segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Ouve-se de Longe o Toquezinho de Sistémica

Tenho uma colega minha da faculdade do núcleo de clínica sistémica que dá aulas no meu ginásio. É incrível: mal entro no ginásio e começo a ouvir a música que está a passar, ainda nem olhei para dentro da sala em que está a ocorrer a aula de grupo e já sei que é ela que a está a dar. Não falha. É ela a pessoa que passa músicas mais alegres e motivadoras. Mas mesmo. 
Admito ainda que adoro ir ao ginásio nessas horas pois estou a correr na passadeira (que fica na sala mesmo em frente) e a ouvir cada faixa, pelo que acabo por puxar mais por mim também.

Vai do Jeito que Der (o Resto é Conversa)

Sobre Cuba

Ando a escrever sobre a viagem a passo de caracol, já lá vai mais de um mês que voltei a Portugal. Quando regressei, vim decidida a contar tudo tim-tim por tim-tim e expressei essa minha vontade por aqui. Só que há tanto que quero registar que ainda só tenho escritos dois dias e meio de sete no total.

A onze dias (e menos de meio) do exame...

...tudo parece mais interessante que estudar as últimas duas aulas de código (que são menos de cem páginas, ainda que apetrechadas de tabelas e tabelinhas cheias de pormenrzinhos - sendo que muitas delas não interessam a ninguém). Antes que perguntem: sim, eu estou mesmo a estudar o livro todo. Todinho, ou não fico de consciência tranquila. Vou fazendo um teste ou outro volta e meia; porém, tenho de percorrer as temáticas todas antes de me sentir no direito de me atirar exclusivamente aos testes. Há muita coisa que falho por ainda não ter lido ou não estar bem estudada. Para além disso, se já tive a paciência de chegar até aqui, não é agora que vou desistir de passar a pente fino este menino até ao fim.

O Caminho É Tudo

Boa Questão

31. Humanizar

Humanizas-te quando tudo em ti aceitas. Quando tudo em ti abraças. Quando dizes que se dane, eu sou assim e de outra forma não seria ninguém.

This Ain't No Sad Song


«I'm sure you're probably busy getting on with your new life
So far away from

When everything we used to say was wrong is now alright
Where has the time gone

If you're ever feeling lonely
If you're ever feeling down
You should know you're not the only one 'cause I feel it with you now
When the world is on your shoulders and you're falling to your knees
Oh please
You know love will set you free

I took a long and lonely walk up to an empty house
That's where I've come from
Where have you come from

The more I live, the more I know, I've got to live without
This ain't no sad song
Life has to go on»

O Drama

(Fartei-me de rir)

30. Exteriorizar

- Fala. Desabafa. 
Ouvires alguém dirigir-te estas palavras é dos gestos mais amigos que podiam ter contigo. E também tu devias tê-lo contigo mesmo/a; saber que exteriorizar é das responsabilidas emocionais mais importantes que tens para contigo. Se não falando, então escrevendo ou desenhando. Se não falando, então gritando, chorando, pulando, rindo. Se não falando, então de uma qualquer outra maneira em que expresses tudo o que vai em ti (claro está, não se caia em exageros: não é preciso matar ninguém pelo caminho e que esteja ao lado).

29. Inventar

Passo a vida a inventar mundos e fundos - mas ponham-me pressão em cima e varrem-se-me todas as ideias durante os primeiros segundos.

Há Que o Vento Sentir Para Depois Livre Ser


28. Prosa

Comecei a escrever um livro em prosa poética. A ideia inicial era ser um livro infantil, mas agora, muito sinceramente, não sei o que é que vai sair daqui. É ir escrevendo conforme pedir o coração e logo se vê. Por enquanto é apenas o meu livro, guardado no meu computador, escrito de mim para mim.

27. Abstrato

O abstrato é-te bonito ou feio porque dá-te a liberdade de interpretá-lo consoante o bonito ou feio que encontras ao vasculhar dentro de ti tudo o que conheces.

Igreja Feita de Árvores, Nova Zelândia

Não tinha pensado casar pela igreja a não ser que o meu possível futuro marido insistisse muito muito para isso - mas vi isto e decidi abrir mais uma exceção.

Sobre a primeira aula de condução

Estava a sair de casa e começou a chuviscar. "Era só o que me faltava", pensei. Comecei logo a rogar pragas a S. Pedro - porque, quer-se dizer, já basta o medo de pegar no carro pela primeira vez, ainda ameaça uma chuvinha para distorcer a visibilidade e pôr o piso mais escorradio?! O bacano deve ter visto a minha cara assustada, pois felizmente os pingos pararam antes de chegar à escola (obrigada, S. Pedro; essa foi fixe).
Chego bem em cima da hora e o instrutor dá-me logo a chave para me meter no carro. Entro, ajeito o banco e os espelhos e espero que ele entre no carro também. Os primeiros dez minutos foram passados com ele a explicar-me onde eram os instrumentos todos do popó, e referiu - não esqueço mais - que o pedal da embraiagem era para a perna da força e que os pedais da travagem e da velocidade eram para a perna da princesa - pois eram pedais muito sensíveis. Ri-me, pois claro. Uma vez terminada a introdução, chega o grande momento: Maria faz-se à estrada.
Correu bem. Cheia de nervos, mas correu bem. Dei uma voltinha ali perto da escola, uma senhora não respeitou a regra da prioridade e ia-me batendo mesmo indo eu devagarinho devagarinho (o meu instrutor travou para evitar as consequências da parvoíce da madame), depois fomos a um parque de estacionamento perto de um Santini onde estive a contornar postes para me habituar a rodar o volante, novamente uma voltinha perto da escola e, enfim, estacionar. 
Foi giro, na verdade. Cá para mim gosto de conduzir. Amanhã há mais.

Avisando o mundo

Vou conduzir pela primeira vez daqui a meia hora. Cuidado a andar na rua.

Para tudo!

Este tem de ser o meu outfit caseiro deste inverno. Tem, tem, tem!!!...
O amor na Primark.

domingo, 30 de agosto de 2015

About Yourself

Já reparei: de toda a vez que desligo do mundo e imagino cenários mil, que fantasio com isto e com aquilo... são os meus sonhos, os meus objetivos que gritam dentro de mim. Isso e só isso. Mas é tão fácil acreditar em todas essas imagens como se fossem as circunstâncias atuais que, quando dou por mim, tenho o coração a querer sair cá para fora e expressar o quão feliz está por estar a viver o seu momento auge. Calma, Maria, muita calma; a emoção és tu que a estás a criar. Talvez fosse boa ideia parares de inventá-la com urgência para lhe dares oportunidade de efetivamente acontecer na sua hora. 
Vá Maria: respira. Chama-te para olhares os teus pés - ainda assentes, ainda tranquilos. E que bem que te sentes assim na mesma, não é? É mesmo. A voar ou a pisar o chão, não deixam de ser os teus pés e, também por isso, de te transmitir sensações (reais) insubstituíveis.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

(A)gosto

Quase que podia dizer que em agosto faço posts com todo o gosto por aqui. Ou acabei de reparar que tanto no ano passado como, até ver, este ano, se trata do mês com mais publicações.

6km on the go; "Eu não paro, eu não paro porque eu não quero parar"

Por vezes pergunto-me o que diria o professor Akil, o professor de Educação Física mais exigente (e o melhor) que tive, se soubesse que aquela menina desajeitada e preguiçosa a quem ameaçou dar negativa no final do período tantas, tantas, inúmeras vezes, faz, atualmente, exercício físico de duas a três vezes por semana por puro gosto. De verdade: divirto-me mil a magicar que expressão lhe encontraria eu no rosto se soubesse que consigo correr entre cinco a seis quilómetros. Dava tudo, aliás, para lhe gravar a reação se soubesse que estou inscrita para correr na mini-maratona em outubro deste ano e que pretendo vir a correr a meia-maratona num futuro próximo. Claro que, a juntar a isto, lhe agradeceria por todas as vezes que se zangou comigo para que me mexesse mais, tendo, para além disso, reconhecido sempre o meu esforço com elogios quando o via presente - mesmo que eu continuasse longe longe de ser uma desportista de topo. Professores (e pessoas - que ele foi dos melhores diretores de turma que alguma vez tivemos, de um coração de tamanho imensurável) assim... arrisco-me a dizer que são achados.

26. Sete

A casa número seis, o quarto número seis e as seis horas da tarde foram o número sete de Tereza e Tomas.*

* Referência às personagens d'A Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

25. Sorteio

"Acho que só tiveste azar no passado"

Uma frase tão simples. Mas tão direta. 

Esta frase esteve presente comigo de uma forma hiper marcante nas últimas horas*. Começo, de verdade, a acreditar muito nestas palavras - e cada vez mais quanto mais respiro, pestanejo, falo, faço, entre toda uma outra centena de coisas que me anunciam uma pessoa viva, de quereres e de intenções. 
A vida, por vezes, rege-se mesmo por um autêntico sorteio e não por uma distribuição de medalhas segundo mérito reconhecido. Há que ter cuidado aquando da atribuição de responsabilidades conforme as situações - há situações nas quais não somos responsáveis por nada. Simplesmente... Calhou ser assim. E, se nos calhou azar no boletim antes - mesmo que nos tenha calhado muitas, muitas mais vezes antes também -, quem nos diz a nós que numa das próximas rodadas não nos pode calhar a sorte? Hum?! Quem ou o que é que o impede?

* Devo-a ao Arlindo, uma vez mais a mostrar-se um amigo daqueles que dificilmente acreditamos ter encontrado e que, contudo, encontrámos mesmo (sortudos que somos nós).

24. Alento

Dá-me alento saber da imensa capacidade do Homem de fazer da espada a armadura; de virar o mundo do avesso quando do avesso também está, e então pegar no romantismo que o feriu e fazer dele o que o cura. Dá-me alento saber que pode passar pela maior barbarié (construída ou não por ele mesmo) e contudo manter-se vivo assim: a pulsar de possibilidades. 

Fraqueza e Sua Fortaleza

Julgo que já entendi o porquê de durante tanto tempo a minha mãe não achar que os psicólogos fossem precisos. É, nada mais, nada menos, que um dos maiores males que assombra a humanidade (e não só a ela): a minha mãe tem medo da fraqueza humana. Não compreende como é que há pessoas que batem no fundo. Pode ouvi-lo, aceitá-lo, mas não compreende como é que é possível. Então, aflige-lhe o sofrimento, o choro. Mal o vê, quer pará-lo. Foi graças a hoje termos estado a falar ao pequeno-almoço e vir à baila o facto de andar a circular por aí a notícia da Angelina Jolie estar cadavérica que dei conta disto. Passo a explicar melhor.
Em março, numa das conferências do ENEP, fui a uma do professor Rijo. Este logo nos falou de um monte de personalidades que, na verdade, tendem para a perturbação psicológica, e a Angelina Jolie foi uma das referidas. Eu não ligo nenhuma à vida dos famosos - tudo o que sei é porque com isso esbarro sem querer - pelo que, para mim, tudo aquilo foi novidade e não faço a mínima ideia até que ponto é que isso é falado. Contou o Rijo que a Jolie não gosta do seu próprio corpo, que não entende como é considerada um dos sex symbols do planeta; que só consegue dormir com o Brad Pitt com uma faca debaixo da almofada e que tem não sei quantas amas para os seus infinitos filhos porque não se considera uma boa mãe. Assim, quando recentemente lhe vi a imagem numa capa de revista com a pele pregada ao osso, fosse ou não montagem, não me espantei que correspondesse à realidade. Contudo, ao comentar o provável caso de baixa autoestima à mesa, diz-me assim a minha mãe: "cá para mim ela só quer chamar à atenção, e na verdade adora-se e é uma vaidosa e uma egocêntrica"
Fiquei a olhá-la. Quando lhe disse que baixa autoestima era, precisamente, o que a expressão simplesmente dizia - pouca estima por si mesma - a minha mãe continuou a bater na mesma tecla. Fui à minha vida mas continuei a meditar naquele comentário, começando a reconhecê-lo como tipicamente popular. Também eu já tive uma colega anorética, e não era raro pensar-se entre a turma que tudo o que ela estava a fazer era para chamar a atenção, e ninguém conseguia compreender como é que a cada dia ela insistia em permanecer naquele estado, e alimentar cada vez mais a sua magreza. Nós não conseguíamos perceber aquele comportamento e como é que era possível alguém perder-se tanto ao ponto de não ver o que estava a acontecer-lhe e pará-lo. Julgo mesmo que havia uma recusa geral em admitir a existência de sofrimento ali. Quero dizer: nós sabíamos que ela sofria; podíamos comentá-lo e pensá-lo. Mas a verdade é que ninguém conhecia aquele sofrimento - ninguém sabia lidar com ele. Então, era quase como se não o reconhecêssemos. Apenas nos questionávamos como é que ela não saía daquele buraco. Não nos arriscávamos a focar qualquer outro ponto do problema: só nos questionávamos, claramente preocupados, acerca da sua saída dele. Já alguém chegar-se a ela e dizer-lhe que ela podia chorar à vontade, deitar tudo cá para fora... nunca vi isso a acontecer. E sim, também eu nunca fiz nada. Para além de pouco me dar com ela, partilhava exatamente dos mesmos sentimentos, pensamentos e preocupações que os meus colegas acerca do problema. Felizmente, as coisas foram mudando com o tempo e, de uma maneira ou de outra, ela encontrou ajuda e recuperou já há alguns anos. Hoje, guardo-a no coração como uma das pessoas mais corajosas com quem já me cruzei porque, acreditem: por muito ela passou. A recusa (ou medo - esta recusa é puramente medo, apontem o que vos digo) humana das lágrimas e do fundo do poço é tão grande que a vimos dias e dias a fio completamente isolada, sem um único amigo se chegar ao pé dela. Todos fugiam a sete pés daquela situação. Não por mal, mas por completo caganço de sentirem as entranhas todas a abrirem-se sem ter uma nesga de noção de quando é que elas iriam parar de cavar mais fundo - e sabe-se lá o que acontece quando as entranhas se cavam até ao limite. "Talvez se morra", poderá o ser humano acagaçado pensar. 
Como se pudéssemos morrer com a outra pessoa ao escutá-la, afastamo-nos. E, no entanto, não entendemos que ao escutá-la morreríamos só por alguns segundos para logo a seguir voltar à vida, e ajudá-la, como deve ser, a voltar connosco. Não há forma de trazer seja quem for à superfície se não tivermos a humildade de descer até ao andar em que ela caiu. Como queremos nós, do cimo do décimo andar, conseguir dar a mão a quem está no rés-do-chão? Só há uma forma: descer do pódio. É que é mesmo isso: descer do pódio; parar de dizer "levanta-te, caminha, vai em frente e estarás em altas de novo aqui comigo e com todos nós" como se fosse a coisa mais fácil de se fazer. Para nós é fácil falar: estamos bem. Há que assumir mesmo toda a nossa humildade (porque o que sabemos nós do sofrimento e de como lidar com ele, se estamos simplesmente a assumir que se salta por cima dele e pronto?) e irmos degrau a degrau até ao rés-do-chão. Nós temos forças para descer - deixemos de ser caguinchas. A pessoa é que pode não encontrar a dela para subir.
Bom: isto tudo para dizer que foi então que, perante os comentários da minha mãe, percebi o que se passava - o que sempre se passou. Voltei-me para ela e disse-lhe o mesmo que vos disse: "eu acho que tu tens medo da fraqueza humana." Ela perscrutou-me com um ar de surpresa e por entre um riso de nervoso de quem acabou de ser apanhada com a boca na botija. "Porquê?", questionou. "Porque tens muita dificuldade em entender como é que as pessoas podem sofrer tanto. Para ti a depressão é só a pessoa que não se motiva o suficiente para estar bem, e alguém com baixa autoestima na verdade gosta imenso de si - queres assumir como mais provável isso do que a possibilidade de não gostar mesmo nada". "És capaz de ter razão", foi o que ouvi a seguir.
Claro que já faz todo o sentido ela desacreditar a psicologia ou a necessidade das pessoas recorrem ao psicólogo... Claro! E claro que a maior parte das pessoas se fazem alvo da mesmíssima coisa: há todo um tabu em torno da tristeza e do sofrimento. A tristeza é vista como algo a erradicar o mais depressa possível para haver lugar para a felicidade que não pode tardar mais porque só vivemos uma vez, e o sofrimento é um alerta vermelho para o limbo entre a saúde mental e aquela complicadíssima depressão que acaba a roçar a temática do suicídio. Desculpem pôr as coisas tão extremadas assim escritas, mas é mesmo a impressão que me dá daquilo que é por aí vendido hoje em dia pela raça humana. E só quero dizer isto: é mentira. Mentira, mentira, mentira. Disse o Branco Vasco numa aula e bem: "quem não se permite entristecer, deprime-se." Portanto: é exatamente o contrário do que se faz, do que a grande generalidade das pessoas fazem. Todos se acagaçam com o sofrimento quando deviam era acagaçar-se com a falta dele - uma vez que esta ausência significa que a pessoa está a proceder de uma forma tudo menos natural perante acontecimentos e pensamentos que, pelo seu teor, dão tudo menos vontade de sair por aí aos pulinhos e a deitar confetis pelos ares. Estamos todos a jogar a favor da acumulação de dores inexpressas que, um dia, quando estiverem todas muito bem apertadinhas e amolgadinhas umas às outras, nos tornam uma bomba ambulante a contra-relógio, capaz de explodir com todo o mundo que temos dentro de um segundo para o outro. A sério: se nos morre alguém, se vivemos algo traumático, se passamos por uma separação, se os sonhos tardam a concretizar-se, se falhamos um objetivo, se nos sentimos sozinhos, se temos um medo que nos persegue, se somos crianças, adolescentes, adultos ou idosos com as suas típicas crises, ou se simplesmente recebemos uma má notícia ou tivemos um dia mau: algo está mal se não nos deixamos afetar nem uma nesga. Pior: algo está mal se, pelo contrário, nos pomos para aí com festas constantes sempre que algo do género ocorre. Onde para a nossa identidade e amor próprio no meio disto tudo? Onde deixámos perdido o nosso espaço, que também nos é tão útil e importante para sofrer as nossas perdas? Já não lhe somos merecedor quando se trata de perdas? Porquê? Se vamos sofrer... porra, ao menos que nos dêem espaço para o fazer. Se já sofrer dói, imaginem o que é sofrer com pressão em cima: com limite de tempo, com uma espada apontada à garganta e o resto do corpo contra a parede, com "vá, põe-te bom mas é" constantes. Porra: deixem-nos respirar.
Por favor, percebam de uma vez por todas que a tristeza não é uma emoção que se desencadeia naturalmente em nós só para enfeitar*. E que se não é algo que desaparece logo de um momento para o outro, se calhar é porque não é suposto desaparecer logo de um momento para o outro. As coisas levam o seu tempo. E depois.... Depois, quando a pessoa sofrida estiver preparada - quando tiver esvaziado o seu saco de pedras, desinfetado o joelho esfolado (e só, só aí!!!) - aí sim: podemos voltar a pensar em caminhar, correr e andar de bicicleta. Não se deixem ir como, por exemplo, há dois anos atrás eu me deixei ir (e vou contá-lo para o perceberem melhor): na altura em que terminei uma relação, assentiram a que eu chorasse no próprio dia; mas não me esqueço de, no dia seguinte, ainda de manhã, quando tudo o que me apetecia era chorar compulsivamente, entrarem-me no quarto a dizer para eu parar com aquilo, que metia confusão, que tinha era de ser forte e levantar a cabeça porque a vida continuava. Disseram-me isto com um tom de autoridade tal e no meio de um discurso tão seguro de si que parei imediatamente de chorar. O discurso foi bonito, assertivo em muita coisa, e eu precisava de ouvi-lo - mas talvez não naquele momento. O resultado foi-me, creio, muito mais penoso do que se tivesse ficado aquele dia inteiro a lamentar-me no quarto, pois impedi-me automaticamente de sofrer o ocorrido de todas as formas que me parecessem exageradas e durante algum tempo considerável. A verdade é que me fechei, disfarcei o mais que pude, e andei a chorar às prestações durante meses a fio (quando não sozinha ou entre amigos - e muitas vezes porque eles falavam comigo sobre o assunto -, nos transportes, onde ninguém ia ter a coragem de parar-me e onde, portanto, sempre encontrei a liberdade e "aceitação" que precisava quando não conseguia aguentar mais). Felizmente, e apesar de me ter impedido de fazer o luto que precisava de início por julgar uma cobardia total da minha parte desfazer-me daquela maneira, ele acabou por ir-se fazendo até estar feito completamente - precisamente porque tive amigos a ensinarem-me a importância de viver as coisas sem vergonha, e um curso fantástico a deixar-me emocionada quando me revelava o conforto da tristeza (voltamos à história de há bocado: não há nada mais horrível e cruel do que sofrer com pressão em cima - de não nos ser permitido sofrer quando é por isso que o corpo e a alma gritam. Como limpar as lágrimas sem lágrimas terem sido choradas?). Enfim, isto foi só uma situação - muitas outras anteriores houve. Até esta situação que vos relatei ocorrer, eu estava habituadíssima a mascarar as minhas dores todas para que o mínimo de pessoas possível se apercebesse da dimensão delas. Sou muito transparente - já mo disseram e é verdade; mas se há algo a que me habituei a fazer desde o início da minha adolescência foi a enterrar dores, a pintá-las, a escondê-las - coisa que nas fases mais críticas desse período de mudança tão crucial para qualquer jovem me saiu bem caro. Mas pronto: passou-se. E cá estou eu: bem, e com uma perspetiva bem mais saudável e sensata das coisas.
Há que desmitificar a fraqueza humana e aprender com ela - aprender TANTO com ela. Deixar de a temer, porque não é ela a verdadeira ameaça... Ah, não. Não de todo!... A incompreensão, a censura: essas sim, essas metem medo - pois limitam-nos tanto, mas tanto.

domingo, 23 de agosto de 2015

And the Stars Will Be There for You

23. Repulsa


Diz que a nível de teoria psicológica o que falha no Inside Out é a denominação Repulsa de uma das emoções. Não devia ser Repulsa, mas sim Nojo. Contudo, trata-se de um pormenor pormenorzinho, pois a personagem serve o seu propósito e todo o filme está... sinceramente brilhante. In pack. De tal modo que me provocou uma saída do cinema com lágrimas nos olhos, por todo o potencial que lhe vi a nível de impacto (nem que numa nesga) na saúde mental. Acabei mesmo emocionada. Arrebatada, a brilhar por dentro. Não me vou descoser e contar-vos as partes que me tocaram por terem sido faladas e integradas na história (e tão bem faladas e integradas que foram!) para não estragar a surpresa a todos os que ainda não viram o filme e que, ainda para mais, poderão ser entendidos na área como eu. Apesar de apaixonada incondicional pela Disney, digo-vos que não esperava tão bom trabalho quando entrei na sala e observei a tela gigante. Já quando saí... a minha opinião era outra.
Ao génio que se lembrou de falar de emoções num filme de animação... os meus mais profundos parabéns e fortes aplausos. Era para o escrever já há um tempo aqui no blog. Aproveito então a deixa que a Caixa das Palavras me deixou.

Se ainda não viram o filme, corram a vê-lo à primeira oportunidade que vos surgir. Isso, ou eu arranjo maneira de vos empurrar direitinhos até ele. De verdade: não se vão arrepender.*

* Nota: Estou a falar muito a sério. Vejam. Até pus a palavra "muito" a negrito e tudo.

22. Psicologia

A minha mãe e o meu pai sempre foram pessoas que me motivaram a seguir os meus sonhos e o que me mandasse o coração. E sempre assim o fiz, agradecida. Contudo, a minha mãe, apesar de ver a Psicologia como uma área de estudos interessante e de gostar de me ver entusiasmada com ela, desacreditava-a até há bem pouco tempo. Disse-me muita vez que não conseguia achar que os psicólogos fossem precisos para coisa alguma tirando, talvez, nos casos de internamento. Que tudo o que faltava às pessoas era, mais coisa menos coisa, como força de vontade. Por muitas abordagens que eu fizesse em torno do assunto, sempre me encolheu um pouco os ombros e deixou-me andar. Até que...
Este verão, após virmos de Cuba, a minha mãe viu-se sem livro para ler. Como costume, voltou a recorrer a mim à procura de algum que lhe pudesse emprestar. Disse-lhe que a nível de histórias, histórias mesmo, não tinha grande coisa que achasse que lhe fosse interessar... E perguntei-lhe se não queria ler o O Homem que Não Conseguia Parar de David Adam. Como ela sempre achou ter POC (apesar de eu lhe dizer que não) e o livro contar, precisamente, a história de um obsessivo-compulsivo - o escritor em pessoa -, lá lhe ficou o bichinho da curiosidade. Pôs-se a ler. Conclusão? Devorou tudo até à última página. E, de repente, o milagre: passou a acreditar que não tinha POC, mas sim apenas algumas tendências para e em apenas alguns aspetos; afinal, pensando duas vezes, os psicólogos até são capazes de ser precisos - porque, sim, há casos bicudos em que não se vai lá só com um empurrãzinho de motivação; ah, e o que separa a saúde da perturbação mental pode ser uma linha mesmo muito, muito ténue.
Finalmente! Obrigada mãe. E obrigada David Adam.

21. Preto

- Isso está preto no branco...
- Ao vivo e a cores!
- Só tu é que ainda não te decidiste.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

20. Solidão


(Era para fazer esta publicação só sob a alçada da etiqueta O Bando de Bandas Desenhadas. Mas depois olhei para a tirinha, olhei para a palavra do dia, olhei novamente para a tirinha, e achei que a imagem sozinha descrevia uma parcela real do que é a solidão: por vezes um pequeno vazio, e que ainda assim ocupa um espaço tão grande.)

19. Sossego

Gosto de pessoas que me façam encontrar sossego no desassossego; transformar a t-shirt no seu avesso. Gosto de quem me leva a fazer força de braços em vez de pernas para caminhar porque, bem, de repente vemo-nos de pernas para o ar. Gosto de quem me faça sentir tudo menos sossegada por dentro e que ao mesmo tempo, por isso mesmo, dá sossego ao coração. O amor é estranho, não é?

Das Borboletas e dos Laços (Parte III)

A propósito da junção de palavras que se deu no título das últimas mensagens: 

Alguém já reparou que sentimos borboletas na barriga na eminência de um laço mais forte com alguém se formar? Ou quando este se está, efetivamente, a formar?
E a mudança que um laço proporciona à vida? Toda a metamorfose, qual borboleta, que ocorre no laço e com o laço? Já viram?
Ou seja: já repararam quão bonitas ficam as palavras "borboletas" e "laços" juntas? Quanta poesia pode daí advir? Hum?

18. Sorvete

"Queres um sorvete?", perguntava-me a minha avó, sempre que a visitava em pequena. A minha avó sempre disse sorvete em vez de gelado, e sempre guardou no congelador lá de casa duas ou três caixas de sabores diferentes para quando os netinhos a visitassem. Assim, durante muito tempo e enquanto a minha inocência não o permitiu questionar, achei que gelados e sorvetes fossem coisas diferentes. Para mim, todos os gelados de colher eram, na verdade, sorvetes, enquanto que todos os outros com pauzinho tratavam-se de gelados. Até que percebi que não havia distinção nenhuma e que as duas palavras serviam ambos os tipos.

Das Borboletas e dos Laços (Parte II)

dezassete de agosto de dois mil e quinze.

- Madrinha, qual é a tua cor preferida?
- Vermelho.
- A minha é azul. 
- Também gosto muito de azul.
- As minhas cores preferidas são todas. Só não gosto de preto e de cinzento. Gosto de todas as cores alegres.
- Eu também. Eu não gosto muito de castanho.

(Inês passeia-se pelo meu quarto.)

- Madrinha, podes dar-me o pote das missangas que está ali?
-  Posso sim.
- Da outra vez estivemos a brincar com as missangas.
- Pois foi. Queres fazer pulseiras agora?
- Sim! Vou fazer uma pulseira para ti.
- Vais?
- Sim. Não vejas, é surpresa.
- Está bem.

(Passado uns segundos, estende-me a pulseira.)

- Ohh! Está tão linda! Obrigada.
- Tem vermelho, que é a tua cor preferida, e dois corações. Assim faz um laço.
- (Eu a derreter) ohh, tão querida! Está mesmo mesmo linda!... Adorei!
- Agora és tu a fazer uma pulseira para mim.
- Está bem. Como queres a pulseira? Igual?
- (Com os olhos a brilhar e um sorriso de uma ponta à outra do mundo) siiiiiim!!!
- Queres com que fio? O azul, a tua cor preferida?
- (Sorriso) pode ser.

Das Borboletas e dos Laços

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Look for Yourself; Look to Yourself

17. Sintomático

Tenho um amigo que há dias, em conversa, se queixou de dores de costas e nos ombros. "É como se andasse a acumular stress", disse-me, "mas eu ando sempre de um lado para o outro e não sinto stress". Pois... Cá para mim está explicado. Não se permite a sentir o stress todo a nível psicológico e pimbas: eis toda a sintomatologia corporal em força.

domingo, 16 de agosto de 2015

Serão Mesmo Desimportantes?

16. Sapo

Não engulas sapos. Beija-os (como quem diz: transforma-os em algo).

sábado, 15 de agosto de 2015

So Good!

Assentar no Papel


Do Código da Estrada e a Forma dos Sinais*


* retangular para informação, circular para obrigação

15. Retratar

Andei a tentar organizar os meus emblemas da capa do traje por forma a que a sua ordem de colocação retrate o mais possível o meu percurso académico até agora. Ainda não os cosi e queria pedir ajuda à minha avó este fim-de-semana para o fazer. Infelizmente, vou ter de adiar uma vez mais a tarefa: falta-me um emblema para conseguir colocá-los em número ímpar como ditam as regras. Raios. As boas notícias: já sei qual quero comprar. E por enquanto, até ter emblemas dos meus pais, Yeti, Agni e demais familiares que ainda faltam, ficaremos com a coisa compostita.

14. Salientar

Não temas em salientar o que te faz bem.

13. Rádio

Sabe-me lá coisa melhor do que entrar no carro ou nos transportes pela manhã e ouvir rádio. Por muito que também me embale ouvir a minha seleção de músicas, tenho de admitir que nada bate tais manhãs: é acordar com risos; é ir acordando a sorrir mais por dentro e por fora. Não vos sei explicar: há qualquer coisa na alegria das equipas de radioemissão, e a influência que esse estado de espírito tem em mim é quase imediata, nem que numa migalhinha - fico logo muito mais bem disposta. E pronto: aqui fica conhecido o meu amor aos programas matinais de radioemissão.

Acalma o Teu Chão


A Estrada Não é (Im)Perfeita


«Oh, I think I did it again
Quem sabe não esquece
É como andar de bicicleta

Tu mereces muito mais
És forte, abanas mas não cais
Mesmo que sintas o mundo a ruir
Quando as nuvens passarem vais ver o sol a sorrir
A estrada não é perfeita
Apenas uma vida, aproveita
Só perdes se não tentares
E não desistas se falhares

O que não mata engorda
Torna o teu sonho real, acorda
Limpa as lágrimas e luta
Segue o teu caminho e escuta
A voz dentro de ti
As respostas que procuras, dentro de ti
Acredita em ti que tu és
Mais forte e tens o mundo a teus pés

Tu és mais forte e sei que no fim vais vencer
Sim, acredita num novo amanhecer
Não tenhas medo, sai à rua e abraça alguém
E vai correr bem, tu vais ver

Um dia tudo fará sentido
E vais ver que terás o prémio merecido
És o que és, não és o que tens
A tua essência não se define pelos teus bens
Às vezes as pessoas desiludem
Mas não fiques em casa parado à espera que mudem
Muda tu rapaz
Muda a tua atitude, vais ver ver que és capaz

E nada te pode parar
Os cães vão ladrar e a caravana a passar
O teu sorriso de vitória no rosto
Nem tudo é fácil mas assim dá mais gosto
Quando acreditas a força nunca se esgota
Só a reconheces a vitória se souberes o que é a derrota
Vais ver que no fim acaba tudo bem
Sai à rua e abraça alguém»

Entre o Sol e a Lua: um menino crescido


A caminhar para os dois anos de existência e - qual o meu espanto quando noto - mil publicações - ora feitas, ora por fazer. Nem no Letra a Letra, Olhos nos Olhos, o meu primeiro blog e a datar vida desde dois mil e seis, fiz tanta publicação - que foi encerrado (não eliminado, atenção!) com oitocentas e cinquenta e três. Wow.

Saudades de trabalhar?

Até agora ainda não li um único livro que fale de psicologia nestas férias. Não me tem apetecido. Ando numa onda muito mais de histórias, como que num summer break total para com o meu trabalho de curso e, espero, de profissão. Contudo, desde que acordei que fui assaltada por uma vontade gigante de procurar e ler artigos.

Última hora: Project 364? Talvez não.

Há esperança. Afinal há uma fotografia: uma selfie de todos nós no jantar dos Jorges (tirada por um dos dois). Servirá? Representa uma das partes mais importantes do dia de ontem, por isso, apesar de não ter sido eu a tirar (e como já houve duas ou três fotografias que para aqui andam que não fui eu que tirei mas que representam momentos em que estive mais do que presente), para mim, chega na perfeição.

Project 364

Ontem foi um dia tão cheio - desde a avaliação da primeira unidade temática das aulas de código, a conhecer uma pessoa nova, começar as aulas no simulador, passar a tarde com a Rute a cozinhar, e acabar no jantar de despedida dos Jorges (que partem hoje para a Escócia para lá tirarem o mestrado) - que me esqueci completamente de fotografar fosse que momento ou pormenor fosse. Bem... No fim de contas, acho que é bom sinal: estive tão envolta no dia que mais nada me passou pela cabeça. Não que não tenha vivido mais dias assim, mas "ontem", quando me lembrei e apercebi do sucedido, já eram quase duas da manhã e eu a chegar a casa. E para mal dos males do projeto, eu respeito a transição das vinte e quatro horas quando o realizo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Chatice

O mal dos agendamentos automáticos no blog feitos às tantas da noite: só reparas nos erros ortográficos e de sintaxe que dás nas publicações milénios depois, aff.

12. Proteínas

Abraços: uma das mais fortes fontes de proteína da alma.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

No nono ano pedia para mim mesma um amor tão bonito que me fizesse chorar. E tive-o. Foi indescritivelmente bonito; porém chorei porque me doeu tantas e inúmeras vezes que perdi as contas de quanto me verti em pedaços ao longo de quatro anos passados. Depois, na faculdade, tive um amor bonito, o mais bonito até hoje, e o qual prefiro guardar para mim. Só que não me fez chorar. Mal me fez chorar, na verdade - tanto de dor como de felicidade. Fez-me sorrir, isso sim. Muito. As lágrimas, doridas e gratas, vieram depois, como seria de esperar que viessem.
Bem... Ao fim de dois anos sem me sentir apaixonada - mas em muito encantada com algumas pessoas que se foram cruzando no meu caminho -, finalmente lembrei-me de pedir algo mais a mim mesma: um amor tão bonito que me faça chorar de alegria. Pode ser? Fico à espera. Entretanto vou-me emocionando com o amor pelas pequenas e grandes coisas do mundo. Talvez seja nelas que esteja mesmo escondido o amor maior. E está, ou não fosse o amor que ainda poderei vir a ser capaz de construir parte do mundo.

[Editado a 01/01/2016: ver isto e tirar as próprias conclusões ♥].

11. Atrevimento

A esperança namora o atrevimento.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Já todos sabemos como isto acaba, certo?

Socorro, tenho brownie em casa e sinto-me carente e stressada.

10. Revista

Revejo-me em ti. Ou será que, na verdade, revejo-te em mim? Uma coisa ou outra será: ou estou certa e sou-te siamesa em muita coisa, ou é só aquilo que quis ler na capa da revista a deturpar-me o seu real conteúdo. 
Agarro numa lupa, visto-me a rigor, ponho o chapéu e faço revista a tudo. Examino atenta os nossos momentos e as suas pistas, o meu interior e aquilo que desejo. 
Quiçá descubra algo. Quiçá. Poderei não descobrir e nem ser suposto descobrir. Há enigmas e enigmas - resolvidos ou não, são dignos da nossa admiração e respeito (ou as coisas não tinham metade da piada ou da magia). Então, seja como for, irei acabar por tirar o chapéu. 

domingo, 9 de agosto de 2015

Ser Pessoa

De verdades não sou feita. Só de conjeturas.

Parece mentira


Depois de meses e meses de atrasos constantes, dou por mim a adiantar-me na Caixa.

Missão de salvamento

Quando o Yeti resolve saltar, saltar, saltar sem dares conta e, quando então reparas, vês um pequeno ladrãozinho a conseguir abocanhar o teu Baymax de peluche que estava na bordinha da cama junto a uma almofada. Ah...! O Baymax não! Anda cá! E de repente a tua casa transforma-se numa maratona entre ti e o teu cão, com muitos risos à mistura. Porque por muito que gostes do peluche e temas pela sua vida, o teu amor pelo teu cão faz-te fraquejar de ternura por ele só querer brincar.

09. Investir (parte II)

Quando acordar vou investir em mim. Prometo.

09. Investir

Alguém vai fazer-se amiga do "manual" e dedicar todoooo o dia a estudar as primeiras aulas de código com toda a atenção.
Investir ainda mais à séria na carta de condução: o que me espera ao acordar.
«- Missão, qual missão? Missão é uma palavra parva. Eu não tenho missão nenhuma. Ninguém tem missão nenhuma. E é um alívio enorme uma pessoa perceber que é livre, que não tem missão nenhuma.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Todos temos tendência para culpar a força e ver na fraqueza uma vítima inocente. Mas, Tereza dava-se agora bem conta disso, no caso deles era precisamente o contrário! Até os seus próprios sonhos, como se adivinhassem qual era a única fraqueza daquele homem forte, lhe ofereciam o espetáculo do sofrimento de Tereza para forçá-lo a recuar! A fraqueza de Tereza era uma fraqueza agressiva perante a qual ele fora sempre obrigado a capitular, sempre até ao momento em que deixara de ser forte e se metamorfoseara ao seu colo uma lebre.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«[...] o amor que a une a Karenine é melhor do que o amor que existe entre ela e Tomas. Melhor, e não maior. Tereza não quer culpar nenhum dos dois, nem Tomas nem ela, não quer dizer que eles poderiam amar-se mais. Parece-lhe é que o casal humano foi criado de tal forma que o amor do homem e da mulher é a priori de uma natureza inferior àquela que pode ter (pelo menos na melhor das suas variantes) o amor entre o homem e o cão, essa estranha coisa da história do homem que o Criador certamente não previu. 
É um amor desinteressado: Tereza não quer nada de Karenine. Nem sequer exige que ele a ame. Nunca se atormentou com as perguntas que torturam os homens e as mulheres: Gostará ele de mim? Já terá amado alguém mais do que me ama a mim? Amar-me-á mais do que eu o amo? Todas estas interrogações que questionam o amor, que o medem, o perscrutam, o inspecionam, não se arriscarão a matá-lo na casca? Se somos incapazes de amar, talvez seja por desejarmos ser amados, ou seja, por queremos alguma coisa do outro (o seu amor), em vez de chegarmos junto dele sem reivindicações e não querermos senão a sua simples presença. 
E ainda há mais uma coisa: Tereza aceitou Karenine tal e qual como ele é, não tentou modificá-lo, deu a sua anuência prévia ao seu universo de cão, não quer confiscar-lo, não tem ciúmes das suas tendências secretas. Se o educou, não foi com a intenção de modificá-lo (como um homem quer sempre modificar a sua mulher e uma mulher o seu homem), mas simplesmente para lhe ensinar a língua elementar que havia de permitir-lhes compreenderem-se e viverem os dois juntos. 
E também: o seu amor pelo cão é um amor voluntário, ninguém a obrigou a isso. [...] 
Mas sobretudo: nenhum ser humano pode presentear outro com um idílio. Só o animal pode fazê-lo porque não foi expulso do Paraíso. O amor entre o homem e o cão é idílico. É um amor sem conflitos, sem cenas dilacerantes, sem evolução. Karenine ia traçando em torno de Tereza e de Tomas o círculo da sua vida fundada na repetição e também esperava o mesmo deles. 
Se, em vez de ser um cão, Karenine fosse um ser humano, certamente que já teria dito a Tereza há muito tempo: "Ouve lá, já estou farto de vir todos os dias com um croissant na boca. Não és mesmo capaz de me arranjar outra coisa?" Nesta frase, encontra-se resumida toda a maldição do homem. O tempo humano não anda em círculos, mas avança em linha reta. Por isso o homem não pode ser feliz: a felicidade é o desejo de repetição. 
Sim, é verdade, a felicidade é desejo de repetição [...].»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser

sábado, 8 de agosto de 2015

«A vizinha para para perguntar a Tereza: "O que é que o seu cão tem? Parece que vai a coxear!" Tereza responde: "Tem um cancro. Só lhe resta muito pouco tempo de vida", e sente a garganta tão apertada que mal consegue falar. A vizinha apercebe-se das lágrimas de Tereza e põe-se a ralhar com ela: "Santo Deus! Não me diga que se vai pôr a chorar só por causa de um cão!" É uma boa mulher. Não o disse por maldade, mas para tentar consolar Tereza. Tereza tem consciência disso e já vive há tempo suficiente na aldeia para saber que, se os camponeses gostassem tanto dos seus coelhos como ela gosta de Karenine, não matariam nenhum e não tardariam também a morrer de fome rodeados de bichos por todos os lados. No entanto, sente o que a vizinha lhe disse como uma hostilidade. "Eu sei", responde ela sem protestar, mas despede-se rapidamente e prossegue o seu caminho. Sente-se sozinha com o seu amor pelo seu cão. [...] 
Prossegue, portanto, caminho com as suas vitelas, que lá vão com os flancos a roçar, e mais uma vez pensa com os seus botões que aqueles bichos são realmente muito simpáticos. Mansos, sem malícia, às vezes de uma alegria pueril: só parecem cinquentonas gordas a armarem-se às meninas de quatorze anos. Nada mais tocante do que vacas a brincar.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Logo no começo do Génesis, está escrito que Deus criou o homem para que ele reinasse sobre os pássaros, os peixes e o gado. É claro que o Génesis é obra do homem e não do cavalo. Ninguém pode ter a certeza absoluta que Deus realmente queria que o homem reinasse sobre todas as outras criaturas.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Tinha sido preciso aquela longa viagem para entender que a realidade é mais do que o sonho, bem mais do que o sonho.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser

08. Furta-cor

Fui hoje a casa da minha avó e estavam lá as minhas primas gémeas, divertidíssimas com um daqueles tubos de plástico que se vendem em alguns espetáculos - daqueles com várias luzes, que se abanam no alto e logo fazemos parte de um mar de gente e de furta-cor. Claro está, quiseram-mo mostrar em todo o seu esplendor: fui puxada ora por uma, ora por outra, para todos os recantos escuros lá de casa, para reparar quão bem tais cores se viam fosse em que escuridão fosse.

07. Bilhete

Ontem passou-me pela cabeça a ideia louca de te escrever um bilhete. Realço o louca: seria como escrever a minha sentença, pois quando entrego palavras de mim a alguém vai todo o meu coração com elas. Expressar-te o meu carinho agora, do nada, apenas porque me apetece dizer-te o quanto te gosto, seria arriscar-me a entrar numa rua e vê-la ilusoriamente sem retorno no preciso momento em que te entregasse o manuscrito. Pelo que logo me detive, a detive (à ideia) e a expulsei. Não são becos que pretendo quando me faço à estrada, e por agora seria tudo o que conseguiria ver. Não é o momento. Se algum dia for, isto é, se algum dia conseguir ver outra coisa que não um muro, acredita que não terei receio algum em escrever todos os bilhetes (só de ida) do mundo.
«No reino do kitsch totalitário, as respostas já estão sempre preparadas e excluem toda a pergunta que seja realmente nova. Donde se infere que o verdadeiro adversário do kitsch totalitário é o homem que pergunta. A interrogação é como uma faca que rasga a tela do cenário para permitir que se veja o que está atrás. Foi precisamente esse o sentido que Sabina deu aos seus quadros numa conversa com Tereza: à frente, a mentira inteligível, e, por detrás, a incompreensível verdade.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Todas as crenças europeias, sejam elas religiosas ou políticas, têm por detrás de si o primeiro capítulo do Génesis, do qual se infere que o mundo foi criado tal como devia ser, que o ser é bom e, por consequência, que procriar é uma coisa boa. Chamemos a esta crença fundamental acordo categórico com o ser.
Se, ainda recentemente, a palavra merda era substituída nos livros por três pontinhos, não era seguramente por uma questão de moral. Apesar de tudo, ninguém pode pretender que a merda seja imoral! O desacordo com a merda é metafísico. O instante da defecção é a prova quotidiana do caráter inaceitável da criação. Das duas, uma: ou a merda é aceitável (então porque é que se fecham na casa de banho?) ou a maneira como nos criaram é que é inadmissível. 
Daqui se infere que o acordo categórico com o ser tem como ideal estético um mundo onde a merda é negada e onde todos se comportam como se ela não existisse. Esse ideal estético chama-se kitsch.
É uma palavra alemã que apareceu em meados do século XIX sentimental e que depois se vulgarizou em todas as línguas. Mas a sua utilização frequente fê-la perder todo o valor metafisico original: o kitsch é, por essência, a negação absoluta da merda; tanto no sentido literal como no sentido figurado, o kitsch exclui do seu campo de visão tudo o que a existência humana tem de essencialmente inaceitável.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«A merda é um problema teológico mais difícil do que o mal. Deus ofereceu a liberdade ao homem e, portanto, pode admitir-se que ele não é responsável pelos crimes da humanidade. Mas a responsabilidade pela existência da merda incumbe inteiramente àquele que criou o homem, e só a ele.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Não tinha a certeza de estar a proceder bem, mas tinha a certeza de estar a proceder segundo a sua vontade.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«A rapariga falava de tempestade com o rosto banhado por um sorriso sonhador, e ele olhava para ela com espanto, quase com vergonha: ela vivera algo belo e ele não o vivera com ela. A reação dicotómica das suas memórias à tempestade notura exprimia toda a diferença que pode haver entre o amor e o não-amor. 
Ao falar de não-amor, não quero dizer que Tomas se tenha comportado como um cínico com a rapariga, que, como costuma dizer-se, não tenha visto nela senão um objeto sexual: pelo contrário, gostava dela como amiga, apreciava-lhe o caráter e a inteligência, estava pronto a ajudá-la sempre que precisasse. Não era ele que se portava mal com ela: era a sua memória que, sem que ele pudesse dizer palavra, a excluíra da esfera do amor. 
Parece que existe no cérebro uma zona perfeitamente específica que poderia chamar-se memória poética e que regista aquilo que nos encantou, aquilo que nos comoveu, aquilo que dá à nossa vida a sua beleza própria. [...] 
Fiz já notar como as metáforas são perigosas. O amor começa com uma metáfora. Ou, por outras palavras, o amor começa no preciso instante em que, com uma das suas palavras, uma mulher se inscreve na nossa memória poética.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«O que se passaria se Tomas recebesse uma fotografia como aquela? 
Pô-la-ia na rua? Talvez não. Com certeza que não. Mas o frágil edifício do amor deles desmoronar-se-ia imediatamente porque esse edifício repousava sobre o pilar único da sua fidelidade e os amores são como os impérios: desaparecendo a ideia sobre a qual estão construídos, também eles desaparecem.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser

06. Conversar

Arlindo: - Mais vale esperar que apareça alguém que valha a pena, e não esperar que apareça alguém.

- Das conversas à beira-rio; 6 de agosto de 2015

05. Ordem

Risca uma folha. Risca apenas. Em completa desordem. E, talvez, sem quase dares conta, venhas a encontrar desordem.

Unclear


«I am trying to learn and I'm dying to know
When to move on and when to let it go
A curious feeling no one can explain
I just don't know if I'll risk it again

When the futures so unsure
When the futures so unclear

So you swallow your heart and you swallow your pride
You gotta be tough if you wanna survive
They'll chew up and they'll eat you alive
You never give up on the dreams in your mind

We walk, we walk on
Our time, our time will come
We walk, we walk on
Our time»
«[...] o fim que se persegue está sempre oculto. Uma rapariga que quer um marido, quer uma coisa que desconhece completamente. O rapaz que anda em busca da glória não faz a mínima ideia do que a glória é. O que dá sentido à nossa conduta é sempre uma coisa completamente desconhecida.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Tinha uma vontade brutal de fazer qualquer coisa que a impedisse de voltar atrás. Tinha vontade de anular brutalmente os últimos sete anos da sua vida. Eram as vertigens. Um inebriante, um incontrolável desejo de cair. 
Poderia talvez dizer que ter vertigens é embriagar-nos com a nossa própria fraqueza. Temos consciência da nossa fraqueza, mas, em vez de resistir-lhe, queremos abandonar-nos a ela. Embriagamo-nos com a nossa própria fraqueza, queremos ficar ainda mais fracos, cair por terra em plena rua à frente de toda a gente, ficar por terra, ainda mais abaixo do que a terra.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«A nossa vida quotidiana está sempre a ser bombardeada pelos acasos, mais exatamente por encontros fortuitos entre as pessoas e os acontecimentos, ou seja, por aquilo a que costuma chamar-se coincidências. Há uma coincidência quando dois acontecimentos inesperados se produzem ao mesmo tempo, quando se encontram um com o outro: por exemplo, Tomas aparece no restaurante precisamente no momento em que a rádio está a dar Beethoven. Na sua imensa maioria, este tipo de coincidências passa totalmente despercebido. Se o homem do talho tivesse vindo sentar-se a uma mesa do restaurante em vez de Tomas, Tereza não teria reparado que a rádio estava a dar Beethoven (embora o encontro de Beethoven com um homem do talho também não deixe de ser uma coincidência interessante). Mas o amor a nascer aguçou-lhe o sentido da beleza e, por isso, nunca mais esquecerá essa música. Sempre que a ouvir, há-de sentir-se comovida. Tudo o que se passar à sua volta nesse instante ficará aureolado com o brilho dessa música e será belo. 
No começo do grosso volume que Tereza trazia debaixo do braço no dia em que veio a casa de Tomas, Ana vê pela primeira vez Vronsky em circunstâncias bastante estranhas. Estão ambos no cais de uma estação onde alguém acabara de cair para debaixo de um comboio. No fim do romance, é Ana que se atira para debaixo de um comboio. Esta composição simétrica, em que o mesmo tema aparece no princípio e no fim, pode parecer demasiado "romanesca". Estou disposto a admiti-lo, mas só se romanesco não significar para os que me estão a ler algo de "inventado", "artificial","sem semelhança com a vida". Porque a vida humana também é assim que é composta. 
É composta como uma partitura musical. O ser humano, guiado pelo sentido da beleza, transpõe o acontecimento fortuito (uma música de Beethoven, uma morte numa estação) e faz dele um tema que, em seguida, inscreverá na partitura da sua vida. Como o compositor faz com os temas de uma sonata, está sempre a voltar a ele, a repeti-lo, a modificá-lo, a desenvolvê-lo, a transpô-lo. Ana poderia ter posto termo à vida de outra maneira qualquer. Mas, no momento do desespero, foi atraída pela sombria beleza do tema da estação e da morte, desse tema inesquecível associado ao nascimento do amor. Mesmo nos momentos da mais profunda desordem, é segundo as leis da beleza que, secretamente, o homem vai compondo a sua vida. 
Não há, portanto, razão nenhuma para censurar os romances e o seu fascínio pelos misteriosos cruzamentos dos acasos (por exemplo, o encontro de Vronsky, de Ana, do cais e da morte, ou o encontro de Beethoven, de Tomas, de Tereza e do copo de aguardente), mas há boas razões para censurar o homem por ser cego a esses acasos na sua vida quotidiana e assim privar a vida da sua dimensão de beleza.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Mas um encontro não é precisamente tanto mais importante e cheio de significação quanto mais depende de um grande número de circunstâncias fortuitas? 
Só o acaso pode ser interpretado como uma mensagem. O que acontece por necessidade, o que já era esperado e se repete todos os dias é perfeitamente mudo. Só o acaso fala. Nele é que deve tentar-se ler, como as ciganas fazem com as figuras deixadas no fundo de uma chávena pela borra do café.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Tomas ainda não sabia que as metáforas são uma coisa perigosa. Com as metáforas não se brinca. O amor pode nascer de uma única metáfora.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Censurava-se intimamente, mas acabou por pensar que, no fundo, não se saber o que se deve querer é normal:
Nunca se pode saber o que se deve querer porque só se tem uma vida que não pode ser comparada com vidas anteriores nem nunca retificada em vidas posteriores.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Mas, na verdade, será o peso atroz e a leveza bela? 
O fardo mais pesado esmaga-nos, verga-nos, comprime-nos contra o solo. Mas, na poesia amorosa de todos os séculos, a mulher sempre desejou receber o fardo do corpo masculino. Portanto, o fardo mais pesado é também, ao mesmo tempo, a imagem do momento mais intenso de realização de uma vida. Quanto mais pesado for o fardo, mais próxima da terra se encontra a nossa vida e mais real e verdadeira é. 
Em contrapartida, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, fá-lo voar, afastar-se da terra, do ser terrestre, torna-o semi-real e os seus movimentos tão livres quanto insignificantes. 
Que escolher, então? O peso ou a leveza?»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser
«Digamos, portanto, que a ideia do eterno retorno designa uma perspetiva em que as coisas não nos parecem como é costume, porque nos aparecem sem a circunstância atenuante da sua fugacidade. Essa circunstância atenuante impede-nos, com efeito, de pronunciar um veredicto. Poderá condenar-se o que é efémero? As nuvens alaranjadas do poente iluminam tudo com o encanto da nostalgia; mesmo a guilhotina.»

- Milan Kundera in A Insustentável Leveza do Ser

04. Pausa

Não te esqueças de definir as tuas paragens. Parar tanto pode significar pôr em pausa como parar de vez.

03. Saltar

Há que saber quando saltar fora do barco para enfrentar realmente o mar. Há barcos que não pretendem qualquer travessia, mas sim fazer a vez de um bote salva-vidas (que, nesses casos, poderá fazer tudo menos salvar-nos).

02. Singular

Na pluralidade dos dias por vezes só encaixamos um acontecimento singular. Acontece quando só ele basta - e já somos (in)felizes.

01. Confiar

Quando tremo que nem varas verdes, por norma acalmo-me ao sussurrar-me pedaços (que descubro) de confiança, tais como: trata-te como tua melhor amiga; confia em ti como tal. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Quinze dias parada e longe de tudo dá nisto

Ainda me estou a habituar ao ritmo de Lisboa. Apesar de estar de férias, voltou a rotina e a correria - ainda mal parei em casa e continuo com uma lista interminável de coisas para fazer. Agora estou aqui a ganhar coragem para ir ao ginásio e estudar código antes de uma outra aula de código, só que já estou a morrer de sono e cansaço.

Julho foi...

01/07. Último exame da licenciatura e 
almoço com a Rute, Jorge e Nês.
Há, pois, amores maiores que pizza (só numa 
de avisar potenciais wanna be hipsters que andem por aí).


02/07. Into the Woods versão Oeiras
(muito mais suportável e bonita que o filme,
isso sem dúvida alguma - de longe).


03/07. Pela primeira vez, ir assistir
a um treino de hóquei do mano.
Tal avô, tal neto: um dia temos
campeão!


04/07. Espetáculos de ballet. Também querer dançar.
Ao fim de duas horas e meia de mais do mesmo 
aguentar o sono e a fome pela afilhada - esse meu amor maior
que ia atuar a meio e depois já só quase quase no fim.


05/07. Primeiro dia de praia.


06/07. Reaprender a fazer vídeos, a.k.a. 
surpresa do 40º aniversário do meu padrasto
a caminho!


07/07. Apanhar sol na varanda.


08/07. Novas páginas. 
Novos capítulos. 
Novos livros.


09/07. Ir às origens; sentir com outros olhos.
Cortar e criar raízes.

10/07. Passeios por Lisboa fora. Paisagens, história(s), 
arte, sonhos; imaginar, construir e ver castelos - mas a 
partir da realidade. Arranca (ou repõe) corações.

11/07. Casamento do Carlos e da Andreia 
com lançamento de balões LED brancos pelo
ar: amor, amor, amor. Também quero algo assim
quando/se chegar a minha vez. Muitos que olharam o céu 
por esta hora devem ter julgado ver uma chuva de meteoros.

12/07. Ser uma criança crescida no Pavilhão
do Conhecimento.

13/07. Primeiro dia da vida em que pintei as unhas dos
pés. E claro que foi em dois tons diferentes ou não tinha
tanta piada.

14/07. Diz que se apertares um ovo nas extremidades
ele não se parte, mesmo que com toda a força. Foi 
o instrutor mais doido (no bom sentido) de código da  minha 
escola de condução que para lá nos ensinou e eu confirmo.
Diz ainda ele que os Smart devem ser dos carros mais seguros 
que andam para aí porque são muito feitos à base deste sistema: 
o exterior desfaz-se todo em caso de acidente, mas a estrutura 
interior é fortíssima.

15/07. Malas para a viagem a Cuba:
in progress.

16/07. (Fingir) abraçar aqui.
«É urgente amar
É urgente um barco no mar»
diz Eugénio de Andrade.

17/07. "Eu não sou assim tão pequenina,
já tenho sete anos, não tenho quatro!", diz
a Ninês com um sorrisinho reguila e fofinho
perante o tamanho dos seus talheres. Falo da 
minha prima e afilhada: veio cá jantar. O  Rúben, 
meu primo e primeiro mano emprestado também veio. 
Foram o auge do meu dia após limpar a casa inteira. 

18/07. Árvores à vista.


19/07. Aniversário do mano e celebração do 40º 
aniversário do padrasto. Uma festa enfeitada com surpresas.


20/07. Chegada a Cayo Coco e a vista linda, linda, linda 
e em tudo mais indescritível do quarto. Dançar junto à 
varanda como que perto pertinho da areia e do mar, e 
estando, sem dúvida, no céu.


21/07. Primeiros banhos no paraíso dos tons de azul 
a puxar para o transparente.


22/07. Experimentar enfrentar medos. Fazer snorkling 
junto aos corais e adorar. Next step: batismo de mergulho 
(num qualquer outro ano e viagem por chegar).


23/07. Devorar livros na praia até à última página: 
mission accomplished.


24/07. Festa à noite na praia: aprender coreografias 
com a ajuda dos bailarinos cubanos; encontrar a 
matilha de cães fofos do hotel a dormir na areia; uma das 
cadelinhas a acompanhar-os todos os passos sob a lua.


25/07. Acordar ao nascer-do-sol e deixarmo-nos maravilhar. 
Quando se pensava que íamos acordar só para ir ver os golfinhos 
na sua ronda matinal pelas águas do mar, eis que somos 
presenteados com ainda mais magia.


26/07. Visita à praia Pilar (foto na imagem, considerada a praia 
mais bonita de Cuba e a oitava mais bonita do mundo, pelo 
que nos foi constatado) e a Cayo Guillermo. Mar-piscina, mar-chá,
mar-sopa.


27/07. Esperas prolongadas pelo autocarro de volta para 
o aeroporto e as últimas bebidas no bar do átrio (Pinacolada 
na imagem acima). Nostalgia por estar tudo a terminar.

28/07. Amanhecer sobre as nuvens.


29/07. Algarve e matar as saudades todas do peludo tonto, 
ali escondido atrás do móvel da televisão a dormitar. 
Mostrar as fotografias da viagem à família.


30/07. Jardins e Karenine, Karenine e jardins.
Acabar a Insustentável Leveza do Ser e deixar-me tocar 
com as últimas páginas sobre Karenine.


31/07. Dias de perfeita moleza.
Descansar, ouvir música 
e pensar na vida a meia-luz.