao fim de tantos anos. De ter decidido desfiliar-me do partido político em que estou (estou lá por mero favor) e sem dar satisfações a ninguém, porque tenho o direito de não dar e ponto final, e neste caso específico há o acrescento de ter a consciência tranquila de nem sequer ter de dar um aviso prévio por respeito porque respeito ao contrário também não há. De ter recebido um convite para publicar a investigação da minha tese, ainda que tenha sido um convite muito estranho e para um jornal com um aspeto algo rasca e que não aparenta ter grande alcance (daí que ainda não seja nada oficial e que ande a contar às gentes, pois é algo a ser considerado cautelosamente por mim e pela minha orientadora e que, após a pouca pesquisa que já fiz e fazendo a lista de prós e contras, sinceramente, acho que é algo que não irá a lado nenhum). De ter passado a passagem de ano junto da minha Nês e da minha Rute e de nos termos divertido até de madrugada (mesmo com um mau DJ a fazer o ambiente da festa).
Dois mil e dezassete, meu caro: foste difícil e, ao mesmo tempo, valioso. Mas no fundo julgo que serviste para perceber que a vida está na simplicidade e nos recomeços a cada dia - às vezes, a cada segundo.
P.s.: Perdoa-me, dois mil e dezasseis, a falta de atenção que te dei em reflexões anuais, e perdoem-me também quaisquer outros anos a que não tenha escrito. Creio que nem sempre será viável ou sobrará tempo para escrever grandes coisas além das já registadas ao longo do ano aqui, no meu caderninho de bordo, em fotografias, ou simplesmente cravadas na memória ou na alma.
Caro dois mil e dezassete: feriste muito e até ao último momento - é inacreditável. Acabo de vir do velório do pai do meu Afonso. Morte na morte do ano, do mais cruel que podia ter acontecido. O meu amor também perdeu a avó paterna pouco tempo depois do meu avô se ir do corpo, e eis que não me diz ele que a materna caiu e foi parar ao hospital neste fechar de dois mil e dezassete - felizmente, vá lá, está tudo bem e não partiu nada (obrigada pelo alívio e lufada de ar fresco, dois mil e dezoito). Ontem... ontem, para além do DJ terrível a estragar as danças da pista, também vi a minha Nês a ressacar não só do álcool da passagem mas da grande traição que sofreu no verão e que lhe roubou o chão todo em tanta coisa, mais do que alguma pessoa que não lhe seja próxima e lhe conheça a história pode imaginar. E depois... depois, em dois mil e dezassete, também houve os dramas familiares de sempre a juntar àqueles que surgiram de surpresa e que abalaram aquilo que se julgava conhecer. Os problemas psicológicos e funcionamentos psicológicos não-adaptativos em pessoas diferentes, cada um de sua expressão e impacto diferentes. Cirurgias para resolver potenciais problemas graves adiadas. A má situação profissional ou o medo dessa má situação em mais do que uma pessoa do meu círculo. O meu amor a ver, também, situações familiares inesperadas a acontecer umas atrás de outras, sem descanso.
Caro dois mil e dezassete: talvez, por tudo isto que brevemente expressei, também tenhas dado muito. As aprendizagens são imensas, e o caminho que me mostraste a mim e aos meus se, num primeiro momento, pareceu que nos deixou completamente perdidos, sem saber para onde nos virarmos, na verdade, foi um caminho direto para dentro de nós. Tu, caro ano, que tanto pareceste não ser o nosso ano, se calhar foste o ano mais nosso dos últimos tempos. Não foste, de longe, o ano predilecto, o preferido, o melhor, aquele que guardaremos com o nosso maior carinho. Mas talvez tenhas sido, mesmo, o mais nosso; o que nos fez ir mais fundo; o que nos fez descobrirmo-nos e descobrir os mais diversos recantos da vida. Fica o meu desejo, contudo, que dois mil e dezoito e os anos que se sigam sejam um pouco mais doces que o pouco doce explícito que dois mil e dezassete teve - sim, porque felizmente nem tudo são espinhos. Fale-se do simples facto de ter terminado o curso, e com melhor desempenho do que achava. Da escapadinha em abril para Porto e de me ter encantado por tal cidade. De ter visto a minha Té duas vezes. Da minha viagem de sonho à Escócia se ter concretizado após ser dada como finalista, e ter casado a fingir e de repente, sem eu nem o Arlindo termos tido tempo de pensar bem na vergonha (e para mim alegria) que o nosso guia nos estava a fazer passar. De ver o amor que vivo e partilho com este meu príncipe encantado e real a crescer sem igual à medida que o tempo passa. De ter visto o Jorge duas vezes. De ter conhecido o senhor Agostinho durante os passeios à rua com o Yeti e encher-me sempre de amor com a conversa, histórias e conselhos para a vida que este velhote com olhos e voz de anjo sempre dá quando me vê. De ter visto éne filmes de super-heróis como se de filmes de princesas da Disney se tratassem, numa euforia e entusiasmo que não se diz nem se conta. De ter transformado muito do meu pessimismo face ao mercado de trabalho numa abertura um pouco maior e mais serena face àquilo que o mundo poderá vir a dar. De ter escutado que o teu ponto fraco é não teres pontos fracos, e então complicas onde não há complicação e não dês importância àqueles que não conseguem ver mais longe e acompanhar a tua ambição, vai em frente tu mesma. De ter aprendido um pouco mais a respeitar o meu ritmo e o que sinto que posso dar em determinado momento e circunstâncias, mesmo que não seja na velocidade e quantidade ideal para os outros. De ter aprendido a impor algumas barreiras para mim mesma face ao quanto as palavras das outras pessoas me podem afetar, mesmo que não dê mostras descaradas disso a ninguém. Do meu amor ter arranjado emprego ao final de muito tempo calando tudo e todos, mesmo que não o ideal, e estar a tentar afincadamente estabelecer novos objetivos para a sua vida. Da minha mãe ter iniciado um curso de ilustração e contos infantis e estar a entusiasmar-se. De ter filtrado, ainda mais, aqueles que são os verdadeiros amigos, diferenciando-os dos que não são e deixando de os tratar por igual. De ter despendido mais tempo junto desses amigos genuínos. Da minha Cláudia ter arranjado emprego num banco como sempre quis, da minha Joaninha andar a fazer furor em Londres no mundo das artes, da minha Cati ter tido duas empresas a escolher quanto ao seu primeiro emprego após o mestrado e da minha Cata estar a tratar de todos os preparativos para ir viver com o Rui. De ter visto a minha Mafalda ao fim de tantos anos. De ter decidido desfiliar-me do partido político em que estou (estou lá por mero favor) e sem dar satisfações a ninguém, porque tenho o direito de não dar e ponto final, e neste caso específico há o acrescento de ter a consciência tranquila de nem sequer ter de dar um aviso prévio por respeito porque respeito ao contrário também não há. De ter recebido um convite para publicar a investigação da minha tese, ainda que tenha sido um convite muito estranho e para um jornal com um aspeto algo rasca e que não aparenta ter grande alcance (daí que ainda não seja nada oficial e que ande a contar às gentes, pois é algo a ser considerado cautelosamente por mim e pela minha orientadora e que, após a pouca pesquisa que já fiz e fazendo a lista de prós e contras, sinceramente, acho que é algo que não irá a lado nenhum). De ter passado a passagem de ano junto da minha Nês e da minha Rute e de nos termos divertido até de madrugada (mesmo com um mau DJ a fazer o ambiente da festa).
Dois mil e dezassete, meu caro: foste difícil e, ao mesmo tempo, valioso. Mas no fundo julgo que serviste para perceber que a vida está na simplicidade e nos recomeços a cada dia - às vezes, a cada segundo.
P.s.: Perdoa-me, dois mil e dezasseis, a falta de atenção que te dei em reflexões anuais, e perdoem-me também quaisquer outros anos a que não tenha escrito. Creio que nem sempre será viável ou sobrará tempo para escrever grandes coisas além das já registadas ao longo do ano aqui, no meu caderninho de bordo, em fotografias, ou simplesmente cravadas na memória ou na alma.
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