domingo, 31 de agosto de 2014

Catarina: - Acho que a sociedade e toda a necessidade de passar a imagem de que "a vida é para ser feliz" e de que "temos de sorrir e ser felizes" só aumenta o sofrimento daqueles que não o são - se bem que ninguém é feliz a tempo inteiro!!! O que quero dizer é que acho que não há espaço nem é respeitado o sofrimento das pessoas... É o "deixa lá", o "caga nisso", o "não ligues", "isso não é nada".
Maria: - Tens tanta razão... Tanta, tanta razão!!! Concordo contigo a cem, duzentos, trezentos, e todos os entos por cento possíveis: o sofrimento é visto e posto de lado, é quase que negado - como se fosse um estado anti-natura em que ninguém pode estar. Pode... e acontece.

Para ti...

...um pê de pedido. Pois então peço que haja um pê em esplendor - não só no presente como no que lhe é posterior.

"Caixa das Palavras" de Setembro

[ dia 1 ] - metáfora
[ dia 2 ] - sofá
[ dia 3 ] - avisar
[ dia 4 ] - nobreza
[ dia 5 ] - sublime
[ dia 6 ] - série
[ dia 7 ] - meninice
[ dia 8 ] - resposta
[ dia 9 ] - saxofone
[ dia 10 ] - moda
[ dia 11 ] - salada
[ dia 12 ] - ternura
[ dia 13 ] - tinta
[ dia 14 ] - branco
[ dia 15 ] - responsabilidade
[ dia 16 ] - prover
[ dia 17 ] - colaborar
[ dia 18 ] - nunca
[ dia 19 ] - beijar
[ dia 20 ] - amadurecer
[ dia 21 ] - sacrifício
[ dia 22 ] - carácter
[ dia 23 ] - sim
[ dia 24 ] - restaurante
[ dia 25 ] - travessura
[ dia 26 ] - saia
[ dia 27 ] - palavra
[ dia 28 ] - silêncio
[ dia 29 ] - vocabulário
[ dia 30 ] - sensibilizar

31. Justo

Justo é o seu último nome e, ainda assim, faz com que soe a primeiro. Fossem todos os Homens como você é, professor. E a toda a hora e em todos os campos. E já agora cidades.

31. Repousar

Em tempos de aulas é assim: ir pousando livros, cadernos e folhas na cama como quem quer é que eles repousem; que adormeçam por um bocadinho o stress e pressão que levam em si.
A (tua) organização (sim, tua - não te enganes: não é a dos papéis) passa, muitas vezes, por permitir o sossego de determinados assuntos nos devidos montinhos. Já dizia o outro: "cada macaco no seu galho".

sábado, 30 de agosto de 2014

30. Tolice

Eis um dos meus escritos mais tolos possíveis:
- Fui uma tola...
- Não foste nada! Que tolice!

30. Senão

Se não te está distante, não te está nada senão próximo.
Neste caso, penso que está lógico... não?

30. Memória

A memória é seletiva, pois é; contudo, os critérios sob os quais opera a filtragem dos seus conteúdos não são tão desvendáveis à primeira como são, por exemplo, os de uma secção de supermercado. É que se a memória fosse uma mercearia era ver tanto maçãs sumarentas como podres.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Um Dia Que Se Desenhou (Estranhamente) Demais

Esta é a Renata em versão desenho. A ideia era ela estar a olhar para cima... Não resultou: parece que tem uma cabeça maior do que o corpo. De qualquer maneira, podem conhecê-la melhor clicando aqui e aqui.

Comecei a fazer risquinhas de cores diferentes do nada e pronto...


Destaco aquela frase ali coladinha ao indicador. No entanto, a foto está muito mais gira.

Esta foto, sim (tirada ontem).

Eu sei que o alegado cérebro parece uma nuvem cinzenta aflitinha para que chova - mas não é esse o estado em que, de quando a quando, estão as nossas ideias?
Eu e o raio da palavra "sombra" andamos encalhadas, ultimamente... Escrevo-a em tudo o que é sítio.
Como é natural: flores para aqui, flores para acolá. Apanhem-me distraída a rabiscar coisas ao calhas e vão ver que noventa por cento dos meus desenhos são flores; ela presa sempre ao mesmo.
Basicamente.
Mais flores.
Quando os papéis se juntam, parte I...
E ainda mais flores.
Quando os papéis se juntam, parte II.

29. Proteger

Proteger também pode ser perigoso.

29. Solidariedade

O Sol pode até ser diário para todos - mas também é verdade que todos temos locais mal iluminados e com pontas soltas; espaços por soldar. E é precisamente a esses lugares que, por vezes, a solidariedade do outro consegue chegar - e tornar sólido, por um momento, aquilo que, para alguém, é uma raridade.

29. Mente

O pequeno mente, os pais descobrem e ralham. Dizem-lhe que quem mente fica com nariz de Pinóquio...
Mas é mentira.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

28. Troca

Nem todas as transações se traduzem em bons negócios - por isso toma em atenção as entrelinhas do contrato.
Passeia à vontade pelo mercado que há por esse mundo fora. Compra e vende ideias - mas com cuidado.
Algo que te pode entusiasmar pode, na verdade, matar-te.
- Vou trocar a minha vida.
E trocou: suicidou-se.

28. Treze

Eu na minha tentativa de fazer ligações entre tudo e mais alguma coisa: hoje é dia vinte e oito e a palavra do dia é treze. Então, deixa cá ver... Treze mais treze dá vinte e seis e não vinte e oito. Ah! Que azar.

28. Massagem

Para as dores musculares, como cura, temos a massagem. Para as dores emocionais, como cura, temos de, por elas, fazer a passagem.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Era Uma Vez Umas Férias Com O Teddy

A servir como prova do meu tédio, aqui vos deixo a seguinte novidade:

O tédio foi, doravante, por mim alcunhado de Teddy.
Yup, dei uma alcunha a um estado de espírito.
Yup, sou uma pessoa sã - escuso (ou talvez não) de me repetir nesse aspeto.

Teddy, as pessoas; pessoas, o Teddy.

Quando No Futebol Se Diz Que "Aquilo Foi Só Sorte" Deve Ser Por Causa Disto

Mão direita é penalti - e eu que pensava que um penalti se marcava com o pé; sorte é se entrar com o pé direito, portanto.


Caros Olhinhos Desse Lado,

Em setembro (se não antes) volto a publicar no Vou Conversar e Beber Chá com a Lua para o Telhado.
Está prometido... e para breve!


Próxima palavra a entrar numa história: prata.

27. Madrugada

Se é de madrugada e já estás a pé a puxar pelo pé de toda a gente... prepara-te para te depares com um pé de fora - nem que seja, pelo menos, com um. Se pensas que acordar todos mais cedo é para que tenham mais tempo para se arranjarem: vais arranjar-te mas é um sarilho.
É de esperar que um dorminhoco alvorado e a rebentar pelas costuras (do pijama) de mau humor te responda assim:
- És mas é 'ma-drogada!
Acredita: se te levantaste bem cedinho pela fresca, então para ele és uma fresca.

27. Saborear

Para muitos, uma das conjunções de sabor-e-ar: fumar um cigarro.

27. Aparte

- Raios partam... Ele que se deixe de à partes e aparte isso de uma vez por todas! Aperta com ele ou ele que parta!

Ain't it?

(Para Quê Sofrer Porque Se Sofre?)

Mal Por Mal


«Já sou quem tu queres que eu seja,
Tenho emprego e uma vida normal
Mas quando acordo e não sei
Quem eu sou, quem me tornei
Eu começo a bater mal. 
O teu bem faz-me tão mal!

Já me enquadro na tua estrutura
Não ofendo a tua moral
Mas quando me impões o meu bem
Eu ainda sinto aquém
O teu bem faz-me tão mal, 
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que esperas que não desiluda,
Que por bem siga o teu ideal
Mas não quero seguir ninguém
Por mais que me queiras bem
O teu bem faz-me tão mal, 
O teu bem faz-me tão mal!

Sei que me vais virar do avesso
Se eu te disser foi em mim que apostei
Não, não é nada que me rale
Mesmo que me faças mal
Do avesso eu te direi:
O teu mal faz-me tão bem!»

Ai Rapaz


«Ai rapaz!
Se tu soubesses bem
como é que eu fico
quando vou ao bailarico
e te miro a dançar
ó-ai, à marcial...

Já tentei dançar assim também
a esse ritmo, cada passo com sentido
e eu nem gosto de marchar
Ó-ai, mas quem me viu?!

Ai rapaz, mas eu queria
uma valsa a três passos,
dar-te a mão e ver a vida,
agarrada a teus braços, ai...

Fui-me pôr
Sentada mesmo à frente
e ali esperei...
A tantos eu neguei
o prazer da minha dança
ó-ai, que era só tua...

Mas o bar também chamou por ti,
num entretanto, e a banda ia tocando
e quando tu de lá voltaste
ó-ai, a valsa acabou!

Ai rapaz, mas eu queria
ir na roda e ser teu par!
Dar-te a mão, ir na folia
E não mais a te largar, ó-ai...

Foi então
Que a roda se fez,
ao largo, larga
tanta gente, muita farra
e nós ali na multidão
ó-ai, com outro par!

Fui passando
par a par, nem sei
quantos ao certo
e tu cada vez mais perto
e quando só faltava um
ó-ai, veio o leilão!

Ai rapaz, o que eu queria
era um baile bem mandado
que nos guiasse à sacristia
e voltássemos casados,ai...

E do palco
surgiu uma voz
e a concertina:
"Roda Manel, vira Maria
e quem não vira perde a roda!"
Ó-ai, e eu virei!

Mas a voz,
puxada à concertina,
mais pedia
e acelerava a melodia
os pés trocavam-se no chão
Ó-ai, e assim foi...

Ai rapaz, e foi o baile,
sem alma nem coração
mal cantado e mal mandado
que me atirou ao chão, ó ai...

E foste tu a dar-me a mão...»

Deixa-te Assombrar


Assombra-te, Peter Pan (a propósito desta publicação aqui).

terça-feira, 26 de agosto de 2014

26. Surpresa

Se dizes que foste surpreendida é porque a coisa se passou assim:
- Surpresa!
E foste apreendida.
- Surpresa!
E deixaram-te suspensa.
- Surpresa!
E ficaste presa.

26. Batalhar

Tentar atalhar uma batalha pode ser meio caminho andado para a prolongar; ou pensas que procurar atalhos é algo em que é fácil batalhar?
Sim: procurar atalhos é a forma mais fácil de continuares a batalhar; de arranjares outra batalha - mais uma.

26. Álcool

- Arde a engolir o que ocorreu, não arde? Mas se arde cura.
Ou:
- Se deitas álcool em cima da ferida vai arder. Mas se arde cura.
Não sei se tudo o que arde cura; o fogo arde e é capaz de matar. Contudo, sim: também há muita coisa que cura mesmo que contenha em si o risco de nos matar; o amor, esse afamado, é uma dessas coisas - ou, talvez, a coisa sobre todas as coisas.
E tu? És um alcoólico em amor?
«Alguns amores morrem por problemas lexicais.
Alguns amores morrem porque se pensa que intenso, apaixonado, forte é o mesmo que intensivo, presente, desperto.
Mas não é.
Um amor intenso pode não ser nada intensivo.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«O amor: aqui está a besta que toda a gente pensa que justifica tudo.
Todas as sacanices têm um amor que as justifique.
Mataste alguém? Sua besta. Ai foi por amor? Então não tem mal.
Traíste alguém? Sua besta. Ai foi por amor? Então não faz mal.
Cuspiste para o chão? Sua besta. Ai foi por amor? Então não faz mal.
Então não faz mal: aqui está uma boa definição do que o amor não é.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Como se muda o que não vai mudar? Como pode mudar-se o que é inalterável?
Nem todas as mudanças exigem mudança. Nem todas as mudanças exigem mudança factual.
Para mudar um carro de lugar não precisas de mudar um carro de lugar.
Basta tu mudares de lugar.
Mudar uma coisa, consiste, muitas vezes, em não mudar uma coisa. Mudar uma coisa consiste, muitas vezes, em mudares-te uma coisa.
Ou várias coisas.
Se não consegues mudar o que vês: muda como vês.
Se não podes mudar uma casa de sítio: muda o sítio em que está a casa. Planta flores, árvores, faz um jardim, cria até um pequeno curso de água. Vais ver que mudaste a casa de sítio. Vais ver que afinal conseguiste mudar a casa de sítio.»

 - Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«A perda é o teste maior da vida. É no segundo em que percebes que ficaste sem o que te fazia andar que tens de mostrar se tens poder para andar.
Ou se vais passar o resto da tua vida a rastejar.
Rastejar está subvalorizado. Rastejar é um privilégio a que poucos conseguem elevar-se.
Nem todos conseguem desfrutar, em pleno, da riqueza da terra, do cheiro da terra, do poder da terra.
Só quem é capaz de voar rasteja como deve ser.
Rastejar é o voo dos humanos.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«O problema do mundo é procurar demais.
O problema das pessoas é procurar demais.
Por todo o lado, neste exato momento, há pessoas à procura do que não vão encontrar. E é isso que mata o mundo.
Nada mata mais do que o que não é encontrado por mais procurado que seja.
Uma pessoa à procura da chave do carro é um animal perigoso. Uma pessoa à procura da chave do carro é um animal perigoso, capaz de ferir quem tiver de ferir para encontrar a porcaria da chave do carro.
O problema do mundo é procurar porcarias a mais.
O problema das pessoas é procurar porcarias a mais.
Uma grande fatia dos conflitos nasce de procuras que dão em nada.
Até uma chave do carro pode matar uma relação.
Até uma chave do carro já matou um amor.
E a teimosia.
Ah, a teimosia.
A teimosia de não desistir de procurar, mesmo que se esteja a procurar o que não tem interesse nenhum (e o que é que tem interesse afinal, para além daquilo que nos abraça?), é a maior destruidora de lares que o planeta conhece.
Ah, a teimosia.
Até o amor se derrete em teimosia.
O problema do mundo é teimar demais.
O problema das pessoas é teimar demais.
Em cada esquina, um casmurro: aqui está uma boa definição de mundo.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- [...] Conseguimos mudar. Conseguimos criar o avanço. Se o avanço foi para a frente ou se o avanço foi para trás já não podemos saber com acuidade. Mas houve um avanço. [...]»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- E se perceberes claramente que alguém te supera e que jamais poderás ascender ao patamar em que ele está?
- Aí tens duas possibilidades: ou perdes e perdes; ou perdes e ganhas.
- Como se perde e ganha?
- Percebendo que aquela derrota, contra aquele oponente, te fez ganhar o que havia para ganhar. Ganhar o que podias ganhar.
- ...
- Ou então fugir. Fugir é uma vitória que não podes desprezar.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- Ganhar é um sentimento; não é um facto. Ganhar não é um facto. Não é factual que todos os que ganham algo tenham, efetivamente, ganho alguma coisa.
- Tem de se sentir a vitória.
- Tem de se ganhar a vitória. Se vences uma prova que não sentiste que ganhaste acabas por não ganhar absolutamente nada. Limitas-te a vencer.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- Eu perdoei.
- A sua mulher?
- Sim. Soube de tudo.
- ...
- E perdoei.
- Outro homem.
- Um grande homem, por sinal.
- Conheceu-o?
- Sim. Um grande homem.
- E esqueceu?
- Assimilei. Deixei que fizesse parte de mim. Eu, eles e as minhas lembranças.
- Integrar quando não se pode eliminar.
- Sim.
- Um plano B interessante.
- Sabe-me a A. Pode ser B, C ou D. Mas sabe-me a A. E é aquilo que nos sabe que interessa, não é?
- Sim.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Preciso de mim: todas as pessoas deviam, todos os dias, a toda a hora, ser obrigadas a repetir esta expressão.
Preciso de mim.
Preciso de mim.
Preciso de mim.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Nada assusta mais do que o momento em que percebeste que foste corajoso: o momento em que conseguiste dar o passo à frente que já não te permite dares qualquer passo atrás.
A coragem é, muitas vezes, apenas uma mariquice desastrada: uma mariquice que, no momento em que pensa na melhor forma de recuar, tropeça numa casca de banana e avança em queda.

Se até em queda te faz avançar: então é amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Todos os atos são maiores. Não existem atos menores. Atos pequeninos. Atos sem importância..
Se são feitos por ti: são a coisa mais importante do mundo.
É essa a única hierarquia possível dentro de ti: os atos mais importantes do mundo são os teus. Porquê? Porque são teus.
É só sem ti, é bom que nunca te esqueças disto, que não consegues viver.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Acreditar que as pessoas mudam é próprio dos ignorantes.
Tudo nas pessoas muda. Menos as pessoas.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas

Act Outside the Box

Ficar aquém do risco, pisar o risco ou ir além do risco: qual preferes?

Diz que há pilares em cada degrau e que pode ser que lá no fundo haja céu.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

«A esmagadora maioria das relações soçobra por excesso de eufemismos. Por alguém dizer "incomoda-me" quando devia dizer "deixa-me devastado"; por alguém dizer "peço-te que me expliques" quando devia dizer "exijo-te uma puta de uma explicação"; por alguém dizer "gostaria que não voltasses a fazer isso porque me magoa" quando devia dizer "para com essa merda porque senão dou-te um tiro nos cornos".
Nada mata mais um amor do que um eufemismo.
Nada mata mais uma relação do que um eufemismo.
O amor é a única unidade lexical que não permite eufemismos.
Nem no dicionário (que, como se sabe, tem habitualmente uma forma gélida de olhar para as palavras) eufemismo vem antes de amor. Colocando ao contrário: até no dicionário eufemismo vem depois de amor.
Eufemismo vem sempre depois de amor: quando um começa a chegar o outro começa a ir.
Se não permite eufemismos: então é amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Todas as realidades são curtas demais quando se vive uma ficção. E não há ficção maior do que amar.
Se te parece ficção: então é amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Construir... todas as relações são feitas de construção... todas as relações têm de ser feitas de construção...
dizer para construir... fazer para construir... amar para construir...
uma relação entre duas pessoas que se amam tem de se basear na capacidade de erigir um edifício... pedra a pedra... tijolo a tijolo...
poucas obras de engenharia são mais complexas do que uma relação entre duas pessoas que se amam...
nenhuma obra de engenharia é mais complexa do que uma relação entre duas pessoas que se amam...
nada é mais exigente fisicamente do que uma relação entre duas pessoas que se amam...
tem de haver uma entrega absoluta... até à última gota... para que cada pedra esteja no local certo... e por vezes há que caminhar quilómetros com essa pedra às costas para a colocar no local certo... nem mais um centímetro à frente nem mais um centímetro atrás...
cada pedra que constróis também pode ser cada pedra que destrói... que faz derribar todo o edifício...
todas as relações são feitas de pedra... mas está na nossa mão... está na mão dos dois constituintes de uma relação entre duas pessoas que se amam definir se a pedra serve para separar se a pedra serve para unir...
todas as relações são feitas de pedra...»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- Olá, mor.
Se permite abreviaturas: então não é amor.
Tento descobrir todos os dias onde nos ficámos; em que ponto nos ficámos;
tento descobrir todos os dias quando começámos a abreviar-nos; a reduzir-nos, quando começámos a acreditar que não era necessário mais; quando começámos a acreditar que bastava;
Se te deixa contentado: então não é amor.

Havia que ir em busca de mais; havia que revolver; havia que esbracejar; havia que resistir;
tento descobrir todos os dias onde passámos a ser apenas todos os dias; onde passámos a ver-nos como se vê uma casa; passámos a habitar-nos e esquecemo-nos de que havia que ser feliz;
há sempre que ser feliz;
há sempre que sorrir; há sempre que surpreender; há sempre que chocar; há sempre que emocionar; há sempre que contentar;
Se te deixa contente: então é amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas

25. Caricaturar

Caricaturar aproxima-se, em muito, de caracterizar - mas é um caracterizar para teatro. É por isso que é possível dizer que há pessoas que se nos apresentam caricatas: é que a vida, às vezes, é cá uma peça...

25. Ubiquidade

Só creio numa ubiquidade - e não é a de Deus. Para mim, só o amor é ubíquo - e, vistas bem as coisas, talvez seja por isso mesmo que, para alguns, Deus é dito omnipresente.

25. Telefonar

Atenção que telefonar não implica falar; comunicar vai muito além do uso da voz.

domingo, 24 de agosto de 2014

24. Sal

Falem-me dos vossos momentos doces; amargos; ácidos; azedos. Toda a gente consegue, certo? E se eu pedir para me falarem dos vossos momentos salgados? Quem me sabe responder?
O sal também sabe a momentos? Ou será ele o renegado dos sabores?

24. Ziguezague

Não há coisa mais certinha direitinha do que antever um ziguezague. E não, para que não restem dúvidas não falo do programa infantil das manhãs da RTP2. Esse não se antevê, quanto muito vê-se mais tarde ao andar para trás no guia da NÓS ou da MEO.

24. Visar

- Não (a)viso mais nada.
Quantos visares pessoais fogem ao dever de avisar o grupo?

sábado, 23 de agosto de 2014

23. Arte

Se uma obra faz respirar, podemos exaltá-la ar-te.

23. Ponto

Ponham-se os pontos nos is: temos vários pontos na nossa vida - e todos nos servem para algo. Sejam elas finais, de exclamação, de interrogação... Até os há daqueles que vêm aos pares e aos trios - e que nos deixam na expectativa de que só pode vir aí mais.

23. Amostra

Se o amor for passível de amostras, permite-me pôr nestas palavras o que ontem me (a)mostraste. (A)mostraste-me que os beijos não foram inventados para as despedidas mas para (a)mostrar ao outro que, na hora de se irem embora, as pessoas coagem mais um olá - co-agem por mais um encontro que contrarie o desencontro. Não há beijo que saiba a despedida quando, tudo aquilo para que serve, é para fazer com que as pessoas se sintam - amiúde a distância - juntas. (A)mostraste-me que um abraço, por muito apertado que possa ser, por muito que se revolvam braços e mãos no corpo, nos salva a sufocos e bagunças 
Não sei porque é que é assim. Mas até hoje nunca ninguém conseguiu (a)mostrar explicações para tudo o que metesse amor ao barulho - e basta um bocadinho, só um bocadinho dele, para já fazer barulho.
O amor faz sempre barulho.
Até o mais pequeno gesto pode ser amor - mesmo que ninguém o saiba.
Até o mais pequeno gesto pode (a)mostrar amor.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

22. Hábito

Habito no hábito porque a ele sempre regresso.

22. Adiantar

Sempre adianta ir em diante; mesmo quando é em adiantado, o que acontece chega na hora H.

22. Zelar

Cuidar de ti como quem diz cuidar de mim. Ter ciúmes por ti como quem diz ter ciúmes por mim.
Porque quando se ama verdadeiramente não há distinção possível entre os pronomes eu e tu; e de repente ser egoísta é zelar por nós mesmos e pelo outro - não em proporções iguais, mas na mesma proporção.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

21. Suspirar

- Já só sei suspirar.
- Então? Quem é o sortudo?
- Diz antes quem são os sortudos: cinco claras de ovos, quatro xícaras de açúcar e um limão bem verdinho e grande. Somos o D'Artagnan e os três mosqueteiros versão cozinha na destemida mandada de fazer suspiros.

21. Soneto

Os sonetos devem achar-se os poemas mais melódicos de todos - para se dizerem os sons-netos da música, só pode.

21. Vento

O vento fê-lo fugir a sete (e oito, e nove, e...) pés para dentro de casa enquanto plantava sementes no jardim.
A ventania, por muito incómoda, serve propósitos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

20. Promessa

Prometo, incondicionalmente, continuar a tentar evoluir para melhor. A promessa que estou certa que (quase) todos os seres humanos fazem a si mesmos. 
Se é incondicionalmente é porque não está fora de questão que, para que isso aconteça, tenha de se ser pior de vez em quando.
Há promessas que, pura e simplesmente, não são para se cumprirem: mas para se irem cumprindo.

20. Voar

Quem é que aqui já sonhou que voa, hum? E qual é que é a vossa técnica?
Eu voo com os braços para trás, bem coladinhos ao tronco. A minha tia bate os braços e a minha mãe copia o estilo do super-homem. Mas isto é sempre, o método não muda nunca nunquinha. Convosco também é assim que se processa? Ou na minha família temos um gene de aves raras para aqui baralhado com todos os outros?

20. Vinho

- Isto é o álcool a falar.
Beber desalmadamente como se houvesse todo um espaço oco por dentro do molde do corpo e fosse possível enchermo-nos dos pés à cabeça. É nessa altura que se atinge a terceira etapa da fermentação da uva: quando o vinho se faz pessoa.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

«[...] segurança é a palavra mais mentirosa que o dicionário pode dar a ler: segurança não deveria caber em qualquer dicionário:
não existem locais seguros no mundo:
se estás vivo estás inseguro: [...]»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«A desgraça não depende de fatores exteriores; a desgraça, toda a desgraça, é interior. Pode ser mais desgraçado um milionário com gripe do que um mendigo com cancro.
A desgraça é de dentro para fora. A desgraça é aquilo que sobra do encontro entre o que nos acontece e o que acontece em nós quando algo nos acontece.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Era uma vez o medo.
Todas as vidas deveriam começar assim. Como histórias encantadas, contos infantis para adultos.
Era uma vez o medo.
Saber que ele existe, saber sempre que ele existe. E contá-lo como se fosse uma história. Contá-lo como se ele fizesse uma história. Como se ele se desfizesse em história.
Era uma vez o medo.
Todas as felicidades começam assim.

No momento em que se percebe que até o medo tem de existir para tudo o resto, o que dá corpo ao que se vive, exista. Para tudo o resto existir como tem de existir, como só pode existir.
Se nunca estiveste perante algo que te assustasse: então nunca estiveste perante algo que te elevasse.
Só o medo valoriza os atos.
Quanto mais medos sentiste: mais corajoso foste. A coragem existe porque o medo existe. E o medo existe para que a coragem exista.
O grande herói é o grande medricas, o grande caguinchas, o mariquinhas que treme.
Nenhuma felicidade é destemida.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Quando dizes que julgar é mau: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando dizes que quem julga quem julga quem julga já está a julgar: já estás a julgar.
E quando.
Tu sabes.
Se olhas para o que está à tua volta: já estás a julgar.
Nenhum olhar é inocente. Nenhum humano é menos do que um juiz. Nenhuma vida é menos do que um julgamento.
Ou julgavas que não?»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Pensar é estar a fazer nada. E é, paradoxalmente, aquilo que pode gerar tudo.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Viver é procurar satisfações. Temporárias, claro. Sempre temporárias. Mas há alguma coisa mais temporária do que a vida?»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Afinal a felicidade é isto. [...] A felicidade é a liberdade. Tão simples. A felicidade é a liberdade. Saber que se é apenas aquilo que se quer ser. Sem enforcamentos. Sem necessidades a estrangular. Tão simples.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Abraçar não pode ser apesar de tudo; abraçar tem de ser sobre tudo.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- Vamos ser felizes, meu querido.
- ...
- Vamos ser felizes.
Quando ouves "vamos ser felizes" ouve "não sou feliz".
- Vamos.
- ...
- Vamos ser felizes.
Infeliz; estás infeliz;
quem diz a felicidade no passado ou no futuro é alguém infeliz;
até porque a felicidade não se diz;
Não há volta a dar: a felicidade só sabe falar no presente.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- O que é nosso será nosso. Será sempre nosso. Ter não é uma questão de posse. Ter é uma questão de sentir.
- Temos aquilo que sentimos que temos.
- Temos aquilo que sentimos que temos.
Quando tens aquilo que sentes: tens tudo.
- Mas dói.
- A dor faz parte do processo de sentir. Temos de sentir a dor para sentir tudo o resto.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Se todas as palavras estão a mais: então é amor.
Mas há que ir mais fundo nas palavras. Por vezes há que ir mais fundo nas palavras. Obrigá-las a ser ação: pôr as palavras a mexer.
- E quando os corpos acabarem?
- ...
- Temos de inventar os corpos.
- Criar novos corpos.
- Fazer a eternidade.
Fazer a eternidade: aqui está uma boa definição de amor.
E por entre a poesia corre a realidade,
Acontece poesia quando a realidade aprende a escrever.
E por entre a poesia corre a decisão que tomamos, a decisão que estamos a tomar
e falamos como se fôssemos poemas, e acreditamos que um novo poema tem de nascer, que os nossos dois corpos são curtos demais para tantos versos,
Todos os versos são curtos para escrever o amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«- Gosto de te amar enquanto choras.
- Só consigo amar-te se estiver a chorar.
Todas as lágrimas deviam ser assim, todos os corpos deviam amar-se assim,
com o sexo como se fosse a mão, a mão como se fosse a boca,
todos os amores deviam amar-se assim, como se os corpos fossem uma peça só, como se amar fosse a sensação de que todo o corpo é um sexo,
Quando se ama, até uma unha sabe a orgasmo.
E depois chega o orgasmo,
- Sim.
- Ai.
Primeiro o do corpo,
- Sim.
O dos gemidos que saltam para fora, o dos sins e dos nãos que só se dizem como aquilo que não dizem,
Quando se ama, todas as palavras dizem sim.
- Sim.
O dos suores que são lágrimas que escolhem sítios diferentes para correr, lágrimas apaixonadas,
Quando se ama, o suor são lágrimas apaixonadas.
Lágrimas perdidas de amor, lágrimas que procuram novos territórios, novas descobertas,
Quando se ama, suar é chorar pela pele.
- Meu amor.
- Teu.
- Todo teu e todo meu.
- Meu amor.
E depois chega o orgasmo que já se foi, o orgasmo depois do orgasmo,
o orgasmo do abraço depois dos abraços, do suor depois do suor, das lágrimas que se choram pelo rosto para celebrar as do corpo, [...]»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Amar é perceber que há capítulos em que é preciso acabar com o amor.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Amar é haver alguns momentos em que não te aguentas. Todos.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Não existem males menores. Se é um mal: é maior. E é o maior.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas

19. Pé

No pé daquela flor: um pé de meia. Jamais pensaria que guardava os seus trunfos nos tornozelos - e talvez por isso fosse a mulher mais glamorosa de todas e que fazia as pernas dos outros fraquejar. Era a mulher mais glamorosa que jamais vira de pé e, no entanto, regia-se a tostões. Mas eram os tostões dela. Poucos, mas dela - por direito. Ganhos por ela, produzidos por ela e com tudo o que era ela. Sem truques. 
A qualidade, mais uma vez, a mostrar-se superior à quantidade. Até quando se fala de dinheiro se é mais rico na qualidade do que na quantidade.

19. Galhofar

Aviso a todos os leitores deste blog - atenção que isto é mesmo assunto sério:
Toda e cada palavra por mim usada neste desafio - a Caixa das Palavras - está a galhofar em conjunto com todas as outras. Não há factos verídicos a serem relatados - a não ser a inspiração e a criatividade que, naturalmente, também são parte da realidade.

19. Voz

O teu silêncio tornou-se a minha voz. Vai-te a ele, digo-me a mim mesma.
Das duas, uma: ou continuamos a ser estes dois adversários em debate - cala-se um, fala o outro -, ou admito-me uma mulher irremediavelmente apaixonada que tudo o que tem é uma vontade irreprimível de me atirar de cabeça - à séria e de uma vez por todas - a ti.
Ir contra ti para ir até ti.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

18. Apalavrar

- Apalavrou os seus sentimentos e pronto: conseguiu que eles se subjugassem àquilo. Passassem a ser aquilo.
- Grande erro.
- Ou grande vitória, depende. Às vezes há urgência para tornar aquilo que sentimos algo mais concreto.

18. Revolto

Revoltou-se: voltou lá (uma vez mais).

18. Sombra


- Prepara-te! Vou assombrar-te.
- Ah!!! Finalmente!!! Obrigado!
Quanto apostam que a última personagem do diálogo é o Peter Pan contente por não precisar de ir mais atrás da sua sombra?

domingo, 17 de agosto de 2014

17. Belas-artes


O início de tudo o que é belas-artes está naquilo que os artistas fazem de sua casa. E todo o grande artista começa a partir de casa - na casa de partida.

17. Mentira

Eles espantados.
- Isto só pode ser mentira.
Eles e a mania de julgarem que há coisas que são boas demais para serem verdade. Eles e a mania de julgarem que há coisas más demais para serem verdade. 
Mas não: nunca há nada que seja demais para a realidade; a realidade nunca, nunca pode ser poupada se o objetivo é viver em cheio.

17. Sobrehumano

Há alturas em que, para uma pessoa, o que não passa de uma manobra simples é sobrehumano e o que seria feito heróico é inteiramente realizável.

sábado, 16 de agosto de 2014

16. Contemplar

Deixa-me contemplar-te e transformar-te, por uns segundos de eternidade, no nosso templo comum. Tu que já estás em ti a seres também onde quero habitar; meditar em amor.

16. Trabalho

- Só vive para o trabalho, o raio do homem.
- Somos todos uns raios de homens, então.
- ...
- O que é que foi?
- Não percebi o que querias dizer com isso.
- Então!... Se vires bem todos vivemos para o trabalho. Nem podia não ser assim! Viver dá trabalho... E isso é a melhor coisa do mundo!

16. Falar Baixinho

Por muito irritante que seja (porque consegue, efetivamente, sê-lo) o mal do mundo não é haver quem eleve ou diminua a voz em demasia. O mal do mundo é nem sempre sermos capazes de escapar à censura de quem é autêntico nestes seus extremos... por causa de outras razões. É que é sempre (e se não for sempre, é quase) por outras razões: ou porque houve um levantar atribulado da cama com uma cabeçada na porta como brinde, ou porque pressente-se que vem aí um dia complicado, ou porque se tem tido dias complicados, ou porque se tem pressa, ou porque é passatempo nosso criticar os outros, ou... ou, ou, ou.
Anota aí algures: o problema nunca é dos outros nem são os outros - os outros estão na sua boa vida como se nada fosse; se fores a ver é, mesmo, um problema teu.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

15. Três

A minha mãe e as minhas duas tias são as três irmãs mais lindas do mundo. As três irmãs que sempre adotei para mim também.

15. Transparecer

Ela a transparecer loucura por ter ponderado, nem que por uns milissegundos, recusar férias numa ilha de águas transparentes a favor de algo que pode fazer em qualquer outra altura. Eu. Eu a transparecer loucura por pôr o currículo profissional à frente do currículo da vida por puro medo da vida. Toma juízo.

15. Telemóvel

Reza a lenda que o telemóvel foi inventado para nos ajudar a comunicar. Tem piada como, em alguns casos, conseguiu dificultá-lo ainda mais.
Se assim é, bem que pode rezar a lenda - e o cão, o gato, o piriquito... Se assim é, bem que podemos rezar todos.

Lista de Nomes que os Donos Cá do Sítio Acham Giros para Chamar o Yeti


Yeti, 'eti, 'etis, bebé, bebecas, becas, bé, baby, chuchu, fofinho, cão, cãos, cãozinho, cãozinhos, bicho, bichano, bichaninho, filete, pistachio, pistachio bebé, mustafá, urso, coelho, viscoso, pegajoso, feio, lindo, piquininos, pinhonhinhas, piolho, piolhento, pulga, pulguento, melga, gato, runfas, nhocas, felpudo, peludo, gunfas, pipocas, pipocas muita b'ancos, b'ancos, olhinho de fada, olhinho de fada muita b'ancos, frango, frango assado, tapete persa, rã, filhote, chouriço, hot dog, doguinho, pêssego, golfinho, dolfino, meu amor, amôle, amôlezinho, amorzinho, Bambi, Rumpelstiltskin, Rumpelstiltskin verde, Bolt, pinguim, pinguim sujo, pinguim Bolt, stressadinho, pantufas, chinelo, bigodes, mosquiti, mosquititi, franjas, meu franjas, morcego, pipos, vaquinha, banana, esfregona, dragão, meu dragão, cocas, coquinhas, canito, estrelinha, carneiro, fofocas, foca, Abalone, barbudo, avioneta, Rafa, venenoso, franjolas, guloso, comilão, Badocas, Badocas Park, Badoquinhas, guchas, meu guchas, Nobita, focinho lindo, ternurento, algodãozinho, bambino, minhoca, minhoco, Napolicão, Napolicão Bonaparte, nuvem, minha nuvem, Pégasos, meu Pégasos, nuvem Pégasos, minha nuvem Pégasos, pompom, pomponzinho, cara de sereia, turras, meu turras, memé, ferrugento, esquilo, Gus-Gus, ganso, Cinderella, Dilly Dilly, Snow White, Snow Yellow, Branca de Neve, quianço, vampiro, strogonoff, bichinho, rato, abanicos, linguini, mimocas, mimoquinhas, mimo, salsicha, amor de pelo, príncipe de pelo, carinho de pelo, paixão de pelo, go'dinho, go'dinho da dona, go'dinhos lobo, yeti cuscão, censura, bé'ti,, p'incesa, p'incesa gôda, ovinho, meu ovinho, nemo, peixinho...

[A atualizar sempre que se usar uma nova palavra ou caso me lembre de mais algum muy nobre título atribuído a sua excelência]

O Clássico das Coisas das Duas da Manhã: Versão Dramas de Arendelle

Certo e sabido que uma parte de mim sempre será uma criança e, no meu caso, alerta-se para a intrusão repentina, de tempos a tempos, de um fascínio estupidamente grande no meu estado de espírito atual para com o estilo rato Mickey - como quem diz: Disney.
Feito o ponto da situação, passemos aos desabafos: criei a Anna e a Elsa do Frozen na versão demo dos Sims 4 e estou frustrada porque não vos consigo mostrar a minha obra de arte. Por alguma razão que me é desconhecida, nenhum print screen está a colaborar comigo... *suspiro triste*
Pronto: era isto.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

14. Joaninha


De entre todas as joaninhas que encontrei a mais especial e bonita também conseguia ser pessoa.

(Este post foi a pensar em ti, querida Galego).

14. Admoestar

- Não consigo mais... Não suporto mais isto! Todos os dias têm sido horríveis, não tenho ninguém que me apoie! Estou sozinha, completamente sozinha! Para mim acabou tudo...
- Não sejas tão dramática! Sozinha? E eu? Não estou contigo? E que eu saiba não acabou absolutamente nada. Lá por os últimos dias terem sido mais agitados não faz sentido algum achares que os próximos também o serão. Ou agora consegues prever o futuro? 
- Não vês que isto me custa? Não vês que não sou capaz? Não aguento isto! Todos os dias me sinto esgotada, todos os dias dou o máximo de mim e ninguém dá crédito ao meu esforço. Tudo o que oiço são críticas... Ninguém consegue ver o quão acabada estou, só me amolestam! Isto é o meu sonho e não estou a conseguir levá-lo para a frente, não estou! Estou exausta... Se calhar eles têm mesmo razão... Se me estou a esforçar tanto e não estou a conseguir ter os resultados que eles querem, não devo ter mesmo jeito nenhum para isto... Vou desistir. Não tenho saída, pronto! Mas dói tanto... Esta ideia de desistir dói tanto... Não sei o que fazer... Estou perdida, completamente perdida... Não sei o que vou fazer da minha vida! Não consigo mais... Não suporto mais isto! Para mim acabou tudo...
- Já pensaste que podem não estar a amolestar-te mas sim a admoestar-te? Aprende a aceitar as críticas que te fazem, ninguém é perfeito e tu também não! Mas lá por não seres perfeita e haver limites que te são impostos não quer dizer que sejas uma coitadinha que não os consegue ultrapassar ou alterar. E mesmo que não conseguisses isso não quereria dizer que não pudesses arranjar outras soluções, outros caminhos... Porque podes! Se vais adotar a postura de vítima então parabéns porque conseguiste, finalmente, alcançar aquilo que de há uns tempos para cá tanto assumes que é teu: a derrota. Tu é que a escolheste pois a verdade (bem o sabes) é que tens todo o poder de decisão dentro de ti, não és obrigada a aceitar nada que não queiras (sabes muito bem disso). Não se desiste da vida à primeira dificuldade... nem mesmo à última! Não se não é isso que te deves! Dói, pois dói. Tudo o que vale a pena deixa-nos propensos a sentir dor de tempos a tempos (e às vezes dores mesmo muito intensas)! Mas isso é sinal de que também há paixão para aí metida. Ou não é? Pensa lá bem. Se é, então agarra-te a ela! Depois de chorares tudo o que tens a chorar, recusa-te a te tornares numa choramingas e assume as consequências dos teus objetivos: assume que, sim, choraste, que sim, custou, mas que não paraste de dar de ti e de procurar soluções!

14. Sinceridade

O dicionário diz que sinceridade é um misto de fraqueza e de verdade - pelo que, por momentos, pensei que verdade fosse um sinónimo de força (e pode ser). Contudo, cuidado com esses juízos, pessoas. A sinceridade também pode ser uma coisa débil - mas débil - e, nesse caso, cai tudo em redundância. Há honestidades que escondem mentiras e que por isso, quando expostas, se quebram em segundos.

Primeiro Voo: Feito


Agora sim - depois de todos os exercícios e trabalhos estarem realizados - posso dizê-lo de forma oficial:

Primeiro workshop a sério de escrita criativa - entre (muitos) outros que se seguirão - finito!


Gostei tanto desta viagem que já me pergunto para quando será a próxima. Até lá é treinar, meus amigos; até lá, é colocar força nestas mãos para voar. É estar grata e felicíssima por tudo o que descobri e continuar a descobri-lo cada vez mais - e melhor!...

T.E.S. XIX - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: escrever o monólogo da personagem (criada pelo aluno em aula) nesta situação: está em cima de uma prancha, a largos metros de altura, hesitante entre saltar ou não. Máximo de 200 palavras.

Estou muito alto! Tenho medo, não gosto disto... Não quero fazer mais natação, quero a minha mamã para ir embora! Onde ela está? Ai, está ali. Está a ver-me... Quero que ela venha aqui buscar-me! A professora diz para eu saltar mas eu não quero... Quero a mãe! Quero chamá-la e ir embora, dizer a ela que não gosto de pranchas! A professora diz que eu nado bem e consigo, mas dói a saltar porque bato na água... Se fico presa debaixo de água afogo-me e não consigo respirar! Se a mamã vir e não conseguir salvar-me fica triste... Mas se eu não salto a professora zanga-se e os meninos estão a ouvir e vão-me chamar mariquinhas! Eu não sou mariquinhas. Sou muito corajosa! Eu respiro fundo quando estou nervosa e depois consigo. Foi o vovô que ensinou-me. Se fizer o que ele disse e depois avisar a professora que vou saltar ela fica contente... Depois vou dizer a todos que tive medo mas que consegui porque sou corajosa! Mas não quero saltar... A Marta também disse-me que não. Se eu saltar assim ajudo ela depois e digo a ela que consegue também. Só se contar até três: um, dois,...

(T.E.S. escrito à criançolas porque a minha Renata é - como sabeis pela anterior publicação relativa ao curso - isso mesmo: pequenina. Eis, pois, a Renata em duzentas palavras).

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

13. Traço

- Posso traçar-te um abraço?
- Traçar-me um abraço?
- Sim.
- ...
- ...
- Não quererias dizer "dar-te um abraço"?
- Não. Era mesmo "traçar".
- ...
- Não precisas que te dê nada. Tu próprio já és um verdadeiro abraço em pessoa.
- ...
- Tudo o que quero é traçar-to, como quem marca uma cruz algures. Como quem quer assinalar um tesouro. Posso?

13. Retocar

Há que retocar os lábios de vermelho sangue após lhes teres tocado e rasgado; há que voltar a pintar a boca com o mesmo sabor quente da corrosão provocada pelo teu beijo. Pensei que as tuas carícias fossem duradouras... mas esqueci-me do efeito que os ácidos do metal comportam; esqueci-me de que não há nada que esteja em perfeito estado para sempre e, agora, tenho de repensar esse facto. Por isso, tenho de me ressentir: voltar a provar o derrame nas feições do meu amor.

13. Soltar

Ficou só no altar. 
Depois de a aceitar, dessa dor teve de se soltar.

Twinkle


As pessoas são cintilantes.
Atenção: eu disse cintilantes e não brilhantes. As estrelas não estão sempre a brilhar: acedem-se e apagam-se, acedem-se e apagam-se...
São cintilantes.
O brilho é só, no máximo dos máximos, metade do que são.
As pessoas também são assim: ora se acendem, ora se apagam. Ora são absolutamente luminosas, ora dão a outra face - escura como o breu.
Se as pessoas podem ser estrelas, então é porque são cintilantes.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

12. Sortido

Disseram-me: que a sorte esteja contigo. E realmente foi uma sorte lá ter ido - que sorte ter aparecido! E por tu teres sorrido...
Que sorte por nos termos tido!
Não sei se sabes que vais estar sempre comigo...
As memórias conseguem ser cá um sortido!

12. Transmitir

Estar constantemente preocupada com o que estou a transmitir sem querer é quase como vender a alma ao diabo. O equivalente a comprar o inferno - mas em versão real.

12. Normalidade

A normalidade, em demasia, dos dias consegue ser cá uma anormal para mim... Mas eu já lhe topei o esquema. A sacana não me há de sacar a paciência com tanta facilidade para a próxima.

A Personagem - Exercício do Workshop de Escrita Criativa V (Aula XIX)

Tarefa: criar uma personagem.

Eis a minha menina:

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

11. Construir

Recuso-me a construir uma frase que seja. Ops...

11. Recortar

Chega um ponto em que já se mandou cortar tantas e repetidas vezes o que é encenado pelos atores que se pode dizer que o filme é feito a re-cortes.

11. Nuvem

Se as nuvens fossem balões de pensamento, então um céu limpo seria como que um céu a meditar?

domingo, 10 de agosto de 2014

A lembrar:

Não dá para ter sempre grandes vitórias, mas podemos sempre contar com pequeninas vitórias.

10. Revolução

Caro hipotético futuro homem da minha vida - sejas cavaleiro, príncipe, rei ou simplesmente homem: não te preocupes. Por muito que já seja princesa e rainha de mim mesma ainda pode haver uma revolução para que eu me torne, também, tua rainha.
Há revoluções que são feitas de amor.

10. Roda

- Então?! Vens com outro ar! Que tal essas férias? Como te sentes?
- Sinto-me como se o meu cérebro tivesse acabado de sair da lavandaria.
- Ah! Serviu-te para limpares as ideias, foi?
- Antes fosse. Sinto que elas andaram todas à roda dentro da máquina e se encafuaram todas umas nas outras.

10. Protestar

Muitos daqueles que saem à rua a protestar algo estão a ser tudo menos prós a testar seja que matéria for.
- Ai que isto está tudo mal e tem de mudar.
- Mudar como?
- Eu sei lá.

sábado, 9 de agosto de 2014

09. Veneno

A cobra mordeu o tordo: o veneno correu o tordo. E corroeu-o; deixou-o completamente atordoado.

09. Elástico

À medida que corro o elástico que me apanha o cabelo vai desistindo de me fazer companhia. Isso mesmo: o garoto vai, pé ante pé, tentando esquivar-se do topo da minha cabeça. Parece-me que vai gastando energias e faltando-lhe a resistência consoante se aproxima mais e mais do final do treino. No entanto, se isso quisesse dizer que na próxima corrida seria capaz de aguentar muito mais tempo - como me acontece -, estávamos todos felizes e contentes a viver em paz e amor qual conto de fadas. Mas não. No mundo dos elásticos funciona ao contrário: em vez de ganhar-se força, ganha-se fraqueza; em vez de ficar-se mais magro, engorda-se. Deve ser para fazerem jus ao seu nome: esticam-se, esticam-se, esticam-se,... Um dia ainda pisam o risco e ficam de castigo em casa sem sair mais à rua.

09. Otimizar

Todos otimizamos o que nos acontece e fazemos acontecer de acordo com as nossas necessidades; e, assim postas as coisas, até se pode ousar afirmar (com um reduzido risco de mácula) que até os pessimistas são otimistas. Todos os pessimistas procuram olhar e gerir uma situação do ângulo que julgam ser o melhor para eles - mesmo que esse ângulo seja aquele que permite visualizar o pior cenário possível.

Ontem (já Deitada):

- Dez para as duas e ainda há vozes que pairam aqui?
- Que nós saibamos só advertiste as questões tresloucadas para que fossem dar uma curva. Quanto a nós, declarações, não dirigiste uma palavra.
- C'um catano. Não há forma de vos calar?
- Não; nem podes. Precisas de nós... Precisas imperiosamente de nós para te dar voz. Para sermos a tua voz. Não podes calar as tuas certezas. Não te podes calar. Nunca.

Devaneio (a Desvanecer-se)

Há noites detestáveis. Melhor (ou pior): há noites que eu me responsabilizo por tornar detestáveis. Asquerosas. Enfeitadas debaixo-acima e para os lados com perguntas sem resposta - e que nunca terão resposta. De tão pindéricas: umas maltrapilhas. Muito gostam de se mostrar a toda a hora, quais super star, estas questões. De humildes, o que têm: nada. Serões simples não é para elas - quer-se é as luzes, a passerelle, o centro das atenções. Presumidas do caneco; ao que me obrigam! 
Tenho de vos ter mão e responsabilizar-me por vós, não é assim? Só que às vezes não consigo. E, se não consigo: tumbas; se estas altas horas em que continuo desperta são o horror, a culpa é minha.
E até pode ser. Mas não tenho eu mais vida além de vossas excelências (aliás: excrescências), querem ver?!
Está na hora de se irem aprumar para o João Pestana. Esse sim: é um bom partido para vossas excedências (agora acertei-vos no nome). Oiçam o que vos digo, que agora até vou ceder a um cliché e tudo por quem sois: quem vos avisa, vossa amiga é.
Pois então: ponham-se a andar.
É agora - agora é que é (e é mesmo à séria): uma boa noite.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

08. Sumariar

Num copo de sumo ao pequeno-almoço resume-se o primeiro casamento entre doce e ácido do dia.

08. Sensatez

Não se pense que a falta de sensatez é intrinsecamente má quando o contrário dela é a loucura. O mundo não seria nada do que é - e principalmente do que pode ser - sem os loucos: não haveria nem metade dos recuos e avanços que se fazem - a criatividade rítmica perder-se-ia toda.
Adeus, dança. 
Adeus, canção. 
Somos todos uns aloucados - nem que por algo ou por alguém; ninguém consegue ser cem por cento sensato.
A não ser quando admite não ser cem por cento sensato.
O louco que admite ser louco: o verdadeiro sensato.

08. Sentar

Seres prudente nem sempre passa por manteres-te de pé enquanto não cais - na esperança de conseguires não cair, na esperança disso ser o melhor que fazes, todos os dias, para combater a gravidade; por vezes, é a coisa mais imprudente que podes fazer. Ires-te sentar para não caíres - por vezes, isso sim: passa, totalmente, a perna à gravidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Que Dicionário és Tu?

Toda eu sou palavras e, para mim, todas as pessoas o são. Há quem lhes dê cores, há quem lhes atribua animais - eu revejo-as em palavras e, às vezes, em famílias inteiras delas. Para mim cada pessoa é certa ou certas palavras e é através delas que me deixo apaixonar e sobressaltar, ferir e curar.
Nada me desarma mais do que palavras - principalmente as que têm pessoas dentro.

07. Licenciatura

- Com licença, desculpe. Dá-me licença?
- (silêncio)
- Ah, pois! Que parvoíce. Antes de mais nada sou eu quem tem de ma dar. Não é preciso tirar um curso para o entender.

07. Safadeza

- Bem que te safaste, que lhe roubaste algo de bom mas lhe deixaste algo de melhor. Bem que te tinhas tramado se só lhe tivesses roubado o amor dela. Mas bem que te safaste, que lhe roubaste um abraço e lhe deixaste um beijo. Que safado que tu me saíste!

07. Respeito

Quase que a música podia ser assim: um, dois, esquerda, direita, encolhe a barriga e estica o peito; um, dois, esquerda, direita, não te fiques à rés, impõe respeito.
«Ir em frente é conseguir ter força para nos mexermos mesmo quando o mais fácil seria ficar quieto. Ir em frente, quando estamos numa situação de completo aperto, de absoluta compressão, pode ser simplesmente piscar os olhos - desde que implique um qualquer movimento. Muitas vezes basta um piscar de olhos, um movimento ténue e quase imperceptível, para nos mantermos vivos.
O maior movimento que se pode fazer quando se quer resistir é qualquer um.
Basta mexer para estar vivo, para transmitir a mensagem clara: estou vivo. Estou vivo e exijo que me vejam enquanto tal. Estou vivo e, por mais que não queiram, vou mexer-me, vou agarrar-me a tudo o que tenho.
Agarrar-nos a tudo o que temos é o que nos resta mesmo quando tudo o que temos é um par de olhos para mexer.
Quando não encontras nada que te motive a mexeres-te: põe-te a mexer daí.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas

Foi sempre assim

Nunca tive medo de usar as palavras nunca e sempre.

Uma pessoa até que pesca disto

Sobre a forma como caminho nesta vida: tenho a certeza de que não sou um peixe fora de água; a não ser quando tenho de o ser - por motivos de força maior. 
É sempre por motivos de força maior.

(O suspense das quase duas da manhã)

Não preciso de escrever o propósito que tiveste na minha vida se este já estiver escrito - e eu quero acreditar que sim - no meu coração.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

06. Momento

Em quantos momentos pensas num só momento?

06. Solidificar

As amizades que se solidificam são, também, aquelas que mais fluem.

06. Pontualidade

Interrogava-se ele se ela não poderia ser a mulher da sua vida - se lhe deixava sempre a respiração perdida em reticências - quando ela não aguentou mais: resolveu pôr um final a todas as falas ensaiadas que lhe dirigia (não fosse ele descobrir a paixão que lhe nutria) e exclamou o seu amor. Todo o seu amor: de uma vez por todas e sem aspas.
Não podiam ter sido mais pontuais.
Já percebi: já percebi o silêncio e a inação. Pavoneiam ambos em uníssono um "não mexe mais: está perfeito assim". É que tudo o que é importante, tudo o que sempre será realmente importante, já foi dito e mostrado.
«Porra, porra,
não és, não és tu, não podes ser tu, tens tudo e não te sinto nada, não te falta nada e falta-me tudo, não tens culpa,
no amor não há culpados, só inocentes,
porra, porra [...]
No amor não há culpados,
só inocentes,»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Perdoa-me a crueza das palavras. Mas há momentos em que só o cru, só o mais cru e intratável, passa no estômago.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas
«Só foste para que a vida pudesse, sem que tu pudesses impedi-lo, oferecer-me a certeza de que tenho as decisões na minha mão. As decisões existem para ser tomadas. Por mim. Agora é por mim. Agora, que te foste, sou eu que defino o que fazer com aquilo que a vida definiu fazer-me.
Não interessa o que a vida nos faz quando sabemos exatamente aquilo que queremos fazer com ela.»

- Pedro Chagas Freitas in In Sexus Veritas

terça-feira, 5 de agosto de 2014

- Blábláblá porque a mana tinha dito que ia chamar Óscar ao carro dela.
- Ai tinha?
- Tinhas. Não te lembras? Assim se te perguntassem se tinhas algum óscar já podias dizer que sim.

De facto não me lembrava desta. E como é melhor apontar para não mais esquecer, que se ponha já tudo em pratos limpos: qualquer objeto ou animal vosso a que resolvam dar o nome de Óscar, da leitura desta publicação em diante, é mero clone do meu futuro bebé Óscar. Um gémeo plagiado. Percebido? Um homozigoto à posteriori do meu menino. Direitos sobre este batismo genial a mim me dizem respeito.
Estamos conversados.
«Todos os dias quando acordo
não tenho mais o tempo que passou, 
Mas tenho muito tempo,
Temos todo o tempo do Mundo»

- diz o Google que diz Renato Russo (que esta quadra de verdades encontrei-a no Facebook)

05. Neutro

Não sei qual será caso mais sério: se transformar um dia neutro em colorido, se forçar que um colorido se torne neutro.

05. Afocinhar

- E afocinhou-se toda no chão.
- Estatelou-se? Sucumbiu? Catrapum, ela na fossa?
- Não, jovem. Na fossa, não. E ela foi inteligente o suficiente para perceber isso. Retornou à infância. Quando se cai não somos mais do que bebés a aprender a andar outra vez. E foi isso que ela fez: retornou à infância e afocinhou-se. Fingiu que era gata, dona do seu focinho. Andou por aí a pavonear-se como se fosse muito senhora de si, muito independente, para voltar a acreditar que era, realmente, tudo isso. Como qualquer um sempre é, mesmo quando julga que não.

05. Silhueta

Palmas para quem vai a pousar para a fotografia e capricha na silhueta - na da alma, claro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

04. Negociar

Os casamentos dividem-se entre amor e conveniência, já se sabe. É como os negócios: ou estás num emprego porque o amas ou porque te convém.
E ainda há mais: sabes que um casamento é um negócio quando a mulher fica feliz por lhe ter sido proposto, não um marido, mas um anel - e, com ele, a promessa de um outro montão de anéis. Todos os anéis do mundo com todo o dinheiro do seu alegado novo mundo (e quando falo de mundo falo do futuro marido: aquele que devia ser o seu mundo; mas que não é - entenda-se).

04. Retribuir

- E foi então que ela lhe devolveu o sorriso.
- Oh! Coitado! Como é que ele ficou? Ficou triste?
- Não, mulher! Que raio de pergunta a tua. Ficou contente, está claro! Se ele lhe sorriu e ela lhe sorriu de volta o garoto só podia ficar contente.
- Ah! Ó homem assustaste-me. Então ela não lhe devolveu o sorriso: retribui-lho. Só se devolve o que não se gosta ou o que não serve.

T.E.S. XVIII - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: "Filipe encontra o seu melhor amigo a forçar um beijo com a sua mulher." Vamos contá-lo em três versões – agora temos de nos esticar mais um pouco (não menos de 150 palavras para cada um - para conseguirmos fazê-lo como deve ser):

1. 90% de coerência vs 10% de transformação;
2. 90% de transformação vs 10% de coerência;
3. 50% de transformação vs 50% de coerência.


1: Filipe e Nuno sempre haviam sido dois companheiros inseparáveis desde que se descobriram duas crianças demasiado idênticas em gostos e modos de ser para continuarem cada um por si, com a sua vida, mundo fora. Filipe sentia que encontrara em Nuno tudo o que completava as suas brincadeiras: toda a sua equipa de futebol, todo o seu exército de guerra, todos os seus colegas de aventura na selva. Na adolescência, entretinham-se a seduzir raparigas: não em tempo real, mas em competições dialogadas entre os dois para ver qual teria mais hipóteses, consoante os seus truques e trunfos, de ficar com as alvejadas moças. O tempo foi passando e ambos foram continuando a testemunhar os seus corpos e almas a crescer, juntos - e a cumplicidade com eles. Encaixavam, uma atrás doutra, as piadas de um nas do outro; os brindes feitos entre os dois (já podres de alegres), no bar da esquina, soavam-lhes como que a multidões a festejar numa autêntica folia. Partilhavam objetivos profissionais e pessoais com um sorriso aberto e uma determinação efervescente nos olhos, e já havia, inclusive, rascunhos mentais para se fazerem sócios e montarem uma companhia.
Tudo corria bem quando estavam bem: o pior foi quando um deles, pela primeira vez, se foi abaixo - realmente abaixo. Nuno acabara de perder a mãe e fechara-se num silêncio inconsolável que Filipe não arranjava maneira de contornar. Andava preocupado com o amigo, embora compreendesse o seu isolamento: ele próprio sempre fora muito reservado no que respeita a sentimentos e não gostava de lhes tocar mais do que o necessário. 
Um dia não aguentou mais: já tinha tentado de tudo e Nuno selado que nem um cofre, mudo que nem uma porta, desgostoso que nem uma fonte. Suplicou ajuda a Gabriela, sua mulher e também melhor amiga de Nuno. Gabriela conhecia Nuno desde infância, ainda antes de Filipe, sequer, ter aparecido pela primeira vez. Não fora rara a vez em que brincaram os três em pequenos e fora assim que começaram a nascer os laços que hoje os uniam. Talvez, por isso, ela fosse a sua única hipótese; talvez ela o conseguisse ajudar; talvez fosse ela a trazer o seu amigo de volta, como certamente o saberia fazer. Gabriela era, aliás, a única pessoa no mundo que conseguia fazer com que Filipe falasse do que o atormentava sem que este sentisse que o mundo ia desabar: afinal de contas, ela estaria lá para o segurar; bem dizendo, Gabriela era o seu mundo. E, por isso, Filipe julgava-a a mulher mais capaz de todas - Deus na Terra. Gabriela era-lhe Deus na Terra. Não havia o que fizesse que não fosse com bondade ou que não fosse a própria bondade. Sim: ela conseguiria, de certezinha, trazer algo de bom, de novo, a Nuno - um pouco de esperança que fosse. Quantas vezes Filipe já a vira a consegui-lo consigo mesmo? Quantas vezes um ou dois pares de palavras dela lhe bastara para subir a moral? Gabriela era a mulher mais capaz de todas, sabia-o bem - Deus na Terra. Ela iria conseguir.
E conseguiu. Efetivamente Gabriela conseguiu trazer algo de bom a Nuno, conseguiu subir-lhe a moral. Aquela mulher era tudo: um anjo, uma Deusa! Nuno começara a partilhar aos poucos a sua dor com Gabriela ao telefone. De dia para dia ia-se abrindo mais um pouco. Filipe sentia o alívio a pousar no seu rosto sempre que chegava a casa do emprego e a mulher lhe dava a boa-nova de que Nuno estava a melhorar aos poucos, que já se tinha rido e tudo.
- Amo-te - dizia Filipe, radiante de encantamento por Gabriela.
- Também te amo - devolvia-lhe ela. - Vai-te deitar. Deves estar tão estafado depois de tantas horas no escritório!... Já vou ter contigo.
- Está bem, meu amor.
E este diálogo repetia-se, diariamente. Dia após dia e Filipe sempre a receber boas notícias de Nuno. Agora o amigo já recomeçara a ir ao ginásio e tudo e estava a pensar voltar ao trabalho na semana seguinte, ainda só passara oito dias desde que Gabriela entrara em ação.
Gabriela demorava-se cada vez mais a esgueirar-se para ao pé de Filipe à noite. Dizia sempre que já ia. Fazia sempre mais um ou dois telefonemas antes de se juntar ao marido.
Começou a ser Filipe a ficar desanimado.
Um dia chegou a casa e nem sinal da mulher. Cozinha vazia; na sala de estar, ninguém. Estranhou tudo aquilo mas não se deteve. Chamou por Gabriela por todo o lado e continuou à procura.
Filipe saiu para o jardim em desespero e... entrou num desespero ainda maior. Ali, a um canto: lá estava o amigo, lá estava o danado a lançar-se para a boca de Gabriela; a sua Gabriela, a sua mulher - a sua Deusa! Nuno: o bandido, o irmão traidor, o danado do Diabo - Diabo na Terra! Como fora ele capaz?! Como?!... Ai, se ele tivesse lido os sinais da sua Gabriela, da sua mulher - da sua Deusa!... Bem que ele a achara mais ausente. Bem que ele achara! Ai: se a sua Deusa afinal também fosse Diabo!...

2: Filipe e Nuno sempre haviam sido dois companheiros inseparáveis desde que se descobriram duas crianças demasiado idênticas em gostos e modos de ser para continuarem cada um por si, com a sua vida, mundo fora. Filipe sentia que encontrara em Nuno tudo o que completava as suas brincadeiras: toda a sua equipa de futebol, todo o seu exército de guerra, todos os seus colegas de aventura na selva. Na adolescência, entretinham-se a seduzir raparigas: não em tempo real, mas em competições dialogadas entre os dois para ver qual teria mais hipóteses, consoante os seus truques e trunfos, de ficar com as alvejadas moças. O tempo foi passando e ambos foram continuando a testemunhar os seus corpos e almas a crescer, juntos - e a cumplicidade com eles. Encaixavam, uma atrás doutra, as piadas de um nas do outro; os brindes feitos entre os dois (já podres de alegres), no bar da esquina, soavam-lhes como que a multidões a festejar numa autêntica folia. Partilhavam objetivos profissionais e pessoais com um sorriso aberto e uma determinação efervescente nos olhos, e já havia, inclusive, rascunhos mentais para se fazerem sócios e montarem uma companhia.
Um dia, Nuno foi-se abaixo - realmente abaixo. Acabara de perder a mãe e fechara-se num silêncio inconsolável que Filipe não arranjava maneira de contornar. Andava preocupado com o amigo, embora compreendesse o seu isolamento: ele próprio sempre fora muito reservado no que respeita a sentimentos e não gostava de lhes tocar mais do que o necessário. Mas não: Nuno, simplesmente, deixara de lhe falar. Começara por lhe abrir a porta de casa com uma cara carrancuda e, às tantas, já nem a porta lhe abria. Quanto aos telefonemas: todos ignorados ou explicitamente desligados.
Nuno regressara ao ativo passado um tempo, produto de uma retoma da rotina pouco a pouco. Mas tornara-se uma pessoa amarga - no entanto, e aparentemente, apenas para Filipe. Gabriela, mulher de Filipe e também amiga de longa data de Nuno, continuava a ser interpelada normalmente por ele: com um sorriso aberto. Filipe já discutira com Gabriela o assunto várias vezes e nenhum dos dois arranjava explicação para aquele comportamento de Nuno. Gabriela já fizera frente a Nuno e tudo e este respondera-lhe como se entre ele e Filipe estivesse tudo bem e como se continuassem a ser os melhores amigos de sempre, inseparáveis que só eles: até perguntava pela ascensão dos projetos de Nuno na empresa e dizia que tinham de agendar aí uma churrascada num fim-de-semana.
Eis, pois, que o imprevisível dos imprevisíveis acontece: numa tarde em que passeava o cão, Filipe cruza-se com Nuno... que se lança para a boca de Gabriela - a sua Gabriela!!! A sua Garbiela que regressava, tranquilamente, passeio fora, das compras. Nuno: o bandido, o irmão traidor, o danado do Diabo - Diabo na Terra! Como fora ele capaz?! Como?!?! Mas afinal o que é que lhe dera na cabeça, que agora ninguém lhe achava coerência nos passos?! Que passos absurdos!!! Mas o que vinha a ser isto?! E é ver Filipe em estado de choque, sem saber se bater em Nuno e gritar-lhe um bom par de verdades, se permanecer ali, boquiaberto, estanque que nem uma menina inocente sem forças para continuar, sem forças para mais lutar: sem forças nenhumas e com vontade de se largar num pranto.

3: Filipe e Nuno sempre haviam sido dois companheiros inseparáveis desde que se descobriram duas crianças demasiado idênticas em gostos e modos de ser para continuarem cada um por si, com a sua vida, mundo fora. Filipe sentia que encontrara em Nuno tudo o que completava as suas brincadeiras: toda a sua equipa de futebol, todo o seu exército de guerra, todos os seus colegas de aventura na selva. Na adolescência, entretinham-se a seduzir raparigas: não em tempo real, mas em competições dialogadas entre os dois para ver qual teria mais hipóteses, consoante os seus truques e trunfos, de ficar com as alvejadas moças. O tempo foi passando e ambos foram continuando a testemunhar os seus corpos e almas a crescer, juntos - e a cumplicidade com eles. Encaixavam, uma atrás doutra, as piadas de um nas do outro; os brindes feitos entre os dois (já podres de alegres), no bar da esquina, soavam-lhes como que a multidões a festejar numa autêntica folia. Partilhavam objetivos profissionais e pessoais com um sorriso aberto e uma determinação efervescente nos olhos, e já havia, inclusive, rascunhos mentais para se fazerem sócios e montarem uma companhia.
Tudo corria bem quando estavam bem: o pior foi quando um deles, pela primeira vez, se foi abaixo - realmente abaixo. Nuno acabara de perder a mãe e fechara-se num silêncio inconsolável que Filipe não arranjava maneira de contornar. Andava preocupado com o amigo, embora compreendesse o seu isolamento: ele próprio sempre fora muito reservado no que respeita a sentimentos e não gostava de lhes tocar mais do que o necessário. 
Um dia não aguentou mais: já tinha tentado de tudo e Nuno selado que nem um cofre, mudo que nem uma porta, desgostoso que nem uma fonte. Suplicou ajuda a Gabriela, sua mulher e também melhor amiga de Nuno. Gabriela conhecia Nuno desde infância, ainda antes de Filipe, sequer, ter aparecido pela primeira vez. Não fora rara a vez em que brincaram os três em pequenos e fora assim que começaram a nascer os laços que hoje os uniam. Talvez, por isso, ela fosse a sua única hipótese; talvez ela o conseguisse ajudar; talvez fosse ela a trazer o seu amigo de volta, como certamente o saberia fazer. Gabriela era, aliás, a única pessoa no mundo que conseguia fazer com que Filipe falasse do que o atormentava sem que este sentisse que o mundo ia desabar: afinal de contas, ela estaria lá para o segurar; bem dizendo, Gabriela era o seu mundo. E, por isso, Filipe julgava-a a mulher mais capaz de todas - Deus na Terra. Gabriela era-lhe Deus na Terra. Não havia o que fizesse que não fosse com bondade ou que não fosse a própria bondade. Sim: ela conseguiria, de certezinha, trazer algo de bom, de novo, a Nuno - um pouco de esperança que fosse. Quantas vezes Filipe já a vira a consegui-lo consigo mesmo? Quantas vezes um ou dois pares de palavras dela lhe bastara para subir a moral? Gabriela era a mulher mais capaz de todas, sabia-o bem - Deus na Terra. Ela iria conseguir.
E conseguiu. Efetivamente Gabriela conseguiu trazer algo de bom a Nuno, conseguiu subir-lhe a moral - baseado naquilo que Filipe viu acontecer naquele momento, Gabriela só o podia ter conseguido! E até pôs o amigo a falar, aquele anjo: a soltar um par de desculpas, o safado!... Filipe entrou na sala de estar do amigo e lá estava o danado a lançar-se para a boca de Gabriela: a sua Gabriela, a sua mulher - a sua Deusa!!! Nuno: o bandido, o irmão traidor, o danado do Diabo - Diabo na Terra! Como fora ele capaz?! Como?!?! Diz que aquele silêncio não se devera só à morte da mãe; não: diz que aquela incapacidade de partilhar fosse o que fosse com o seu melhor amigo naquele período de dor também se devia a uma dor tão grande quanto a perda que sofrera; diz que sempre amara Gabriela e que não conseguira travar o crescimento daquele amor; que mal Filipe começara a falar dela nos primeiros nuances de paixão que ele próprio também se apercebera de que estava apaixonado por ela; que era um amor que, de dia para dia, atingia tamanhos cada vez mais desproporcionais. Diz Nuno que não tinha como encará-lo a ele, Filipe, e agir como sempre agira: a sorrir, a gargalhar, a olhar o futuro com uma efervescência determinada no olhar. Diz Nuno que ele e Filipe sempre foram demasiado iguais para ele alguma vez achar que tinha mais direito ao amor de Gabriela do que Filipe tinha e que, por isso, optara por nunca fazer nada - mas que não aguentava mais; mas que não tinha aguentado mais perante tamanha mulher. Eis, pois, Filipe - também ele - a deixar a sua dor matar-lhe a voz. Eis, pois, os três, a deixarem tudo aquilo desfazer-lhes a voz em fanicos. Eis eles a morrerem em profundo silêncio: os três companheiros mortos pela calada naquela sala.