Primeiro dia de excursão com a Rabbie's Tours. No regrets at all. Partimos cedinho de Edimburgo: às 8h30 já nos fazíamos à estrada com o Craig enquanto guia e junto a mais sete pessoas vindas dos mais diversos locais - China, Taiwan, Alemanha, Estados Unidos da América. Por todo o caminho rumo à ilha de Skye o Craig foi contando tudo e mais alguma coisa sobre terras escocesas: factos, curiosidades, lendas... Sempre que vinha à conversa alguma história, então, era ver-me toda embalada, babada, a escutar atentamente (soube-me particularmente bem no último dia, no regresso, já ter anoitecido e o nosso guia a contar uma lenda atrás de outra). Durante todos os três dias de excursão a banda sonora do autocarro foram músicas ora escocesas ora cantadas/tocadas por pessoas escocesas (quando deu a música de abertura de Outlander e a música do Brave da Disney era ver a minha criança interior a querer saltar cá para fora). Fomos sempre fazendo várias paragens, e o Craig teve o cuidado de parar a carrinha sempre que a paisagem era de cortar a respiração para que todos pudéssemos apreciar o quadro e também de adaptar o trajeto e levar-nos a pontos extra quando os caminhos originais estavam condicionados pelos resultados da meteorologia (quando neva, às vezes, há alguns pontos cuja acessibilidade se torna perigosa).
Do primeiro dia rumo a Skye, destaco a primeira paragem: o Castelo de Doune, que serviu para filmar a base do clã MacKenzie de Outlander e, pelo que entendi, também alguns episódios de Game of Thrones. Destaco também a paragem no Loch Lubnaig - só lindo - e onde, pela primeira vez, vimos o passarinho de barriga vermelha - que há em todo o santo sítio das Highlands. Fizemos ainda umas quantas paragens junto a montanhas absolutamente imponentes e almoçámos em Fort William, onde eu e o Arlindo nos aventurámos no primeiro cemitério escocês (adorei todos os cemitérios porque passámos: ver lápides de pessoas de mil setecentos e troca o passo - literalmente - envoltos na atmosfera escocesa é, para mim, qualquer coisa de indescritivelmente mágico e misterioso... já para não falar de delirar ao encontrar nomes de clãs nas lápides, como os Fraser, os MacKenzie, ou os MacDonald). Por fim, antes de seguirmos para as nossas acomodações em Skye, parámos junto ao Castelo Eilean Doun, que segundo o Craig e para ele, apesar de bonito, é uma farsa, pois já se trata de uma reconstrução e não do original. Segundo aquilo que reti, era um castelo que servia de proteção face aos Vikings.
Já em Skye (em Portree, para ser mais precisa) e quanto à nossa acomodação... fomos absolutamente surpreendidos pela positiva. Antes da viagem já detinha o nome e morada da mesma, mas quando pesquisava no Google sobre ela não me aparecia absolutamente nada. Quando chegámos, percebi porquê: ficámos na casa de um senhor que vive efetivamente em Portree, e que tem dois quartos a alugar. De todos os locais em que já fiquei com o meu amor este foi, sem dúvida, o mais confortável e chique. O dono da casa trabalhou muitos anos em construção, pelo que, contou-nos ele mais tarde, edificou a sua de raiz... e que casa!... O senhor era, além disso, de uma simpatia incomparável, coabitava com o irmão e tinham um cãozinho arraçado de Westie com Bichon Maltês que me derreteu de amores e me fez começar logo à partida ter saudades do meu Yeti.
Jantámos em Portree e, ao contrário do que esperávamos (em Edimburgo, o Jorge tinha-nos contado que para comermos metade do que comemos cá em Portugal e pagarmos o mesmo tínhamos de ir a Pubs), não pagámos assim tanto e comemos mais do que bem (muito melhor do que em muitos restaurantes portugueses; mas talvez tal também se deva a termos jantado fora em Portree, que é uma terra muito mais a norte da Escócia e muito mais isolada - em Edimburgo as coisas já pareciam funcionar mais como o Jorge nos advertiu, mas não sei afirmá-lo com certezas pois aí optámos sempre por cozinhar por nós mesmos). Escusado será dizer que na noite seguinte voltámos ao mesmo estabelecimento à hora de jantar.
Nota: adorei as vacas escocesas, cheias de pêlo, tão diferentes, tão típicas.
Nota 2: o senhor da nossa acomodação alertou-nos que iria estar um frio danado durante a noite e deixou-nos à vontade para aumentar o aquecimento do quarto se quiséssemos. Ora: acontece que no Reino Unido eles têm aquecimento em tudo o que é estabelecimento, casa ou transporte - coisa que a malta portuguesa não usa ou, se usa, usa errado (como os comboios com o ar condicionado ligado no máximo do frio quando o tempo começa a arrefecer). Pois não é que, em vez de aumentar, o meu amor baixou o aquecimento do nível três para o nível um durante a noite? Pois não é que não tivemos frio nenhum nenhum?
Nota 3: a última pessoa a ser condenada por bruxaria na Escócia data cerca do ano de 1940, em Callander - a vila que albergou a nossa primeira paragem.











































