sábado, 31 de maio de 2014

"Caixa das Palavras" de Junho

[ dia 1 ] - linear
[ dia 2 ] - explicar 
[ dia 3 ] - bolacha
[ dia 4 ] - soldado
[ dia 5 ] - silhueta 
[ dia 6 ] - pontualidade 
[ dia 7 ] - respeito
[ dia 8 ] - sentar
[ dia 9 ] - optimizar
[ dia 10 ] - revolução
[ dia 11 ] - nuvem
[ dia 12 ] - normalidade
[ dia 13 ] - soltar
[ dia 14 ] - sinceridade
[ dia 15 ] - telemóvel
[ dia 16 ] - falar baixinho
[ dia 17 ] - sobrehumano
[ dia 18 ] - sombra
[ dia 19 ] - voz
[ dia 20 ] - vinho
[ dia 21 ] - vento
[ dia 22 ] - zelar
[ dia 23 ] - amostra
[ dia 24 ] - visar
[ dia 25 ] - telefonar
[ dia 26 ] - álcool
[ dia 27 ] - aparte 
[ dia 28 ] - massagem
[ dia 29 ] - mente
[ dia 30 ] - memória

31. Obsoleto

Triste é quando alguém deixa o seu charme banalizar-se - e assim cair em desuso por tanto o usar.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

30. Nutrição

É possível - e aconselhável - nutrir a destruição. Não te preocupes se, por isso, passas a desnutrir a ilusão; se é ilusão, não existe de verdade. Não é preciso (nem faz sentido) alimentar coisas que não estão realmente vivas. É estar a deitar comida fora: atirá-la para o ar, deixá-la cair no chão - e, com ela, também tu te deixares voar e estatelar.

Peixinho do Mar

"(...) a questão é que eu não estou interessada meramente em ganhar experiência. Eu que seja a pessoa mais inexperiente do mundo mas que, quando seja para falar, seja para falar de amor. Se não é para ser nada de sério ou com a intenção de ser sério... 'migos, fui-me. Se não for ele há-de ser outro peixinho do mar. 'Peixinho do mar, podemos passar ou não?', 'Só quem tiver a cor... verdadeira!'"

- Maria numa conversa a 30 de maio de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

T.E.S. XI - Trabalho Entre Sessões

(Nota: o T.E.S. IX e X não foram muito relevantes para publicar aqui no blog, por isso saltemos para o XI)

Tarefa: colocar, em cada frase (acrescentando palavras, se necessário): pelo menos duas vírgulas; pelo menos um travessão e/ou dois pontos e/ou par de parêntesis.

"Parecia completamente surreal toda aquela situação. Era de facto estranho. A incerteza de ela estar na sua frente fazia-o esquecer-se da razão. Não havia distinção alguma do que era real e do que não era. Os sonhos e a realidade fundiam-se naquele instante. Não dá para acreditar a que ponto tudo isto chegou. Tudo parecia difuso e enublado."

Parecia (completamente) surreal que toda aquela situação estivesse, contra todas as suas expectativas, a acontecer. Era, de facto, estranho - muito estranho. Não o podia negar: tinha a incerteza de ela estar mesmo, ali, na sua frente - e isso fazia-o esquecer-se da razão. Não havia distinção alguma, que pudesse fazer, do que era real e do que não era - não se julgava capaz disso naquele momento. Os sonhos e a realidade fundiam-se, naquele instante, como se os milagres fossem possíveis: sempre havia julgado que não eram. Não dá para acreditar a que ponto tudo isto chegou: o seu mundo tinha, como acontecia a tantos outros (e tantas outras vezes), rodado a trezentos e sessenta graus. Tudo parecia difuso e enublado - mas o coração, esse, era claro: não aguentava nem mais um minuto longe dela.

29. Bingo

Rodam os números, confundem-se as horas, misturam-se os dias em correntes de sorte ou de azar. Vamos tendo cartão verde, amarelo ou vermelho para continuar.
Bingo! Não importa a cor: importa continuar.

28. Vertical

Olhar para o que está no nosso horizonte ou olhar para cima, para tudo o que ainda podemos alcançar?

terça-feira, 27 de maio de 2014

27. Sagacidade

A perspicácia de perceber que a saga da curiosidade continua...

26. Satisfazer

A curiosidade é uma coisa que não se satisfaz - nunca se satisfaz, pois isso implica que ela esta presente. Contudo, uma vez satisfeita, deixa de ser curiosidade. Passamos a satisfazer outra coisa qualquer.
Estou curiosa para saber o que é essa outra coisa qualquer. E agora?

25. Queijo

Claro que nos esquecemos de coisas quando comemos queijo: ele está cheio de buracos!

24. Voracidade

Voraz: esta cidade.

23. Sopa

Bem que se podia fazer uma analogia entre a vida e comer sopa: estamos sempre a uma colher de ser ainda mais fortes e saudáveis.

22. Abismo

Não fiques tão abismado! Todos caímos em queda livre de vez em quando.

21. Saciar

No mundo há muitas contradições - ou muitas pessoas ridículas. Todos já fomos ridículos pelo menos uma vez, em que foi o que menos nos satisfez que mais nos fez ter fome e pedir por mais.

20. Ausência

Podia dizer que não conheço ausências - precisamente por nunca as ter visto. Podia dizer que o que não se vê, não existe. Mas é mentira: uma grande, grande mentira. 
Às vezes, são as coisas que não acontecem que mais fazem as coisas acontecer - que mais nos fazem sentir existir.

19. Sul

Um dia encontrei e perdi o norte. Estou certa que está na altura de dar oportunidade ao sul para mostrar o que vale.

18. Surripiar

Naquela manhã, pensava em ti quando um passarinho piou à janela. "Pronto", pensei, "já fui."
Surripiaste-me a atenção, é certo; fizeste logo com que o dia, num mero pormenor, me sussurra-se toda uma melodia apaixonada.

sábado, 17 de maio de 2014

17. Pressentimento

Tenho o pressentimento (ou pré-sentimento) e que vou voltar a amar. Será que esta previsão (ou pré-visão) se irá mesmo concretizar?

sexta-feira, 16 de maio de 2014

16. Abrandar

Há pessoas demasiado impulsivas - demasiado brutas na interpretação do dia-a-dia. Em vez de tornarem mais brandos os seus passos, abrem o andar às largas na direção de um qualquer julgamento - como quem tem urgência de fazer valer o seu ponto de vista.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

15. Carta

Querido Eu do Presente,

Não desvalorizes absolutamente nada: nem sequer os silêncios no meio desta carta. Pode aparentá-lo - mas ela é tudo menos pequena.

Com amor,

Eu do Passado.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

14. Sonolência

A tristeza e a sonolência confundem-se no pesar das pálpebras; ambas denunciam cansaço.

terça-feira, 13 de maio de 2014

13. Mar

Estendo-me e enrolo-me, toco e fujo, avanço e recuo na areia que piso tal e qual uma onda do mar - uma onda de ser.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

12. Tangerina


Tangerina: uma fruta que sempre achei muito à tangente da laranja. Sinceramente, não compreendo o porquê de termos adotado o nome da última para falar de uma mesma cor. É devido àquela história do "respeitinho aos mais velhos"? É por isso?

domingo, 11 de maio de 2014

11. Separação

Da separação: qual será a outra fação? Se par há ação.

10. Altruísmo

Altruísmo: tentativa mais ou menos momentânea de estar à altura das expectativas bondosas que temos acerca de nós mesmos.

09. Calorias

Se está calor come-se gelado. 
Em vez de lógico é calórico.

08. Personalizar

Personalizamos tudo: o que vemos, o que ouvimos, o que cheiramos, o que tocamos, o que provamos.

07. Uva


Em vez de massa (cinzenta) tinha uvas na cabeça. Não se importava: a massa, por vezes, vinha transformada à priori e ela gostava de confecionar o produto final por si própria. 
Depois, bebia vinho para celebrar.

06. Livraria

A Bela não seria tão Bela se o Monstro não lhe tivesse dado uma livraria. Faltar-lhe-ia qualquer coisa: um pouco de encanto, talvez.
Quem me dera que os meus monstros me dessem livros - às vezes também sinto que me falta qualquer coisa no confronto com a realidade: um manual de instruções, uma visão mais mágica do mundo, um puxão que me faça ser mais terra-a-terra... Sei lá.

05. Agora

- Estamos oficialmente juntos. E agora? O que vai acontecer?
- Agora? Agora vamos parar à praça pública. Vais ver: seremos assunto de toda a gente não tarda. Vai haver muita movimentação, muitas bocas a falar: tal e qual acontecia nas ágoras da Grécia Antiga. Por muito que pareça que este palrar é coisa recente, por muito que isto vá ocorrer precisamente agora... estes hábitos não são de agora.

04. Susto

- Depois já sei como é que é: quando morrer, morres comigo.
- Ahn?! Tu partes e eu morro? Tornas-te fantasma e, a mim, obrigatoriamente, dá-me uma coisinha má? Nem pensar! Posso assustar-me contigo: morrer de susto já é esticar a corda. Vê lá o que dizes: ainda te enforcas nessas palavras.

03. Divertir

Sou só eu que consigo divertir-me ao reparar que nada de divertido está a acontecer aqui e neste preciso instante?

T.E.S. VIII - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: criar um texto - com princípio, meio e fim - com seis frases e em que haja quatro dois pontos.

Deitou-se ao fim de mais um dia, questionando-se o que é que tinha feito de errado: nada; não encontrava nada - nenhum momento em que não tivesse dado o máximo (o melhor possível) de si. Aparentemente, não tinha sido o que suficiente - ela: não tinha sido o suficiente. Apesar de toda a sua entrega, dedicação, compreensão - apesar da pessoa maravilhosa que era a toda a hora -, o seu amor deixou-a no último minuto. Largou-se a chorar noite dentro, só pensando no quão imensa era a sua falta de coragem para enfrentar o futuro: no quão desejava estar morta - tudo o que fizera, tudo o que era, tinha sido em vão. 
Acabou por adormecer (quiçá, achado que para sempre); contudo, acordou na manhã seguinte, lavou-se, vestiu-se, foi trabalhar - recebeu imensas chamadas do mundo. Uma delas foi da mãe: queria relembrá-la de como a avó sorria com tanta vitalidade sempre que a via e que, com certeza, nunca quisera deixá-la - que se havia lição a retirar dos tempos difíceis que se haviam passado (e que ainda iriam ocorrer no futuro) era a de que a força conseguia lá estar apesar da doença.

T.E.S. VII - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: Criar três exemplos de uso do travessão seguido de vírgula e três usos de travessão isolado - se possível num texto só (com, no máximo, oito frases).

Não era uma criança dada a desportos de velocidade - se era para fazer algo por desporto que fosse outra coisa. Não gostava de ocupar o seu tempo a correr de um lado para o outro no parque; dava-lhe a sensação que o tempo urgia - coisa que queria evitar que acontecesse a todo o custo e pela qual, portanto, não pretendia ser apanhada. Era uma criança que preferia - por exemplo - trabalhar em torno da sua resistência às brincadeiras. Preferia passar horas e horas a fio trancada num ginásio mental de diálogos entre os seus brinquedos e ver até quando os conseguia continuar a desenvolver. No entanto, chegando um ponto em que não os conseguia estender mais, eram os exercícios de flexibilidade os que acabavam escolhidos pois - já se sabe - ela não gostava de momentos encolhidos. Era pequena e gostava de tudo quanto pudesse puxar por si - não desejasse ela crescer a todos os níveis -, desde que fosse devagarinho - para não se ver logo acabada.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Estamos Desertos por ler coisas destas


«[...] Será o amor para sempre impossível? Não. Provavelmente só é muito difícil, como tudo o que vale a pena. Porque o mais fácil é apaixonarmo-nos. Complicado é mantermo-nos apaixonados, interessados. Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessarmo-nos por quem amamos como se fosse connosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor.»


Mais um post sobre amor; mais umas linhas através das quais me identifico - a mim e à minha história - nas entrelinhas.

02. Sair

Imagina que atravessas uma porta. Quando sais de algum sítio entras automaticamente noutro. 
Contudo, quando não tens a certeza se já saíste ou entraste, estás na ombreira. Como quem encara o passo que ainda tem de dar, mas refugia-se num ombro familiar.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sobre o Desafio "Caixa das Palavras"

Era para aderir ao desafio da Caixa das Palavras, lançado pela Pê, como uma espécie de "continuidade" do Palavrar a Cada Dia de abril. No entanto, estou cheia de trabalho. Nem cabeça tenho tido para estar cem por cento a par das aulas do Workshop de Escrita Criativa... Vou chegar ao fim-de-semana com duas sessões para pôr em dia - a da semana passada e a desta.
De momento, não me posso comprometer com cumprir desafio algum para além do meu próprio curso. Mas vá: cumpri o dia 1 da Caixa (em que a palavra era "vestido"). 

Para além de ter sido o dia em que me pus à procura de um vestido para o meu aniversário, escrevi o seguinte:

Apareceu vestido de verde. Disse-me que a esperança lhe assentava melhor, pelo que não podia não ter investido em si.

Finalmente o momento chegou

Um dos momentos altos da vida de uma pessoa será aquele em que se apercebe que está a completo cargo do seu coração, entendeu a Maria no dia 4 de maio de 2014, a vinte dias de fazer vinte anos. Tumba. Sinto-me, finalmente, livre... finalmente. O post de dia 30 fez por bater certo, veem? Não fosse a escrita uma das minhas melhores amigas. Não fossem os meus batimentos cardíacos intermediados por letras.

The problem...

...was not you. It was the fear you made me feel, pensou a Maria algures entre abril e maio - e muito bem.