domingo, 10 de junho de 2018
"Caixa das Palavras II" de Junho
[ dia 1 ] - adormecido
[ dia 2 ] - memória
[ dia 3 ] - sistemático
[ dia 4 ] - espalhar
[ dia 5 ] - amachucar
[ dia 6 ] - dependurar
[ dia 7 ] - povoar
[ dia 8 ] - bioluminiscência
[ dia 9 ] - inverosímil
[ dia 10 ] - melindrar
[ dia 11 ] - sinistro
[ dia 12 ] - forjar
[ dia 13 ] - pródigo
[ dia 14 ] - misterioso
[ dia 15 ] - vibrar
[ dia 16 ] - insolência
[ dia 17 ] - máquina
[ dia 18 ] - calcário
[ dia 19 ] - extremo
[ dia 20 ] - exangue
[ dia 21 ] - arrastão
[ dia 22 ] - combativo
[ dia 23 ] - catedral
[ dia 24 ] - enigmático
[ dia 25 ] - sobressalto
[ dia 26 ] - rumo / sem rumo
[ dia 27 ] - pressentir
[ dia 28 ] - secar
[ dia 29 ] - redes
[ dia 30 ] - dunas
31. Rubro
Há pessoas que nos mudam e o Arlindo é uma delas. Agora fico ao rubro com filmes da Marvel e da DC, sendo ainda fã assumida da saga Star Wars. Então, o dia de ontem teve basicamente como principal dilema escolher entre ir ver o Han Solo ou o Deadpool 2. O resto dos filmes no cinema? Puff, interessam lá!...
30. Antigamente
Alto lá! Sendo o tempo relativo e uma invenção do Homem... até que ponto existe o antigamente? Não será tudo o presente? Até porque, tendo acontecido, está presente de alguma maneira.
29. Esquecimento
A Maria do presente nunca estará livre da Maria do passado, uma vez que a do passado resolveu documentar toda a sua adolescência em trinta mil diários. Estava meio que em esquecimento, essa Maria que fui. Acontece que, noutro dia, a minha mãe reencontrou uns tesourinhos e eu dediquei o resto do dia a passar os olhos nas páginas por mim escritas. Resultado? Fui dormir com a barriga a doer de riso, tais eram os meus dramas da altura. Se eu me conhecesse agora, enquanto adolescente, não me aturava. Como tal, resta-me agradecer muito a todos os meus amigos que lealmente cresceram a meu lado sem nunca terem pensado abandonar-me.
(A sério, eu era terrível. Uma pita histérica autêntica, lunática, muito apaixonada mas a roçar ali no psicótico. De verdade.)
28. Azulíneo
Cresci menina toda cor-de-rosa para agora descobrir que sou muito mais menina de azulíneos. Azul pacifica, rosa excita. Rosa lembra-me purpurina e brilhantes pirosões; um mundo de doces, unicórnios, fantasia. Acontece que eu já me excito sozinha que nem criança princesa, sem precisar de cor nenhuma. Assim, uma dose de azul no resto da vida faz-me bem.
27. Entornar
- O que é que te aconteceu? Estás toda encharcada! Apanhaste chuva? Não dei por ela.
- Entornaram-me um copo de lágrimas em cima. Sabes como é que é: não saímos imunes às dores dos que nos são queridos.
26. Interromper
Sei bem que não estou a produzir grandes textos. Sei bem que não estou a escrever com todo meu coração agora. Mas também sei, de coração, que mais vale ir digitando do que interromper por completo a ação.
Diz que a prática é tudo e que o que mais custa é começar. Depois, seguir sem julgar. Diz que continuar apesar dos tropeços é o que nos faz andar para a frente - e já há muito aprendi que, de facto, é assim que se desbrava caminho. Viajar nas letras não é muito diferente das viagens feitas pelo próprio pé: umas vezes andamos por andar; outras... há algo que nos chama - algo que promete, de nós para nós, baixinho, deslumbrar.
Etiqueta de (re)nome:
Caixa das Palavras,
Entre dias e noites,
Sonho letras e vida em livros
sábado, 9 de junho de 2018
25. Aliviar
Falei cedo demais, ainda que o que tenha dito na altura seja verdade na mesma: tudo se resume à qualidade da comunicação - e dessa qualidade há que cuidar. No mês de maio, eu e o meu amor discutimos feio pela primeira vez. Adivinhem? Coisas não ditas ou meio ditas. No mês de maio, contudo, também relembrámos que bem comunicar é o melhor para aliviar o que está cá dentro. E assim começámos junho prometendo falar tudo na hora certa, conversando ao invés de gritando palavras, silêncios ou gestos que doem. Tudo já está bem.
24. Rancor
Sou dessas em que se conta pelos dedos das mãos as vezes em que sinto rancor por alguém. Mas, quando sinto, fica o aviso: fujam.
23. Verduras
A partir do momento em que um amigo teu partilha uma piada seca sobre as vegetarianas, uma pessoa não tem mais maturidade para encarar a palavra "verduras" da mesma maneira.
Segue a peça (pedindo desde já desculpas a eventuais suscetibilidades; não é da minha autoria e sou vegetariana, mas tem muita graça na mesma):
«- Porque é que a maior parte das putas são vegetarianas?
- Porque as adoram ver-duras.»
22. Bodas
Diz o dicionário que as bodas estão associadas ao casamento. Mas diz que hoje em dia também há bodas de namoro - ou o amor, existindo, não se deve celebrar em todas as suas formas?
21. Lancinante
Feridas na alma são, muitas vezes, mais lancinantes do que aquelas que se levam no corpo. Não é novidade nenhuma, mas ainda somos poucos face àqueles que devíamos ser que realmente dão atenção a esse facto. E o mais curioso é que o ser humano é feito de emoções quase tanto quanto é feito de músculos, ossos e pele, mas isso não chega. Há todo um cepticismo face àquilo que sentimos precisar de ser cuidado. É quase como se estivéssemos a falar na existência de um Deus - por não se ver as pessoas torcem o nariz, ficam de pé atrás. Quando vamos aprender que lá por nossos olhos não verem tudo, não quer dizer que uma coisa não exista, que não é assim tão importante ou que "não é bem assim que funciona"? Quando é que vamos deixar de priorizar apenas um dos 5 sentidos face a todos os outros na nossa conexão com a realidade?
20. Findar
Findam-se prazos mas também se findam trabalhos. So, take it easy.
(Nota-se muito que estou acelerada? Se calhar sim. Mas diz que, entre várias outras coisas que eventualmente depois explicarei, vamos submeter uma comunicação oral para o congresso da Ordem e só falta uma semana para a deadline. Diz que vou ser eu a ir lá em nome da equipa. Ah!!!)
19. Carruagem
Perco carruagens atrás de carruagens e o resultado é ficar ansiosa. Contudo, esqueço que há comboios mais lentos que outros e que basta balancear o atraso recorrendo a um comboio mais rápido do que aquele anterior que já partiu. Tudo se resolve, tudo se faz - e o que não se fizer, paciência. Se não dá para solucionar, não vale a pena por isso soluçar.
18. Aborrecimento
Note-se a ironia da expressão "que aborrecimento!" ser usada para descrever tanto um estado em que nada se passa e nos sentimos à deriva como um estado em que tudo se passa e rebenta dentro de nós. É assim a vida: um fenómeno em que o "é isso ou sopas" não reflete uma escolha concreta entre isso ou sopas mas sim a relatividade, as mais diversas possibilidades, perspetivas e valências.
17. Alarme
Nada do que acontece de preocupante passa do toque de um alarme: faz-se ouvir, vibra, chocalha; por vezes, atordoa. Obriga a sair do nosso estado de adormecimento face à vida, a pôr os pés no chão. Faz acelerar o passo, carregar no botão, tomar decisões entre continuar a ignorar que algo chama ou atender logo ao pedido desse chamamento e desligá-lo por fim.
Contudo, vamos a ver e depois de tudo passar era só o toque de um alarme. Passou o sobressalto - o equilíbrio voltou.
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