quinta-feira, 31 de maio de 2018

Brincando de Vidente

De momento, no centro de investigação, tenho dois projetos em mão. A responsável de um deles sempre me deu prazos, a outra não. Desde início que previa que isto ia correr mal quanto à que não deu datas limite. Dizia-me sempre "vá fazendo" e quando lhe perguntei se queria que fosse enviando à medida que fosse completando o trabalho respondeu-me "não, prefiro tudo no fim". Tudo certo então, pensei eu, mas logo a fazer a nota mental de que assim sendo a senhora ainda ia ter de esperar um bocado até ter tudo tudo prontinho, porque digamos que da última vez que verifiquei ainda não era uma máquina.
Ora pois: o que previa aconteceu. De repente, chegou a pedir tudo para ontem. A mim e a todos, que pelos vistos ela tirou o dia para se zangar com tudo o que estava a chateá-la... Quanto a mim, queria que a esta hora já tivesse um artigo todo escrito em português, lido por ela e reescrito em inglês para submetermos em junho. É verdade que já fez um mês desde que comecei a trabalhar, mas digamos que transformar uma dissertação de mestrado em artigo, dissertação essa que está cheia de erros e incompleta, conciliando as tarefas de reorganizar o texto todo, ler mais artigos para encaixar informação e formatar tudo segundo as regras da APA e da revista... Tudo isso, ao mesmo tempo que também se investe num outro projeto de investigação com análise qualitativa (com a qual nunca tinha trabalhado) e com uma temática da qual tão pouco estava informada... Oh 'miga, 'cê 'tá louca. Escrever e ler pode não ser uma tarefa complicada - porque não é - mas é trabalhosa na mesma e leva o seu tempo, ainda para mais quando estamos a falar de algo que a meu ver é muito sério (i.e., trazer ciência cá para fora) e que não pode ser só visto como algo a fazer só porque sim, para pôr um check na lista e adicionar mais uma publicação ao CV. Agora... se a senhora me tivesse avisado com antecedência que queria que eu só demorasse um mês a fazer tudo, aí talvez nos tivéssemos conseguido organizar de outra maneira, não é verdade? Porque sim, um mês dá para muita coisa - agora, se dá para tudo... Diria que é questionável. Seja como for, agradecia muito que me fosse logo dito o que se espera de mim desde início, ao invés de no fim virem cascar por algo que eu não sabia se estava a levar tempo de mais ou não. 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Desabafo/Spoiler: OUAT

Deixei de ver Once Upon a Time faz um tempo - estava a tornar-se uma história demasiado rebuscada e complicada, com maldições atrás de maldições no fim de tudo estar  bem, para ainda fazer sentido existir. Entretanto, a série foi cancelada (já se esperava). Então, o episódio final aconteceu e, Maria curiosa como sou, fui ver só essa parte. Bom... Digamos que o final foi (spoiler alert) algo tão foleiro quanto a Rainha Má acabar por ser coroada Rainha Boa pela Branca de Neve e pelo Príncipe Encantado. Digamos que fiquei muito desiludida: a série no início tinha potencial para tanto mais... Enfim, a parte boa foi mesmo que deixei de ver ou tinha ficado muito chateada com este fim depois de tanto acontecimento.

You Only Live Once

Não sei se já o disse, mas gosto de me despedir da minha idade à medida que se aproxima o meu aniversário. Então, ontem adormeci a pensar que hoje seria a minha última segunda-feira da vida - de sempre - com vinte e três anos. Até acordei com outra disposição!...

Seize the day.

À Parte: Questão

Ando com problemas a comentar as páginas da blogosfera. Alguém mais?
(A ironia de ninguém responder na caixa de comentários é que talvez sim.)

sábado, 19 de maio de 2018

16. Índias

Começo a escrever e embarco daqui até às tribos índias. Ergo âncoras, iço as velas, assumo e delego comando do leme, sigo e ignoro mapas. A minha tripulação (de letras) é tão grande quanto for a alma e o horizonte tão infinito quanto for a vontade. Sou simultaneamente uma simples marinheira e a mais ilustre capitã. Apaixona-me isto escrever porque posso tudo.

15. Esplendor

Fecho os olhos e consigo encontrar sempre esplendor numa distância feita de frações de segundo percorrida pela imaginação. Obrigada à minha família por me ter permitido e ainda permitir crescer assim.

14. Ostra

Humanos são tal e qual ostras, já viram? Seres moles, que se protegem dentro de conchas altamente calcificadas e que têm a capacidade de transformar os invasores em pérolas.

13. Anafado

Se os social media nos tornassem anafados, vai na volta e havia mais obesidade do que aquela que existe hoje em dia pela comida.

12. Abc

Tudo começa com a aprendizagem do abc. Existe uma linguagem diferente para cada coisa e, daí, não devemos martirizar-nos por cada calinada dada no seu "português próprio". É tentar de novo - e de novo, e de novo. Por exemplo: sou ainda muito iletrada nisto da vida adulta no geral. Quanto ao trabalho então, só agora comecei a desenhar a letra a e juro que ela me sai torta mais de quinhentas vezes. Mas não há mal nenhum - só não se pode é desistir. A melhoria é uma constante.

11. Encobrir

Pegar em metáforas para pensar sempre correu muito bem para mim. Desta vez, vou usufruir-me do Sol e do enublado: foi a última vez que te encobri, pois entendi que assim, por muito que ainda emanes alguma luz, te estou a impedir de brilhar.

10. Celestial

Gasta-se muito com a eterna procura pelo celestial; investe-se pouco no encontro.

09. Derredor

Passava horas ao derredor de folhas brancas e cadernos de pintar, criando e pintando universos como quisessem ver meus olhos. Ainda faço isso um pouco - ainda que não só diante de folhas e lápis de cor.

08. Esticar

Nem sempre é digna a alegria. Quando estamos a esticá-la à força, não será.

07. Indigno

Não é indigna a tristeza. É indigno nunca sair dela.

06. Adorno

Gosto tanto de adornos como de máscaras: prefiro sem. Sou pelo vai como és e conquista o mundo.

05. Égide

O amor será sempre égide e cura, por muito que haja quem injustamente lhe atribua como sinónimos o desamparo e inúmeras feridas abertas. Ainda assim, podemos aprender muito sobre o amor em momentos de desalento e de sangue a escorrer. Aliás: é, muitas vezes, nesses momentos que mais se aprende sobre o amor.

04. Longevidade

Comentei noutro dia que se tivesse qualidade de vida não me importava de viver muitos anos, mas que se fosse para ficar acamada já não queria. A Vanessa riu-se ironicamente e anunciou que só quer viver até aos 75 anos porque o avô tem 90, perfeita saúde, mas que "não tem qualidade de vida" dados todos os cuidados que é preciso ter quando se acumula longevidade. Deu o exemplo do avô querer viajar de avião e não poder por tal não ser aconselhável. "O corpo não foi feito para viver tanto tempo", argumentou.
Tenho as minhas reservas quanto a esta troca de ideias por conhecer um idoso com bastante saúde, também na casa dos 90 e que, ainda assim, é feliz e aproveita o melhor que os dias têm (acho que é tudo uma questão de perspetiva e da forma como escolhermos adaptar-nos às novas condições a que estamos sujeitos - mesmo que se gostasse muito de andar de avião e de repente tal já não ser possível). Não obstante tudo isto, esta semana choquei com uma frase num artigo que me fez todo o sentido e que seria perfeita para resumir a conversa. Dizia mais ou menos o seguinte: não foi o life span que aumentou, foi o health span. Estou em completo acordo, pois podemos viver muito tempo e não ter saúde; da mesma maneira, também podemos ter saúde mas não necessariamente sentir que estamos a viver coisa alguma*.

* sim, aqui usei life span para falar mais de quality of life, mas foi a analogia que o meu cérebro fez automaticamente ao chocar com a frase.

03. Polvo

Sofremos todos um bocadinho, em algum momento, o síndrome do polvo - sete dias tem a semana, mas achamos que esse tempo não chega; era preciso haver mais um dia para equacionar oito tentáculos, e aí sim termos mãos e pernas para fazer tudo e ir a todo o lado.

02. Explorador

O meu espírito explorador é mais pelas pequenas aventuras do que pelas grandes; é o ato de descobrir nas pequenas coisas um mundo que me traz borboletas à barriga.

(Brincando um pouco: talvez por isso descer uma simples rampa seja o auge da adrenalina para mim.)

01. Fervoroso

- Esse teu discurso é fervoroso demais. Queima os ouvidos de quem escuta.

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Hoje Só Quero Deitar Isto Cá Para Fora...

Há dias que não são fáceis...

terça-feira, 8 de maio de 2018

(...)

Sabem aquele estado de vai-se andando? É muito aquilo que sinto que está a acontecer enquanto trabalho em investigação. Não é um mau trabalho mas, para mim, também não me enche as medidas. Dou por mim a desejar arduamente que (mais) este ano acabe de uma vez por todas, que chegue finalmente 31 de dezembro, que o dinheiro que vou ganhar por aqui esteja todo na conta e que a minha liberdade seja conquistada uma vez mais para tentar pôr as mãos na massa enquanto clínica pura. Pois é: nunca pensei dizê-lo, mas parece que a minha maior motivação para estar aqui é mesmo o dinheiro que vou conseguir juntar para ficar mais perto de outros sonhos. E, claro, porque mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, e assim ao menos o meu currículo não tem um espaço vazio relativamente à minha formação de base. É só isto - é só e exclusivamente isto que me faz levantar da cama todos os dias para vir trabalhar. Isso e impedir-me de pensar muito no que estou a fazer, assim como repetir para mim própria aquilo que todos os outros que me rodeiam acham: ah, isto é uma boa oportunidade.

Uma boa oportunidade... sim, é. Se eu quisesse fazer disto carreira então, já cá estava dentro. Mas eu não sou feliz aqui. Sinto-me um bocado como quem vai para medicina porque há a convenção social de que é muito bom, mesmo se, se formos a ver, o verdadeiro sonho profissional seja na área da pintura. Mas claro, não sejamos injustos: não é só a convenção social que me faz estar aqui. Como disse, não é uma má coisa de se estar a fazer. A meu ver, e tendo em conta os meus gostos pessoais, pode-se dizer que estou satisfeita q.b., não estou infeliz - simplesmente, também não estou feliz. E isso chateia-me muito - não estar a viver plenamente de acordo com o coração como estou habituada a fazer desde que sou gente. Só que, enfim, a vida não me deixou, ainda, alinhar o meu modo de estar no mundo com as oportunidades do meu caminho... Tanto que, pronto: mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e aceitei o mais-ou-menos por não haver o ideal.

Agora: estou rodeada de pessoas doutoradas, a fazer o doutoramento, ou que estão altamente motivadas para concorrer a uma bolsa de doutoramento a seguir. Ou seja, sinto-me um verdadeiro peixe fora de água. Eu? Fazer doutoramento? Ainda por cima... já? Eu estou farta da vida académica, pessoas! Fartinha! Gosto muito de aprender mais dentro da minha área, mas se ainda não cheguei ao meu limite de estudo constante sem dar consultas pelo caminho - o que eu chamo de trabalhar efetivamente - com certeza que vou chegar até dezembro. Neste momento, não me sinto nem trabalhadora nem estudante - sinto-me ali no meio termo. A questão é que eu quero sentir-me trabalhadora.

Raios parta a porcaria da desordem, que não serve mais para desordenar a vida às pessoas e dizer (como se acima da lei constitucional?) que a educação superior não chega para trabalhar...

A parte lógica de mim vê várias vantagens em seguir o mesmo caminho que todas estas pessoas que se regem para e pela vida de PhD, mas importa-me mais o peso pessoal que as vantagens e desvantagens têm em mim do que propriamente a quantidade delas que constam na lista...

quinta-feira, 3 de maio de 2018

"Caixa das Palavras II" de Maio

[ dia 1 ] - fervoroso
[ dia 2 ] - explorador
[ dia 3 ] - polvo
[ dia 4 ] - longevidade
[ dia 5 ] - égide
[ dia 6 ] - adorno
[ dia 7 ] - indigno
[ dia 8 ] - esticar
[ dia 9 ] - derredor
[ dia 10 ] - celestial
[ dia 11 ] - encobrir
[ dia 12 ] - abc
[ dia 13 ] - anafado
[ dia 14 ] - ostra
[ dia 15 ] - esplendor
[ dia 16 ] - índias
[ dia 17 ] - alarme
[ dia 18 ] - aborrecimento
[ dia 19 ] - carruagem
[ dia 20 ] - findar
[ dia 21 ] - lancinante
[ dia 22 ] - bodas
[ dia 23 ] - verduras
[ dia 24 ] - rancor
[ dia 25 ] - aliviar
[ dia 26 ] - interromper
[ dia 27 ] - entornar
[ dia 28 ] - azulíneo
[ dia 29 ] - esquecimento
[ dia 30 ] - antigamente
[ dia 31 ] - rubro

segunda-feira, 30 de abril de 2018

30. Enriquecer

O meu objetivo? Enriquecer sem precisar de moedas.

domingo, 29 de abril de 2018

29. Estante

Tantas estantes cheias de livros e tanto aborrecimento porquê?
Tantos dias repletos de histórias e tanto enfado porquê?
Tanta vida a abarrotar de... bem, vida, e tanto tédio por-quê?

sábado, 28 de abril de 2018

28. Esmero

Incrivelmente, é quando menos alinho no perfecionismo que mais sinto que me esmero - para com a minha qualidade de vida, pelo menos.

sexta-feira, 27 de abril de 2018

27. Maçada

Óbvio que nossa massa cinzenta, por vezes, não consegue ser mais nada que uma verdadeira maçada para nós. Está-lhe nas entranhas - na etiologia - não é?

quinta-feira, 26 de abril de 2018

26. Ais

A vida até me é bastante justa, não me posso queixar. Na balança, tenho muitos ai ai ais de aflição em equilíbrio com ai ai ais de entusiasmo. Nem sempre ao mesmo tempo, nem sempre na mesma área - mas, se pensar em modo geral, encontro harmonia.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

25. Soldar

Tenho botas mal soldadas e que por várias vezes me humidificam as meias em dias de chuva. É das sensações mais desconfortáveis, essa; contudo, das recordações mais felizes que trago comigo respeitam a dias em que estava tão nas nuvens que não me importei nem um pouco de chegar a casa encharcada da cabeça aos pés. Estava confortável por dentro, sabem? Julgo que, no fim de tudo, é isso que mais conta.

terça-feira, 24 de abril de 2018

Dois Dias de Bolseira Depois...

Este trabalho não me vai dar só salário, conhecimento, estaleca e artigos publicados. Vai dar-me também umas pernas bem tonificadas, ou não passa na cabeça de ninguém quanto elas me doem de tanto subir e descer escadas... Todo o edifício é feito de escadas - até para ir à casa de banho: tenho de descer dois andares e depois subir de novo para o centro de investigação. Uma das minhas colegas fez questão de contar os degraus: quarenta e cinco só para uma ida à casa de banho. Fora todos os outros para ir ao bar, aos serviços administrativos, entre outros.

24. Descomunal

- És descomunal: invulgar no tamanho por dentro e por fora.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

23. Hirta

Hirta é o maior antónimo deste dia: vamos lá dar início à nossa atividade de bolseira.

domingo, 22 de abril de 2018

22. Sulfuroso

Curiosidade sulfurosa: diz que o açúcar refinado leva com enxofre lá para o meio do processo de refinamento. O meu amor tinha-me dito aqui há tempos que era o açúcar amarelo o alvo, mas após uma pequena pesquisa descobri que não, que é mesmo aquele que usamos com maior frequência em tudo. Ainda estou para descobrir como é que isto me faz sentir (é uma pena não haver Google que sirva para momentos de questionamento existencial como este).

sábado, 21 de abril de 2018

21. Ferrugem

Ironicamente, poderemos pensar que estará cheio de ferrugem o coração que de ferro apenas se faz e que nunca se molha, que nunca se emociona, que nunca chora.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

20. Doido

Creio piamente que dará em verdadeiro doido quem nunca enlouquece.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Trabalhinho Divulgado

Habemus tese finalmente online! Aqui.

19. Desandar

Por muito que pareça o contrário, os relógios não desandam no compasso mesmo quando nos sentimos a cair em retrocessos e atrasos. A vida avança ao mesmo ritmo de sempre mesmo que não seja no sentido que queríamos. Não há tempos que precisemos obrigatoriamente de cumprir e que resultem em fatalismos - e isso é algo que demoramos a reter.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

18. Nutritivo

De nutritivo, vamos aprendendo que não têm só os alimentos por convenção mas também todos aqueles alternativos que dão sentido ao rumo do nosso sangue.

terça-feira, 17 de abril de 2018

17. Irradiar

Gosto tanto desse irradiar dos dias no rosto, ao invés ou a par desse no horizonte.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

16. Perfurar

Não é o passado nem o futuro que te perfura o presente. É o presente, mesmo.

domingo, 15 de abril de 2018

15. Melodioso

Quem disse que a rouquidão não tem nada de melodioso? Quem disse que as pequenas interferências na música não se podem pautar por aquilo que precisamos escutar? Quem disse que não é nas pausas que vamos encontrar a pista perfeita para dançar?

sábado, 14 de abril de 2018

Aleluia!

É dia de festa: Maria conseguiu, finalmente, completar o relato de pelo menos uma viagem por ela realizada!

Qual terá sido? As imagens e citações das próximas publicações respondem.

Next!

14. Coabitar

Que bom saber que medo, insegurança, desorientação e incerteza podem coabitar com sonhos, coragem, esperança e iniciativa.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Casalinho Céltico

Quando ele vai a um pub irlandês e te liga por uns segundos para ouvires a música típica: I am with the right man! 

Sextas-Feiras Treze Estão Dentro da Gentji


«Pergunta a ti mesmo o que é realmente importante na tua vida. Não te preocupes se os outros não entendem. É a TUA vida, não a deles.
Descomplica, desconstrói, desdramatiza - às vezes, o elefante é só uma formiga.
Usa a tua luz como escudo, a tua fé como espada, o teu coração como bússola. Abraça como se a vida começasse hoje. Cuida bem dos que nunca desistem de ti. E deixa de correr atrás dos que insistem em ''não ter tempo'' para ti.
Larga tudo o que te pesa e, sempre que puderes, ri até doer a barriga, abraça com força, dança em qualquer lugar, desliga do mundo, aproveita cada segundo de alegria.
Dá mais valor às pequenas coisas, são elas o melhor dos teus dias.
Sê tu o teu melhor amigo. Pratica o ''eu mereço melhor''. Se ainda não chegou O dia, persiste, tu sabes que chegas lá. Quando o mundo te pedir para desistir e o teu coração te pedir para lutar, mantém-te firme: luta. Não é o mundo que bate por ti todos os dias.
Sorri. Vai correr tudo bem.»

13. Desencantado

O planeta Terra está longe de ser um lugar encantado. Mas também está longe de ser desencantado. Diria que o desencanto é-lhe em muito dado pelos Homens e o encanto por tudo o resto; mas aí também estaria a ser injusta com as pessoas-fada e pessoas-anjo que existem aqui e acolá. Podem não ser muitas, mas são tão importantes!!!

12. Possibilidade

A semana começou com uma senhora psi (um bocado arrogante) a dizer-me que aceitar um estágio não pago e com horas e funções a fingir era das poucas possibilidades que teria para entrar na Ordem. Como não estou para colaborar com coisas assim, e muito menos para admitir que alguém me diga o que vou conseguir fazer ou deixar de fazer no mundo cá fora, disse-lhe que não e ela ficou com dor de cotovelo.
No dia a seguir - literalmente! - recebo a notícia de que fui selecionada para a tal bolsa de investigação à qual concorri (!!!) e também uma convocação para me apresentar a mais uma entrevista (acho que para quatro meses de procura posso estar orgulhosa por já ter ido a mais do que uma) esta de um estágio financiado pelo IEFP e com possibilidade de dar acesso à Ordem.

Badumtss!

Nota: vou ter de assinar o contrato da bolsa entretanto, pois a entrevista a que fui para estágio terá mais fases e a bolsa é para começar de segunda a uma semana. Se for chamada para as outras fases seguintes da entrevista, logo se vê o que farei ou deixarei de fazer... Mas, para já, siga em frente com a bolsa - não vai dar acesso à Ordem segundo o que fui informada pelos responsáveis, que dizem que neste momento não é possível ter isso em vista, mas de qualquer modo é (bom) trabalhinho na área, garantido até ao final do ano!

11. Ímpeto

- Essa camisola verde em combinação com os teus olhos... Que ímpeto este que sinto de ta arrancar.

terça-feira, 10 de abril de 2018

10. Florada

❀❁✿

Minha mãe merece toda e cada florada. Ela própria se confunde com uma flor, mesmo já tendo enfrentado as temperaturas e reviravoltas de quarenta e seis outonos, invernos e verões. Ela, apesar de tudo, é sempre primavera - sempre.


(Parabéns mamã!)

✿❁❀

segunda-feira, 9 de abril de 2018

09. Garfo e Faca


E assim, seguindo o conselho à risca, vamos depenicar ali à casa do outro, trazendo as suas palavras irresistíveis para a nossa mesa.
Façamos dessas palavras oração.

domingo, 8 de abril de 2018

08. Escritura

Sou, pela primeira vez, minha própria patroa. De repente, já não é ninguém a estabelecer objetivos por mim: já não são os meus pais ao comando da minha vida, já não é a escola nem a faculdade a ditar o que vou fazer a seguir. Assim, num ápice, fui promovida à total chefia de mim e ninguém me preparou verdadeiramente para essa responsabilidade. Ando, pois, como qualquer iniciante, por aí aos trambolhões, fazendo asneira aqui e ali e indo acertando e aprendendo devagar, devagarinho; aos poucos, aos pouquinhos. Neste momento, o grande buraco no qual ando a tropeçar e a cair chama-se estruturação - essa coisa básica. Ando a tentar descobrir como raio hei de fazer a escritura deste meu escritório, feito de corpo e de alma... Não está fácil (não obstante, sabemos que não é impossível).

07. Brusco

Quando alguém uns trinta ou quarenta anos mais velho que tu, que não te conhece de lado nenhum, te chama linda e te trata por tu no LinkedIn...
...
...
...
Por natureza, não me dou a modos bruscos - mesmo que fique a ferver por dentro. Mas digamos que há limites, pelo que secamente esclareci o dito senhor que se tratava aquilo de uma rede profissional e que agradecia que todos os contactos fossem realizados para esse fim, não achando adequado aquele trato. 
Não há paciência... Nem dentro, nem fora do LinkedIn! Que fique esclarecido.

06. Enfarte

- Sabe? Ele estava tão farto de não conseguir apreciar a vida que, às tantas, lhe deu mesmo um enfarte.

05. Naftalina

Não consigo entender a naftalina. Juro que não. É assim tão necessária?
Passo.

04. Destroçado

Destroçado aquele que só se troça... Mas destroçado também aquele que não sabe troçar de si.

terça-feira, 3 de abril de 2018

03. Sucção

A relembrar: a sucção de energias positivas não implica a absorção das negativas; a realidade não funciona linearmente por pólos.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

02. Noctívago

Das memórias da minha infância que, algures na minha mente, classifiquei como mais espetaculares respeitam àqueles dias em que corria para a varanda de Vilamoura mirar esses seres noctívagos que são os morcegos a sobrevoar os céus do entardecer. 
Das coisas que classifico como mais fantásticas da vida respeitam, sem dúvida, àquelas que, de tão simples, nos elevam.

domingo, 1 de abril de 2018

01. Cómoda

(In)cómoda me encontrarão entre palavras.

"Caixa das Palavras II" de Abril

[ dia 1 ] - cómoda
[ dia 2 ] - noctívago
[ dia 3 ] - sucção
[ dia 4 ] - destroçado
[ dia 5 ] - naftalina
[ dia 6 ] - enfarte
[ dia 7 ] - brusco
[ dia 8 ] - escritura
[ dia 9 ] - garfo e faca
[ dia 10 ] - florada
[ dia 11 ] - ímpeto
[ dia 12 ] - possibilidade
[ dia 13 ] - desencantado
[ dia 14 ] - coabitar
[ dia 15 ] - melodioso
[ dia 16 ] - perfurar
[ dia 17 ] - irradiar
[ dia 18 ] - nutritivo
[ dia 19 ] - desandar
[ dia 20 ] - doido
[ dia 21 ] - ferrugem
[ dia 22 ] - sulfuroso
[ dia 23 ] - hirta
[ dia 24 ] - descomunal
[ dia 25 ] - soldar
[ dia 26 ] - ais
[ dia 27 ] - maçada
[ dia 28 ] - esmero
[ dia 29 ] - estante
[ dia 30 ] - enriquecer

31. Varal

Seria assim, nalgum varal para tristezas:
«Pendurem aqui vossas dores ao sol: depois de chorosas, que agora sequem suas lágrimas.»

30. Radar

Pergunto-me porque é que só chamam a atenção para a importância do olhar em radar aquando de situações formais de formação. E nas situações informais do percurso de cada um? Não é importante fazer-nos qual farol, reparando no nosso redor?

29. Frívolo

Ser frívola nas minhas ideias é tanto meu calcanhar de Aquiles como minha força: umas vezes obstruí-me o caminho, outras até escava um onde não existia nenhum. Não há como adivinhar como vou pegar na minha vida de um minuto para o outro - tudo depende... depende nem sei bem de quê. E daí, há quem diga que sou altamente influenciável... O que, assim dito, parece que não tenho ideias próprias. Vou esclarecer a coisa de uma vez, vejam se me entendem: eu tenho realmente ideias próprias, a única questão é que as modifico constantemente. Não é porque fulano diz uma baboseira à toa que passo automaticamente a assumir aquilo como minha verdade - não, nunca, jamais! Todas as mudanças que em mim ocorrem são sujeitas a profundo e constante escrutínio. O meu problema é que tenho uma grande capacidade para compreender perspectivas diferentes dos mais variados assuntos, pelo que as minhas opiniões são autênticas ondas do mar, a ir e a vir sem fim à vista (eu disse constante escrutínio, entendem?). Mas é o meu mar, pessoas! O meu mar. E nele só entra peixe que me faz sentido entrar.

28. Entranhar

Sou daquelas que tudo o que vive e espera muito entranha, e daí os meus lutos tendem para longos e demorados. Mas chego lá: a adaptação e a flexibilidade também fazem meu nome.

27. Arrufo

Irritam-me aqueles que dizem que namorar e não discutir é mau sinal. Peço desculpa se acho que o que é mau sinal é não haver uma boa comunicação... Em quase três anos de namoro nunca vivi uma discussão e, se houve arrufos, contam-se pelos dedos de uma única mão e foram resolvidos ali, naquele mesmo dia e lugar. O que é que estava na base? Lá está: má comunicação. Como um relacionamento implica constante comunicação com o outro, seja por palavras ou silêncios, se essa comunicação for má... não estou a ver o que há de bons presságios aí para a relação.

26. Vacilar

Se houvesse dez mandamentos para a Maria que sou, um dos primeiros seria, sem dúvida, Maria vacilará mas não cairá ou Maria cairá mas sempre levantará. Se um dia uma destas coisas não acontecer, deixarei de ser fiel a mim mesma como bem me conheço.

25. Inóspito

Haverão mesmo lugares inóspitos? Ou serão apenas as nossas expectativas e necessidades que os vêem como tal? Será que há mesmo lugares sem condições? Ou somos nós que etiquetamos o que é e o que deixa de ser condição? Como tudo na vida, diria, aquilo que é ou que deixa de ser parte, muitas vezes, de nós: para o bem e para o mal.

24. Cristaleira

Tenho em mim uma cristaleira com vários copos reluzentes meio cheios e a transbordar - mas, quanto aos que estão meio ou totalmente vazios, estão propositadamente assim para me relembrar que não é isso que tira brilho ao quadro total.

23. Enferrujado

- Ah, já estou enferrujado...
Ah, a bela da desculpa para não reativar uma capacidade que ainda existe mas que a malta finge que não.

22. Masturbação

Coisas que (praticamente) toda a gente fará e que ninguém fala porque "ai que vergonha": masturbação. Temos vergonha de ser normais, nós humanos.

21. Noticiário

Sonho com o noticiário das boas notícias - tal como já existe o jornal das boas notícias. Tal como ocorrem desastres diários, ocorrem vitórias - mas essas últimas não têm tanto tempo de antena, e isso é algo com que a minha pessoa não sabe lidar.

20. Malícia

Cada buraquinho no meu coração junta-se aos outros e cria um passador para a malícia: só o que é leve e transparente, agora, lhe escorre para dentro.

19. Estátua

Choque: estátua por fora com furacão dentro.

18. Trapaceiro

Trapaceira, a mente. Mas, se lhe conheceres as gingas, és capaz de encontrar uma parceira inseparável contra o crime.

17. Evidências

A procura de evidências no passado e no presente para prever o futuro é levada demasiado a sério. É certo que os padrões se tendem a repetir, mas também é certo que a única coisa infinita que existe - e é apenas "até ver" - trata-se do Universo.

segunda-feira, 26 de março de 2018

(Afinal) A Psicologia Não é o Único Caminho (Nem Podia Ser Nunca!)

Vinte e seis de março de dois mil e dezoito: o dia em que me relembrei (!) do meu maior sonho - o meu maior sonho de todos - e enviei, finalmente, o meu livro para uma editora.

sábado, 24 de março de 2018

16. Uníssono

A omissão fala em uníssono com a mentira. De uma ou de outra forma, por meio de silêncio ou de palavras, ambas comunicam algo irreal.

15. Células

Not my pic - googled it.

Algures nas minhas células está ADN irlandês. Descobri recentemente que parte da família do meu bisavô materno era irlandesa. Está explicado o meu amor à Escócia e à Irlanda (gosto mais da Escócia do que da Irlanda, mas digamos que não me importo propriamente com o facto de poder não ter sangue escocês em nenhuma percentagem mas ter irlandês - não senhora, não me importo na-di-ca).

sexta-feira, 23 de março de 2018

14. Recesso

Num qualquer recesso há de estar o momento da concretização dos meus sonhos. Felizmente, sempre gostei de cantinhos e pequenos refúgios, pelo que experimentarei todos até acertar de vez.

13. Itinerário

Entendo que o itinerário que tenho pela frente poderá não ser mais bonito e leve que o do ano passado. Entendo que, talvez, até se venha a tornar mais sombrio e difícil de suportar. Mas, de repente, também entendo que se calhar não é tanto o itinerário em si mas o tipo de calçado que levar comigo que fará toda a diferença na agradabilidade da viagem.

12. Espantar

A chave estará em tentar encontrar o espantoso no monstruoso. O que te assusta no monstro? E o que te faz admirá-lo?

11. Abutre

No seio das simulações finais do curso para a obtenção do CCP, uma colega fez uma apresentação sobre processos de luto, em que nos presenteou com alguns rituais típicos de outras culturas perante funerais. Um deles, chama-se funeral celestial, é praticado no Tibete e mete abutres à mistura a comer o corpo e os ossos do falecido. Basicamente: o corpo é preparado durante alguns dias, é-lhe feito alguns cortes para ser mais fácil os abutres comerem-no e é levado para um local de culto por alguém significativo da pessoa. Depois da carne ter sido toda consumida, essa pessoa recolhe os ossos, parte-os, e volta a colocá-los à disposição dos abutres e companheiros para comerem o interior. Esta é a prova da importância imensa de conhecer cada pessoa e cada qual por aquilo que é, sendo que a cultura também tem, sim, de ser extremamente considerada enquanto contribuindo para os seus processos psicológicos. No Tibete, com certeza, a maioria das pessoas deverá estar em perfeita harmonia com este ritual, sendo algo adaptativo para elas e que realmente as ajuda a gerir o luto e a atingir o seu bem-estar. Agora... se isto se passasse por aqui, entre os portugueses, seria, no mínimo, algo considerado extremamente excêntrico e bizarro e no extremo oposto seria visto como macabro. Eu, por exemplo, comecei logo com o estômago às voltas e tive de desviar o olhar durante a apresentação, e imaginei logo que se tivesse de fazer um ritual destes que passaria o processo todo aos berros e que provavelmente desenvolveria uma PSPT no decorrer.

10. Comilança

Deem-me Toblerones e é a comilança total. Ou ontem o meu plano de doentinha não teria sido refastelar-me o dia inteiro no sofá, manjar dois filmes e uns quantos desenhos animados e, ao final do tarde, pôr a leitura dos blogs em dia ao mesmo tempo que devorava esses triângulos de sabor a céu (até me espantei por só ter comido quatro deles, mas também estamos a falar do Toblerone em ponto gigante - still: espantei-me).