O dia que menos prometia ser fantástico foi este, e foi, precisamente, aquele que mais maravilhoasmente se passou em Edimburgo.
A manhã começou preguiçosa na cama, escutando a chuva a cair lá fora. Deixámos para o último dia a ida a Arthur's Seat e a Dean Village, dois locais cuja visita é altamente aconselhada e que, sentia eu, seriam também os locais que mais nos encheriam as medidas na cidade por serem tanto mais tipicamente escoceses como mais pitorescos. Escutar as gotas de água a bater com força contra os vidros não parecia um bom prognóstico para passeios ao ar livre. Contudo, como a meteorologia no norte da Europa é coisa que é muito difícil de prever de minuto para minuto, acabámos por ser presenteados com sol e céu azul um pouco depois.
Resolvemos arriscar e seguir o que tínhamos planeado, encaminhando-nos para Arthur's Seat e estando dispostos a averiguar se seria ou não minimamente escalável, dado que a chuva poderia ter tornado o piso um tanto lamacento. Foi com muita alegria e encanto no olhar que nos apercebemos que era efetivamente fazível a subida às montanhas; as saudades das Terras Altas já se faziam sentir em nós, pelo que aquele bocadinho de natureza no meio da cidade foi-nos a cereja no topo do bolo. Claro que, ainda assim, temos de ter em conta que a Maria - moi je - é alguém extremamente medricas, pelo que consegui apenas subir parte das montanhas, tremendo de corpo e alma com a possibilidade de continuar um bocadinho mais para cima em todas elas. Pelo que... sim, subimos um pouco de Arthur's Seat. O Arlindo um bocadinho mais do que eu. De qualquer dos modos, tanto eu como o meu amor, chegámos a acordo em nomear tal local como o melhor ponto de Edimburgo, por muito que haja outros pequenos recantos envoltos de sonho e mistério... o que nos leva à Dean Village, uma pequena vila à qual se vai muito bem a pé e que, quando visitada ao entardecer como fizémos, lembra um aglomerado de casas de bruxas, duendes e fadas - portanto, tudo aquilo que sempre sonhei em relação à Escócia. Bem que me imaginaria ali a passar umas temporadas, dedicada exclusivamente à escrita de contos, ou não fosse aquela a atmosfera ideal, propícia aos mais variados mitos e lendas. Acho que qualquer pessoa das artes e/ou dos livros o entederá se olhar fotografias do lugar - ou melhor: se o visitar em carne e osso.
À parte de tudo isto, este último dia em solo do Reino Unido também se pautou por outros amores, tais como: revisitar a rua colorida que serviu de inspiração para a Diagon Alley; parar por uns segundos mais frente ao café onde a J. K. Rowling lançou os primeiros toques de magia nas páginas que prefazeriam Harry Potter; admirar os edifícios enfeitados com laçarotes como se de presentes se tratassem; espreitar pelos parapeitos aquela parte dos Princes Street Gardens decorados com a movimentação e luzes da feira de Natal.
Regressados ao hostel, horas de fazer as malas e tratar dos últimos preparativos para voltar para Lisboa. O dia seguinte foi enfrentado com alguma pena por tudo ter terminado, ainda que com o desejo e promessa de voltar assim que possível. Seguiram-se longas horas de voo, novamente com escala em Frankfurt como no início da viagem - ainda que, desta vez, com bastantes horas a aguardar entre aviões. Enfrentei um pequeno precalço nos voos de regresso, dada a turbulência nos ares: ouvidos entupidos, com uma dor dilacerante como brinde (vim a descobrir que fiquei com sinusite, pois nos dias seguintes a coisa permanecia sem aliviar um nico). Felizmente, tudo foi mais suportável com o carinho e amor que encontro todos os dias no meu princípe encantado e companheiro de aventuras...
Aqui estaremos igualmente, juntos para o bem e para o mal, em jornadas futuras. Venham elas!