sexta-feira, 23 de agosto de 2019

23. Carunchoso

- Ainda nem se fez fruto completo e já está carunchoso.
- O quê?
- O futuro da humanidade.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

22. Canivete

Dei-o na faculdade e sinto-o na pele. Como psicóloga, às vezes (muitas vezes), gostaria de ser canivete suíço e ter comigo todas as ferramentas possíveis e imaginárias; mas a verdade é que, às vezes (muitas vezes - centenas, milhares, incontáveis vezes), basta ter-me lá, de mãos vazias mas abertas para o momento.

21. Fundir

- Fundiram-se-lhe os fusíveis. Anda para ali todo apaixonado que já se esqueceu que é laranja inteira. Só a vê a ela, só a quer a ela; anda como se a tentar ser metade dela.
- É que sabes, há uma diferença entre paixão e amor. Na paixão quer-se sofregamente o outro, há algo em nós que grita em urgência pelo outro em nós e nós no outro; como se fossemos um só, sem poder existir de outra forma. No amor... No amor sabe-se que o outro está lá sendo outro, e nós cá sendo nós. Não nos precisamos para sobreviver, mas queremo-nos para viver. E há algo de muito belo nisso.
- Então... Mas a paixão e o amor podem coexistir.
- Claro. Mas quando há amor, a paixão é um encontro connosco, com o outro, e com o nós. Quando não há... Andamos perdidos de todo. De tudo. Loucamente perdidos, perdidamente loucos.

20. Incolor

Não é porque algo é incolor que não deve ser notado, e não é porque algo é colorido e espampanante que deve ser.

19. Acutilante

O mundo está a morrer e nós estamos a morrer com ele. Questiono-me qual será a dor mais acutilante: a morte em si ou o momento antes da morte, em que sabemos que fomos nós que a provocámos.
Nós já morremos por dentro e por isso morre o mundo. Quem sabe, depois de morrermos por fora, o mundo renasça.

18. Orvalho

Fossem todos os espelhos gotas de orvalho e talvez em vez de repararmos apenas em nós mesmos repararíamos na Natureza em redor.

sábado, 17 de agosto de 2019

17. Sofisma

Não importa qual religião tem razão; na verdade, nenhuma religião tem. Não se trata de razão ou ciência; não se trata de verdade ou sofisma: trata-se de fé, de coração; do "essencial ser invisível aos olhos".

A minha fé não vai ao encontro de religião nenhuma. Não creio num Deus, nem em vários deuses, nem em nada. Creio, sinto, que somos demasiado pequenos e insignificantes para achar o que seja deste Universo - o que é, para que é, porque existe, de onde veio. Para mim, isto é tudo um grande "nada" sem sentido, que não está cá para ser compreendido porque não foi para isso que foi feito: está cá para ser vivido. Então, sigamos caminho.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Venho e vou;
Vou e venho.

Olá a todos, de novo; não sei quanto tempo ficarei. Mas informo que: tenho estado de férias desde o início do mês, que o meu local de estágio fecha agosto inteiro (nunca eu pensei que voltasse a ter 1 mês inteiro de férias na vida e estou en-can-ta-da); estou a gostar muito do meu estágio (milhões!), do trabalho com os mais pequenos e em contexto de creche e pré-escolar (embora já me tenham tentado converter para freira que aquilo é gerido por elas, ups - not gonna happen, sorry); ando encantada, no geral, com crianças e bebés, sendo que o relógio biológico está a começar a fazer tic-tac embora os meus (nossos) planos ainda nem por isso; vou ser "tia" que a minha Rute vai ter bebé no início do ano (yay, first baby of the gang!); já tenho mais um par de publicações científicas de psicologia concretizadas, não tendo mexido um único dedo mais face ao trabalho que fechei no ano passado (a isto chama-se felicidade). 

And that's all folks. Estas são as big news. Sem promessas ou garantias, tentarei retornar aqui nos próximos dias e pegar na Caixa das Palavras, que grita por conclusão há mais de um ano.

Até lá!

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Teenosfera

Fui verificar e estreei-me na blogosfera em 2006. Isso quer dizer que tenho treze anos disto. Estou uma adolescente!

25 velas e 1 bolo


Hoje faço um quarto de século e, agora pensando, quer-me parecer que também já estou há mais de uma década na blogosfera.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Sobre Finais de Abril e Inícios de Maio

E pronto! Sou uma autora de livros técnicos publicada (e logo no primeiro capítulo)!

E pronto! Aprovaram o meu estágio profissional da desordem (agora é que é)!

E pronto! Por cá andamos, felizes.

terça-feira, 30 de abril de 2019

16. Desenvoltura

Andando às voltas e às turras também se desenvolve desenvoltura.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

15. Injeção

Falando de picas, vacinas e injeções: pois é, toda uma polémica. É como o amor: supostamente vem salvar-nos, mas alguns dizem que mata.

14. Desfazer

Desfazer desfeitas com pazes feitas.

13. Lassidão

Sinto uma preguiça... Mas, acreditem, com mais lassidão está o sistema do que eu.

12. Engasgar

- Engoliu uns pirolitos a mais, ficou todo engasgado, e nunca mais falou.
- Que trágico! A água dessa piscina devia ter cloro a mais!
- Se vires bem não foi o cloro nem a piscina, amiga. Foi mesmo quem o empurrou lá para dentro, percebes? Ele não sabia nadar, foi para lhe cortar a voz.

11. Tórax

O tórax até pode ser a casinha dos pulmões e coração, mas és tu quem protege meu amor e minha respiração.

10. Folgado

Isto é inadmissível, fui enganada. De uma vez por todas: alguém me explica de quem é que foi a ideia de deixar um espaço bem folgado entre aquilo em que nos preparam para a vida adulta e aquilo que ela é de verdade? E mais: de quem é a responsabilidade pelo tamanho da folga se manter de geração em geração, de casa para casa, de pessoa para pessoa? Isto é inadmissível - não posso, também eu, vir a ser enganadora!

09. Acamado

Corpo acamado e espírito livre? Ou corpo livre e espírito acamado?

Falta de liberdade e de funcionalidade chama doença e morte, seja em que formato for. Entre os dois, venha o diabo e escolha.

08. Cátedra

O que vos dirão: oiçam quem fala de cátedra. Escutem quem emoldura seus certificados, apresenta seus títulos, descreve suas experiências engravatados, de monóculo no olho, cachimbo no canto do lábio e enrolando a ponta do bigode. Melhor que eles? Ninguém. Pior que eles? Todos.

Então... esqueçam, desenganem-se: foquem quem verdadeiramente importa; mesmo sem diploma, ilustre cargo ou nobre apelido, de certeza que rápido verão: estes não são.

segunda-feira, 11 de março de 2019

07. Povo

Políticos são gente do povo que ascendeu ao poder. Antes de apontar o dedo, há que não esquecê-lo. Antes de governar, há que o relembrar.

06. Aço

Foi quando não vesti ferro, quando não me armei com aço, que deixaram as espadas de me trespassar.

05. Lustroso

- Não calço cá ténis cheios de piripipis e de brilhantes metalizados. Meus pés não precisam de andar lustrosos para divar.

04. Abafar

Das profecias autorrealizáveis: por tanta vez abafamos o nosso real, inteiro e brilhante potencial justificando-nos de uma preguiça e um desânimo tal que é como se já não fosse verdade - é como se já não fossemos inteiros e brilhantes assim.

03. Acostar

Definição de chegada ao paraíso: acostar-me a ti.

02. Impertinente

Ninguém é impertinente só porque sim. Cada comportamento, sua razão.

01. Alisar

Pensamos querer alisar caminho, tirar dele curvas e contracurvas, altos e baixos, pedras e entulhos. Só que nem a Terra é plana nem a vida, se feita de emoções - e, convenhamos: que seria de nós  sem emoções? Estaríamos, pois, lisos - sem riquezas para contar.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Intuição e Karma 1, Aldrabices 0


Contou-me fonte próxima (uma das estagiárias que por lá permaneceu) que a direção se está a desmantelar. Já se contam dois despedimentos (i.e., auto-despedimentos) e uma baixa médica, tendo dois destes três passarinhos voado esta semana. Quanto aos membros da equipa (a.k.a., não da direção), há ainda mais quatro pessoas que planeiam zarpar dali mal arranjem outro emprego em alternativa.

A todos os momentos em que receio ter tomado a decisão errada, aqui fica em bold e em grande para recordação: 

Maria, não tomaste.

[A propósito: já tenho um pequeno horizonte à vista. Shh, quando e se correr bem deixo o registo.]

sábado, 2 de março de 2019

"Caixa das Palavras II" de Agosto

[ dia 1 ] - alisar
[ dia 2 ] - impertinente
[ dia 3 ] - acostar
[ dia 4 ] - abafar
[ dia 5 ] - lustroso
[ dia 6 ] - aço
[ dia 7 ] - povo
[ dia 8 ] - cátedra
[ dia 9 ] - acamado
[ dia 10 ] - folgado
[ dia 11 ] - tórax
[ dia 12 ] - engasgar
[ dia 13 ] - lassidão
[ dia 14 ] - desfazer
[ dia 15 ] - injecção
[ dia 16 ] - desenvoltura
[ dia 17 ] - sofisma
[ dia 18 ] - orvalho
[ dia 19 ] - acutilante
[ dia 20 ] - incolor
[ dia 21 ] - fundir
[ dia 22 ] - canivete
[ dia 23 ] - carunchoso
[ dia 24 ] - ressequido
[ dia 25 ] - elasticidade
[ dia 26 ] - amarelado
[ dia 27 ] - empolgação
[ dia 28 ] - desfile
[ dia 29 ] - luzir
[ dia 30 ] - solitário
[ dia 31 ] - suspensão

31. Comedida

Comedida agora, descontrolada mais tarde.

30. Vogais


Então, se o único inteligente era o I, eu questionava-me se significaria alguma coisa terem-me atribuído uma das outras vogais para o espetáculo da primária. Claro, tal pensamento foi erro de principiante, uma vez que eu era o A.

29. Hálito

Por mais que lavem os dentes, o que lhes sai da boca cheira sempre mal. Não é do hálito, ainda que sem dúvida dos hábitos de alimentação: maldade.

28. Torneira

Diferentes tipos de pessoa de acordo com o choro: os torneira avariada; os pinguinhas da torneira; os torneira aberta.

27. Escamar

Não deixa de me divertir pensar que estou em processo de mudança e, em alguns pontos da minha pele, esta parece ameaçar escamar.

26. Assintomático

Ainda que assintomático, não significa que se esteja bem.

25. Místico

- Quero uma tosta mística, dizia o meu irmão em pequenino ao invés de tosta mista.
- Vou fazer uma sandes mística, diz o meu amor para se referir às explosivas misturas de sabor que volta e meia põe entre duas fatias de pão.
A minha adoração por estes pequenos pormenores ninguém imagina.

24. Gorjeio

Gorjeios de crianças, melodias de alegria.

23. Escrevinhar

Sempre sonhei escrevinhar à janela de uma paisagem sob solos escoceses, com seus lagos, castelos e árvores pintados de nevoeiro, de misticismo.

22. Descascar

É amor, poderia ser fetiche: descascar palavras, tirar-lhes roupa e máscaras e expô-las a nu numa frase qualquer.

21. Cortina

Às vezes, de tão embrenhados que estamos na escuridão, não nos apercebemos que tudo o que falta é apenas abrir uma cortina para deixar a luz entrar.

20. Tangível

Julgamo-nos no controlo, que algures no futuro tudo para o que sonhámos e trabalhámos será tangível - mesmo que não seja agora, que não seja já para o ano ou daqui a dez, guardamos em nós aquela esperança de que chegaremos onde queremos chegar, que a vida irá pagar suas dívidas, que alguém olha por nós e que tudo faz parte do plano, que a nossa hora vai chegar, que é só continuarmos a trabalhar, a lutar, e nunca desistir, pois vida, ao que se sabe, é só uma e é agora ou nunca; tem de ser porque não pode ser de outra maneira. Ora, a nossa existência vai ensinando aos poucos que as coisas não são bem assim, mas também vai ensinando que, se não existíssemos assim, se calhar não valia a pena. Sem dúvida que haverão algumas (muitas) lágrimas e desilusões em todo o nosso percurso mas, oh, as alegrias e as aventuras... Aquelas borboletas na barriga, aqueles gritos do ipiranga, aquela magia que encontramos numa qualquer cereja que não esperávamos no topo do bolo, sendo que nem sequer o bolo esperávamos. Oh... Se não vale a pena a euforia; se não vale a pena a toda a disforia por toda a euforia.

19. Espantalho

Ser humano: espantalho de (da) natureza.

18. Charneca

Ele há charnecas bonitas, florestas verdejantes então sem dúvida alguma, mas falem-me de montanhas e conquistaram-me.

17. Pomar

Apesar de almejar viver mais perto da natureza e até gostar da ideia de ter flores e plantinhas em casa, tenho um problema chamado fobia a minhocas e lesmas e ser nojinhas face a todo o tipo de insetinhos, pelo que pensar em hortas, pomares ou seja o que for de muito agrícola está absolutamente fora de questão.

16. Escarpada

Neste momento, tento escapar-me de tudo o que sejam escarpas em torno das muralhas que ergui pois temo verdadeiramente a derrapagem.

15. Desespero

Espero, desespero, espero, desespero. De tão suaves e imperceptíveis estas transições, poderiam dizer-se parte de uma canção de embalar. Talvez sejam mesmo, ou não se sentiria tanta moleza no corpo e tão pouca vontade de nada que não dormir até tudo se ultimar.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

14. Tosca

Tosca, eu? Pff, imagina.


(Eis um post extremamente tosco só porque sim, wuiiiiiiiiii.)

13. Estática

- Não sei se estares aí estática é a melhor tática.
- Não sei se estares aí stressada é a melhor estrada.

12. Outrora

O tempo real e o tempo psicológico não são equivalentes, já se sabe - isto, claro, se existe um tempo real sequer, dado o tempo ser uma invenção nossa e, portanto, existente apenas na psique. Por outro lado, já questionava o professor Dumbledore - ou melhor, a J. K. Rowling - se por algo fazer parte da imaginação significaria que não seria real. Bom: seja como for, filosofias à parte e em matéria de emoções, o certo é que as vivências não se medem com ponteiros do relógio, e o outrora, muitas vezes, ainda aqui tem hora.

11. Atípico

Nova sugestão de resposta para a pergunta chata das entrevistas "E porquê psicologia?"; cá vai:

- Porque me fascina o atípico, o típico, o quão típico é o atípico e o quão atípico é o típico.

(E, imaginando esta resposta a ser dada mes-mo assim, se calhar era aqui que eu morria na praia...*)

[*... assim como essa pergunta já morreu há tanto tempo. Gosto, está bem? Qualquer resposta a esta pergunta que não um simples gosto é estrondosamente forçada, eu acho. Mas, claro, o simples gosto é inadmissível e cá andamos com enfeites.]

10. Canteiro

Diz que falando para as flores no canteiro elas crescem mais fortes e saudáveis. Se assim for, pergunto-me o que fará cantar-lhes.

09. Bravata

Atenção: não confundir bravata e bravura.

08. Esganiçar

Fon: - Eu reconheci-te pelo riso.
Eu: - Deixa-me adivinhar, foi por causa dos meus esguinchos.
Fon: - Basicamente.

Episódios de outro dia aquando de um encontro inesperado com o Afonso, mas no fundo são episódios para a vida toda. Não tem como, a minha voz e todos os sons dela derivados viram agudos, esganiçados quando estou entusiasmada.

07. Ranço

- Essas palavras já sabem a ranço, não sei como as conseguiste digerir. De verdade. Parecem ter sido de tal forma mastigadas e mastigadas e mastigadas ad infinitum que não sei como as engoliste.

06. Ameaça

Nem todas as ameaças são más, embora possam continuar a conter o seu q.b. de perigo. Por exemplo, falemos de uma das minhas ameaças preferidas: cócegas. Malignas? De maneira alguma. Sinal de alarme? Bom, neste caso - no meu caso -, serão mais perigosas para quem as faz ou intende fazer, uma vez que mais depressa levam com uma cotovelada ou joelhada não-planeadas no meio do intenso esperneio e bracejar de gargalhadas - muitas vezes já a acontecer ainda ninguém me tocou - do que a falta de ar chega ao alvo.

05. Desordenado

Há reis que ordenam e reis que desordenam. Políticos? Mais do mesmo. Pessoas no geral, então, nem se fala. E depois ainda se tem a lata de dizer que o mundo é que está um caos. O mundo não tem culpa, 'tá?

04. Emergência

A verdadeira emergência é perceber o seguinte: 

03. Ressaca

Estou a ressacar do consumo excessivo das dependências dos outros.

02. Prato

- A vingança serve-se fria e, o amor, quente. Escolhe com o que te preferes queimar.

01. Silvas

Silva e Rosa são dois nomes de família que não herdei, entre outros. Contudo, as minhas raízes por cá andam, pelo que germinei e cresci sendo ensinada sobre o belo mesmo que havendo espinhos.

(Muito) Amor no Último Dia de Fevereiro

Eu: - Estou a recuperar a Caixa das Palavras, que deixei a meio no ano passado. Parei em junho. Tenho literalmente meio ano de palavras para escrever.
Amor: - Wow! Boa!
Eu: - Obrigada! A ver se desenferrujo a imaginação.
Amor: - Essa foi a melhor notícia da semana.

30. Dunas

Sou muito cabeça de vento, sabe? Dou essa aparência do estou aqui agora e daqui nada já não estou, vou e volto, entro e saio e nem eu própria muitas vezes noto nesse vai-e-vem. Mas não sou parva por isso, pelo que, escusa de atirar areia na minha direção que eu, como boa filha do ar que sou, pego e faço duna para toda a gente ver.

29. Redes

Lançam-se redes ao mar para apanhar peixe.
Lançam-se redes ao mar para apanhar vida.
Lançam-se redes ao mar... 

... e numa brevidade chega a morte.
E o Homem não notou.

28. Secar

Deixei no estendal minhas lágrimas a secar para um dia as poder vestir outra vez.

27. Pressentir / Fez-se Luz XII

- Pressentir.

(Pré-sentir, i.e., antes de sentir; aparente capacidade de prever que, em breve, algo acontecerá e se poderá fazer sentir.)

26. Rumo / Sem Rumo

Andar sem rumo ainda não é sinónimo de mau rumo. E nada indica que venha a ser.

25. Sobressalto

Atenção: se tem andado em sobressalto, opte pelo uso de ténis. Não queira duplicar o desastre ao se assustar e esbardalhar ao comprido calçando saltos altos. Usemos a mesma analogia para outras questões da vida, sim? Se tem andando em sobressalto, descomplique no possível.

24. Enigmático (parte II)

Ser Humano é o maior mistério que poderíamos ser. E talvez por isso estejamos sempre na expectativa.

24. Enigmático

Talvez o enigmático seja, mesmo, o combustível da maquinaria humana. Afinal de contas, o ser humano não funciona sem o constante deslindar de significados de tudo e mais alguma coisa. A sua estrutura e movimento depende disso.

23. Catedral

Nosso corpo a catedral, nossa alma Deus.

22. Combativo

Vamos ter de nos assumir combativos a vida toda porque, de uma ou de outra forma, toda e qualquer circunstância assim nos exigirá. Então, se lutar sempre teremos, que seja por aquilo que realmente queremos.
Onde andas, Maria?
Soubesse eu.

domingo, 20 de janeiro de 2019

O que faz brilhar os teus olhos? Resposta: Os Piquininos

Ponto alto do mês e que me restituiu por completo a nível motivacional e intelectual: formação em ludodiagnóstico e ludoterapia e formação em análise e interpretação do desenho infantil. Olhem 'migues, estou louca. Lou-ca. Adorei do fundo do coração ambas as formações. Sabem o que é que é isso de ir e sair de uma formação sem sentir um pingo de cansaço? Esse ser estranho sou eu, depois deste fim-de-semana a acordar às 6h da manhã e a ter formação das 9h às 18h. Sabem o que é que é isso de sentir que se cresceu profissionalmente e que, ao mesmo tempo, também ocorreu ali uma realização imensa a nível pessoal ao longo de todo o tempo em sala? Foi o que me aconteceu com estas duas formações. Há um fascínio qualquer em mim face à população infantojuvenil, um fascínio que eu não sei conter e que, sinceramente, não quero aprender a conter. Se eu não nasci para trabalhar com piquenos, pelo menos existo agora para trabalhar com eles. É para aí que a minha energia e alma de psi-rinho estão viradas neste momento (e, confesso, desde há muito que estão... e duvido que isto mude até conseguir concretizar este querer tão grande de trabalhar com crianças e adolescentes).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

From 2018, with love, to the future


Recordo-me de uma altura em que resolvi eliminar tudo o que trouxesse em si carga negativa do meu primórdio espacinho na blogosfera. Hoje já não o faria, porque apesar de almejar a que a positividade reine a vida, a minha e a de todos, essa é uma utopia inalcançável e que em nada se aproxima do que perfaz a alma do ser humano. Todos temos momentos luz e sombra, todos somos capazes de desempenhar ambos os papéis, e ambos são necessários em certas circunstâncias, nem que seja para descobrirmos que parte de nós queremos alimentar a seguir. O ano de 2018 começou cheio de luz a emanar de mim, cheio de vontade de alcançar o estrelato. O plano era candidatar-me tão ativamente quanto possível para conseguir um estágio profissional, começar a ganhar dinheiro para poder  começar a construir a minha independência aos poucos, obter a minha cédula profissional, e voilá: todo um mundo em aberto à minha frente. Como é óbvio, o universo não segue os planos magicados por uma mera mortal, por muito dedicada e focada que ela possa ser. De repente, o mundo em aberto à minha frente estava lá; afinal, já estava conquistado desde início, só não da forma e na altura como eu imaginei: no fim, quando chegasse à meta do por mim desejado. Esse mundo em aberto, porém, começou a assustar-me, a assustar-me mesmo muito. O que faria eu com esta liberdade toda? Tinha de fazer alguma coisa, estar parada é que nem pensar (achei eu), mas o quê? Pois é. Logo nos primeiros meses, o ano de 2018 revelou-me a sua parte sombra, e as pressas provaram-me nesse ano que nem sempre funcionam - apenas em algumas situações, tal como tudo. Continuei a lutar, a lutar, e a lutar pela parte luz, mas admito que a pressa constante, rígida e inflexível fez com que me deixasse ir consumindo um pouco pela sombra. Visitou-me o desânimo, o desespero, a revolta. Mesmo assim, continuei. Continuei a candidatar-me, a procurar o meu rumo, fui a entrevistas várias - quase todas uma desilusão. Até que uma pequena janela de oportunidade surgiu: ser investigadora. Quando percorro a memória do meu ano, em termos profissionais, é basicamente isso que me surge: o ano em que me dediquei à ciência, cheia de pressa e prazos. Não foi espetacular, não me senti feliz. Mas... também não foi tudo mau, pois não? Não. Consegui algumas conquistas, juntei alguns trocos para a vida futura como queria, e o meu currículo está mais cheio. Fui a novos lugares, conheci pessoas, fiz coisas que nunca pensei que iria fazer e fui bem sucedida nelas. Porém, a maior conquista de todas foi a de que o ano de 2018 foi um ano de descoberta. Aos poucos, comecei a perceber que, muitas vezes, havia que contactar simultaneamente com as minhas partes de luz e sombra, numa tentativa constante de encontrar um equilíbrio entre ambas. Aceitar o que não gostava, reconhecer o que me deitava a baixo, admitir o que não era para mim - e, aí, perceber o que realmente me fazia os olhos brilhar e o que é que eu estava disposta a fazer para o obter. Compreendi melhor os meus limites pessoais dentro dos profissionais e não só, os meus limites pessoais no geral também, porque a vida não foi nem é só trabalho, ainda que à primeira vista não o pareça. Contudo, passaram-se coisas sobre as quais não há como escrever sobre sem ser por metáforas, e é por aí que tentarei seguir este ano. Isto é, sei agora que trago desde 2017 algumas mágoas por chorar, algumas feridas por fechar, e que outras se foram aglomerando ao longo de 2018. E há que escrever sobre isso, que uma das coisas que mais sinto saudades é desta minha capacidade e recurso de me organizar a mim própria através das palavras. Este ano, pois, começo-o com as palavras da Rita, uma antiga colega da faculdade, muito linda, muito amor. Disse-me ela que achava que eu ainda não tinha feito o luto de tudo o que me magoou, e que eu precisava de parar, de tempo e espaço para pensar o que quero realmente para mim, e não lançar-me nessa corrida desenfreada por chegar a algum lugar com o qual nem sequer sou capaz de sonhar. Ela tem razão. Preciso, mais do que tudo, agora, de me permitir paciência, calma, paz,... Permitir-me a respirar e absorver tudo o que tenho a absorver, expurgar tudo o que tenho a expurgar, refletir em tudo o que tenho de refletir, desbravar tudo o que sinto que tenho de desbravar e de compreender melhor. Se assim não for, encontrar-me-ei novamente em sítios que não quero, em tempos que não quero, e que não terão para me oferecer algo que me preencha verdadeiramente. Encontrar-me-ei, uma vez mais, com grandes dificuldades em conciliar a minha parte luz e a minha parte sombra, porque terei sempre alguns fantasmas-sombra ainda por dar atenção, por abraçar e acolher, e mostrar que podem andar mão-na-mão com a luz.
Tenho o mundo à minha frente sim, uma liberdade imensa - sempre tive -, e esta não é comprada por um estágio profissional, por uma cédula, por qualquer trabalho ou desemprego em que calhe, pela vida pessoal a ser como achávamos que tinha de ser, por um cento de coisas possíveis de enumerar e que não passam de conceitos e ideias abstratas das mentes humanas, mas que se formos a ver não são o que estar vivo é de facto. Eu sou livre em tudo o que faço e o que não faço, e tudo, repito, tudo, faz parte - sombra, luz; vitórias, derrotas; sorrisos, lágrimas; dualidades, complexidades. Ou seja, tudo o que quero dizer é que irei encarar 2019 de uma forma diferente. Vou dar-me toda a tranquilidade de que preciso - mereço-a. Vou dar-me toda a ponderação de que preciso - mereço-a. E também arriscarei quando achar que sim, lançar-me-ei de cabeça quando achar que sim, correrei quando achar que sim. No entanto, se seja o que for que eu faça, de repente, se revelar um erro, não vou esquecer nem o meu coração nem a minha alma nas suas diversas facetas; não irei negligenciar aquilo que poderá ser tinta entornada no papel, tentando escondê-la como se lá não estivesse; não irei esquecer o perdão a mim própria e à vida, nem a reconciliação comigo mesma e com a natureza que me rodeia nesses casos. E, talvez tão ou mais importante que isso (pelo menos, em alguns casos), não irei esquecer de celebrar cada ganho, cada bênção. Tantas, tantas vezes me esqueci eu de fazer isso ao longo do meu caminho - tenho-me esquecido; tantas, tantas vezes se esquece o ser humano de fazer isso, na verdade. E não faz sentido. Não faz sentido ligarmos tanto ao que dói e nem tanto assim ao que cura. Equilíbrio é o que eu procuro para este ano e, sendo sincera, para a minha vida inteira. Então, tentaremos que assim seja - o mais fielmente, que assim seja.
Bem-vindo, 2019. Bem-vinda, vida.

domingo, 23 de dezembro de 2018

We cry and bleed on paper

um luto mais cá dentro. um luto para o qual não há palavra que pareça suficiente, porque o amor é além fronteiras.

quatro pais. tenho quatro pais - seja desde há 24, 18 ou 10 anos; seja de sangue e de coração ou só de coração; e o número de anos continuará a aumentar se a vida seguir o que o meu coração quer. nada se perde, tudo se transforma, dizia o outro. mais ou menos, digo eu. perdi uma família a três, mas não foi comigo que os laços se quebraram. então, só tenho de tentar transformar a maneira como continuo a cuidar desses laços que ficaram.

*olha eu toda sistémica na vida real*

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

«Entre o estímulo e a resposta há um espaço. Neste espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Na nossa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade»

- por Viktor Frankl (1946)

um dia de cada vez

acabei de entender que ando desaparecida daqui desde metade deste ano. de facto, foi meio-ano que não sei onde se meteu, passou num ápice, a uma velocidade estonteante. chegamos a dezembro e está inaugurada a época dos balanços. olhando para trás, para já, o ano 2017 continua a ser o mais duro que alguma vez vivi. o ano 2018 também teve um sabor agridoce, mas um pouco mais doce que amargo porque hey, aprendemos a estabelecer alguns limites. por um tempo, contudo, estiquei os meus. não tenho dúvida disso, pois andei muitas vezes na linha. o trabalho de investigação que estive (e ainda estou) a fazer é o que resume o grosso do meu ano, aquilo para que mais vivi. é triste dizê-lo assim, mas foi o que aconteceu. e daí, vou sair deste trabalho gritando a alto e bom som que investigação não é para todos, a carreira académica não é para todos... e sem dúvida que não é para mim. e não falo no sentido de não ter competências técnicas para isto: já me disseram que, um dia, se eu quiser, posso voltar. digo que não é para mim do ponto de vista emocional. andei muito mais afastada de mim, do que gosto de fazer, e daqueles de quem gosto. os meus fins-de-semana foram, muitas vezes, passados a trabalhar e, quando assim não o era, lá estava a culpa por não estar a fazê-lo. no início deste mês entreguei o trabalho mais difícil que me foi confiado, publiquei o meu primeiro artigo científico, e estou agora na recta final de três artigos que há muito me acompanham. e daí começar agora a respirar um pouco mais de alívio, um pouco mais de ar.* tirei, também, de mim o peso daquele estágio, que primeiro me foi de uma alegria imensa e que depressa comecei a perceber que ia accionar em mim tendências ansiosas e depressivas, que me ia afastar ainda mais de tudo o que me dá sentido à vida e a quem sou - mais do que a investigação o fez. não: não quero para mim algo que me faz mal! algo que me afasta de mim! algo que não se coaduna com os meus princípios e valores, algo que não me permite espaço para perceber o meu amor pela psicologia, criando revoltas mal direccionadas face a esta área que eu sei que me apaixona, mas cujo mercado de trabalho é, muitas vezes, cruel, fazendo-me questionar tudo.
em breve, um balanço mais bonito chegará.
em breve, estarei de volta. toda eu, de volta.

* amo muito a minha equipa e a minha chefe atual, contudo. além disso, aprendi muito este ano a nível científico e isso é algo de que me orgulho muito. mais: tanto a nível clínico como a nível científico, a minha chefe tornou-se, sem sombra de dúvida, a minha ídolo a nível profissional. duvido que algum dia vá encontrar uma chefe tão maravilhosa e com tanto para ensinar, e uma equipa que me deixe tantas saudades a nível das relações que ali se estabeleceram como esta. nem tudo foi mau, de verdade. muitas coisas boas, comigo, para sempre levarei daqui.