domingo, 19 de abril de 2015

19. Objetividade

Objetivo não é sinónimo de inquestionável. A objetividade está tão, tão submetida a condições subjetivas que nem nos passa. Falo tanto em termos teóricos quanto práticos; tanto em termos do que é assumido como facto, como em termos dos objetivos que temos para nós - dependem eles de tanta, tanta coisa...
«Quem inventou esta merda não sabia o que fazia mas fez o que pôde. Se Deus existir vou adorar ensinar-lhe a impotência. Mostrar-lhe que a impossibilidade nos faz voar. E que é a ocorrência de mágoas a representação da perfeição.»

- Pedro Chagas Freitas in o diário de um humano

18. Bravura

Bravura é saber que podemos ser bravos mesmo que a morrer de medo; mesmo que na nossa natureza mais constante não façamos mal a uma mosca (e até tenhamos medo dela). Bravura é ser livre para escolher quando ficar quieto/a ou avançar, quando esconder ou dar a cara sendo o terreno propício à derrocada seja qual for a nossa decisão. Bravura pode ser enfrentar ou virar as costas a algo - não há regra que lhe caiba. Não há regras na liberdade, daí a ela ser-nos tão valiosa, tão sensível (para o bom e para o mau). Bravura? Bravura é sobreviver.

16. Experimentar // 17. Tentar

Mesmo que achemos que nunca tentamos nada de novo, experimentamos os dias todos os dias. Experienciamo-nos constantemente, pondo-nos à prova e a mais uma série de coisas - por muito mínimas que sejam (até lavar os dentes; até pôr o pé no chão e ver se ainda conseguimos caminhar ou se de repente perdemos o controlo das articulações). Somos e fazemos tubos de ensaio, quer digamos que sim quer não.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

15. Agendar

As coisas realmente importantes não se agendam.

14. Poesia


- Deixa-me amar-te nesta quadra.

Atenção se te estão a oferecer verdadeira poesia ou estima limitada a uma determinada época.

13. Sujar

Apeteceu-me olhar a segunda-feira treze que passou como as sextas desse número: dias de sorte. Como ninguém me diz que a sorte não depende de mim em parte, resolvi-me a escrever a carta de apresentação que há milénios andava para escrever e enviá-la em conjunto com o CV para um emprego no verão. Dito e feito. Melhor ainda do que isso: foi o dia de um recomeço de semanas sem insónias. Acho que finalmente acertei na regulação dos meus hábitos de sono.
Temos de sujar as mãos no barro para moldar o nosso percurso, movê-las para conseguir diferentes curvas. Temos. Não há cá magias para isso, nem ninguém vai dar o passo em frente por nós.

12. Anáfora

Sim - a anáfora que mais uso é esta. Sim, sim - se me perguntarem farto-me de jogar sims assim.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Ideias brilhantes

Queria muito escrever ao(s) mundo(s)


Tenho saudades de escrever coisas grandes e bonitas. Muitas mesmo.

11. Respirar

Respirar odores, luzes, aromas, sons e texturas. Ser feliz, não porque sim, mas por isso.

10. Refletir

Meu amor, reflete comigo. Não é o que fazes que te faz quem és. O que fazes é um acessório de quem és inteiro, porque não é por deixares de fazer o que fazes que deixas de ser tu. Podes fazer tudo trocado ou não fazer nada do que estás acostumado que continuas a ser tu - dono pleno de ti. 

09. Reunir

Convoca-se uma reunião com a presente ordem de trabalhos: a re-união. Sem mais assunto (porque este diz tudo), os melhores cumprimentos.

08. Suave

Olhos suaves: cor de mel.

07. Sugerir



Sugiro-te uma caixinha cheia de flores lá dentro, florzinhas em semente. Não falo de flores colhidas e murchas, enclausuradas no escuro por uma tampa. Falo de flores por germinar, regadas com todo o carinho num pequeno vazo de improviso - e por isso mesmo artístico, de génio. Os dias precisam de artistas, de pequenos génios a sonhar e realizar em grande, sabes? Por isso sugiro-te um pequeno jardim em construção na mesinha do quarto, dentro de uma caixinha permanentemente aberta, em vez de (des)cuidares momentos de auge que, então, de guardados a sete chaves e recordados para sempre como efémeros, acabam secos. Falo de um jardim que de jardim jardim a sério pode ter pouco mas que, contudo - e deixa-me repetir-me as vezes que forem precisas -, faz de tudo para viver a céu aberto; de tudo para ter e erguer todos os dias as suas cores.

Appearance and Reality

segunda-feira, 6 de abril de 2015

06. Sensual

Sensual não é consensual.

domingo, 5 de abril de 2015

05. Unir

Maria abre o Facebook e vê uma publicação partilhada pela madrinha académica de título "Veja como a data em que você nasceu influência o seu modo de agir". Não dou crédito nenhum a estas coisas, mas abri pela piada. Ora qual não é a coincidência para com a Caixa das Palavras quando a nossa amiguinha hiperligação diz que dia vinte e quatro (o meu dia e o da minha madrinha, se bem que ela em março e eu em maio) é o dia da união.

(For All You Know) You Have One Life. Live It Well.

Don't forget:


sábado, 4 de abril de 2015

04. Colorir


«Vou caçar mais de um milhão de vagalumes por aí, 
Para te ver sorrir eu posso colorir o céu de outra cor 
Eu só quero amar você 
E quando amanhecer eu quero acordar do seu lado»

Ou a versão da minha Mega Mesa mais linda (isto é, do meu grupo da faculdade):
«Vou caçar mais de um milhão de apontamentos por aí,
Para te ver sorrir eu posso até faltar às aulas
Eu só quero amar você
E quando amanhecer eu quero estar na faculdade»

03. Temporada

A verdadeira "caixa mágica" é a que nos obriga a pensar fora da caixa. Uma temporada sem deixar o meu cérebro cair no mesmo programa foi o suficiente para erradicar uma série de filmes.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Às vezes sou assim; às vezes temos de ser assim

02. Autenticidade

A autenticidade revê-se na qualidade do que é espontâneo. E... sabem? A vida é espontânea.

01. Rosa

Olhar o mundo num tom cor de rosa: olhar os espinhos com delicadeza.

"Caixa das Palavras" de Abril

[ dia 1 ] - rosa
[ dia 2 ] - autenticidade
[ dia 3 ] - temporada
[ dia 4 ] - colorir
[ dia 5 ] - unir
[ dia 6 ] - sensual
[ dia 7 ] - sugerir
[ dia 8 ] - suave
[ dia 9 ] - reunir
[ dia 10 ] - refletir
[ dia 11 ] - respirar
[ dia 12 ] - anáfora
[ dia 13 ] - sujar
[ dia 14 ] - poesia
[ dia 15 ] - agendar
[ dia 16 ] - experimentar
[ dia 17 ] - tentar
[ dia 18 ] - bravura
[ dia 19 ] - objetividade
[ dia 20 ] - sanduíche
[ dia 21 ] - trecho
[ dia 22 ] - vago
[ dia 23 ] - belprazer
[ dia 24 ] - roxo
[ dia 25 ] - aproximar
[ dia 26 ] - trama
[ dia 27 ] - livro
[ dia 28 ] - simpatia
[ dia 29 ] - tília
[ dia 30 ] - símbolo

Março Foi...

01/03. Dia de loucos e a minha querida 
caminha, finalmente, ao cortar das metas.

02/03. As árvores em flor voltaram
para arrasar corações.

03/03. Não devia ser preciso repetir, mas às vezes há
que ceder. Olha com atenção: as flores estão acordadas.

04/03. Procura por equilíbrios internos.
Primeiro dia de aplicação da Aventura, em que a ideia
era as crianças concluírem que ambos os tipos de alimentos - 
os saudáveis e não saudáveis - são importantes q.b.
Reviver, também, as saudades de ter alguém.

05/03. Correção: a utopia é o caos.

06/03. «Believe that hope is the strongest magic of all».
Aquisições com significado.

07/03. Casas mágicas.
Eu já disse que tenho tias fadas, não já?

08/03. Dias de calor e imagens que me
trazem o verão para mais perto.

09/03. O melhor do dia: ler no comboio. Gosto tanto.

10/03. Já se vê outros tons:
a Primavera está a chegar!

11/03. Não é preciso subir às paredes.
Há caminhos para lá dos muros.
Tudo a seu tempo.

12/03. Modo "abraçar o Universo".

13/03. Meter o nariz onde se é chamado.
Depois de tanto sonhado, fui à Nariz Veremelho
fazer voluntariado. Que a ajuda à preparação do Dia do
Nariz Vermelho seja o meu primeiro passinho de muitos por aqui!

14/03. Porque ir ao TUIST há de continuar a ser entre nós
tradição!... Eu e a Necas fomos, e levámos o resto do grupo 
(que não pôde) no coração.

15/03. Colocar novo no velho: 
sopa de espinafres com manjericão.

16/03. Reciclagem de ideias.

17/03. O momento de começar a fazer as malas porque
já nem sem consegue pensar noutra coisa. ENEP que 
te quero, ENEP que te quero!

18/03. Andar preparada para a chuva
ainda que faça sol.

19/03.  Querer correr e dar pulinhos por todo o lado.
"O ENEP chegou", como quem diz "chegámos ao ENEP".

20/03. Receber e transmitir informação aos magotes.
Gastar versus recarregar energias.

21/03. Declarações de amor aos melhores amigos
que o curso me deu.

22/03. Voltar de Peniche num ápice para ver o
espetáculo da turma do mano. Não fiquei para a Sessão
de Encerramento do ENEP, mas não há agenda para ser a 
mana mais babada do Universo - tem de ser a toda a hora.
Nem há forma de não o ser.

23/03. Regressares ao trabalho. 
Melhor do que perceber, um bocadinho todos os dias, que se 
está no curso que realmente se gosta, só se for perceber que
não é a falta de sono que nos debilita o empenho e a paixão
com que a ele nos dedicamos.

24/03. Dias agitados compensam-se aquando
do agitar de cauda mais fofo e amoroso que existe.

25/03. Libertar de energias.
A vantagem de ter uma família desportiva 
é que se tem uma garagem à medida, pronta
para casos de emergência.

26/03. Os amigos estão sempre lá.
Maria: "Ai! Ainda não tirei nenhuma fotografia hoje."
Rute: "Tira às laranjas! São fresquinhas como tu, que trazes
sempre novidades."

27/03. Dia de preparação para grandes viagens e a excitação de
 nunca ter visto comboios de dois andares até então.

28/03. Ao entrar em Espanha, a revelação: 
a Cinderella existe!
Por outras palavras: os sonhos existem.

29/03. Acordares em Béjar com vacas à janela
(nunca pensei, digo já; eis, pois, uma experiência
inédita para a minha lista de vivências).

30/03. Árvore cor de rosa + neve.
Amor a(o) dobrar (da esquina).

31/03. Montanhas cor de café.
Dia de ir a Candelario beber café com os nossos
vizinhos, que foram à neve connosco.

31. Preguiçar

Crónicas de uma estadia numa aldeia das montanhas. Dia trinta e um de março, último dia em cinco no meio da natureza e a consciência plena de que, apesar de rodeada de calmaria, não é por isso que os dias preguiçam. As manhãs foram todas passadas a correr, e aqui tanto quero dizer que efetivamente estive a correr como que os dias passaram num instantinho. Entre acordar, fazer exercício físico, voltar para casa e tomar banho... Já eram horas de almoço. Depois de almoço e até à noitinha também nunca faltou entretém: estudei, passeei, vi televisão (havia Disney Channel em inglês, pessoas! Que achado mais fantástico e impressionante, dado que em Espanha têm a mania de traduzir tudo), escrevi... Descansei. Raramente estive parada. Só sentia (muita) falta de mais pessoas em volta, e é essa a única queixa que trago de Béjar. Este último ponto é o que me faz, definitivamente, não ser menina do campo... Mas que lá não tem de ser tudo uma autêntica preguiça, não tem.
Uns períodos de silêncio não fazem mal a ninguém. Aliás: existe verdadeiro silêncio?
(É que tudo fala. Tudinho).

30. Situar

Crónicas de uma estadia numa aldeia das montanhas. A vida das bandas para onde fui situa-se toda em Candelario. Todinha. Depois de ter comentado a aldeia do nosso aparthotel como tendo mais vacas do que pessoas, de ter visto três carros a entrar de seguida em Vallejera de Riofrío e de ter apostado que devia haver para ali algures uma festa de aniversário, foi-me satisfeita a vontade de voltar a encher o meu campo de visão com mais do que quatro ou cinco seres humanos. Fomos passear a Candelario do fim do dia, depois do mano e do padrasto voltarem das pistas de neve. Para além de ser uma aldeia lindíssima, parece ser o centro turístico da Serra de Béjar. Vi umas trinta e tal pessoas e aquilo que me pareceram uns vinte carros a passar... Até me fez confusão a quantidade de carros! Vallejera de Riofrío surtiu algum do seu efeito, por muito impressionante que possa parecer (dado que andei mentalmente a queixar-me do seu estado quase quase deserto). No momento em que se embateu sobre mim a confusão, tornou-se-me, também, algo bastante claro: mais uns dias e tinha-me habituado por completo às paisagens silenciosas - por muito que também me retorcesse pelo caminho. Chama-se adaptação, e é uma das artes mais úteis e anciãs do Homem.

29. Votação

Crónicas de uma estadia numa aldeia das montanhas. Enquanto o meu mano e padrasto foram para as pistas de fazer snowboard e ski, a minha mãe e eu andámos constantemente a votar nos caminhos de Vallejera de Riofrío a tentar nas nossas corridas matinais. Caminhos pela aldeia fora e arredores não faltavam... Era preciso era escolher aquilo a que nos queríamos sujeitar: ora aos caminhos curtos e que nos obrigavam a dar trinta mil voltinhas para correr alguma distância de jeito; ora àqueles cheios de pedras, subidas e descidas; ora àqueles que tinham gado a olhar-nos de ambas as margens.

26. Brincar // 27. Desligar // 28. Perceção

Crónicas de uma estadia numa aldeia das montanhas. Em Vallejera de Riofrío ainda há crianças a brincar na rua. Como se vê nos filmes que retratam o antigamente, sabem? Não se vê quase nada nem ninguém em redor; se não tivesse outras aldeiazinhas e Béjar a dois ou três quilómetros aquilo era um completo retiro. Pergunto-me: estão essas crianças tão desligadas do estilo de vida que se leva nas cidades quanto eu penso que estão? Ou somos nós que nos desligámos do que nos rodeia (ou que podia rodear, não tivéssemos construído tanta coisa) quase sem darmos por isso? Conta o vigésimo oitavo dia do mês quando fui prendada com esta perceção do mundo ao contrário. Ao contrário do que estou habituada, quero dizer.

25. Útil (parte II)


«Because what you want might not be what you need».

25. Útil

Dos momentos introspetivos: o útil tem-se-me revelado aquilo que se situa no espaço entre o que tenho e o que quero. Tem-me feito ver tanto: que tenho várias coisas que quero, que quero manter algumas coisas que tenho, que quero ter outras, que não quero (nem mais, nem nunca) ter algumas... E mais importante do que isso: mais do que me fazer olhar para todas as conjugações temporais de mim, tem-me respondido à pergunta "Estás bem? Gostas da vida que levas?" com um grande "Sim"

24. Manifesto

O que é um manifesto? Algo chamado "o meu rosto". Se puder fala por si, por mim, e por quem mais achar que o deve fazer. Se julgar adequado - quer eu o julgue, quer não - diz tudo o que quer - mesmo que eu não queira dizê-lo ou, pelo menos, dizê-lo assim. Um manifesto sai à rua para exigir vida própria, e nisso o meu rosto também gosta de dar a cara pela dele.

23. Amar

(Ser) alguém... ou algo.

22. Substituir

O cansaço substitui-se tão bem por amor - tão bem!... 
Quem corre por gosto cansa-se, isto tem de se dizer. No entanto, não ficamos por aqui, porque outra coisa tem de se dizer: o amor refresca-o. Refresca-nos. E então, mesmo que de rastos, é-nos possível colecionar momentos em que sentimos o maior alívio e consolação do mundo. 
Com tanta correria, que melhor água do que essa? Qual a melhor fonte para começar a renascer?

21. Amor próprio

"O valor que eu tenho não pode ser retirado por pessoas que não me dão valor", disse-me o Ti há um ano e pouco, para que o amor próprio se fizesse ouvir. 
Ultimamente tenho-o recordado muito...
Amor próprio - precisamente! O nome diz tudo: não é o dos outros.

20. Arquivar

Ando a arquivar muitas histórias por aqui... mas em forma de memórias. Não pode ser. Sinto falta da imaginação totalmente sonhada. Em que divisão a deixei? Em que separador a coloquei que, se a vejo, é tão separada de mim?

19. Sinónimo

Peniche com o antigo sinónimo de uma das primeiras viagens que alguma vez fiz, essa aconchegadinha na barriga da minha mãe. 
Peniche com o novo sinónimo de ENEP, uma das primeiras viagens que alguma vez fiz, esta sem qualquer um dos pais a meia dúzia de centímetros de mim.
Peniche com o para sempre sinónimo de recordações - minhas e de algumas das pessoas de quem mais gosto.

18. Trança

Em vez de trançar o cabelo numa saída à noite, trancei o lazer em preocupações. Em vez de acabar na festa, acabei a chorar.

17. Travar

Antes travar a tempo do que sofrer um sério acidente... Mas não nos enganemos: as travagens repentinas ainda têm força suficiente para provocar mossas. Por outras palavras: as travagens a fundo, por vezes, também acabam em ferimentos - nem que em tronco e membros doloridos. O mais prudente será mesmo assumir o volante e os pedais, atentar a estrada, e ir regulando a direção e velocidade rumo a cada destino.

16. Sótão

Quanto à minha casa ideal: do sótão quero fazer uma biblioteca pessoal (já que uma do tipo da Bela e do Monstro me parece altamente improvável de conseguir). Ou não é nos sótãos onde estão guardados os grandes tesouros? As grandes revelações? Os melhores pedaços de aventura?

Afinal o dia das mentiras celebrou-se por aqui

Olhem, parece que foi mesmo mentira: não voltei dia um.
Mas é dia dois e já cá estou! Olá de novo, Portugal!
Diretamente das montanhas nevadas: vamos a uma avalanche de posts em atraso? Vamos? Vamos? 
Vamos!
Queridas letrinhas: toca a saltar dos cadernos e dos blocos de notas para aqui, vá; tudo a sair dos esconderijos que agora há que concedê-los aos ovinhos da Páscoa.