domingo, 31 de maio de 2015

24. Pulseira

Não gosto de ter coisas muitas coisas nos pulsos, só o essencial. Não gosto de sentir muitas amarras. E a verdade é que é raro usar pulseiras... A não ser quando, numa qualquer fase, estou muito agarrada a um significado qualquer dei a uma dita cuja. Ou melhor: a não ser quando, numa qualquer fase, preciso de materializar um significado qualquer numa dita cuja. Nem que seja vaidosar-me. Porque há dias em que tudo o que apetece é isso: gritar "eu posso sentir-me toda bonitinha, dos pés às mãos e até à ponta dos cabelos". E pronto, dá-me para aí e lá vou eu.

sábado, 30 de maio de 2015

23. Vanguarda

- O que levas na vanguarda da tua alma?
- Emoções fortes.

22. Noite

Receber uma mensagem a meio da noite, mais especificamente às três da manhã, só a dizer "desculpa" é meio caminho andado para ter um ataque cardíaco. Por isso nunca façam isso a ninguém, por favor. Escrevam mais qualquer coisa, sim? Vá que foi só um susto, pelo que eu percebi... Que não aconteceu nada e que foi mero engano, que a pessoa se esqueceu de escrever o resto, soube pelo Fon, que às três da manhã estava acordado e foi logo averiguar a situação. Mas continuo à espera de resposta da pessoa que efetivamente me enviou a mensagem. E sei que só quando (ou se...) a receber é que vou respirar fundo.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

21. Ser

Ser feliz é deitar-me cinco minutos no chão abraçada ao Yeti.

20. Dar

Sim, já foi dado; porém, também não posso deixar de dar.

19. Dado

- Lança o dado e vê o que te saiu.
- Andar três casas.
- Força, então.
- Mas em que direção?
- Qualquer uma. Desde que estejas minimamente consciente do que estás a fazer, claro, pois isso vai influenciar tudo o que acontecerá de seguida. O peão és tu. Os dados são puras diretrizes, circunstâncias da sorte ou do azar; como jogas com isso depende de ti.

18. Vodca

Qual vodca, qual quê. Quando comecei a beber seja o que for - no segundo ano da faculdade, portanto - bastava-me três goles de sangria e já estava a dizer que a dita, no copo, fazia-me lembrar gelatina líquida...
Pois... Esta e outras histórias que é melhor ficarem no segredo dos Deuses (por isso é bom que eles existam nem que para isso, está bem?).

17. Aceitar

Aceitar? De momento estou em completa negação da decisão que tomei, tanto que não consigo perceber com clareza se devia ter feito o que fiz ou não. O facto de estar em negação conta-me que não o queria fazer (tal como acho que nunca quis), mas continua a deixar-me sem saber se, ainda assim - mesmo não o querendo -, agi como tinha de agir. O facto de pensar na coisa vezes e vezes sem conta num mesmo dia não ajuda, pois acabo por ficar exausta e não reflicto em nada - nem lido com nada - como deve ser.

Dos Mares


Tinha acabado de viver um acontecimento violento. As memórias de um peixe e de uma tartaruga tinham acabado de dar à costa e eu vi-os ali, estendidos, à espera da minha reação. Ia mesmo deixá-los secar, sujos pela areia como se nada fosse? Ia colhê-los e devolvê-los ao mar para que retomassem o seu caminho? Ou iria pegar neles, levá-los para casa, colocá-los num aquário e cuidar deles com todo o amor que conseguisse? Era assim que me sentia. Dividida, perdida, confusa naquelas memórias que sem querer se misturavam com o meu presente. Um antigo amigo voltou a falar-me, eu voltei a falar-lhe. Pensei no quão bonito seria voltar a cuidar de um aquário colorido e vivo. Mas depois assaltaram-me todas as outras memórias - não só as decoradas em conchas bonitas e brilhantes, como todas as forçosamente fechadas e adormecidas nelas. Ouviu-se uma rebentação dentro de mim. Num ápice, e porque algo tinha de ser feito antes que o peixe e a tartaruga me morressem ora por abandonados ora por erroneamente colhidos, resolvi-me, perante o que se fez meu alarme, a devolvê-los ao mar. Ao menos sabia que, aí, de uma maneira ou de outra, por já ser esse o seu meio natural, o peixe e a tartaruga tinham mais probabilidades de se safarem. Fi-lo, mas fi-lo e percebi continuar a ouvir o burburinho das ondas ao fundo (pois o mar nunca para - vim a entender mais tarde): não teria mesmo sido capaz de cuidar do peixe e da tartaruga? Teriam eles mais amor no mar do que comigo? Ainda iria a tempo de os encontrar, se me arrependesse por perceber que não tinha tomado a melhor decisão? O (a)mar é assim, feito de rebentações, de marés vazas e cheias; um passo e desfere-nos, outro e acalma os arranhões. Fazendo-me escutar nas minhas inquietações, acabaram por me recomendar os horizontes abertos. Deixar a opção que tomei surtir o seu efeito, pois só após os resultados é que podemos apercebermo-nos se há algo ou não a corrigir ou a melhorar. Não descartar a possibilidade de necessitar de correr ao mar por ver borbulhar ao fundo - sinal do peixe e da tartaruga estarem gravemente injuriados e no risco de perecer. Contudo, dar-lhes a oportunidade de morarem e crescerem felizes no caminho marítimo que é seu. 
Julgo mesmo que merecemos a oportunidade de morar e crescer felizes no caminho marítimo que é de cada um de nós individualmente. Sim: nós conseguimos!... Torço genuinamente por isso. Pois, de facto, merecemos vencer!

Para além da escrita criativa, o melhor remédio é-me...

Escrever cartas a mim mesma, tenho vindo a descobrir. Já lá vão três - duas por abrir, outra que tive de abrir mais cedo do que julgava que o ia fazer. Julgo que precisarei de escrever uma quarta.
Aconselho toda a gente a fazê-lo quando precisar ora de reorganizar ideias, ora de fazer um apanhado dessa reorganização - tornando-a, assim, mais consistente para si.
O coração pede-me muitas coisas para dizer, mas não me sabe ditar as palavras mais adequadas sem ter a certeza se me vai fazer escarafunchar as feridas ou não.
De momento, não estou sem chão. Só tenho o chão. E preciso de ir mais além. Fazer escavações até ao mais fundo de mim e depois criar e subir degraus que me permitam chegar a uma plataforma para voar. Mas tudo a seu tempo. Não há pressa. Agora preciso de não ter pressa e dar todo o espaço do mundo àquilo que sinto... Sentir-me desfeita mas saber que, tendo em consideração o que está para trás e todos os acontecimentos recentes que trouxeram à tona o que de mais humano existe, só faz sentido sentir-me assim... pelo menos por enquanto.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

The load is also important, but...

(What doesn't mean that sometimes it doesn't have to be that way...
At least at the start.)

16. Olho

- Tenho medo de olhar e ver o que não quero... o que não gosto.
- Tenho mais medo de olhar e não ver nada disso apesar de lá estar, e assim dar um passo em falso para o precipício.
- Não fechar os olhos de todo, então? Nem um olho aberto e outro fechado?
- Exato, os dois olhos bem abertos. Em alerta para o bom e para o mau. Não faz sentido veres só uma parcela da tua vida se ela tem mais do que uma. Assim só sobrevives à parcela que vês. Só aprendes os traços da que não recusas. Mas a que recusas está lá na mesma, e acaba por te chegar ou tu por chegares a ela; se nessa altura continuas a fazer de tudo para não a veres, acabas por te perder, por tropeçar nos limites e obstáculos do caminho, por cair e fazer arranhões, esfolar os joelhos e as palmas das mãos. E também podes, como te disse e extremando bem a coisa, correr o risco de assim te dirigires para o precipício e entrar em derrocada. 

15. Combinar

Maria e ansiedade: uma combinação perigosa que tenho claramente de (continuar a) fazer por amenizar. Combinei comigo mesma.

14. Subjetivo

Um objetivo está sempre sujeito à subjetividade, ouve o que te digo. Podemos tê-lo muito bem delineado, pronto a alvejar qualquer fim, mas para além de o podermos não conseguir, podemos consegui-lo por um caminho tudo menos linear - que é o que geralmente nos acontece com as grandes coisas, pelo menos. O futuro é subjetivo por muito que o tentemos objetivar, não só devido aos acontecimentos que nos são externos e nos quais não temos (e/ou não julgamos ter) qualquer controlo, como devido a todos os objetivos que estabelecemos conscienciosamente dentro de nós. Se são nossos, pessoais, bem delineados ou não, acabam, muitas vezes, por ter de membros a subjetividade, para além de poderem mudar totalmente de figura a qualquer momento (por nossa escolha ou não).

13. Necessidade

Do dia de estudo de hoje:
A pirâmide de necessidades do Maslow, há bocadinho.
A necessidade de vir aqui escrever, agora.

12. Caminhar

Vai caminhando. Vai caminhando mas não te esqueças de que também tens de te dar espaço a respirar. Não é por não estares a correr que não tens de ter cuidado com a cadência da tua respiração. Se precisares, mesmo que com toda a pressão do mundo em cima, tira um tempo para fazeres umas paragens e assim inspirar e expirar tudo o que precisas, balancear o que te entra e sai dos pulmões; isso ou vai pelos baby steps. Não faz mal.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Fez-se Luz VI

- Correlação.

(Co-relação, i.e., uma relação mútua, que vai em dois sentidos. Voltei a dar-me com esta maravilhosa magia de dividir as palavras na aula prática de Diferencial, desta vez no meio dos meus pensamentos. Opá, há quanta coisa que sei o que significa mas que só penso na sua "essência" depois... E é disso que se trata esta rubrica: coisas óbvias, que farto-me de usar e usar bem no discurso, mas que só fazem "plim" por si mesmas mais tarde na minha cabecinha quanto ao porquê de se dizerem como se dizem).

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Então,

Por ordem: para além de ter de ir ao Congresso de Luto esta sexta e sábado, fazer anos no domingo, ter uma frequência terça, um trabalho para entregar quinta, outro para apresentar sexta, e outros dois para fazer à velocidade da luz nos bocadinhos livres da semana que vem, agora apareceu-me herpes. 

A sério? Mas a sério?!

Posso replantar o meu aniversário? Passá-lo de domingo para o mês que vem? Posso?

(Vá: eu consigo; eu consigo).

sábado, 16 de maio de 2015

Olha, é da vida.

As pessoas chocam-se quando digo que considero que os seres humanos estão ao mesmo nível que os outros animais... A mim choca-me não o acharem. Mais: chocam-se quando me perguntam o que faria se tivesse uma criança e um cão a morrer à fome e só tivesse um pão comigo, e respondo que o repartia igual por cada um. A mim choca-me as pessoas não o fazerem, darem tudo à criança ou a maior parte. Mas estou a cometer uma atrocidade assim tão grande, afinal?! Atroz soa-me antes colocar em causa ou balancear o direito à vida dependendo da espécie animal em questão... Sim, só naquela: somos tão animais quanto os cães. Repito: disse "animais" e não "racionais" - isso é outra discussão que a mim não me compete. Mas como os cães ladram e rosnam, nós fazemos outras coisas típicas da nossa espécie. Simples assim. Não há cá espécie superior ou inferior para mim, e também acho de um egoísmo e egocentrismo imensos pôr as coisas nesses termos - fazê-los critério - para tomar uma decisão de uma envergadura ética dessas (ou que devia ser de uma envergadura ética dessas). Ponto final.

11. Acolhedor

Acolhedor foi o nosso toque reencontrar-se no farol; ver luz na noite escura, escutar as ondas a baloiçar - quero dizer: ainda que a rebentar, resilientes - e então sentir a pele mais protegida do vento que nunca nenhum casaco protegeu igual.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Quando ouvi esta música pela primeira vez lembrei-me logo da minha "mana", a Deia. Mandei-lhe mensagem em jeito de impeli-la a ouvi-la assim que pudesse,e não tardou a que ela me confirmasse o que eu já esperava: "tens razão mana, a música tem tudo a ver comigo! Adorei!".
Ainda sobre a minha mana: ela tem medo de pombos.

Querem, então, saber da última?

Hoje estava na paragem a aguardar o autocarro e resolvi colocar os meus belos phones nos ouvidos para entreter o tempo. A primeira música que começou a dar foi a da minha mana, e o que acontece imediatamente a seguir é que dois pombos posam bem pertinho dos meus pés. Não fiz a associação imediata - fiquei a olhá-los, completamente abstraída da vida, enquanto lhes imaginava as passadas como se estivessem a dançar o que eu escutava. Fiquei assim durante pelo menos um minuto e eles ali, como se nada fosse, a andar de um lado para o outro. Até que... sorri. Sorri porque as ideias interligaram-se todas umas nas outras e eu pensei no quão irónico era eu estar a imaginar pombos a dançar a música que eu atribuí à minha mana. Ah pá... Só a tu e a tua cabeça, Maria.

(Já agora - e para se ficar em é de igualdade quanto aos medos que a generalidade das pessoas pode julgar ridículos -, se nunca disse, digo agora: tenho medo de minhocas, lagartas, lesmas e outros que tais).

Fez-se Luz V

- Depressão.

(De-pressão, i.e., sem pressão - disse a minha professora de Psicologia Diferencial das aulas práticas e eu encantada).

terça-feira, 12 de maio de 2015

Sobre o Mestrado, outra vez

Mas desta vez para dizer que entrei em Clínica Cognitivo-Comportamental e Integrativa mais a Nês e a Rute. A Cata e a Necas não conseguiram... Estou (muito) contente por nós - por mim, pela Nês e pela Rute, claro - mas preocupada com a Cata e com a Necas, pois achavam mesmo que conseguiam entrar em pelo menos uma das Clínicas... Todas achavamos que elas conseguiam. Acontece que a nossa turma é toda uma cena do outro mundo em médias - é para esquecer. Houve poucos anos com médias tão altas quanto as nossas, já para não falar que a procura por outros núcleos da Clínica como Sistémica e Saúde e Doença disparou. Estamos agora a tentar ajudá-las a encontrar alternativas... nem que tenham de ir para outra faculdade, nem que tenham de parar um ano para melhorias e/ou trabalhar e tentar outra vez no ano seguinte. Vamos ver.

domingo, 10 de maio de 2015

May the force be with us (May, isto é, maio - percebem?!)

Amanhã saem os resultados de entrada em mestrado.

♡♥

Resumindo:

Agora é que reparei: a pê descreveu a Caixa das Palavras do mês de maio como «maio com éme de melancia». Desculpem, mas a minha cabeça e as suas ligações mágicas a mil à hora impelem-me a não deixar escapar isto e a construir de imediato uma coincidência (sim, sim: acredito que as coincidências se constroem - pelo menos algumas, quero dizer: as que são feitas pelo entrelaçar de ideias que nos sobem à mente). Sabem, ainda há pouco pensava como de há dois anos para trás sou completamente apaixonada por padrões nas peças de roupa... Não falo tanto de riscas e bolinhas - e muito menos de padrões tipo leopardo ou tigre! - mas de florzinhas, formas orientais, desenhos tropicais, alguns mosaicos. Ora, no verão passado fiquei conhecida no meu grupo pelas minhas queridas camisas com frutas. Tinha três: uma rosa com ananáses, outra amarela clarinha com morangos e outra azul clarinha com melancias (digo tinha e não tenho porque a de ananáses morreu aquando da passagem do ferro de engomar a temperaturas altas). A questão é que as pessoas começaram a perguntar-me de tempos a tempos coisas como "Maria, quando trazes outra vez a camisa dos ananáses?" e, quando eu voltava a usar uma delas, anunciavam-no ao mundo: "Hoje a Maria traz a camisa das melancias!". Pronto, num ápice fiquei a Maria das camisas com frutas - o que segundo alguns se adequa perfeitamente visto que sou vegetariana (bem... eu já comia fruta antes disso e acredito que muita gente que faça o tipo de alimentação dito tradicional também, mas pronto). 
O que quero dizer com isto tudo é (reparem bem nas associações que eu desencanto): em maio faço anos e maio é o mês «com éme de melancia». É o meu mês e é o mês «com éme de melancia»
Pronto, era só isto.

10. Sensação

Segunda chamada por Skype com a Cláudia desde que ela foi de intercâmbio para Sydney. Estou cá com a sensação de que estes seis meses na Austrália estão a servir-lhe para perceber que quer lá ficar a vida toda; quanto a mim, e tendo em consideração tudo o que ela me conta, estou mesmo a ver que se não arranjar, de todo, emprego em Portugal (ou se entretanto ficar sem emprego), irei fazer trinta por uma linha para ir para ao pé dela - esteja ela em que canto do mundo estiver.

09. Vermelho

Vermelho, a minha cor favorita. 
Vermelho, a cor que vesti ontem, dia nove.

08. Rua

O professor Barbosa elogiou o nosso trabalho de Processo de Luto de uma ponta à outra e que tínhamos conseguido interligar tão bem a matéria que o nosso trabalho quase que podia servir de material de estudo para o exame. Ficámos todas contentes, é claro; a Carolina é que quase saía com uma manifestação à rua quando soube que o trabalho não contava para nota, só servia para podermos ir a exame - o que é que lhe fomos contar, meus amigos... E o que ela refilou e barafustou! Barafustou, barafustou,... completamente indignada, em pleno bar da faculdade. 
Só estando lá, meus amigos. Só estando lá...

(Nota: a Carolina não era do nosso grupo de trabalho, estávamos só a comentar a coisa com ela).

07. Trovoada

Quando parece que cá em casa são todos nuvens de algodão que, de repente, mudam de cor como mudam os tempos. Cuidado, por favor... Não choquem! Nesses momentos temo tornar-me a menina que se encolhe com a trovoada, e por vezes torno-me mesmo. Contudo, folgo em saber que, de uma maneira ou de outra, somos todos nuvens de algodão seja qual for a nossa cor. E que, nem que nesse aspeto, está tudo bem.

06. Astrologia

Quem me conhece desde que sou eu dirá certamente (eu inclusive, para mim própria) que os astros desalinharam-se no momento em que comecei a gostar mais de política. Apesar de gostar mais, continuo a achar que a astrologia anda um pouco trocada da vida: compareço em alguns eventos mas continuo a não sentir que o meu modo de ser se encaixe assim tanto na coisa quanto isso. Quando penso em mim não penso nas minhas ideologias políticas como sendo parte da minha identidade - de todo. Sei com que tipo de ideais mais me identifico, mas costumo dizer que me meti na política não sei como... Por um lado acho que me faz bem arrastar-me para estas coisas, pois no dia a dia sou completamente desligada destes assuntos e o facto de ir aqui e acolá volta e meia atualiza-me e abre-me mais os olhos para o mundo... Mas não sei bem o que estou ali a fazer. Começo a gostar mais, na medida em que começo a compreender o impacto que a política tem na sociedade e, em consequência, na vida de cada um. Progressivamente vou ficando interessada em saber o que está a acontecer em termos de governo, o que pode acontecer, o que é proposto pelas diferentes alas que aconteça. A pergunta é: quando os astros se alinharem - quando eu sentir que os astros se alinharam - este interesse vai-se manter? Ou é sol de pouca dura?

Fez-se Luz IV

- Acéfalo.

(A-céfalo, i.e., sem cérebro; os créditos vão outra vez para a Nês).

05. Cinema

Meu futuro amor,

As estrelas não estão só no cinema. Vamos ver as estrelas do céu?

Da tua,
Maria

04. Sentir

- Sinto muito - disse-lhe a pessoa sem sentir nada.
Por outro lado, ali, encaracolado aos pés de quem choroso ficou, estava um amigo de quatro patas que, sem nada dizer, sentiu tudo.

03. Metamorfose

Já publiquei esta passagem mil vezes por todo o lado - no Letra a Letra, Olhos nos Olhos (o meu primeiro blog), no blog que tinha feito para um amigo meu como prenda de aniversário, no Facebook, até neste mesmo blog (ainda que disfarçadamente no meio de outras coisas). Mas a verdade é que esta frase (e o gesto que a ela esteve associado quando me foi dirigida) marcou-me tanto que não consigo evitar pensar nela uma e outra vez. Passo por um momento mais difícil, assustador ou importante e é ela que me surge de imediato... bem como quando leio a palavra "metamorfose". Fica aqui uma prenda para todos (tal como o foi para mim):

"what a caterpillar calls the end of the world, the rest of the world calls a butterfly."

domingo, 3 de maio de 2015

Fez-se Luz III

- Coro Godspell.

(God-spell, i.e., "palavra" de Deus; os créditos desta vão para a Nês).
A Joaninha, noutro dia, disse-me "hoje à noite estava a contar à minha mãe como foi bom encontrar-te e disse-lhe que és uma flor. És uma pessoa-flor, delicada e infinitamente bonita".

A Joaninha é a pessoa-Sol que faz crescer (o coração d)esta pessoa-flor. Aquece-me as raízes. Diz-me estas coisas e faz-me despoletar com alegria... em força.

Há pessoas mesmo especiais. São as pessoas-Sol. Ajudam o mundo a ficar mais bonito.
E derretem qualquer um.

- seis de fevereiro de dois mil e treze
Pessoas passado: quando teimam em fazer do que já passou o seu presente, ficam passadas da cabeça (principalmente se o teimarem em doses industriais).

- vinte e um de janeiro de dois mil e treze
Pessoas engole(-que-isso-passa): ingerem tudo de um só trago para não sentirem o sabor e na esperança de começarem a fazer a digestão mais rapidamente.

- dezoito de janeiro de dois mil e treze
Pessoas cabelo: cortam-no como quem corta com o passado; ou então pintam-o como quem quer dar aos dias uma nova cor.

Raparigas desse lado: acusem-se. Já todas fomos pessoas cabelo.

- vinte e um de dezembro de dois mil e doze
Pessoas teias-de-aranha: muito bem feitinhas, mas frágeis... e estão às moscas.

- vinte de dezembro de dois mil e doze

02. Progresso

Progresso foi conseguir fintar-te, atravessar-te os olhos e fixar-te o ponto mais fundo da alma, e então dizer-te um não firme... Inamovível. Por isso palmas para mim.

01. História

Se algum dia fizesse uma tatuagem sei exatamente o que seria... Que histórias contaria. Tenho vindo a pensar nisso há uns anos, nessas histórias... E sei que, faça o que fizer, dê o que me der na real gana e que construa eu como construir o meu percurso, não preciso de o ter tatuado para o levar comigo. É-me algo que me está mais do que cravado na pele, mais do que gravado nas entranhas, e que faz questão de guiar em grandes porções todos os passinhos que dou em frente. É o que faz de mim quem sou.
Não me vou alongar mais. O resto fica para outra história...

sábado, 2 de maio de 2015

"Caixa das Palavras" de Maio

[dia 1 ] - história
[ dia 2 ] - progresso
[ dia 3 ] - metamorfose
[ dia 4 ] - sentir
[ dia 5 ] - cinema
[ dia 6 ] - astrologia
[ dia 7 ] - trovoada
[ dia 8 ] - rua
[ dia 9 ] - vermelho
[ dia 10 ] - sensação
[ dia 11 ] - acolhedor
[ dia 12 ] - caminhar
[ dia 13 ] - necessidade
[ dia 14 ] - subjectivo
[ dia 15 ] - combinar
[ dia 16 ] - olho
[ dia 17 ] - aceitar
[ dia 18 ] - vodca
[ dia 19 ] - dado 
[ dia 20 ] - dar
[ dia 21 ] - ser
[ dia 22 ] - noite
[ dia 23 ] - vanguarda
[ dia 24 ] - pulseira
[ dia 25 ] - sol
[ dia 26 ] - ousar
[ dia 27 ] - junto
[ dia 28 ] - retorquir
[ dia 29 ] - biblioteca
[ dia 30 ] - sarar
[ dia 31 ] - voltar

Abril foi...

01/04. Fazer escaladas. Crescer. E congelar brilhantes, 
lindas despedidas. (Não me podia despedir de Béjar sem ver
a neve de perto, não podia).

na vida real, foi hora de vê-lo no grande ecrã.

03/04. Parabéns à Nês e à Rute! Vinte e um aninhos
de duas pessoas fada.

04/04. Quarto dia do quarto mês e o quarto à balda.
Dias a ressacar de cansaço.

05/04. Lanches de família à varanda
ou tradições à varanda. Não só porque é
Páscoa, mas porque é cá em casa que usualmente
amontoamos bolos e sorrisos.

06/04. Há pessoas que nos marcam...
Metafórica e literalmente. ♥
(E para que conste: não, continuo vegetariana.
Isto são só brincadeiras diárias típicas do Ti e da
restante Mesa para comigo).

07/04. Encantei-me por esta maçã ter
a mesma cor da joaninha do autocolante.
É só isto. Não vos sei explicar, neste dia encantei-me
pela cor vermelha da joaninha e da maçã em pandã.

08/04. Eu e as cores, parte II.
Foi a primeira vez que encontrei um banco
de comboio com cores assim tão vivas.
Eu encantada, parte II.

09/04. O mano a ser a coisa mais fofinha
desta vida a avisar o mundo da preparação 
do cartão de aniversário da mãe.

10/04. Bolo de chocolate com cobertura de brigadeiro
e recheio de gelado em "Parabéns a um dos corações que 
em muito fez e faz o meu crescer; parabéns à melhor 
mulher, amiga e mãe do infinito".

11/04. "Os quadradinhos de Sol são
meus. Todos meus."

12/04. EU VI UM BAYMAX! EU VI
UM BAYMAX! Eu MORRI de amores e
de paixão pelo Baymax desde o que o vi e 
voltei a morrer de amores e de paixão por ele 
de todas as vezes em que o reencontrei.
(Anda uma fanática pela Disney à solta por aí. Cuidado.)

13/04. O padrasto foi de viagem, sinónimo de mãe e filha
a pôr em dia a Anatomia de Grey.

14/04.  Nós transpiramos e as t-shirts inspiram.

15/04. O senhor que ia à minha frente no metro
ia a meditar e com isto espalhou amor - é verdade sim 
senhora, não veem ali o coração? (Além disso, este mês 
também eu já meditei uma vez ou outra e senti-me
muito melhor com a vida. Este senhor veio reforçar
a perceção).

16/04. Adormecer quase automaticamente quando
se cai na cama, a melhor sensação dos últimos tempos. 
Se não é automático, é só porque me esforço para tal. 
É a vitória contra as insónias, meus amigos.
A vitória! Acabaram.

17/04. Dia de estreia Raclette, esses queijo
e plataforma fantásticos.

18/04. Trazer o que há de bonito para casa, ou as
pétalas das flores da árvore cor de rosa a invadir 
a entrada da garagem do prédio.

19/04. Fala-me dessa janela que usas para ver o mundo. 
Como é que ela é? Em que é que te espelha?

20/04. Vinte de abril de dois mil e quinze e
a primeira aula de código da Maria!!!

21/04. Os céus acompanham-nos. Seja para nos lembrarem
que as nuvens de algodão doce são o nosso teto 
e/ou dizerem-nos que elas também passam a voar.

22/04. A árvore é bonita, o céu é bonito, a Lua a
ajudar a tornar tudo mais mágico. É preciso mais
alguma coisa para ser o momento que
 escolhi capturar no meu dia? "Disfruta de las
pequeñas cosas de la vida", diz a caneta com que
tento escrever sempre que posso (a caneta
existe mesmo, foram as Princesas da faculdade que
ma deram pelo meu último aniversário).

23/04. Enquanto eu te puder abraçar, o resto não
me importa.

24/04. Corações em matilha.

25/04. A Nês, a Rute, o Jorge e eu viemos jogarmos
Buzz depois do jantar pré-saída... e viemos com cada
saída que só gargalhadas... Quero dizer: visto! Que só visto.

26/04. Tardes preguiçosas... e lamechas, i.e.,
a pôr a Anatomia de Grey em dia parte II, pois claro.

27/04. O nervoso miudinho. O 
derradeiro passo rumo ao futuro.
Já está... Agora é esperar por maio.

28/04. Pelas pegadas da sorte.
Trajar pela Rute e pelo seu brilhante 
futuro em Manchester. Chorar em forma 

29/04. Vou seguir à risca o que me manda a alma.

30/04. You don't need to pick up the flowers to
feel them, do you? ou como quem diz que não
precisamos necessariamente de ter/estar a viver 
algo para o termos/vivermos de facto.

Nota: este mês que passou está a abarrotar de fotografias a corações, a sessões em família e a mãos e pés por todo o lado (e há mais! Só que como ando a publicar apenas uma foto por dia, as restantes não aparecem aqui). Ah: e ainda houve duas saídas à noite, que para mim, para o que me é hábito, é a loucura.

30. Símbolo

A música How to Save a Life simboliza algo para mim. Não vos sei bem dizer o quê, ou não sei traduzir para algo dizível, mas simboliza. Tanto simboliza que sinto uma vontade danada de afirmar de mim para mim que é (um)a (das) música(s) da minha vida.

29. Tília

Os abraços foram feitos para nos devolverem o chão... Os abraços a sério. Tenho a certeza. São eles o calmante primeiro, o apaziguador de excelência, o chá de tília ancião. Sei que sim. Os felizardos que deram o primeiro abraço da História devem ter experimentado o nirvana (mesmo que não o chamassem assim - mesmo que não o chamassem coisa alguma). Nunca terão eles julgado possível parar tudo à volta e assim foi; nunca terão eles julgado que o simples sentir do contacto com o outro criasse tamanha sensação de aconchego e de certo que criou...
Eu imagino - eu imagino o poderosíssimo que esse instante do primeiro abraço não terá sido. Já pensaram nisso? A sério, pensem. A mim deixa-me abismada. Se todos os instantes de abraços que vivi me foram arrebatadores... Eu imagino o primeiro instante de todos, de sempre. O primeiro abraço de toda a existência na Terra.




(Do dia vinte e oito de abril de dois mil e quinze:
chamada de atenção para o Presente)

28. Simpatia (parte II)


Há lágrimas simpáticas...  ♥

28. Simpatia

Nem todos os sorrisos são simpatia. Nem os que tens para contigo mesmo.
«Sometimes the future changes quickly and completely, and we’re left with only the choice of what to do next. We can choose to be afraid of it, to stand there trembling not moving, assuming the worst that can happen or we step forward into the unknown and assume it will be brilliant.»

- Christina Yang in Grey's Anatomy

27. Livro

Livro: o sonho numa palavra (que por sua vez guarda tantas outras).

26. Trama

- Como vai a trama?
- Tramada que só ela.

25. Aproximar

- Aproxima-se a avalanche.
- Já tive de enfrentá-la tantas vezes que já a conheço a pormenor. Não há o que me escape, é como se a visse em câmara lenta... Isso ou de tanto correr já estou treinada para lhe sobreviver com aquilo que me parecem três passos apenas.

24. Roxo

A cor roxa remonta-me automaticamente a uma aula de Psicologia do secundário, em que a professora nos contou ser essa a sua cor favorita e que tinha a casa toda decorada nas suas tonalidades. Foi a primeira e única pessoa que conheci com tamanho fascínio por roxo e eu, que nunca achei particular piada à cor, passei a tentar descobrir o que é que ela tinha de tão transcendente. Passados uns tantos confrontos com os seus diversos tons, também eu comecei a gostar dela. Não tanto quanto a minha professora - porém, o bastante para a eleger, mais frequentemente, como encaixe ao meu estado de espírito.

23. Belprazer

Quantos magotes gritam direitos para aqui, direitos para acolá, a toda a hora e a seu belprazer, mas deveres está quieto?

22. Vago

Sou só eu que acho que o que nos perguntam nas entrevistas de emprego, por vezes, não podia ser mais vago? Não que eu tenha ido a muitas, não fui. Mas à que fui há um tempo para um mini-emprego de verão perguntaram-me o que é que eu faria para motivar pessoa x, e o que me dava vontade de responder era "depende da pessoa, depende do caso". Claro que não pude fazer isso, ou quando começava uma frase com "depende" percebia logo, pelo olhar das entrevistadoras a ficar imediatamente mais alerta, que a tinha de completar com um exemplo qualquer. Porém, sei que a resposta "depende" seria sempre a mais correta a uma pergunta do género - vaga assim, para uma questão também ela vaga. 
Só no momento é que dá para analisar o ambiente em redor e tomar uma decisão adequada... Antes disso são meras suposições. Pergunto-me como é que se processa a avaliação das pessoas mais ou menos adequadas para o cargo por meio de meia dúzia de estruturas gerais de ação que elas indicaram, quando estou certa que 90% da coisa ganharia toda uma outra (e com certeza nova) dimensão consoante a voz da pessoa que nos surgisse à frente.

21. Trecho

Não consigo escolher trechos d'Os Maias do Eça. Gosto de tudo, da obra no seu inteiro; a forma como está escrita absorve-me sem limites, não consigo colocar-lhe divisões.

20. Sanduíche

Pessoas sanduíche: pessoas que condensam tudo e mais alguma dentro de si da forma mais comprimida possível de maneira a caber tudo. Pessoas que, depois, à mínima dentada, cai-lhes tudo.