quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

13. Estática

- Não sei se estares aí estática é a melhor tática.
- Não sei se estares aí stressada é a melhor estrada.

12. Outrora

O tempo real e o tempo psicológico não são equivalentes, já se sabe - isto, claro, se existe um tempo real sequer, dado o tempo ser uma invenção nossa e, portanto, existente apenas na psique. Por outro lado, já questionava o professor Dumbledore - ou melhor, a J. K. Rowling - se por algo fazer parte da imaginação significaria que não seria real. Bom: seja como for, filosofias à parte e em matéria de emoções, o certo é que as vivências não se medem com ponteiros do relógio, e o outrora, muitas vezes, ainda aqui tem hora.

11. Atípico

Nova sugestão de resposta para a pergunta chata das entrevistas "E porquê psicologia?"; cá vai:

- Porque me fascina o atípico, o típico, o quão típico é o atípico e o quão atípico é o típico.

(E, imaginando esta resposta a ser dada mes-mo assim, se calhar era aqui que eu morria na praia...*)

[*... assim como essa pergunta já morreu há tanto tempo. Gosto, está bem? Qualquer resposta a esta pergunta que não um simples gosto é estrondosamente forçada, eu acho. Mas, claro, o simples gosto é inadmissível e cá andamos com enfeites.]

10. Canteiro

Diz que falando para as flores no canteiro elas crescem mais fortes e saudáveis. Se assim for, pergunto-me o que fará cantar-lhes.

09. Bravata

Atenção: não confundir bravata e bravura.

08. Esganiçar

Fon: - Eu reconheci-te pelo riso.
Eu: - Deixa-me adivinhar, foi por causa dos meus esguinchos.
Fon: - Basicamente.

Episódios de outro dia aquando de um encontro inesperado com o Afonso, mas no fundo são episódios para a vida toda. Não tem como, a minha voz e todos os sons dela derivados viram agudos, esganiçados quando estou entusiasmada.

07. Ranço

- Essas palavras já sabem a ranço, não sei como as conseguiste digerir. De verdade. Parecem ter sido de tal forma mastigadas e mastigadas e mastigadas ad infinitum que não sei como as engoliste.

06. Ameaça

Nem todas as ameaças são más, embora possam continuar a conter o seu q.b. de perigo. Por exemplo, falemos de uma das minhas ameaças preferidas: cócegas. Malignas? De maneira alguma. Sinal de alarme? Bom, neste caso - no meu caso -, serão mais perigosas para quem as faz ou intende fazer, uma vez que mais depressa levam com uma cotovelada ou joelhada não-planeadas no meio do intenso esperneio e bracejar de gargalhadas - muitas vezes já a acontecer ainda ninguém me tocou - do que a falta de ar chega ao alvo.

05. Desordenado

Há reis que ordenam e reis que desordenam. Políticos? Mais do mesmo. Pessoas no geral, então, nem se fala. E depois ainda se tem a lata de dizer que o mundo é que está um caos. O mundo não tem culpa, 'tá?

04. Emergência

A verdadeira emergência é perceber o seguinte: 

03. Ressaca

Estou a ressacar do consumo excessivo das dependências dos outros.

02. Prato

- A vingança serve-se fria e, o amor, quente. Escolhe com o que te preferes queimar.

01. Silvas

Silva e Rosa são dois nomes de família que não herdei, entre outros. Contudo, as minhas raízes por cá andam, pelo que germinei e cresci sendo ensinada sobre o belo mesmo que havendo espinhos.

(Muito) Amor no Último Dia de Fevereiro

Eu: - Estou a recuperar a Caixa das Palavras, que deixei a meio no ano passado. Parei em junho. Tenho literalmente meio ano de palavras para escrever.
Amor: - Wow! Boa!
Eu: - Obrigada! A ver se desenferrujo a imaginação.
Amor: - Essa foi a melhor notícia da semana.

30. Dunas

Sou muito cabeça de vento, sabe? Dou essa aparência do estou aqui agora e daqui nada já não estou, vou e volto, entro e saio e nem eu própria muitas vezes noto nesse vai-e-vem. Mas não sou parva por isso, pelo que, escusa de atirar areia na minha direção que eu, como boa filha do ar que sou, pego e faço duna para toda a gente ver.

29. Redes

Lançam-se redes ao mar para apanhar peixe.
Lançam-se redes ao mar para apanhar vida.
Lançam-se redes ao mar... 

... e numa brevidade chega a morte.
E o Homem não notou.

28. Secar

Deixei no estendal minhas lágrimas a secar para um dia as poder vestir outra vez.

27. Pressentir / Fez-se Luz XII

- Pressentir.

(Pré-sentir, i.e., antes de sentir; aparente capacidade de prever que, em breve, algo acontecerá e se poderá fazer sentir.)

26. Rumo / Sem Rumo

Andar sem rumo ainda não é sinónimo de mau rumo. E nada indica que venha a ser.

25. Sobressalto

Atenção: se tem andado em sobressalto, opte pelo uso de ténis. Não queira duplicar o desastre ao se assustar e esbardalhar ao comprido calçando saltos altos. Usemos a mesma analogia para outras questões da vida, sim? Se tem andando em sobressalto, descomplique no possível.

24. Enigmático (parte II)

Ser Humano é o maior mistério que poderíamos ser. E talvez por isso estejamos sempre na expectativa.

24. Enigmático

Talvez o enigmático seja, mesmo, o combustível da maquinaria humana. Afinal de contas, o ser humano não funciona sem o constante deslindar de significados de tudo e mais alguma coisa. A sua estrutura e movimento depende disso.

23. Catedral

Nosso corpo a catedral, nossa alma Deus.

22. Combativo

Vamos ter de nos assumir combativos a vida toda porque, de uma ou de outra forma, toda e qualquer circunstância assim nos exigirá. Então, se lutar sempre teremos, que seja por aquilo que realmente queremos.
Onde andas, Maria?
Soubesse eu.

domingo, 20 de janeiro de 2019

O que faz brilhar os teus olhos? Resposta: Os Piquininos

Ponto alto do mês e que me restituiu por completo a nível motivacional e intelectual: formação em ludodiagnóstico e ludoterapia e formação em análise e interpretação do desenho infantil. Olhem 'migues, estou louca. Lou-ca. Adorei do fundo do coração ambas as formações. Sabem o que é que é isso de ir e sair de uma formação sem sentir um pingo de cansaço? Esse ser estranho sou eu, depois deste fim-de-semana a acordar às 6h da manhã e a ter formação das 9h às 18h. Sabem o que é que é isso de sentir que se cresceu profissionalmente e que, ao mesmo tempo, também ocorreu ali uma realização imensa a nível pessoal ao longo de todo o tempo em sala? Foi o que me aconteceu com estas duas formações. Há um fascínio qualquer em mim face à população infantojuvenil, um fascínio que eu não sei conter e que, sinceramente, não quero aprender a conter. Se eu não nasci para trabalhar com piquenos, pelo menos existo agora para trabalhar com eles. É para aí que a minha energia e alma de psi-rinho estão viradas neste momento (e, confesso, desde há muito que estão... e duvido que isto mude até conseguir concretizar este querer tão grande de trabalhar com crianças e adolescentes).

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

From 2018, with love, to the future


Recordo-me de uma altura em que resolvi eliminar tudo o que trouxesse em si carga negativa do meu primórdio espacinho na blogosfera. Hoje já não o faria, porque apesar de almejar a que a positividade reine a vida, a minha e a de todos, essa é uma utopia inalcançável e que em nada se aproxima do que perfaz a alma do ser humano. Todos temos momentos luz e sombra, todos somos capazes de desempenhar ambos os papéis, e ambos são necessários em certas circunstâncias, nem que seja para descobrirmos que parte de nós queremos alimentar a seguir. O ano de 2018 começou cheio de luz a emanar de mim, cheio de vontade de alcançar o estrelato. O plano era candidatar-me tão ativamente quanto possível para conseguir um estágio profissional, começar a ganhar dinheiro para poder  começar a construir a minha independência aos poucos, obter a minha cédula profissional, e voilá: todo um mundo em aberto à minha frente. Como é óbvio, o universo não segue os planos magicados por uma mera mortal, por muito dedicada e focada que ela possa ser. De repente, o mundo em aberto à minha frente estava lá; afinal, já estava conquistado desde início, só não da forma e na altura como eu imaginei: no fim, quando chegasse à meta do por mim desejado. Esse mundo em aberto, porém, começou a assustar-me, a assustar-me mesmo muito. O que faria eu com esta liberdade toda? Tinha de fazer alguma coisa, estar parada é que nem pensar (achei eu), mas o quê? Pois é. Logo nos primeiros meses, o ano de 2018 revelou-me a sua parte sombra, e as pressas provaram-me nesse ano que nem sempre funcionam - apenas em algumas situações, tal como tudo. Continuei a lutar, a lutar, e a lutar pela parte luz, mas admito que a pressa constante, rígida e inflexível fez com que me deixasse ir consumindo um pouco pela sombra. Visitou-me o desânimo, o desespero, a revolta. Mesmo assim, continuei. Continuei a candidatar-me, a procurar o meu rumo, fui a entrevistas várias - quase todas uma desilusão. Até que uma pequena janela de oportunidade surgiu: ser investigadora. Quando percorro a memória do meu ano, em termos profissionais, é basicamente isso que me surge: o ano em que me dediquei à ciência, cheia de pressa e prazos. Não foi espetacular, não me senti feliz. Mas... também não foi tudo mau, pois não? Não. Consegui algumas conquistas, juntei alguns trocos para a vida futura como queria, e o meu currículo está mais cheio. Fui a novos lugares, conheci pessoas, fiz coisas que nunca pensei que iria fazer e fui bem sucedida nelas. Porém, a maior conquista de todas foi a de que o ano de 2018 foi um ano de descoberta. Aos poucos, comecei a perceber que, muitas vezes, havia que contactar simultaneamente com as minhas partes de luz e sombra, numa tentativa constante de encontrar um equilíbrio entre ambas. Aceitar o que não gostava, reconhecer o que me deitava a baixo, admitir o que não era para mim - e, aí, perceber o que realmente me fazia os olhos brilhar e o que é que eu estava disposta a fazer para o obter. Compreendi melhor os meus limites pessoais dentro dos profissionais e não só, os meus limites pessoais no geral também, porque a vida não foi nem é só trabalho, ainda que à primeira vista não o pareça. Contudo, passaram-se coisas sobre as quais não há como escrever sobre sem ser por metáforas, e é por aí que tentarei seguir este ano. Isto é, sei agora que trago desde 2017 algumas mágoas por chorar, algumas feridas por fechar, e que outras se foram aglomerando ao longo de 2018. E há que escrever sobre isso, que uma das coisas que mais sinto saudades é desta minha capacidade e recurso de me organizar a mim própria através das palavras. Este ano, pois, começo-o com as palavras da Rita, uma antiga colega da faculdade, muito linda, muito amor. Disse-me ela que achava que eu ainda não tinha feito o luto de tudo o que me magoou, e que eu precisava de parar, de tempo e espaço para pensar o que quero realmente para mim, e não lançar-me nessa corrida desenfreada por chegar a algum lugar com o qual nem sequer sou capaz de sonhar. Ela tem razão. Preciso, mais do que tudo, agora, de me permitir paciência, calma, paz,... Permitir-me a respirar e absorver tudo o que tenho a absorver, expurgar tudo o que tenho a expurgar, refletir em tudo o que tenho de refletir, desbravar tudo o que sinto que tenho de desbravar e de compreender melhor. Se assim não for, encontrar-me-ei novamente em sítios que não quero, em tempos que não quero, e que não terão para me oferecer algo que me preencha verdadeiramente. Encontrar-me-ei, uma vez mais, com grandes dificuldades em conciliar a minha parte luz e a minha parte sombra, porque terei sempre alguns fantasmas-sombra ainda por dar atenção, por abraçar e acolher, e mostrar que podem andar mão-na-mão com a luz.
Tenho o mundo à minha frente sim, uma liberdade imensa - sempre tive -, e esta não é comprada por um estágio profissional, por uma cédula, por qualquer trabalho ou desemprego em que calhe, pela vida pessoal a ser como achávamos que tinha de ser, por um cento de coisas possíveis de enumerar e que não passam de conceitos e ideias abstratas das mentes humanas, mas que se formos a ver não são o que estar vivo é de facto. Eu sou livre em tudo o que faço e o que não faço, e tudo, repito, tudo, faz parte - sombra, luz; vitórias, derrotas; sorrisos, lágrimas; dualidades, complexidades. Ou seja, tudo o que quero dizer é que irei encarar 2019 de uma forma diferente. Vou dar-me toda a tranquilidade de que preciso - mereço-a. Vou dar-me toda a ponderação de que preciso - mereço-a. E também arriscarei quando achar que sim, lançar-me-ei de cabeça quando achar que sim, correrei quando achar que sim. No entanto, se seja o que for que eu faça, de repente, se revelar um erro, não vou esquecer nem o meu coração nem a minha alma nas suas diversas facetas; não irei negligenciar aquilo que poderá ser tinta entornada no papel, tentando escondê-la como se lá não estivesse; não irei esquecer o perdão a mim própria e à vida, nem a reconciliação comigo mesma e com a natureza que me rodeia nesses casos. E, talvez tão ou mais importante que isso (pelo menos, em alguns casos), não irei esquecer de celebrar cada ganho, cada bênção. Tantas, tantas vezes me esqueci eu de fazer isso ao longo do meu caminho - tenho-me esquecido; tantas, tantas vezes se esquece o ser humano de fazer isso, na verdade. E não faz sentido. Não faz sentido ligarmos tanto ao que dói e nem tanto assim ao que cura. Equilíbrio é o que eu procuro para este ano e, sendo sincera, para a minha vida inteira. Então, tentaremos que assim seja - o mais fielmente, que assim seja.
Bem-vindo, 2019. Bem-vinda, vida.

domingo, 23 de dezembro de 2018

We cry and bleed on paper

um luto mais cá dentro. um luto para o qual não há palavra que pareça suficiente, porque o amor é além fronteiras.

quatro pais. tenho quatro pais - seja desde há 24, 18 ou 10 anos; seja de sangue e de coração ou só de coração; e o número de anos continuará a aumentar se a vida seguir o que o meu coração quer. nada se perde, tudo se transforma, dizia o outro. mais ou menos, digo eu. perdi uma família a três, mas não foi comigo que os laços se quebraram. então, só tenho de tentar transformar a maneira como continuo a cuidar desses laços que ficaram.

*olha eu toda sistémica na vida real*

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

«Entre o estímulo e a resposta há um espaço. Neste espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Na nossa resposta está o nosso crescimento e a nossa liberdade»

- por Viktor Frankl (1946)

um dia de cada vez

acabei de entender que ando desaparecida daqui desde metade deste ano. de facto, foi meio-ano que não sei onde se meteu, passou num ápice, a uma velocidade estonteante. chegamos a dezembro e está inaugurada a época dos balanços. olhando para trás, para já, o ano 2017 continua a ser o mais duro que alguma vez vivi. o ano 2018 também teve um sabor agridoce, mas um pouco mais doce que amargo porque hey, aprendemos a estabelecer alguns limites. por um tempo, contudo, estiquei os meus. não tenho dúvida disso, pois andei muitas vezes na linha. o trabalho de investigação que estive (e ainda estou) a fazer é o que resume o grosso do meu ano, aquilo para que mais vivi. é triste dizê-lo assim, mas foi o que aconteceu. e daí, vou sair deste trabalho gritando a alto e bom som que investigação não é para todos, a carreira académica não é para todos... e sem dúvida que não é para mim. e não falo no sentido de não ter competências técnicas para isto: já me disseram que, um dia, se eu quiser, posso voltar. digo que não é para mim do ponto de vista emocional. andei muito mais afastada de mim, do que gosto de fazer, e daqueles de quem gosto. os meus fins-de-semana foram, muitas vezes, passados a trabalhar e, quando assim não o era, lá estava a culpa por não estar a fazê-lo. no início deste mês entreguei o trabalho mais difícil que me foi confiado, publiquei o meu primeiro artigo científico, e estou agora na recta final de três artigos que há muito me acompanham. e daí começar agora a respirar um pouco mais de alívio, um pouco mais de ar.* tirei, também, de mim o peso daquele estágio, que primeiro me foi de uma alegria imensa e que depressa comecei a perceber que ia accionar em mim tendências ansiosas e depressivas, que me ia afastar ainda mais de tudo o que me dá sentido à vida e a quem sou - mais do que a investigação o fez. não: não quero para mim algo que me faz mal! algo que me afasta de mim! algo que não se coaduna com os meus princípios e valores, algo que não me permite espaço para perceber o meu amor pela psicologia, criando revoltas mal direccionadas face a esta área que eu sei que me apaixona, mas cujo mercado de trabalho é, muitas vezes, cruel, fazendo-me questionar tudo.
em breve, um balanço mais bonito chegará.
em breve, estarei de volta. toda eu, de volta.

* amo muito a minha equipa e a minha chefe atual, contudo. além disso, aprendi muito este ano a nível científico e isso é algo de que me orgulho muito. mais: tanto a nível clínico como a nível científico, a minha chefe tornou-se, sem sombra de dúvida, a minha ídolo a nível profissional. duvido que algum dia vá encontrar uma chefe tão maravilhosa e com tanto para ensinar, e uma equipa que me deixe tantas saudades a nível das relações que ali se estabeleceram como esta. nem tudo foi mau, de verdade. muitas coisas boas, comigo, para sempre levarei daqui.

ainda não foi desta

o estágio... o estágio começou por me parecer muito doce, de repente ganhou linhas agridoces, e por fim descobri que seria sempre só acidez e amargura. todas as semanas a sair alguém (estagiários, psis efetivos, terapeutas da fala). um grande quero, posso e mando face aos estagiários, mandando-lhes fazer trinta mil e uma coisas relacionadas e não relacionadas com a psicologia, contactando-os ao fim-de-semana e em horário pós-laboral, deixando-os 1 mês inteiro sem falar nas supervisões para dar prioridade aos que já são da casa há mais tempo, ignorando tentativas de abordagem quando dá jeito e pedindo reuniões com urgência quando lhes interessa. uma grande falta de clareza da chefia e coordenadores para com os técnicos no geral, comunicando em cima da hora horários e sítios para onde ir (descobri recentemente que queriam que fizéssemos deslocações a Santarém, quando ninguém me comunicou isso na entrevista nem em nenhum momento até então). um grande ego por parte da chefe, com direito a discursos megalómanos e a desresponsabilizar-se por completo da saída de cada empregado - "não me sinto minimamente culpada, a única culpa que sinto é pelos erros de casting, não entendi logo como é que as pessoas eram". uma tentativa da chefe, inclusive, de fazer queixa à desordem de uma das (várias) estagiárias que entretanto zarpou dali (e bem!). entre outras situações não bonitas de se escrever - algumas que me fazem inclusivamente questionar se não existem princípios éticos da profissão ali a ser violados em prol de dinheiro para a entidade. comecei a sentir-me cada vez pior e cada vez mais enrolada num grande esquema, baseado em valores e prioridades, no mínimo, questionáveis, e a sentir que, à mínima coisa que pudesse fazer e que não fosse do agrado deles, me iriam tentar prejudicar. então, também disse adeus. justifiquei-me dizendo que se tratava de uma situação pessoal e familiar inesperada, para não entrar em grandes detalhes. face ao meu adeus, nem uma única palavra. então, fiquei com ainda mais certezas de que foi o melhor que podia ter feito, pois parece haver primazia do rancor face à empatia. como é que há psicólogos supostamente empáticos com os seus pacientes dentro do gabinete, fora dele são tão desumanos para com os seus estagiários? estou preferindo a ansiedade de não ter nada garantido para os próximos tempos do que a ansiedade diária que iria viver durante 1 ano naquela equipa a ser espezinhada porque sou uma estagiária e está tudo desesperado para entrar na desordem.

2018 irá terminar em aberto, à semelhança de 2017. mas a luta continua, que eu não sou de desistir. psicologia há de fazer parte da minha vida.

#accionandooplanob

domingo, 30 de setembro de 2018

universo estranhamente alinhado

a semana passada correu extremamente bem, para mim e para todos à minha volta (até estou a estranhar).
quanto a mim... consegui estágio profissional!!!

explicando: é um estágio que cobre as várias áreas da psicologia e para ir começando já nestes últimos três meses do ano, intercalando com o meu trabalho de investigação pois já me tinha comprometido com determinados projetos que não me sinto bem em abandonar (não vou ter férias, vou usar os dias que ainda tinha para poder ir ao local de estágio quando for indispensável eu aparecer). ambas as entidades empregadoras aceitaram este meio-termo de ir fazendo as duas coisas, pelo que estagiar mesmo a sério começo oficialmente a full-time em janeiro. estou contente, mas ainda sem acreditar dado o caminho tão sinuoso até chegar aqui!!! lanço confetis de verdade quando começar a ir efetivamente ao local nos próximos tempos, depois de ter o projeto de estágio submetido e aprovado, e depois de verificar que efetivamente consigo dar resposta aos dois trabalhos sem problemas neste pequeno período. de qualquer forma, já tive formação na sexta-feira relativa ao estágio e gostei muito - tanto do que aprendi, como das pessoas da equipa. como estagiárias fiquei eu e ficou a minha Nês (a sorte e a alegria! juro que não foi cunha nenhuma!), mais duas raparigas da minha faculdade e uma outra rapariga que não conhecemos. um pequeno, grande achado, portanto... já é difícil contratarem um estagiário, então cinco?! fantástico! e pagam! (ah, e foi ainda contratada uma psi já efetiva na desordem e uma terapeuta da fala).
escusado será dizer que não vou ter grande vida até ao final do ano... isto de conciliar dois trabalhos exigentes vai ser dose (e eu a pensar que já estava a voltar a sério à blogosfera)... mas é por uma boa (ótima) razão!

note to self: é sempre em alturas em que me sinto verdadeiramente sintonizada comigo própria que coisas maravilhosas acontecem (olha a bela da crença a ganhar raízes!).

sábado, 22 de setembro de 2018

processo-fénix

um olá pirosão e com purpurinas-estrela para todos vocês. fui ali a outros universos um bocadinho e voltei, não diferente, mas revigorada. fui numa de reset e consegui: reencontrei-me ao virar de uma esquina, depois de muitas voltas dadas já a achar que cirandava sem rumo. encontrei-me foi pequenininha, bebé - a precisar de cuidados, com fome de reaprender e a crescer passinho-a-passinho. por isso, peço paciência. dou-me paciência. tempo, espaço, galáxias. vamos lá coordenar o gps da nossa nave (do nosso coração, entendam-me) e amar essas possibilidades e naturezas infinitas do infinito.

sábado, 28 de julho de 2018

«Melhores avós, melhores netos. Certos de que sobre modelos de relação precoces ficarão sementes que germinarão sempre, pela vida fora, mesmo à distância do que já foi vivido, mesmo depois da presença física daqueles que certamente só privaram connosco nos anos iniciais das nossas vidas, pois a sua memória é eterna e o nosso diálogo interior com cada um deles… perpétuo.» 

 - por Strecht (2016)

domingo, 22 de julho de 2018

"Caixa das Palavras II" de Julho

(Fica a promessa de pôr a Caixa das Palavras de junho em dia, juntamente com esta e com as restantes.)

[ dia 1 ] - silvas
[ dia 2 ] - prato
[ dia 3 ] - ressaca
[ dia 4 ] - emergência
[ dia 5 ] - desordenado
[ dia 6 ] - ameaça
[ dia 7 ] - ranço
[ dia 8 ] - esganiçar
[ dia 9 ] - bravata
[ dia 10 ] - canteiro
[ dia 11 ] - atípico
[ dia 12 ] - outrora
[ dia 13 ] - estática
[ dia 14 ] - tosca
[ dia 15 ] - desespero
[ dia 16 ] - escarpada
[ dia 17 ] - pomar
[ dia 18 ] - charneca
[ dia 19 ] - espantalho
[ dia 20 ] - tangível
[ dia 21 ] - cortina
[ dia 22 ] - descascar
[ dia 23 ] - escrevinhar
[ dia 24 ] - gorjeio
[ dia 25 ] - místico
[ dia 26 ] - assintomático
[ dia 27 ] - escamar
[ dia 28 ] - torneira
[ dia 29 ] - hálito
[ dia 30 ] - vogais
[ dia 31 ] - comedida

São Ciclos

Parece que estamos de férias deste espaço por uns tempos. Preciso de mim noutros locais.
Voltarei entre outro sol e outra lua, ou das letras não me posso manter afastada por muito.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Uma Pessoa "(Es)força(-se)", Mas...

Pronto. Esqueaçam lá. Hoje já não quero fazer doutoramento nenhum outra vez.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Vira-Casacas

Às vezes, penso: queres ver que mesmo depois de tanto fincar o pé que, de tão volátil nas minhas ideias que sou, no fim de tudo, ainda vou acabar a fazer o doutoramento por livre vontade?

Aguardemos. Ontem um potencial tema atraiu-me e já vamos no dia de hoje e ainda o acho giro. Portanto, aguardemos.*

* se bem que o fascínio estava mais em altas durante a manhã; a moleza depois de almoço está a fazer-se sentir.

domingo, 24 de junho de 2018

21. Arrastão

Por vezes, sabe bem ir de arrastão - quando, claro, não nos faz ir de raspão.

20. Exangue

Enxaguou a cara um cento de vezes, mas a vergonha não saiu. A vergonha é uma nódoa que só sai com o produto certo.

19. Extremo

Diz-se que, no extremo, somos irracionais. Mas não é a racionalidade que nos leva a extremos?

18. Calcário

Uma das coisas que mais me diverte no meu amor é ele ser uma mini-enciclopédia andante, fico fascinada a ouvi-lo. Ontem falámos sobre lagos. Parece que existe um na Venezuela onde estão constantemente a cair trovões, que há um outro na Tanzânia que tem tanto calcário que calcifica animais e que até existe um outro em Los Angels que é uma espécie de poço natural de alcatrão. O que eu não sei sobre este planeta.

17. Máquina

Sintra serve-me sempre como máquina do tempo. Desde que comecei a trabalhar que os fins-de-semana me parecem fugir que nem areia por entre os dedos, mas depois visitei Sintra como visito sempre que preciso de uma pausa e eis que quatro horas de vida pareceram doze ou mais. Fossem todas as terrinhas e terriolas (ainda) como Sintra e havia maior saúde mental.

16. Insolência

Insolência e insegurança partilham mais do que as três primeiras letras - olhem que sim.

15. Vibrar

Vibra o despertador, vibra a mesa.
- Ah! Um tremor de terra!!!
O caos instala-se por dentro, afinal não é por fora - mas ele não sabe. Vive o cenário catastrófico de acordar para um dia novo, coitado, achando que ainda é um dia velho.

14. Misterioso

Tudo corre melhor quando aceitamos o misterioso ao invés de lhe fugir, de fingir que não existe. Tudo corre melhor, na verdade, quando aceitamos, quando encaramos de frente, quando admitimos, quando lidamos - quando abraçamos. Não será à toa que o abraço é das melhores coisas que existem, das que mais acalmam, das que mais seguram, das que mais dá forças.

13. Pródigo

Pródigos conheço uns quantos. Não lhes é o maior prodígio, mas também não lhes é o pior defeito, a meu ver. Para mim, o maior defeito de todos será sempre tudo o que tenha a ver com desamor.

12. Forjar

Forjar o conjunto de palavras certas: o orgasmo tanto do escritor como do psicólogo.

11. Sinistro

Sinistro. Diz que somos animais e que temos instinto de sobrevivência, certo? Mas quantos de nós vivem no e para o futuro? Quantos de nós estão ansiosos pelo avançar do relógio? Por aquele tempo  e momento que nunca mais vem? Por chegar mais e mais rápido ao final das nossas vidas?

10. Melindrar

Ninguém me disse que ser adulta era, muitas vezes, sentir-se mais melindrada que uma criança com medo do escuro. Melhor: ninguém me disse que, muitas vezes, ser adulta é igual a estar fechada num quarto escuro - seja a jogar para ver o que se encontra, seja a tremer a um canto, seja,... bom. Que seja antes a relembrar-me que posso sempre acender uma lanterna.

09. Inverosímil

«Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.» Um dos ditados que mais me chateiam - a mim e aposto que à maioria dos seres humanos à face da Terra. Vamos a votos?

08. Bioluminiscência

Não fazia a mínima ideia que, por vezes, à noite, é possível ver como se pirilampos à tona da água. Saber da existência do fenómeno da bioluminiscência revolucionou, pois, a minha bucket list.

07. Povoar

Quero povoar a minha pequena vivência neste mundo com entrega tête-à-tête. Não menos do que isso ou esse será o meu maior arrependimento, maior do que qualquer outro possível, tenho quase cem por cento de certeza.

06. Dependurar

Essa vontade de nos dependurarmos de cabeça para baixo no baloiço, rir, gargalhar, abrir os braços, despentear os cabelos, soltar uns gritinhos histérios. Essa alegria pura de viver e as saudades que deixa em tantos dias. Porque paras por aqui, saudade? Queres-me dizer alguma coisa? Sim. Cada emoção, cada sentimento fala; fala connosco, sobre nós. Há que escutá-los.

05. Amachucar

Amachucar o que machuca, fazer pontaria ao ecoponto. Preferimos transformar o inútil em útil, por aqui. Retenhamos, pois é assim a vida: "essa não me serve, mas talvez sirva a outro". Há que pôr as coisas em perspetiva e saber qual é a nossa no meio de tudo. Cada um calça determinados sapatos, cada um tem os seus formatos e tipos preferidos para caminhar, mas nem todas as dicas e opiniões nos vão chegar em bons modos, assentar que nem uma luva. Não: muitos parecerão lixo, saberão a lixo, cheirarão a lixo. Por isso, reciclemos. Separemos cada coisa de outra, coloquemos cada uma no seu devido lugar para surtir transformações noutras paragens, noutras vidas. Em vez de amontoar tudo no caixote, paremos para ver, para realmente compreender, e tomemos opções conscientes, integras, descansadas - por nós, por todos.

sábado, 23 de junho de 2018

04. Espalhar

Junho: o mês em que me espalhei no chão; ou melhor, nas escadas rolantes; ou melhor, foi o meu rabo que se espalhou. Mas está tudo bem, ando a gelo e pomadinha. Fica, contudo, já aqui divulgado: não recomendo a experiência.

03. Sistemático

Sistemática a procura pela parte que falta, sistemático o falhanço. Faltará, mesmo, alguma coisa?



02. Memória

Desenganem-se aqueles que defendem as partidas da nossa cabeça enquanto atribuíveis ao processo de recuperar do que já foi. A memória é tão traiçoeira quanto a percepção aqui-agora dos nossos sentidos... Umas vezes mais mas, às vezes, até menos.

01. Adormecido

Adormecido do mundo, desligado para a realidade depois de um dia difícil. E, ainda assim, não estará, enquanto dorme, a viver verdadeira e honestamente na mesma?

domingo, 10 de junho de 2018

Boa noite, até amanhã

Love Will Set You Free

'cause this is it

Little Reminder:

(E escrevi eu no diário dos meus 14/15 anos que "nunca vou ser dessas que liga a roupas"... Amm...)

(Quem Não Adora BD Psi?)


Diz que o Estômago é o Segundo Cérebro

100% Accurate

"Caixa das Palavras II" de Junho

[ dia 1 ] - adormecido
[ dia 2 ] - memória
[ dia 3 ] - sistemático
[ dia 4 ] - espalhar
[ dia 5 ] - amachucar
[ dia 6 ] - dependurar 
[ dia 7 ] - povoar 
[ dia 8 ] - bioluminiscência
[ dia 9 ] - inverosímil 
[ dia 10 ] - melindrar
[ dia 11 ] - sinistro
[ dia 12 ] - forjar
[ dia 13 ] - pródigo
[ dia 14 ] - misterioso
[ dia 15 ] - vibrar
[ dia 16 ] - insolência
[ dia 17 ] - máquina
[ dia 18 ] - calcário
[ dia 19 ] - extremo
[ dia 20 ] - exangue
[ dia 21 ] - arrastão
[ dia 22 ] - combativo
[ dia 23 ] - catedral
[ dia 24 ] - enigmático
[ dia 25 ] - sobressalto
[ dia 26 ] - rumo / sem rumo
[ dia 27 ] - pressentir
[ dia 28 ] - secar
[ dia 29 ] - redes
[ dia 30 ] - dunas

31. Rubro

Há pessoas que nos mudam e o Arlindo é uma delas. Agora fico ao rubro com filmes da Marvel e da DC, sendo ainda fã assumida da saga Star Wars. Então, o dia de ontem teve basicamente como principal dilema escolher entre ir ver o Han Solo ou o Deadpool 2. O resto dos filmes no cinema? Puff, interessam lá!...

30. Antigamente

Alto lá! Sendo o tempo relativo e uma invenção do Homem... até que ponto existe o antigamente? Não será tudo o presente? Até porque, tendo acontecido, está presente de alguma maneira.

29. Esquecimento

A Maria do presente nunca estará livre da Maria do passado, uma vez que a do passado resolveu documentar toda a sua adolescência em trinta mil diários. Estava meio que em esquecimento, essa Maria que fui. Acontece que, noutro dia, a minha mãe reencontrou uns tesourinhos e eu dediquei o resto do dia a passar os olhos nas páginas por mim escritas. Resultado? Fui dormir com a barriga a doer de riso, tais eram os meus dramas da altura. Se eu me conhecesse agora, enquanto adolescente, não me aturava. Como tal, resta-me agradecer muito a todos os meus amigos que lealmente cresceram a meu lado sem nunca terem pensado abandonar-me.
(A sério, eu era terrível. Uma pita histérica autêntica, lunática, muito apaixonada mas a roçar ali no psicótico. De verdade.)

28. Azulíneo

Cresci menina toda cor-de-rosa para agora descobrir que sou muito mais menina de azulíneos. Azul pacifica, rosa excita. Rosa lembra-me purpurina e brilhantes pirosões; um mundo de doces, unicórnios, fantasia. Acontece que eu já me excito sozinha que nem criança princesa, sem precisar de cor nenhuma. Assim, uma dose de azul no resto da vida faz-me bem.