Vinte e seis de março de dois mil e dezoito: o dia em que me relembrei (!) do meu maior sonho - o meu maior sonho de todos - e enviei, finalmente, o meu livro para uma editora.
segunda-feira, 26 de março de 2018
sábado, 24 de março de 2018
16. Uníssono
A omissão fala em uníssono com a mentira. De uma ou de outra forma, por meio de silêncio ou de palavras, ambas comunicam algo irreal.
15. Células
Not my pic - googled it.
Algures nas minhas células está ADN irlandês. Descobri recentemente que parte da família do meu bisavô materno era irlandesa. Está explicado o meu amor à Escócia e à Irlanda (gosto mais da Escócia do que da Irlanda, mas digamos que não me importo propriamente com o facto de poder não ter sangue escocês em nenhuma percentagem mas ter irlandês - não senhora, não me importo na-di-ca).
sexta-feira, 23 de março de 2018
14. Recesso
Num qualquer recesso há de estar o momento da concretização dos meus sonhos. Felizmente, sempre gostei de cantinhos e pequenos refúgios, pelo que experimentarei todos até acertar de vez.
13. Itinerário
Entendo que o itinerário que tenho pela frente poderá não ser mais bonito e leve que o do ano passado. Entendo que, talvez, até se venha a tornar mais sombrio e difícil de suportar. Mas, de repente, também entendo que se calhar não é tanto o itinerário em si mas o tipo de calçado que levar comigo que fará toda a diferença na agradabilidade da viagem.
12. Espantar
A chave estará em tentar encontrar o espantoso no monstruoso. O que te assusta no monstro? E o que te faz admirá-lo?
11. Abutre
No seio das simulações finais do curso para a obtenção do CCP, uma colega fez uma apresentação sobre processos de luto, em que nos presenteou com alguns rituais típicos de outras culturas perante funerais. Um deles, chama-se funeral celestial, é praticado no Tibete e mete abutres à mistura a comer o corpo e os ossos do falecido. Basicamente: o corpo é preparado durante alguns dias, é-lhe feito alguns cortes para ser mais fácil os abutres comerem-no e é levado para um local de culto por alguém significativo da pessoa. Depois da carne ter sido toda consumida, essa pessoa recolhe os ossos, parte-os, e volta a colocá-los à disposição dos abutres e companheiros para comerem o interior. Esta é a prova da importância imensa de conhecer cada pessoa e cada qual por aquilo que é, sendo que a cultura também tem, sim, de ser extremamente considerada enquanto contribuindo para os seus processos psicológicos. No Tibete, com certeza, a maioria das pessoas deverá estar em perfeita harmonia com este ritual, sendo algo adaptativo para elas e que realmente as ajuda a gerir o luto e a atingir o seu bem-estar. Agora... se isto se passasse por aqui, entre os portugueses, seria, no mínimo, algo considerado extremamente excêntrico e bizarro e no extremo oposto seria visto como macabro. Eu, por exemplo, comecei logo com o estômago às voltas e tive de desviar o olhar durante a apresentação, e imaginei logo que se tivesse de fazer um ritual destes que passaria o processo todo aos berros e que provavelmente desenvolveria uma PSPT no decorrer.
10. Comilança
Deem-me Toblerones e é a comilança total. Ou ontem o meu plano de doentinha não teria sido refastelar-me o dia inteiro no sofá, manjar dois filmes e uns quantos desenhos animados e, ao final do tarde, pôr a leitura dos blogs em dia ao mesmo tempo que devorava esses triângulos de sabor a céu (até me espantei por só ter comido quatro deles, mas também estamos a falar do Toblerone em ponto gigante - still: espantei-me).
09. Exorcizar
Precisa-se, urgente: exorcista.
Funções:
- Repor a ordem nos anúncios de emprego e mercado de trabalho, nomeadamente tirar o diabo de dentro dos empregadores de pouca vergonha que andam para aí.
08. Sororidade
Ainda hoje me pergunto o que levou à diminuição da nossa sororidade...Talvez, mesmo, o final da adolescência. Afinal... que maior fase de identificação plena e total uns com os outros que não essa? Que outra fase para nos sentirmos, mais do que nunca, irmãs de coração? Ainda o somos e seremos sempre de alguma forma, bem sei... Mas a procura uma da outra é muito menor, muito mais esporádica. Se, por um lado, isso nos diz que crescemos e nos tornámos mais independentes e autónomas, mais confiantes da nossa capacidade para resolver e enfrentar a vida a solo, por outro, deixa-me um pouco triste não haver já tanta proximidade, tanta partilha, tantos "hey, estou aqui!". Talvez tenha sido o final da adolescência, a entrada na vida adulta... ou talvez tenha ocorrido mais qualquer coisa que se impôs entre as duas sem nenhuma dar conta concreta disso.
07. Carícias
Uma carícia que odiava profundamente e que, de repente, talvez pela pessoa certa, passei a amar para lá de todos os Universos? Dormir em conchinha. Agora até saudades tenho disso - antes, só a ideia fazia-me urticaria, pois odeio sentir-me presa em todos os sentidos e era o que esse ato me fazia sentir. Mas agora não! Agora, ao dormir assim, sinto-me protegida e aconchegada.
quinta-feira, 22 de março de 2018
quarta-feira, 21 de março de 2018
05. Reter
"Faz o que eu digo, não faças o que eu faço" - no fundo, julgo que isto é um dos ensinamentos que nos estão a tentar que retenhamos no Curso Inicial de Formação de Formadores. Juro, nem vos passa a quantidade de coisas que vou apontar como crítica no Projeto Final que temos de entregar.
04. Alicate
Desastrada como sou, se alguma vez fizesse bricolage, julgo que em vez de usar, por exemplo, o alicate para a sua função, que acabaria, sem querer, por arrancar um dente a alguém. Bem que estou a visualizar a pequena ferramenta a voar e a bater no meu próprio rosto ou de algum terceiro enquanto tentasse extarir algum prego de algum lado. Tenho alguns episódios em que dentes de leite me caíram por acidentes como bater com a boca na cama, resolver chamar o elevador pondo uma garrafa de água contra o botão e pressioná-lo com a força de impacto da minha cara... Pois é: Maria, fazendo asneira desde o seu primórdio de vida.
03. De mansinho
O momento mais bonito e entusiasmante do início de um amor é, na minha opinião, aquele em que, de mansinho, um e outro aproximam suas mãos, tocam ao de leve suas peles, e por fim juntam palma com palma enquanto os rostos ruborizam e o sorriso espreita por entre os lábios de cada um. Quem está comigo?
Entre a procura de estágio, levar o curso para obtenção do CCP a bom porto e ficar doente pelo caminho, a blogosfera tem ficado de lado. Pergunto-me quantas publicações, a contar com esta, é que já terei feito por estes lados só para informar que continuo viva, que só não tenho tido grande tempo/disposição para escrever, mas que voltarei.
Nota: fui louca e concorri a uma bolsa de investigação e já fui à entrevista (julgo que correu bem, simplesmente somos mais candidatados do que eu pensava, pelo que a ver vamos). Como se não estivessemos traumatizadas com a tese, não é verdade? Contudo, nada que uma espécime de emprego na área e um bom apoio monetário não ponha em questão (como é o caso).
Nota: fui louca e concorri a uma bolsa de investigação e já fui à entrevista (julgo que correu bem, simplesmente somos mais candidatados do que eu pensava, pelo que a ver vamos). Como se não estivessemos traumatizadas com a tese, não é verdade? Contudo, nada que uma espécime de emprego na área e um bom apoio monetário não ponha em questão (como é o caso).
sábado, 10 de março de 2018
02. Emenda
Tenho vindo a aprender que procrastinar - pelo menos, para mim - resulta de uma tentativa de emenda no equilíbrio defeituoso entre as necessidades de trabalho-lazer. Tentativa de emenda, esta, que só estraga mais.
01. Inquilino
As pessoas das nossas vidas são-nos inquilinos que pagam a renda por outra forma de casa.
sexta-feira, 9 de março de 2018
"Caixa das Palavras II" de Março
[ dia 1 ] - inquilino
[ dia 2 ] - emenda
[ dia 3 ] - de mansinho
[ dia 4 ] - alicate
[ dia 5 ] - reter
[ dia 6 ] - vasilha
[ dia 7 ] - carícias
[ dia 8 ] - sororidade
[ dia 9 ] - exorcizar
[ dia 10 ] - comilança
[ dia 11 ] - abutre
[ dia 12 ] - espantar
[ dia 13 ] - itinerário
[ dia 14 ] - recesso
[ dia 15 ] - células
[ dia 16 ] - uníssono
[ dia 17 ] - evidências
[ dia 18 ] - trapaceiro
[ dia 19 ] - estátua
[ dia 20 ] - malícia
[ dia 21 ] - noticiário
[ dia 22 ] - masturbação
[ dia 23 ] - enferrujado
[ dia 24 ] - cristaleira
[ dia 25 ] - inóspito
[ dia 26 ] - vacilar
[ dia 27 ] - arrufo
[ dia 28 ] - entranhar
[ dia 29 ] - frívolo
[ dia 30 ] - radar
[ dia 31 ] - varal
28. Movediço
A prova de que aplicamos etiquetas de forma errónea (o certo era nem as aplicar - pelo menos, não com super cola três), é que quando leio movediço, primeiro, relembro o pânico que a areia movediça me provoca. No entanto, logo a seguir, e se tentar rodar o jogo a meu favor, movediço também me relembra aquela sensação bestial de me afundar num puff ou numa piscina de bolas coloridas dos parques de diversões. Ah, que saudade boa...
27. Andragogia
Havia uma altura, sendo uma pitinha pequena e imersa na completa e total descoberta do que era isto do mundo, em que julgava que os adultos é que a sabiam toda. Foi graças a isso que hoje sei que todos estamos nessa completa e total descoberta independentemente das velas sopradas, e que ensinar uma criança ou um adolescente é capaz de ser, grande parte das vezes, bem mais fácil do que dar à manivela da andragogia no meio dos "crescidos".
26. Lúnula
O amor não pode ser cheio nem vazio. Ser vazio não pode por razões óbvias - nesse caso, não há aí amor, não há nada. Cheio... Ser cheio também não pode, porque da última vez em que verifiquei o amor não é estanque. Não é possível compará-lo a um balão cheio no qual não entra nem mais uma partícula de ar (isso, na verdade, até transmite uma sensação de sufoco... e, se é sufoco, também não é amor). Então, pensemos antes no amor como pensamos nos quartos da lua. Sim: o amor é uma lúnula. Minga e cresce, cresce e minga, continua apenas a crescer e a crescer sem fim à vista ou minga de tal forma que quase deixa de se ver. Mas se chega a cheio ou a vazio... Não sei até que ponto estaremos a falar de amor.
25. Torvelinho
- Tens um torvelinho no topo da cabeça.
- Não é de espantar, com o tornado que aqui vai dentro.
24. Cessar
Cesse esta excessividade de tempo e de ser caído no vazio, no desperdício; dê-se atenção às razões dos lamentos, aos porquês da inércia, às motivações do (di)vagar - mas que cesse esta sensação dia finito sem qualquer fim. Que cesse esta sede sem procura de água, sem provar essa água ou, até, sem imaginar o ar que nos entra por dentro como essa água - há que senti-la. Precisamos de colocar um ponto final a tudo o que nos limita, a tudo o que nos impede de ser mais.
23. Consistência
Não assustam propriamente os padrões de comportamento, pensamento ou emoção que gritam alarme, mas a sua consistência.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
21. Placenta
Todos sabemos que num momento anterior já vivemos numa placenta. Porém, nem todos percebem que o planeta é uma segunda do tipo, à qual ainda estamos ligados por um cordão umbilical. E esta segunda do tipo funciona exatamente como a primeira: a placenta sofre, possivelmente nós também. Só assim possivelmente.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
20. Fermentado
O bolo demora a fermentar assim como qualquer coisa na qual coloquemos os ingredientes que levamos em nós.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
19. Planalto
Anda, vem comigo para o meu regaço: sentemo-nos aqui, juntinhos como mais ninguém. Vem, anda comigo, e repara o que o amor faz: vês tudo isto abaixo de nós? Era só uma planície até tu chegares. Ganhámos assas e somos pássaros agora, vês? Juntos, o banco transforma-se numa nuvem e, de repente, sobrevoamos antes planaltos.
domingo, 18 de fevereiro de 2018
18. Esculpir
De admirar esses escultores que seja em pedra, seja em metal, vão com tudo e esculpem sorrisos contra o mal.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
17. Desaparecer
(Desaparecer passa por isto mas, muitas vezes, numa escala muito maior: deixar espaços em branco que nenhuma outra pessoa preencherá.)
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
16. Penoso
Talvez isto de fazer uma formação em pós-laboral me ensine, se eu assim quiser atentar e reparar, que estar desperta pela noite não é assim tão penoso com a lua e as estrelas de companhia - mesmo que um bocadinho tímidas por detrás das luzes da cidade.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
15. Moroso
A psique é bem capaz de ser mais célere que a velocidade da luz, ou pelo menos a psique sofrida. Tem-me ensinado a psicologia (e a vida) que alguém a quem por dentro lhe dói já viu o final feliz em algum cenário hipotético e quer-lo à força, rápido, se possível agora e já. Mas depois a realidade palpável e comprovável a olho leva um processo mais moroso e, quase sempre, exige que a pisque experiencie fora da caixa para chegar à meta. Então, das duas uma: ou a pessoa acaba por aceitar essa luta e, passo a passo, fazer aproximações sucessivas ao objetivo conforme vai podendo e conseguindo, ou ainda se arrisca a se enrolar mais na sua bola de neve porque lhe dói ainda mais toda a ideia desse processo lento e de pequenas (e só por isso grandes) mudanças.
14. Musas
Quando as árvores e as montanhas são musas de alguém: já me compraram, têm toda a minha atenção.
13. Focar
A quem anda perdido sem ver futuro à vista, criar pequenos focos quando não os há ajuda muitíssimo. Já a quem colecciona planos, tarefas, prazos e responsabilidades a perder de vista, volta e meia faz bem ligar ao desfoque e combinar um café. É simples: se procuramos manter o equilíbrio dentro de nós, temos de promover o equilíbrio à nossa volta.
12. Exalar
Que melhor sítio para exalar as preocupações e frustrações que não na nossa arte? Que melhor plano para largar o peso dos dias que não numa desforra da rotina a dois? Que melhor lugar para fugir de tudo que não o final da pista de corrida? Que melhor cirurgia para abrir os pulmões que não usar um bocadinho daquilo que está no ritmo do nosso coração?
11. Ferro
Pode-me escassear ferro no sangue, mas quem disse que era esse o necessário e o imprescindível para pôr o pé no chão, seguir de pé e de cabeça erguida, fazer frente a cada dia? Digo, até, que é essa falta de dureza que me fortalece - não desenvolvesse eu, pois então, desenvoltura a cada inspirar de ar profundo, seja este puro ou perto do letal.
10. Comoção
Sei-me sortuda quando comoção é algo impossível de não acontecer quando com o meu moção.
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
09. Modorra
O mal de andar com uma péssima higiene de sono (ou antes: o mal de não ter uma rotina fixa e, em consequência, deixar-me, por puro desleixo, arrastar para uma péssima higiene de sono) é uma modorra matinal diária após o despertador começar a tocar (sim, porque ele ainda toca, à vontade, uma meia-hora de cinco em cinco minutos com os meus adiares constantes do mesmo). Assim, o meu objetivo mensal principal (para além de manter as idas ao ginásio como iniciei q.b. no mês passado) passa por restabelecer horários. É muito difícil livrar-me das amarras dos lençóis quando estes são muito confortáveis e não há uma obrigação premente fora da cama à espera de ser cumprida... Mas já faz tempo que curei a minha ressaca de falta de descanso porque estágio e tese. Agora... agora é mesmo a falta de rumo aqui a estragar tudo e a fazer-me voltar às insónias quando, por alguma razão, tenho mesmo de acordar cedo no dia seguinte.
A ironia desta publicação é que foi agendada para sair às 08h09 da matina. Quanto é que apostam que estou, neste momento, a 1 minuto de adiar a alvorada pela segunda vez hoje? Mas já estou melhor - esta semana já me consegui levantar sempre uns minutos antes das 09h00. Aos poucos, tudo restabelecerei.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
08. Tributo
Mais do que tributos após a morte, há que procurar nos gestos homenagens durante a vida. Porquê? Só porque é o que parece fazer mais sentido. É onde o sentido e o significado, mais do que em todos os lugares, existem e estão mesmo lá: em bruto; no aqui e no agora; em cada segundo experimentado e então cravado na memória.
Não se interprete mal: as lágrimas do choque, da sensação do irreal, da perda, da readaptação também falam muito - são, em emoções e sentimentos, genuínas... Mas falam daquilo que foi a vida.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
07. Vocação
Em pequena, não me faltava resposta para qual a minha ambição: quando crescesse, queria ser treinadora de golfinhos, princesa, cavaleira, bailarina e patinadora.
De facto cheguei a nadar com golfinhos - das melhores experiências da vida, mas única também. Fui princesa muitas vezes - no Carnaval (mas convenhamos que, à minha maneira, ainda gosto de pensar que sou a tempo inteiro). Cavaleira... Cavaleira podia ter sido, se a minha mãe não me demovesse de ter aulas com medo que eu caísse dos cavalos. Bailarina e patinadora foram também papéis que cheguei a vestir, mas por pouco tempo - principalmente quanto à patinadora, que se patinei foi quase sempre agarrada ao corrimão... ou então a patinar aí vida fora.
Parece que a minha vocação não estava em nenhum dos meus primórdios desejos e, para bem dizer, apesar de hoje ter paixões muito próprias - escrita e psicologia com ela! -, a verdade é que ainda estou para ver o dia em que vou verdadeiramente brilhar e em quê.
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Sonho letras e vida em livros
terça-feira, 6 de fevereiro de 2018
A Genuinidade das Crianças é Muito Amor
Hoje, no autocarro, do nada...
Menino, todo sorridente: - Posso contar-te uma piada?
Eu, abrindo o sorriso: - Podes.
Menino: - Porque é que a água foi presa?
Eu: - Porquê?
Menino, todo divertido: - Porque matou a sede!
Eu, soltando um pequeno riso: - Que gira! É uma piada muito engraçada.
O menino desconhecido foi embora todo feliz. Fazer elogios faz bem, sabem? E atender às crianças que passam por nós também.
06. Invólucro
Todas as noites retiro o anel que me deste e guardo-o na sua caixinha. Tenho sempre receio que, se não no seu invólucro, se corromperá pela ação do ar, do pó, de algum fantasma que se atravesse a meio caminho e o mande ao chão. Não o mantenho sempre no dedo porque, desastrada como eu sou, durante um qualquer pesadelo do meu sono vejo uma grande probabilidade de algum cenário catastrófico da minha mente se concretizar: lá vai o anel prender-se em algum lado e sair, perdendo-se para sempre; lá vai o anel raspar na parede e ficar cheio de riscos. Não senhor: não quero que estes episódios improváveis, mas ainda assim possíveis, tenham a mínima hipótese de ter lugar. Sim senhor: pretendo proteger este querido símbolo como almejo preservar o nosso amor.
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018
05. Mavioso
Olha bem, repara: de mavioso a mafioso poderá ir uma pessoa numa só letra, num mero ajuste de lentes.
domingo, 4 de fevereiro de 2018
«– Quer dizer que cada ação que concretizo, cada dor que experimento, serão experimentadas por toda a infinidade? – perguntou Breuer.
– Sim, o eterno regresso significa que, cada vez que escolhe uma ação, deve estar disposta a escolhê-la por toda a eternidade. O mesmo acontece com cada ação não realizada, cada pensamento nado-morto, cada escolha evitada. Toda a vida não vivida ficará a latejar dentro de si, não vivida por toda a eternidade. A voz ignorada da sua consciência continuará a gritar para sempre.»
- Irvin D. Yalom in "Quando Nietzsche Chorou"
04. Fazenda
Numa pequena fazenda cosia-se roupa para vestir, plantava-se comida para comer. Numa pequena fazenda cosia-se e plantava-se conforto e amor, vestia-se e colhia-se vida e alma.
sábado, 3 de fevereiro de 2018
03. Estraçalhada
Vernizes que se estilhaçam, estes: os que temos nas pontas dos dedos, os que cobrem o nosso chão. E a vida... a vida lá segue a mesma sequência, e um dia lá fica estraçalhada também.
Porque optámos por vernizes? Diz-me: porque é que não escolhemos deixar tudo a nu?
Fica mais bonita a pintura... É isso? Pergunto-me se será. Será que no fim fica mesmo mais bonita? Que valerá a pena, apesar de tudo? Assim: com a verdade descascada lá por baixo?
02. Depósito
O mundo será tanto melhor quanto mais depressa a ideia das energias renováveis chegar também aos depósitos de energia dos seres humanos. O planeta será um lugar mais feliz e sustentável quando as pessoas começarem a mover-se pela energia da luz, do vento, das ondas, da natureza - etenda-se, de si. A Terra terá mais alma quando as pessoas limparem as suas mãos de uma vez e para sempre do petróleo, da fumaça. Este corpo celeste será um lugar melhor quando as pessoas olharem para o que já está em si e à sua volta - quando escolherem trazer e agarrar o que de celestial têm e o celestial do qual vivem e podem viver.
01. Reino
No reino das flores, é rei o colibri. Faz-se territorial das cores de seus campos, mas defende-os de vento em popa e distribui beijos e amor constantes por cada botão que estica suas pétalas.
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
"Caixa das Palavras II" de Fevereiro
[ dia 1 ] - reino
[ dia 2 ] - depósito
[ dia 3 ] - estraçalhada
[ dia 4 ] - fazenda
[ dia 5 ] - mavioso
[ dia 6 ] - invólucro
[ dia 7 ] - vocação
[ dia 8 ] - tributo
[ dia 9 ] - modorra
[ dia 10 ] - comoção
[ dia 11 ] - ferro
[ dia 12 ] - exalar
[ dia 13 ] - focar
[ dia 14 ] - musas
[ dia 15 ] - moroso
[ dia 16 ] - penoso
[ dia 17 ] - desaparecer
[ dia 18 ] - esculpir
[ dia 19 ] - planalto
[ dia 20 ] - fermentado
[ dia 21 ] - placenta
[ dia 22 ] - elefantes
[ dia 23 ] - consistência
[ dia 24 ] - cessar
[ dia 25 ] - torvelinho
[ dia 26 ] - lúnula
[ dia 27 ] - andragogia
[ dia 28 ] - movediço
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
terça-feira, 30 de janeiro de 2018
segunda-feira, 29 de janeiro de 2018
29. Entidade
Hoje uma entidade cumprimentou-me pela energia que emana a minha candidatura. Vamos ficar felizes? Vamos ficar felizes.
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Excertos de Amor
domingo, 28 de janeiro de 2018
28. Subalterno
Quem age por amor, por amizade, por ética e integridade não procura subalternos. Fica a nota para o mundo inteiro registar e levar para todo o lado no bolso e, sempre que for preciso, usar como cábula.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
26. Ermo
Precisava de um ermo agora para esvaziar a cabeça e não me importar com nada. Era. Sem esse ermo, a cabeça continuará cheia. Continuará em guerra até quebrar de cansaço (talvez até desmaiar, mais do que adormecer). Já agora, posso deixar o coração aqui antes de partir? Ia ajudar a conseguir manter a paz... Não, o meu coração também não está em paz. Como se vê, assim, não o posso levar. As espingardas continuarão a ressoar, as espadas a ferir. Mas também não é comigo que ele está, de qualquer forma - não comigo só, pelo menos... pelo que, como se vê, nunca o conseguiria levar inteiro.
Sobre a Primeira Entrevista de Clínica
Assim, numa primeira análise... e após um entusiasmo ingénuo de quem sai de uma entrevista que parece ter condições muito boas comparativamente às oportunidades que existem.. A pulga atrás da orelha por não me terem feito perguntas nenhumas acerca do meu percurso cresceu de tamanho ao trocar impressões sobre o que aconteceu dentro daquela sala e me foi dito quanto ao funcionamento do estágio.
Conclusão: acho que fui apresentada à podridão dos estágios de autêntica exploração que andam para aí. Agora só falta perceber, caso liguem a chamar-me, se há cedências nos termos impostos ou não. Porque se não houver, meus amigos, é impossível uma pessoa fazer aquele estágio e não se arriscar a desenvolver uma doença mental (a ironia) ou até a gastar mais dinheiro (e em favor da entidade, atenção) do que se ganha.
[Fora os aspetos e garantias que não me foram esclarecidos e que terei de pôr a pratos limpos à posteriori, aqui fica um resumo das condições por eles estabelecidas: primeiro mês à experiência sem pagar, cerca de 10h por dia, 12 meses, sem férias e com a possibilidade de ter de fazer uns sábados de vez em quando, 500 euros, gasolina ao meu encargo se num raio de 30km - sendo que há deslocações constantes porque a intervenção é feita em contexto e tendo em conta que daqui ao centro de Lisboa são 20km... Ou seja: gasolina paga coisa nenhuma. A não ser que eles concordem em estabelecer que pagam a partir de x número de km acumulados, pois convenhamos que é possível fazer 300km num raio de 30km e isso é incomportável. Há mais, pessoas! Há mais. Mas se calhar aí os motores de busca já me acusam, pelo que deixo apenas estes aspetos - já muito agradáveis por si só - no ar.]
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
25. Rumorejar
Aos meus dedos, hoje, deu-lhes para rumorejar: mal se escutam, mal se lêem... mal escrevem.
[Shhh! Acabou de sair qualquer coisa. Guardem segredo!]
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
May The Luck Be With You
Quem é que declinou ir à segunda fase do recrutamento da empresa de RH e conseguiu para esse mesmo suposto dia uma entrevista para Clínica, quem foi?!
*dançando, torcendo, cantando, sorrindo, lutando*
24. Tranquilizar
Vamos brincar de significados e acrescentar um pontinho ao dicionário?
Tranquilizar.
(tranquilo + -izar)
verbo transitivo
1. Sossegar; acalmar; aquietar; fazer perder a inquietação.
verbo pronominal
2. Recuperar a tranquilidade.
sinónimo de
3. Escrever; namorar; correr; dançar; nadar; ler; rir; chorar; dormir; viajar; ver as estrelas; sentar ao pé de uma árvore e mirar o vento a passar entre as folhas; passear ao pé do mar; ir ao cinema; fazer do sofá um cinema em casa; cozinhar; comer um gelado; beber uma xícara de chá; dar cafunés ao cachorro; desenhar; pintar; tudo o que a alma pedir.
verbo transitivo
1. Sossegar; acalmar; aquietar; fazer perder a inquietação.
verbo pronominal
2. Recuperar a tranquilidade.
sinónimo de
3. Escrever; namorar; correr; dançar; nadar; ler; rir; chorar; dormir; viajar; ver as estrelas; sentar ao pé de uma árvore e mirar o vento a passar entre as folhas; passear ao pé do mar; ir ao cinema; fazer do sofá um cinema em casa; cozinhar; comer um gelado; beber uma xícara de chá; dar cafunés ao cachorro; desenhar; pintar; tudo o que a alma pedir.
terça-feira, 23 de janeiro de 2018
23. Nefanda
Convenhamos: há pedagogias e pedagogias, psicologias e psicologias, éticas e éticas dependendo de quem as pratica. Parece-me (ou antes: tenho a certeza absoluta sintética analítica) que há para aí uma estação de televisão muito nefanda em todas estas práticas.
Já dizia o Telminho em supervisão e com toda a razão do seu lado: a intervenção psicológica não faz bem só porque é intervenção psicológica.
Esta coisa que está a ocorrer em televisão não tem em vista melhorar a vida de ninguém nem nunca teve. Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe-o a milhas daqui. Pena que escasseiem desses com dois dedos. Pena que alguns até têm três e quatro dedos mas prefiram continuar a colaborar no dark side porque, ops, we have money on the dark side, not cookies (antes fossem bolachas e que o monstro das bolachas os comesse a todos pelo caminho também, durante um qualquer acesso descontrolado de fome e gula).
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
22. Plácida
Decidi que os fins-de-semana são pura e exclusivamente para descanso. E assim foi neste primeiro trial do ano: passei o sábado inteirinho sentada, enrolada numa manta, devorando um livro página atrás de página - prazer a que já não me dava há muito, muito tempo. Fi-lo muito tranquila, muito despreocupada, muito plácida. Pensei em levantar-me umas quantas vezes para mudar de atividade, mas depois pensava para mim "não estás aqui bem?" e, sendo isto retórica e consciencialização de estado, permaneci no meu cantinho. Depois veio domingo e decidi que podia pefeitamente voltar a deitar-me na cama depois do pequeno-almoço - já com os estores abertos, já com os olhos bem abertos, mas dar-me ao direito de disfrutar do pijama com macaquinhos, do edredon quentinho, da almofada fofinha. Despachei-me sem pressas, almocei com menos pressa ainda, pintei as unhas de vermelho rosado, publiquei e agendei escritos no blog, fui ao café conviver.
Começa a semana e recomeçam as tarefas, a organização, as regras - por cinco dias, apenas. Decidido foi, decidido está: os últimos dois em falta são, doravante, para as não-obrigações. Não há cá mandar currículos, pensar em ligar à Desordem, em ir aqui e acolá tratar dos mais diversos assuntos - nada; era isso ou nunca sentiria que tenho descanso apesar de ainda não ter estágio (pensam o quê? Só o preocupar-me com candidaturas suga energia e disposição). Melhor decisão da vida nos últimos tempos, só vos digo.
domingo, 21 de janeiro de 2018
21. Descarnada
Por vezes, dou por mim presa num segundo de dúvida cortante; volta e meia, dou por mim numa posição de como quem mira o gume da faca: penso em falar-te, em dirigir-te a palavra - mesmo que uma só...
Logo me sinto descarnada.
Aí, pois, desisto. Decido hoje não. Escolho assim, e não tanto pelo medo de pôr o dedo numa ferida que não sei, sinceramente, se sarada - não... Isso, na verdade, também mete medo. Mas escolho assim mais pelo medo de desferir golpes profundos e letais onde corre sangue quente, onde corre vida que traz rubor ao rosto - rosto esse que, se rasgado, agora, é apenas por sorrisos. Então, escolho assim; escolherei assim enquanto for isso que encarnar o mais certo e o mais íntegro.
sábado, 20 de janeiro de 2018
20. Torcer
Torço por ti a todas as horas. Mesmo que te torça o juízo - sabe que, quando o faço, faço por ti, para ti, junto a ti; sempre.
sexta-feira, 19 de janeiro de 2018
19. Estalidos
- A minha mente tem som de estalidos que nem pipocas. Quando anunciam ideias é bom, sabes? É fantástico, na verdade! É um pleno entretém, melhor que ir ao cinema e levar os aperitivos de graça. Mas às vezes é só ruído de fundo. Tipo a televisão sem sinal, mas pior: mais alto, mais intenso, mais estonteante; mais tudo.
Não sou claustrofóbica nem nada do género, mas o comboio da linha de Sintra às oito da manhã faz-me muito sentir como se fosse. Então, dou por mim a pensar que quem for de facto claustrofóbico e tenha de apanhar tal comboio, das três uma: (i) ou se levanta ainda mais com as galinhas e apanha os comboios de madrugada para não chegar atrasado; (ii) ou tem uma incrível capacidade de autorregulação; (iii) ou entra em pânico, desmaia, vomita - todas as reações que conseguirem imaginar.
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
17. Fosca
Mirando o futuro:
- Fosca, esta vista.
- Fosse fosca. Diria que é opaca.
- Fosca, para mim, assenta melhor. Há sempre a probabilidade de aquilo que estás a pensar ser aquilo que está ali à frente.
- Ainda assim: nunca poderás ter a certeza. E, daí, acho que é opaca.
- Será uma mistura das duas? Vejamos... Uma vista opasca? Fospaca?
- (Risos) podemos ficar assim, sim.
- Fosca, esta vista.
- Fosse fosca. Diria que é opaca.
- Fosca, para mim, assenta melhor. Há sempre a probabilidade de aquilo que estás a pensar ser aquilo que está ali à frente.
- Ainda assim: nunca poderás ter a certeza. E, daí, acho que é opaca.
- Será uma mistura das duas? Vejamos... Uma vista opasca? Fospaca?
- (Risos) podemos ficar assim, sim.
Amor de Ontem numa Mensagem
Mãe: - Querida filha, não vás à entrevista triste e desanimada. Eu e o Filipe estamos a passar por um período difícil, pois estamos muito cansados sobretudo do Hockey e de ajudar o Rafa na escola e andamos um pouco desanimados com a vida, acabando por transmitir isso a vocês. Deve ser com felicidade que vês os desafios. Só felicidade atrai mais felicidade. Tudo irá correr bem para ti e para o Arlindo. Nós vamos ajudar. Vamos estar do vosso lado. Nunca desistam dos vossos sonhos e de perseguir a vida que querem. E não liguem muito às palavras dos mais velhos, que estão cansados da vida... Esses já não fazem a diferença. Segue o teu coração. Amo-te. Estou sempre disponível e do teu lado! Vais ver que vais conseguir o melhor para ti. E o mais apaixonante. Não duvido nem um segundo disso pois és a Maria. O Arlindo também vai conseguir encontrar um caminho bem melhor e que o apaixone. Beijinho e um dia muito feliz.
- do dia 16 de janeiro de 2018
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Alma de Psi-rinho,
Do Baú,
Entre dias e noites,
Excertos de Amor
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Sobre Hoje, Tiradas as Teimas
Não me consegui identificar com o projeto da entrevista: muito pouco contacto com as pessoas e nada ao encontro das vertentes que, ainda assim, achava mais interessantes de abraçar na empresa. Teria de investigar sobre um tema com o qual não me identifico rigorosamente nada e construir essa tal investigação do zero. Ficar-me-ia bem no currículo? Ui, se corresse bem aposto que sim! Acrescentar-me-ia como pessoa que sou e aos meus sonhos? Duvido muito. Assim, espero que haja alguma alminha extremamente empolgada e de olhinhos a brilhar no meio das várias que se candidataram ao cargo e que se enquadre melhor que eu; essa que consiga a oportunidade da sua vida. Da minha não é... Não vai dar. Não consigo esticar a motivação e o entusiasmo se estes não os há nem numa pequena nesga.
Continua assim a saga de emboscada à caixa de entrada e à porta das Clínicas - esses pedaços de nuvem de algodão-doce na Terra!
16. Exercitar
Mantra para a entrevista de agorinha:
Que se nada daqui provir, que te sirva ao menos para (te) exercitar.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
15. Fruteira
Fazes-me sentir muito fruteira por seres a minha dose saudável e diversificada de açúcar dos dias. Podias ser bolo de chocolate, tarte de amêndoas, gelado multi-sabores. Mas és-me muito mais do que gula: és imprescindível. És o açúcar de que preciso, aquele que faz falta às veias. Um açúcar que alimenta por dentro; que dá energia, nutrientes e vida.
domingo, 14 de janeiro de 2018
14. Desenterrar
- Desenterras mortos como quem desenterra tesouros, um atrás do outro.
- Tem de ser, preciso de o fazer. Sabes? Ainda são tesouros aqueles que estão meio vivos. É preciso que os vejamos desprovidos de vida para os enterrar de uma vez, entendes? Antes disso, se ainda os vês meio a respirar, é sinal de que ainda há algo de precioso, de importante a resolver por aqui, ou já se tinham ido. Agradável ou não, não podemos deixar na terra um baú que ainda vemos como tal, compreendes? Que ainda distingamos da terra alguma coisa mais que não os grãos que a perfazem. Os nossos fantasmas têm de se ir. Têm de deixar o purgatório. E, para isso, convém perceber porque é que ainda lá estão.
- É preciso abrir caixões, então?
- É, há alturas em que tem de ser. Não basta esconder debaixo do solo e esperar que se evapore tudo para uma nuvem que depois vá chover noutro sítio.
- É preciso abrir caixões, então?
- É, há alturas em que tem de ser. Não basta esconder debaixo do solo e esperar que se evapore tudo para uma nuvem que depois vá chover noutro sítio.
sábado, 13 de janeiro de 2018
(Querida Paula, tenho-te aqui uma dívida de gratidão eterna!)
Há pouquinho disseram-me que falaram de mim a uma psi e, por acaso, esta advertiu que um estágio em Clínica vai abrir. Depois de gritar, sorrir, tremer e chorar, já fui a correr lançar-me com uma candidatura espontânea. O sítio e as funções que são... são de sonho.
Que venham daí todos os dedos cruzados, trevos de quatro folhas e as rezas que forem precisas para que este momento de esperança e felicidade histérica que tive (que até me fez esquecer que eram horas de almoçar) se estique para os próximos dias, semanas,... pelo tempo que for preciso. Não largo o telemóvel nem a caixa de entrada agora - ai não.
13. Cegar
- Não imagino o que seja cegar, perder dos olhos a visão.
- Não imagino o que seja isso, mas no coração.
Eu Disse Que Me Assumi Mutante
E de repente até estou mais ou menos disposta a experimentar a empresa de RH, se for RH que querem que eu faça - porque não tem de ser um destino fatalista para abandonar Clínica só por aceitar RH, e até pode ser uma coisa que me abra caminhos para o que eu quero e para outras coisas que eu ainda nem sei que quero.
O que aconteceu para eu mudar de ideias e tornar as minhas ideias mais flexíveis? Pois claro que tinha de ser uma razão do coração: a minha pessoa a chorar a meu lado, no meu colo, porque acabou o curso há três anos mas a arte em Portugal está às portas da morte no mercado de trabalho e não arranja nada na área, vê os sonhos a evaporarem-se todos, as expectativas degoladas, os trinta anos a baterem à porta, o arrependimento de não ter aproveitado certas oportunidades que, apesar de não serem aquilo que ele mais gostava, se calhar não se tinha importado tanto assim de as agarrar se fosse hoje em dia, se calhar a função não tinha sido assim tão má.
Não me devo reger pelos outros e pelo que correu mal aos outros para tomar as minhas decisões, eu sei. Não há como adivinhar o que me vai acontecer e que possibilidades é que eu vou ser capaz de abrir. E daí estar em permanente conflito interno nos últimos dias - daí a ter uma parte de mim a gritar para ir só atrás do meu sonho para já porque é muito cedo para não me focar exclusivamente nisso (nem há dois meses estou formada) e outra parte de mim ter as lágrimas ao canto dos olhos porque sei que as coisas não estão fáceis e que também não me posso propriamente dar ao luxo de pôr oportunidades de lado. Assim, julgo que o que vai acontecer na terça-feira é sair da entrevista a pedir nem que um dia para pensar melhor na proposta, pois sinto-me toda divididinha, partidinha, estilhaçadinha em mil versões de mim, mil perspetivas, mil possibilidades, mil cenários. Tenho medos, tenho desejos, tenho objetivos em várias áreas da minha vida, tenho aquele fantasma do no fim, tudo também depende um bocado da sorte a assolar-me. Tenho dúvidas, tenho-me a mim e a tudo aquilo que amo nas mãos sem saber bem onde nos colocar.
(Ou seja: eu continuo a não querer esse caminho de RH para mim; mas vou de mente aberta ver o que pretendem de mim e depois logo se vê do que me sinto capaz de abraçar ou não agora.)
(Sinto-me não eu só de ter escrito este post - acho que isso já diz o bastante do quão alto e com quanta força grita aquela parte de mim que quer que a deixem sonhar e lutar pelos sonhos só e apenas para já. Eu preciso de pessoas, eu preciso de pessoas, e à pala disso já estou a criar relutâncias, intolerâncias, mini-ódios, ideias pré-concebidas face a outras coisas - diz que não é um bom princípio.)
(Porque é que te candidataste então, Maria? Porque também pediam alguém que gostasse de escrever. Pronto, já disse. Foi essa a principal razão para me candidatar. Psicologia e escrita juntas? Não pude como não. O que me está a matar é mesmo não saber mais nada da função e estar a fazer filmes pelo meio.)
(Ou seja: eu continuo a não querer esse caminho de RH para mim; mas vou de mente aberta ver o que pretendem de mim e depois logo se vê do que me sinto capaz de abraçar ou não agora.)
(Sinto-me não eu só de ter escrito este post - acho que isso já diz o bastante do quão alto e com quanta força grita aquela parte de mim que quer que a deixem sonhar e lutar pelos sonhos só e apenas para já. Eu preciso de pessoas, eu preciso de pessoas, e à pala disso já estou a criar relutâncias, intolerâncias, mini-ódios, ideias pré-concebidas face a outras coisas - diz que não é um bom princípio.)
(Porque é que te candidataste então, Maria? Porque também pediam alguém que gostasse de escrever. Pronto, já disse. Foi essa a principal razão para me candidatar. Psicologia e escrita juntas? Não pude como não. O que me está a matar é mesmo não saber mais nada da função e estar a fazer filmes pelo meio.)
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
12. Medrar (parte II)
Quando a pê disse que a nova Caixa de Palavras ia ter algumas palavras que não tinham de vir do dicionário, assumi que medrar fosse uma delas. Assumi que seria um neologismo, um novo verbo para encher-se de medo. Afinal não: a palavra existe. Quer dizer crescer, desenvolver-se, prosperar. Assumo então aqui que acabei de medrar um pouco, pois novo conhecimento adquiri para mim.
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Caixa das Palavras,
Entre dias e noites,
Sonho letras e vida em livros
Para Enquadrar
Estas reflexões todas derivam de ir a uma entrevista para uma empresa de RH (?) na próxima terça-feira. Não sei se o cargo é para RH, na verdade. Não havia grandes informações sobre o que era para fazer e não pediam especificidade do mestrado em Organizações, pediam só psicologia e que se gostasse de investigação. A modos que vou para descobrir qual é a proposta, porque a empresa em questão não me parece uma entidade igual às outras da área. É muito virada para dar o melhor aos outros também, e foi essa uma das razões que me encantou; não foi a principal, mas foi uma das que me puxou a candidatar-me apesar de tudo. Sem compromisso, veremos, pois então. Veremos.
Entretanto, por me perceber Clínica de espírito às vísceras, nasceu uma nova etiqueta: alma de psi-rinho.
Parem-me, se se Atrevem
Entendi-me mutante quando assumi o meu pleno direito a mudar de ideias quando entender e as vezes que sentir necessárias. Entendi que aquilo que digo num momento é verdade, a mais pura e genuína verdade - mas para aquele momento. Assumo a minha costela de gémeos vira-casacas - ou melhor, de humana vira-casacas, porque toda a pessoa que seja humana é vira-casacas nos seus campos, nas suas alturas. Estou numa fase reflexiva da minha vida, numa fase de alinhavar planos A, B, C, numa fase em que a minha vida profissional é um dos centros principais ainda que não o mais querido para mim - pelo menos achava eu até hoje à noite, quando senti que precisava de algo mais no mundo que faça o meu coração pulsar ainda mais para lá além. Vejamos se nos entendemos: a minha prioridade na vida estará sempre no campo do Amor - o Amor que tenho pelo e com o Arlindo, o Amor que tenho pelas e com as pessoas da minha família e do meu círculo de amigos, o Amor que tenho pela escrita, o Amor que tenho pela descoberta do mundo. Simplesmente, hoje à noite, antes de dormir, descobri que também vai ter de ser Amor pelo trabalho. O campo profissional está incluído, não me é tão indiferente assim como eu achava que seria. Amor em todo o lado eu preciso, eu procuro, eu cobiço. Amor e mais Amor - e por esse Amor com letra maiúscula lutarei, erguerei espadas e escudos.
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Alma de Psi-rinho,
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Mais Mundo,
Sonho letras e vida em livros
12. Medrar
Eu medro, tu medras, ele medra, nós medramos, vós medrais, eles medram. Há famílias que formam círculos viciosos, e há para aí delas às carradas - não só das famílias de sangue, mas daquelas que se criam dos constantes contactos relacionais. Então, por exemplo: a Clara partilha o seu medo disto e daquilo, que por sua vez é subscrito pelo João que teve uma experiência parecida, que por sua vez a Fátima também ouviu falar que já aconteceu à Rita, que por sua vez o Zé e o Alexandre também tremem só de ouvir - independentemente de, se calhar, estar lá uma Ana e um António que abrem ali o jogo de probabilidades e constatam que esse episódio tem a possibilidade mínima de se materializar. Está tudo estragado: formou-se ali uma irmandade de atenção seletiva e de reforços baseados em catastrofizações e em historiais de insólitos que só acontecem uma vez na vida mas ó diabo se acontecem de novo. E de repente o drama, o mundo a ruir, toda uma vida a girar à volta daquilo, e se for preciso até um novo verbo se inventa para coisa que tal.
Pessoas, pessoas!!!... Vamos parar um bocadinho e procurar ter em conta também Anas e os Antónios da vossa vida, sim?
A Última Contra-Argumentação Mental Antes de Ir Dormir
- A tua prioridade é entrar para a Desordem.
Não, não é. A minha prioridade é ser feliz.*
* entrar para a Desordem poderá, ou não, ser a mesma coisa.
É: isso do se Clínica não resultar vou para RH não vai dar. Se Clínica não resultar eu não faço ideia para onde irei, mas RH não me encaixa como Clínica não encaixa a tantas pessoas de RH, que excluem esse caminho logo à partida. Seria melhor profissional num café e mais feliz, tenho quase a certeza absoluta. E virão os entendidos adultos dizer que vou precisar de mais dinheiro que aquele que se ganha num café, que trabalhar numa empresa é upa-upa, que o emprego do meu namorado também não é o melhor e depois como é que pensam ter uma vida, que fui até ao fim de um mestrado e como assim não fazes um último esforço de um ano em RH só para entrar para a Desordem, como assim, como assado. Pessoas: viva eu como viver, vou sempre viver comigo, e é por mim e por mais ninguém que tenho de fazer o meu percurso, seja ele qual for. Não me tentem ver por menos por isto ou por aquilo que a minha pessoa e a minha vida é do mesmíssimo tamanho e valor, só se as vossas lentes estiverem desajustadas é que acharão que não. Maria, não te deixes ir nas lenga-lengas do tu não sabes o que é, escuta-me que eu é que tenho razão que sou mais ancião.
Então, eu achei que se houvesse só a escrita e mais nada bastava para eu ser feliz, mas depois entendi que da escrita só e apenas não bebe nem o meu corpo nem a minha alma. Então, eu percebi que preciso das pessoas, das histórias delas, de desbravar interiores com elas, porque no fundo ser psicóloga também já é um pedaço grande de quem eu sou e daquilo que eu não poderia não ser. Então, estou aqui a viver um dilema existencial à hora de dormir, ou melhor, muitos dilemas existenciais, porque a vida balança balança e a gente ou balança também ou aguenta firme, e eu como sou apologista de sentir tudo o que há para sentir até às camadas mais fundas do ser já devo ter em modo automático para balançar também.
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
11. Leviano
Leve, leve, é o que diz que diz em África. Leve, leve. Não fiz voluntariado em África quando pensava que ia fazer lá para dois mil e trezes, catorzes, mas só de ir à reunião de apresentação do programa, esta marcou-me logo: leve, leve. Porque... para quê levar a vida com pressa? Para quê levar a vida pesada? Para quê escolher fazer assim? Leve, leve. Vão, sigam caminho, façam, vivam tudo o que tiverem de viver de mais e de menos e de sobe e desce. Mas vão leve, leve.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
«I read once that the ancient Egyptians had fifty words for sand and the Eskimos had a hundred words for snow. I wish I had a thousand words for love, but all that comes to mind is the way you move against me while you sleep and there are no words for that.»
- Brian Andreas, Story People: Selected Stories & Drawings of Brian Andreas
10. Entreolhar
Do melhor que a vida tem: entreolhares apaixonados.
Não se escreve mais sobre isso, que não se quer. Essa magia arrebatadora e fugaz toda, inteira e última só faz sentido vivida - mesmo que linda nos romances, hipnotizadora nos filmes, invejável na rua, memorável em fotografias e diários. Não se pode comparar.
Não se escreve mais sobre isso, que não se quer. Essa magia arrebatadora e fugaz toda, inteira e última só faz sentido vivida - mesmo que linda nos romances, hipnotizadora nos filmes, invejável na rua, memorável em fotografias e diários. Não se pode comparar.
terça-feira, 9 de janeiro de 2018
09. Urbano
Hoje era para ser o meu primeiro dia urbano do ano: sair dos subúrbios para acompanhar o meu amor a uma entrevista no centro da cidade, que estava com gripe (ele que não ficava doente desde a terceira classe, diz) e há uns dias mal se aguentava em pé. Felizmente está melhor, pelo que já não irei, pois já não tenho mais medo dessa imagem de ele se escancarar no meio do chão se se sentisse mal de repente. Seria esta a primeira visita de muitas nos próximos tempos ao lufa-lufa de Lisboa, pois em breve, breve, vou começar a entregar currículos em mão assim que acabar de organizar a minha folha de Excel toda bonitinha com possíveis locais de estágio por localização (já faltou mais).
Pois é: começa a luta externa para encontrar um lugar... e a interna também. Quer dizer: a interna já começou. Continuará, pois então. Faço-me agora aqui astróloga do meu ano e vejo que os planetas estão alinhados a espelhar terramotos nas cidades que for construindo no meu coração, à medida que acumulo tijolos em forma de casas e castelos. Mas também diz o site de astrologia que este ano é um ano de organização para mim, de ganho de maturidade. Tenha ou não a astrologia razão na maior parte dos casos, a dica faz todo o sentido. Por isso, é fazer-me Marquês de Pombal e reconstruir inteligentemente toda e cada rua central sempre que um desastre ocorrer. Daí, há de vir qualquer coisa de bom.
Pois é: começa a luta externa para encontrar um lugar... e a interna também. Quer dizer: a interna já começou. Continuará, pois então. Faço-me agora aqui astróloga do meu ano e vejo que os planetas estão alinhados a espelhar terramotos nas cidades que for construindo no meu coração, à medida que acumulo tijolos em forma de casas e castelos. Mas também diz o site de astrologia que este ano é um ano de organização para mim, de ganho de maturidade. Tenha ou não a astrologia razão na maior parte dos casos, a dica faz todo o sentido. Por isso, é fazer-me Marquês de Pombal e reconstruir inteligentemente toda e cada rua central sempre que um desastre ocorrer. Daí, há de vir qualquer coisa de bom.
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
08. Desintegrar
Antigamente, não olhava o sentir-me esmiuçada por dentro a bons olhos; o sentir-me feita em pedaços, separada do que conhecia, desintegrada em peças de puzzle espalhadas e amontoadas sem sentido; estilhaçada qual vidro partido a formar o caos. Hoje, creio que já olho isso de outra forma. Porque, quando em cacos, não temos mais nada que não nós. Repare-se: não há altura em que se possa ter mais certezas de quem se é, mesmo que o sentimento predominante seja o de se estar totalmente à deriva. Afinal de contas, é a altura em que podemos com toda a certeza dizer que nos sentimos todos, de uma ponta à outra, em cada célula; é a altura em que nos somos todos sem mais nada, só com o que somos e quem somos, porque de resto caiu-nos tudo. Somos ali; naquele momento; naquele lugar; naquelas condições: genuínos. Em tudo o que nos vai dentro, somos nós. Só nós. Mesmo que amanhã possamos vir a ser mais do que naquele momento e arrecadar um pouco de melhor da vida para usar como cola e criar de nós qualquer coisa diferente e nova: ali, naquele instante de confusão, de desestruturação, somos cada lágrima, cada arcar de dor, cada saudade, cada desejo, e cada sorriso que possa eventualmente surgir por qualquer razão inesperada. Ali, não podíamos ser mais nós.
Creio hoje, mais do que ontem, que, talvez, mais do que o renascimento, a morte da fénix é o momento. Pelo menos, já tem dias em que consigo pensar assim.
domingo, 7 de janeiro de 2018
Há daquelas coincidências da vida em que passo de cética a inconformada com as respostas que a ciência e a lógica podem dar. Preciso muito da lógica na minha vida para me guiar (preciso mesmo, mais do que aparento)... mas convenhamos que, talvez, não pudesse ser Maria se toda eu procurasse apenas as regras e as fórmulas. Eu era aquela criança a quem a minha mãe escrevia cartas que besuntava com um creme de maquilhagem dourado fingindo que o remetente era uma fada. A partir daí, aquela carta passava a ser o meu maior tesouro. Assim sendo, sinto-me no direito de volta e meia indagar ao Universo qualquer coisa, e agora o que indago é: será que o Sr. Agostinho não é mesmo um anjo que anda por aí a saltitar entre vidas para levar sabedoria e amor a quem encontra durante os seus passeios na rua? Disse-me ele que saiu da terrinha mais a mulher para vir viver com a filha para Lisboa. Porém, não sei se esta foi a sua primeira morada. É que reparei noutro dia que, pelo menos mais uma pessoa minha conhecida, também já teve um Sr. Agostinho nos seus dias - um Sr. Agostinho assim destes, que para e cumprimenta cheio de educação e alegria toda a gente.
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"Estamos todos ligados no grande ciclo da vida" disse o Mufasa,
Entre dias e noites
Sou uma pessoa que precisa muito do tempo para si própria, para ficar em casa no seu cantinho ou sair para fazer as suas coisas, que necessita muito de estar só consigo mesma. Não me interpretem mal: também gosto muito de estar com as minhas pessoas - só não preciso daquela rotina de ver os amigos todas as semanas. Já muitas das pessoas do meu círculo precisam, e se fosse possível até faziam planos de dois em dois dias. Comigo, há daquelas fases em que fico satisfeita se ocorrerem encontros de três em três semanas ou de mês a mês. Então, tenho muita dificuldade em lidar com convites quando eles vêm em forma de "Maria, o que vais fazer dia x...?" em vez de "Maria, quero convidar-te para vires ao café/cinema/passear dia x". Quando os convites vêm formulados da primeira maneira sinto-me muito incomodada, porque às vezes não tenho planos mas na realidade não quero ter planos. A minha resposta acaba então por sair sempre um envergonhado "acho que até agora não tenho nada de especial, mas porquê?...", quando o que me surge na cabeça é um "oh não! Não, não vou fazer nada, mas apetece-me nada fazer". Sei que se dissesse que não estou muito disposta para sair naquele dia que, muito provavelmente, aqueles amigos do peito iam entender (e já disse umas quantas vezes, e entendem). Mas sinto-me constrangida, porque as vezes em que não me apetece sair são muitas, e se os convites chegam sempre desta forma quase que soa que não gosto nem tenho vontade de estar com as minhas pessoas. Gosto e tenho vontade, só não é uma necessidade minha constante, o que não diminuí a importância que essas pessoas têm para mim e que faço por mostrar sempre que estou com elas.
Ah, isto é especialmente verdade para os planos que são feitos à noite. A noite é muito minha, do meu pijama, da minha cama, dos meus livros, das minhas séries, das minhas escritas. A noite é o tempo em que muitas vezes me viro para dento de mim própria e que devagarinho começo a desligar de tudo do dia-a-dia para recomeçar no amanhecer seguinte. Preciso muito da noite para mim e só para mim, só consigo conceder um pouquinho dela para os outros de tempos a tempos ou quando sei que é um plano realmente importante para alguém que amo.
07. Regressar
Regressar fará sentido se há algo lá atrás que precisamos de ir buscar para o agora nos fazer sentido. Se há tempo lá atrás que precisamos para viver o tempo daqui da frente, se há espaço lá atrás que precisamos para dar balanço na vida daqui. Não fará tanto sentido, contudo, se o tempo e espaço daqui são possíveis de nos ser no que são e se só nisso já nos sabem a casa. Cabe, pois, a cada um pesar o que levam nos bolsos dos casacos de ontem e de hoje nos pratos da balança.
sábado, 6 de janeiro de 2018
06. Sugar
Sanguessuga suga menos que muita gente nos suga a vida.
Há que sugar essa gente aspirador dentro, limpar o chão em que pisamos e a casa do nosso coração.
Há que sugar essa gente aspirador dentro, limpar o chão em que pisamos e a casa do nosso coração.
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