Este amor por Sistémica já se começa a tornar um sistema. Não sou só eu que o sinto, toda a gente o sente para mim. És tão sistémica, mulher - o pão nosso de cada dia dos meus ouvidos (estão eles a ficar gordinhos, que habituados a comer pão não estão eles e logo nesta quantidade - é claro que passam logo para a fase da engorda). Logo no primeiro ano foi ouvir o professor Wolfgang a falar e ficar encantada pela área - apaixonada por muita coisa, até. E depois é a minha maneira de pensar (e de ser, dizem): consigo ligar sempre as coisas umas às outras como se de um sistema se tratassem (e tratam-se - senão sempre, então, pelo menos, na maior parte das vezes), vejo sempre a culpa e a inocência repartida pelas várias partes de uma relação, uma das primeiras coisas que faço é olhar o contexto em que tudo se passa, sublinho (ou melhor: pinto) os artigos que falam de relações pessoais, famílias, etc., de uma ponta à outra por achar que é tudo importante. Isto para começar. Depois também dizem que sou toda cor de rosa e sorrisos e que, seguindo Sistémica, posso ser a fofinha que sou sempre (dentro dos devidos limites profissionais, claro). Dizem que se seguir, por exemplo, Cognitivo-Comportamental (a minha outra área de interesse) não vou poder ser assim como sou no dia a dia - e que é, em parte, precisamente por isso, que me vai ser um tanto penoso adaptar-me; que provavelmente consigo lá chegar, mas não sem antes sofrer um bocado. Diz o Tiago que em CoCo a coisa é muito mais hard core - ora: mas se ele se refere aos casos que aparecem isso ainda é o menos; o que me faz mesmo comichão (comichão, não: bichos carpinteiros) é a probabilidade de ter de encolher - à grande - a fatia principal de como sou... O sorriso é a marca registada do meu rosto até nos dias mais cinzentos (calma: nos dias negros a coisa não funciona assim - não pensem que sou uma feliz crónica, se fosse já devia estar na ala psiquiátrica ou coisa do género). Não consigo adotar afirmações como "a vida é uma merda" ou "eu sou um otimista: dá sempre merda" por muito que compreenda porque é que o BV, o Ti, a Cata, a Rute, a Necas e a Nês as dizem - isto para enumerar só alguns (tem a ver com o tema "expectativas" e faz todo o sentido; depois explico-vos). E, para finalizar, tenho a sensação de que CoCo lida muito mais com as psicopatologias das duras e, sinceramente, eu cá não me sinto grande amiga desse mundo... Por muito que a aula prática de Psicopatologia seja das mais interessantes que temos. Reparem: na aula passada (a primeira de todas) calhou-nos ver o professor com um esquizofrénico paranóide. Enquanto o paciente estava presente: tudo normal e tranquilo, olhinhos e ouvidos da Maria muito atentos; mal o paciente sai: toda uma carga de nervos cai sobre mim. Comecei a contar os minutos para o professor terminar de reportar tudo o que tinha a reportar e, quando cheguei cá fora e a dada altura, desatei a chorar (choro sempre que atinjo o pico de stress). O Ti diz que é bom eu ter tido já esta reação porque dá para ir treinando a coisa a partir de agora... mas saí deste primeiro contacto com estas realidades a querer ir para casa comer pizza e ver os Marretas. A ver vamos, mas é, como reajo às próximas aulas... Espero que melhor. Como foi a primeira ainda me estou a dar uma desculpa. Porque, admito: sinto-me curiosa e adorava conseguir lidar com estas pessoas... Só não me sinto tão empolgada e maravilhada como o meu grupo se sente. A minha praia é outra: o campo intrapessoal a juntar-se ao interpessoal, intervenções individuais de mãos dadas às intervenções em grupo, intervenções comunitárias, isso tudo. E, no fim de contas, também é perfeitamente legítimo sentirmo-nos mais à vontade em algumas intervenções em comparação a noutras, certo?
Seja como for (e agora para terminar): a decisão de mestrado a seguir em primeira opção está ainda a uns largos passos de ser definitiva. É verdade que, aparentemente, sou muito mais de Sistémica do que outra coisa; mas também é verdade de que estou rodeada de aspirantes a Cognitivo-Comportamentais Integrativos e de um psicólogo efetivo nesse ramo da Clínica, pelo que outro pão nosso de cada dia é ficar fascinada com o que os oiço dizer ou refletir (à parte do assunto "psicopatologias"). Pudesse eu e conciliava as duas áreas, Sistémica e CoCo, caso ainda não tenham entendido (digo-vos: se puder é mesmo isso que faço).