quarta-feira, 21 de março de 2018

Entre a procura de estágio, levar o curso para obtenção do CCP a bom porto e ficar doente pelo caminho, a blogosfera tem ficado de lado. Pergunto-me quantas publicações, a contar com esta, é que já terei feito por estes lados só para informar que continuo viva, que só não tenho tido grande tempo/disposição para escrever, mas que voltarei.

Nota: fui louca e concorri a uma bolsa de investigação e já fui à entrevista (julgo que correu bem, simplesmente somos mais candidatados do que eu pensava, pelo que a ver vamos). Como se não estivessemos traumatizadas com a tese, não é verdade? Contudo, nada que uma espécime de emprego na área e um bom apoio monetário não ponha em questão (como é o caso).

sábado, 10 de março de 2018

02. Emenda

Tenho vindo a aprender que procrastinar - pelo menos, para mim - resulta de uma tentativa de emenda no equilíbrio defeituoso entre as necessidades de trabalho-lazer. Tentativa de emenda, esta, que só estraga mais.

01. Inquilino

As pessoas das nossas vidas são-nos inquilinos que pagam a renda por outra forma de casa.

sexta-feira, 9 de março de 2018

"Caixa das Palavras II" de Março

[ dia 1 ] - inquilino
[ dia 2 ] - emenda
[ dia 3 ] - de mansinho
[ dia 4 ] - alicate
[ dia 5 ] - reter
[ dia 6 ] - vasilha
[ dia 7 ] - carícias
[ dia 8 ] - sororidade
[ dia 9 ] - exorcizar
[ dia 10 ] - comilança
[ dia 11 ] - abutre
[ dia 12 ] - espantar
[ dia 13 ] - itinerário
[ dia 14 ] - recesso
[ dia 15 ] - células
[ dia 16 ] - uníssono 
[ dia 17 ] - evidências 
[ dia 18 ] - trapaceiro 
[ dia 19 ] - estátua 
[ dia 20 ] - malícia 
[ dia 21 ] - noticiário 
[ dia 22 ] - masturbação 
[ dia 23 ] - enferrujado 
[ dia 24 ] - cristaleira 
[ dia 25 ] - inóspito 
[ dia 26 ] - vacilar 
[ dia 27 ] - arrufo 
[ dia 28 ] - entranhar
[ dia 29 ] - frívolo
[ dia 30 ] - radar 
[ dia 31 ] - varal

28. Movediço

A prova de que aplicamos etiquetas de forma errónea (o certo era nem as aplicar - pelo menos, não com super cola três), é que quando leio movediço, primeiro, relembro o pânico que a areia movediça me provoca. No entanto, logo a seguir, e se tentar rodar o jogo a meu favor, movediço também me relembra aquela sensação bestial de me afundar num puff ou numa piscina de bolas coloridas dos parques de diversões. Ah, que saudade boa...

27. Andragogia

Havia uma altura, sendo uma pitinha pequena e imersa na completa e total descoberta do que era isto do mundo, em que julgava que os adultos é que a sabiam toda. Foi graças a isso que hoje sei que todos estamos nessa completa e total descoberta independentemente das velas sopradas, e que ensinar uma criança ou um adolescente é capaz de ser, grande parte das vezes, bem mais fácil do que dar à manivela da andragogia no meio dos "crescidos".

26. Lúnula

O amor não pode ser cheio nem vazio. Ser vazio não pode por razões óbvias - nesse caso, não há aí amor, não há nada. Cheio... Ser cheio também não pode, porque da última vez em que verifiquei o amor não é estanque. Não é possível compará-lo a um balão cheio no qual não entra nem mais uma partícula de ar (isso, na verdade, até transmite uma sensação de sufoco... e, se é sufoco, também não é amor). Então, pensemos antes no amor como pensamos nos quartos da lua. Sim: o amor é uma lúnula. Minga e cresce, cresce e minga, continua apenas a crescer e a crescer sem fim à vista ou minga de tal forma que quase deixa de se ver. Mas se chega a cheio ou a vazio... Não sei até que ponto estaremos a falar de amor.

25. Torvelinho

- Tens um torvelinho no topo da cabeça.
- Não é de espantar, com o tornado que aqui vai dentro.

24. Cessar

Cesse esta excessividade de tempo e de ser caído no vazio, no desperdício; dê-se atenção às razões dos lamentos, aos porquês da inércia, às motivações do (di)vagar - mas que cesse esta sensação dia finito sem qualquer fim. Que cesse esta sede sem procura de água, sem provar essa água ou, até, sem imaginar o ar que nos entra por dentro como essa água - há que senti-la. Precisamos de colocar um ponto final a tudo o que nos limita, a tudo o que nos impede de ser mais.

23. Consistência

Não assustam propriamente os padrões de comportamento, pensamento ou emoção que gritam alarme, mas a sua consistência.

22. Elefantes

Há dias em que a dor não só tem memória como pegada de elefante.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

21. Placenta

Todos sabemos que num momento anterior já vivemos numa placenta. Porém, nem todos percebem que o planeta é uma segunda do tipo, à qual ainda estamos ligados por um cordão umbilical. E esta segunda do tipo funciona exatamente como a primeira: a placenta sofre, possivelmente nós também. Só assim possivelmente.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

20. Fermentado

O bolo demora a fermentar assim como qualquer coisa na qual coloquemos os ingredientes que levamos em nós.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

19. Planalto

Anda, vem comigo para o meu regaço: sentemo-nos aqui, juntinhos como mais ninguém. Vem, anda comigo, e repara o que o amor faz: vês tudo isto abaixo de nós? Era só uma planície até tu chegares. Ganhámos assas e somos pássaros agora, vês? Juntos, o banco transforma-se numa nuvem e, de repente, sobrevoamos antes planaltos.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

18. Esculpir

De admirar esses escultores que seja em pedra, seja em metal, vão com tudo e esculpem sorrisos contra o mal.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

17. Desaparecer





















(Desaparecer passa por isto mas, muitas vezes, numa escala muito maior: deixar espaços em branco que nenhuma outra pessoa preencherá.)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

16. Penoso

Talvez isto de fazer uma formação em pós-laboral me ensine, se eu assim quiser atentar e reparar, que estar desperta pela noite não é assim tão penoso com a lua e as estrelas de companhia - mesmo que um bocadinho tímidas por detrás das luzes da cidade.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

15. Moroso

A psique é bem capaz de ser mais célere que a velocidade da luz, ou pelo menos a psique sofrida. Tem-me ensinado a psicologia (e a vida) que alguém a quem por dentro lhe dói já viu o final feliz em algum cenário hipotético e quer-lo à força, rápido, se possível agora e já. Mas depois a realidade palpável e comprovável a olho leva um processo mais moroso e, quase sempre, exige que a pisque experiencie fora da caixa para chegar à meta. Então, das duas uma: ou a pessoa acaba por aceitar essa luta e, passo a passo, fazer aproximações sucessivas ao objetivo conforme vai podendo e conseguindo, ou ainda se arrisca a se enrolar mais na sua bola de neve porque lhe dói ainda mais toda a ideia desse processo lento e de pequenas (e só por isso grandes) mudanças.

14. Musas

Quando as árvores e as montanhas são musas de alguém: já me compraram, têm toda a minha atenção.

13. Focar

A quem anda perdido sem ver futuro à vista, criar pequenos focos quando não os há ajuda muitíssimo. Já a quem colecciona planos, tarefas, prazos e responsabilidades a perder de vista, volta e meia faz bem ligar ao desfoque e combinar um café. É simples: se procuramos manter o equilíbrio dentro de nós, temos de promover o equilíbrio à nossa volta.