Há dias que não são fáceis...
quinta-feira, 10 de maio de 2018
terça-feira, 8 de maio de 2018
(...)
Sabem aquele estado de vai-se andando? É muito aquilo que sinto que está a acontecer enquanto trabalho em investigação. Não é um mau trabalho mas, para mim, também não me enche as medidas. Dou por mim a desejar arduamente que (mais) este ano acabe de uma vez por todas, que chegue finalmente 31 de dezembro, que o dinheiro que vou ganhar por aqui esteja todo na conta e que a minha liberdade seja conquistada uma vez mais para tentar pôr as mãos na massa enquanto clínica pura. Pois é: nunca pensei dizê-lo, mas parece que a minha maior motivação para estar aqui é mesmo o dinheiro que vou conseguir juntar para ficar mais perto de outros sonhos. E, claro, porque mais vale um pássaro na mão do que dois a voar, e assim ao menos o meu currículo não tem um espaço vazio relativamente à minha formação de base. É só isto - é só e exclusivamente isto que me faz levantar da cama todos os dias para vir trabalhar. Isso e impedir-me de pensar muito no que estou a fazer, assim como repetir para mim própria aquilo que todos os outros que me rodeiam acham: ah, isto é uma boa oportunidade.
Uma boa oportunidade... sim, é. Se eu quisesse fazer disto carreira então, já cá estava dentro. Mas eu não sou feliz aqui. Sinto-me um bocado como quem vai para medicina porque há a convenção social de que é muito bom, mesmo se, se formos a ver, o verdadeiro sonho profissional seja na área da pintura. Mas claro, não sejamos injustos: não é só a convenção social que me faz estar aqui. Como disse, não é uma má coisa de se estar a fazer. A meu ver, e tendo em conta os meus gostos pessoais, pode-se dizer que estou satisfeita q.b., não estou infeliz - simplesmente, também não estou feliz. E isso chateia-me muito - não estar a viver plenamente de acordo com o coração como estou habituada a fazer desde que sou gente. Só que, enfim, a vida não me deixou, ainda, alinhar o meu modo de estar no mundo com as oportunidades do meu caminho... Tanto que, pronto: mais vale um pássaro na mão do que dois a voar e aceitei o mais-ou-menos por não haver o ideal.
Agora: estou rodeada de pessoas doutoradas, a fazer o doutoramento, ou que estão altamente motivadas para concorrer a uma bolsa de doutoramento a seguir. Ou seja, sinto-me um verdadeiro peixe fora de água. Eu? Fazer doutoramento? Ainda por cima... já? Eu estou farta da vida académica, pessoas! Fartinha! Gosto muito de aprender mais dentro da minha área, mas se ainda não cheguei ao meu limite de estudo constante sem dar consultas pelo caminho - o que eu chamo de trabalhar efetivamente - com certeza que vou chegar até dezembro. Neste momento, não me sinto nem trabalhadora nem estudante - sinto-me ali no meio termo. A questão é que eu quero sentir-me trabalhadora.
Raios parta a porcaria da desordem, que não serve mais para desordenar a vida às pessoas e dizer (como se acima da lei constitucional?) que a educação superior não chega para trabalhar...
A parte lógica de mim vê várias vantagens em seguir o mesmo caminho que todas estas pessoas que se regem para e pela vida de PhD, mas importa-me mais o peso pessoal que as vantagens e desvantagens têm em mim do que propriamente a quantidade delas que constam na lista...
quinta-feira, 3 de maio de 2018
"Caixa das Palavras II" de Maio
[ dia 1 ] - fervoroso
[ dia 2 ] - explorador
[ dia 3 ] - polvo
[ dia 4 ] - longevidade
[ dia 5 ] - égide
[ dia 6 ] - adorno
[ dia 7 ] - indigno
[ dia 8 ] - esticar
[ dia 9 ] - derredor
[ dia 10 ] - celestial
[ dia 11 ] - encobrir
[ dia 12 ] - abc
[ dia 13 ] - anafado
[ dia 14 ] - ostra
[ dia 15 ] - esplendor
[ dia 16 ] - índias
[ dia 17 ] - alarme
[ dia 18 ] - aborrecimento
[ dia 19 ] - carruagem
[ dia 20 ] - findar
[ dia 21 ] - lancinante
[ dia 22 ] - bodas
[ dia 23 ] - verduras
[ dia 24 ] - rancor
[ dia 25 ] - aliviar
[ dia 26 ] - interromper
[ dia 27 ] - entornar
[ dia 28 ] - azulíneo
[ dia 29 ] - esquecimento
[ dia 30 ] - antigamente
[ dia 31 ] - rubro
segunda-feira, 30 de abril de 2018
domingo, 29 de abril de 2018
29. Estante
Tantas estantes cheias de livros e tanto aborrecimento porquê?
Tantos dias repletos de histórias e tanto enfado porquê?
Tanta vida a abarrotar de... bem, vida, e tanto tédio por-quê?
sábado, 28 de abril de 2018
28. Esmero
Incrivelmente, é quando menos alinho no perfecionismo que mais sinto que me esmero - para com a minha qualidade de vida, pelo menos.
sexta-feira, 27 de abril de 2018
27. Maçada
Óbvio que nossa massa cinzenta, por vezes, não consegue ser mais nada que uma verdadeira maçada para nós. Está-lhe nas entranhas - na etiologia - não é?
quinta-feira, 26 de abril de 2018
26. Ais
A vida até me é bastante justa, não me posso queixar. Na balança, tenho muitos ai ai ais de aflição em equilíbrio com ai ai ais de entusiasmo. Nem sempre ao mesmo tempo, nem sempre na mesma área - mas, se pensar em modo geral, encontro harmonia.
quarta-feira, 25 de abril de 2018
25. Soldar
Tenho botas mal soldadas e que por várias vezes me humidificam as meias em dias de chuva. É das sensações mais desconfortáveis, essa; contudo, das recordações mais felizes que trago comigo respeitam a dias em que estava tão nas nuvens que não me importei nem um pouco de chegar a casa encharcada da cabeça aos pés. Estava confortável por dentro, sabem? Julgo que, no fim de tudo, é isso que mais conta.
Etiqueta de (re)nome:
Caixa das Palavras,
Do Baú,
Entre dias e noites,
Excertos de Amor
terça-feira, 24 de abril de 2018
Dois Dias de Bolseira Depois...
Este trabalho não me vai dar só salário, conhecimento, estaleca e artigos publicados. Vai dar-me também umas pernas bem tonificadas, ou não passa na cabeça de ninguém quanto elas me doem de tanto subir e descer escadas... Todo o edifício é feito de escadas - até para ir à casa de banho: tenho de descer dois andares e depois subir de novo para o centro de investigação. Uma das minhas colegas fez questão de contar os degraus: quarenta e cinco só para uma ida à casa de banho. Fora todos os outros para ir ao bar, aos serviços administrativos, entre outros.
segunda-feira, 23 de abril de 2018
domingo, 22 de abril de 2018
22. Sulfuroso
Curiosidade sulfurosa: diz que o açúcar refinado leva com enxofre lá para o meio do processo de refinamento. O meu amor tinha-me dito aqui há tempos que era o açúcar amarelo o alvo, mas após uma pequena pesquisa descobri que não, que é mesmo aquele que usamos com maior frequência em tudo. Ainda estou para descobrir como é que isto me faz sentir (é uma pena não haver Google que sirva para momentos de questionamento existencial como este).
sábado, 21 de abril de 2018
21. Ferrugem
Ironicamente, poderemos pensar que estará cheio de ferrugem o coração que de ferro apenas se faz e que nunca se molha, que nunca se emociona, que nunca chora.
sexta-feira, 20 de abril de 2018
quinta-feira, 19 de abril de 2018
19. Desandar
Por muito que pareça o contrário, os relógios não desandam no compasso mesmo quando nos sentimos a cair em retrocessos e atrasos. A vida avança ao mesmo ritmo de sempre mesmo que não seja no sentido que queríamos. Não há tempos que precisemos obrigatoriamente de cumprir e que resultem em fatalismos - e isso é algo que demoramos a reter.
quarta-feira, 18 de abril de 2018
18. Nutritivo
De nutritivo, vamos aprendendo que não têm só os alimentos por convenção mas também todos aqueles alternativos que dão sentido ao rumo do nosso sangue.
terça-feira, 17 de abril de 2018
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