terça-feira, 22 de agosto de 2017

💗

meu avô, meu amor,


hoje disseste-me adeus em sonhos, e eu acordei com as lágrimas a quererem sair e disse-te adeus também (aí saíram, o coração apertou muito). passado uns segundos, meio desperta, meio agarrada ainda ao que acabara de sonhar, disse-te outra vez que te amava muito, tal como te disse no teu último dia de vida, em que já não conseguias retribuir por palavras os teus sentimentos. mas sei que dirias o mesmo, que dentro de ti, se calhar, até disseste - e o teu amor é algo que vou levar sempre comigo para a vida e, quem sabe, se esse espaço e tempo existir (se existir espero lá te encontrar), para além dela. 
meu querido avô, antes de hoje não te consegui escrever. mas ontem fui a tua casa e à da avó, vi-a lá sentada na poltrona onde te costumavas sentar, visitei o teu quarto desarrumado e com alguns fatos e gravatas teus espalhados pela cama, procurei fotografias tuas, olhei para cada recanto da casa adaptado à doença que já te começava a limitar na tua vivacidade - que, no entanto, mantiveste sempre de alguma forma. e... sabes, avô? tenho muito orgulho de ti. tu, que tanto medo tinhas de doenças, médicos, e até da morte, apesar de sofreres com as dores físicas, o teu estado de espírito manteve-se sempre de alguma maneira alegre e em paz. fico tão feliz quando te recordo e te vejo feliz também, a rir às gargalhadas, a brincar comigo, com o meu irmão ou com os meus primos, quando recordo a tua voz... fico tão aliviada por, mesmo que a minha memória me traia um dia, ter vídeos teus em que falas, ris e brincas. não te quero perder dentro de mim nunca vôvô, nem vou.
sabes? custou voltar à tese depois de morreres de corpo, mas convenci-me a continuá-la e dedicar-me a ela por ti - por sempre me teres dito que me querias ver terminar o curso. por todas as vezes em que te dirigiste a mim como a minha psicóloga, por sempre teres brincado dizendo depois, quando acabares o curso, dás-me uma consulta. fico grata por te ter conseguido ir ver no dia da minha bênção, por ter feito questão de estar contigo nesse dia... quão feliz te mostraste!!



sabes, querido avô? quando te foste de corpo uma coisa que me custou processar foi que não verias o meu casamento, como sempre disseste, também, que querias ver. mas na verdade ainda não sei se me vou casar, vôvô... logo se verá. mas garanto-te que viverei em amor, e que, como te queria dizer e não disse (porque dizê-lo, na altura, seria assumir que não estarias cá da forma como sempre estiveste para o presenciar), os teus bisnetos vão ser todos do sporting. e vão, vôvô, isso vão. não há margem para negociações, passar-lhes-ei esse teu legado tal como tu logo me fizeste sócia do nosso clube mal nasci. de qualquer forma, meu amor, meu avô lindo, quero-te contar que o Arlindo deu-me um anel de namoro há pouco tempo. acho que já sabes, se realmente agora estiveres em algum lugar, mas quero-to contar mesmo assim. não é lindo? acredito que dirias que sim, e que te encherias mais de orgulho de nós. é bom saber que chegaste a conhecer este meu companheiro e que gostavas dele, e que quase de certeza passarias a gostar ainda mais agora - pois, de alguma forma, mesmo que o anel não signifique noivado, é o simbolismo de um compromisso levado com seriedade e genuinidade. pelo menos, no nosso caso assim o é, bem o sei... bem o sabemos, sentimos...
meu avô, amo-te muito. e só te queria dizer que me orgulho infinitos de ser tua neta, para sempre.
com muito amor, da sempre tua,
maria

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

ao estilo disney

de 17 de agosto de 2017.

aos vinte e um meses de nós, contra todas as minhas expectativas, bem longe da minha imaginação, o meu amor faz-me tropeçar na profunda surpresa de... um anel de namoro♡♡♡

o meu amor é avesso a anéis, alianças, e foge de casórios como o diabo da cruz. no entanto, sabe o quanto eu sonho com tudo isso - sempre soube (julgo que mesmo que eu não lho contasse que se notaria a milhas esse facto - facto de minh'alma mais transparente que a água). e então, sei lá eu o que aconteceu (diria que foi amor), vem nervoso e diz-me "a tua prenda é uma coisa que me estás a pedir há já algum tempo, mas por favor não faças um big deal out of it*, está bem?". passaram-me mil hipóteses de prenda que não a resposta correta pela cabeça, e não pude não me derreter no momento em que abri a caixinha de bijuteria, nem evitar continuar derretida ao final deste tempo todo.

* o big deal out of it a que o meu amor se referia era eu começar a pensar em noivados e que um dia no futuro iremos efetivamente casar. primeiro descansei-o, depois meti-me com ele e disse "oh amor, não te preocupes que não é por causa do anel que eu vou começar a pensar nisso, eu já o faço!" (inserir aqui riso matreiro).