domingo, 1 de janeiro de 2017
«Pelo Sonho é Que Vamos»
Este ano peço uma lufada de ar fresco: esvazio o pote dos sonhos velhos e movo-os para a caixinha de recordações. Começo o projeto cada dia, um amor. A cada dia escrevo num papel um acontecimento bom desse ciclo de sol e lua, um amor portanto, e faço assim até daqui a 365 ciclos de 24 horas (é quase um project 365 em palavras, ao invés de fotografias).
Este ano peço uma lufada de ar fresco: a consciência da existência de pequenos sonhos todos os dias, e não só dos grandes para o futuro. ♡
Mantra for '17
Se eu não vivo a vida ao máximo é porque eu própria me limito.
- Maria, eu, a 1 de janeiro de 2017
Heim?! Já?!
Para tudo!!! O ano começa com a constatação que o meu irmão tem o seu primeiro amor (pelo menos oficialmente conhecido). Os meus pais resolveram fazer uma passagem de ano com a miudagem cá em casa e ele e uma menina acabaram de pedir para ficar sozinhos, e os restantes amigos a fazerem de propósito para tal... Ai que emoção!!! 13 aninhos e um amor.* Oh.
* para recuerdo: o amor chama-se Catarina.
sábado, 31 de dezembro de 2016
Do tema "Viagem"
Vou ao sabor da corrente, das rajadas, das nuvens, da chuva, dos raios de sol, das estrelas, da lua: dos movimentos da Terra - da natureza. Vou ao sabor desta terra que também é minha: meu corpo; desta natureza que me faz eu: minha alma. Vou ao sabor da essência da vida, passando por trilhos em caracol e por outros a imitar planícies. Vou - acima de tudo, vou. Viajo. Vejo. Sinto. Sou.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
sábado, 24 de dezembro de 2016
quarta-feira, 14 de dezembro de 2016
Salvé os Nãos
«Os nãos da vida nem sempre são maus...
Às vezes, são a melhor forma de te fazer sair do lugar e pôr o teu mundo a girar.
Às vezes, são o único beliscão que te faz acordar.
Às vezes, são a maneira que o universo encontra de te fazer entender (de uma vez por todas!) que quando achas que estás a perder, só estás a ganhar.
E às vezes, são o favor que precisas para cerrar os dentes, arregaçar as mangas, pôr fim à chuva que chove dentro de ti, e provar (a ti mesma) que Não nenhum desta vida será o fim dos teus ''sins''.»
- retirado de uma publicação do Facebook, embora me cheire a que a sua fonte seja Às 9 no meu blog.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
Das Cartas às Emoções e a Mim Mesma
Cara ansiedade em espiral no meu peito, fazendo meu coração acelerar e a minha respiração correr até mais fundo nos pulmões: desanda para outro lado, meu corpo e minha alma não são campo para jogar ao pião.
Querendo ocupar-me comigo mesma, os meus mais sinceros cumprimentos,
Maria
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
sábado, 3 de dezembro de 2016
Do tema "O Impossível"
Dormia tranquila sonhando com o céu estrelado quando ouvi algo bater com força na minha janela. Sobressaltada, pisquei as pálpebras repetidamente de forma a abri-las por completo e o mais rapidamente possível, desemaranhei-me dos lençóis de algodão e coloquei os pés descalços no chão de pedra gelado do meu quarto. Corri a levantar as persianas e pus-me junto ao parapeito, esbugalhando os olhos à procura de algo que pudesse ter caído. No meio de um arbusto, vi algo invulgar brilhando: pequenas pintas cintilantes, mas ainda assim maiores que pirilampos. Deparei-me então com pequenas estrelas cadentes estendidas, feridas em algumas das suas pontas. Voei até elas como voava tantas vezes nos sonhos, mas desta vez fora deles e sabendo-as fora também. Agarrei-as nas minhas mãos e levei-as para casa, chorosa: que não recuperassem totalmente da queda, que o céu com o qual sonhava então nunca mais voltasse a ser o mesmo na possibilidade delas nunca mais voltarem a casa. Porém, ainda que mais fracas na sua luz - por vezes num intermitente inconstante -, ainda lhes sentia na pele o calor que era só delas e foi nele que enfim me concentrei. Consciente de que também eu tinha calor para lhes dar, encostei-as ao coração e esperei. Esperei... continuei a esperar que o sentissem, espero que o sintam - e com ele o meu desejo e decisão de lutar por elas, de devolvê-las a esse céu bonito e sonhado. Assim lutei e luto, dias a fio: esperando que o amor seja curandeiro de grande parte das dores e dos arranhões, que o carinho constitua o seu bilhete de retorno a casa - por muito difícil ou intransponível que me pareça essa batalha pois, afinal, quem sou eu para conseguir devolver estrelas ao céu? Mas... a bem dizer, quem sou eu, também, para não o conseguir fazer? O impossível só existe até ser possível, e eu escolhi e escolho entregar-me a esse desafio - pelo sonho, pela causa que significa... até agora nunca ganha e, por isso, por ganhar por alguém.
Ainda não sei se conseguirei sair-me cumpridora para com esta minha missão... mas a verdade é que o horizonte nunca esteve tão perto como hoje, e isso faz-me querer que progressos vão sendo feitos, que vou, realmente e de novo, aproximando as estrelas em recuperação das nunca lesadas... que, um dia, a reunião será possível. O céu estará ao alcance.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
terça-feira, 22 de novembro de 2016
And Breathe... Just Breathe...
Semana somando pontos: primeiros erros em avaliação psicológica e raspanete da orientadora ontem, done; primeira consulta após o desânimo enorme do dia de ontem, done também e julgo que a correr bem.
Vamo' lá que isto do último ano não está a ser fácil para ninguém, mas mesmo assim vai-se caminhando. As esfoladelas fazem parte e o dói-dói que fica, um dia, cura.
sexta-feira, 18 de novembro de 2016
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
sábado, 12 de novembro de 2016
Do tema "Vício"
Se os nossos medos são hábitos bem instalados, por nada largados, então que toda a aprendizagem passível de fazer com o que nos faz tremer também vire vício.
- reflexão minha, publicada hoje, em Os Sonâmbulos
segunda-feira, 7 de novembro de 2016
Mas eu também sou pessoa, update (agora sim!)
O pedido de desculpas chegou agora à noitinha, comprido, a falar de um dia complicado, e que quinta-feira vamos fazer triagens e que já se arranjou uma paciente para mim com agorofobia (festa, confetis, felicidade). But wait... Não percebi se é suposto estar já com a paciente quinta ou se era só uma informação geral de que mais tarde ou mais cedo poderei começar com a senhora. Oh well. Someone needs to prepare herself for one thing or another.
Novo update (a 8 de novembro): afinal o caso de agorofobia não poderá ser; terei antes um de luto. E não será já quinta-feira. Por outro lado, na próxima segunda-feira começo sozinha a fazer avaliação psicológica.
Novo update (a 8 de novembro): afinal o caso de agorofobia não poderá ser; terei antes um de luto. E não será já quinta-feira. Por outro lado, na próxima segunda-feira começo sozinha a fazer avaliação psicológica.
Tic-tac Brrr
Está um frio de rachar nestes meus mãos e pés. Tudo se resume ao tempo: ao da natureza e ao dos relógios.
[O calor voltarás a sentir, Mariazinha].
Mas eu também sou pessoa, update (mais ou menos)
Nem à segunda mensagem a orientadora me respondeu.
Estou desanimada e a começar a colocar muita coisa relacionada com este estágio em causa. E, por vezes, naqueles momentos mais críticos em que nada bate certo (embora contra isso não deixe de lutar, pois bem sei que não se trata de mais do que um salto maior que à perna da minha mente), com o que quero fazer da vida profissionalmente.
Mas eu também sou pessoa
O estágio não anda a correr muito bem. Não tenho horário fixo: sei apenas que segundas, terças e quintas poderei ir ao estágio ou não, que quartas nunca o tenho e que às sextas são as reuniões de equipa. Fico sempre com uma semi-ideia dos horários às sextas-feiras, sendo que normalmente é: "terça aparece às 9h, para ficares com a assistente social". Boa, é uma equipa multidisciplinar e a senhora é um amor: mas como a minha supervisora da faculdade diz e bem: "apesar de não ter nada contra conhecerem outras valências do serviço, é suposto ser um estágio em psicologia, não em serviço social". Julgo que 1 mês na companhia da assistente social já deu para perceber o que é que ela faz - e sim, é super importante; e sim, já aprendi coisas. No entanto, onde fica a psicologia? No primeiro dia de estágio também observei consultas de psiquiatria, o que também foi interessante e, na minha opinião, mais próximo para com aquilo que vou fazer no futuro. Mas e a psicologia mesmo? Cadê? Em 1 mês de estágio - faz, aliás, precisamente hoje 1 mês - observei uma triagem e uma sessão de avaliação psicológica. Apenas e só.
Já tentei puxar pelo assunto de não ter horário mais do que uma vez, pois isto desorganiza-me completamente... Porém, não surtiu resultados. Já perguntei à estagiária do ano passado como é que a coisa correu com ela, e julgo que foi mais ou menos assim no início também (pela conversa percebi que foi só no início, e assim espero!). Quanto ao trabalho em psicologia, na semana passada, sexta-feira, tive o belo prazer de falar com a minha orientadora do local, que me deu a entender que a partir de agora as coisas iam começar a avançar. Quando lhe perguntei se não havia algumas provas e testes de avaliação psicológica que também pudesse ir cotando entretanto disse-me que sim: que havia uma que sim. Fui-me embora satisfeita da vida, esperançosa - embora também tenha tido de enviar mensagem à orientadora hoje para saber se vou ou não ao local de estágio hoje. Enviei mensagem às 9h10. São 11h50 e ainda não tenho resposta - enviei outra mensagem ainda agora. Estou tão farta de viver a minha experiência de estágio neste impasse, de nunca saber se os meus dias são assim ou assado e de que horas a que horas, já para não falar da ansiedade normativa de quem se está a iniciar no campo profissional e não tem ainda noção das suas competências como psicóloga clínica!... Não acho assim tão fora do comum ter de andar atrás da orientadora - não era nada que já não previsse que pudesse acontecer -, mas tirando isso não vejo muita consideração por mim em retorno: por muito que volta e meia ocorram contratempos e eu fique prejudicada; por muito que haja pacientes em sofrimento que requeiram uma resposta urgente e que à última da hora vão ao encontro das necessidades destes (e acho muito bem que o façam). Mas eu também sou pessoa e não deixo de o ser enquanto x ou y esperam pela resolução que merecem. Só que... e eu? Não mereço também?
[Qualquer dia a minha supervisora da faculdade tem de meter a mão nisto, e depois aí vai ser feio.]
domingo, 6 de novembro de 2016
Tese, Plano B
Quando precisas desesperadamente de avançar com todos os pedidos de autorizações e mais alguns porque a única forma que tens de chegar perto de adolescentes é indo às escolas e um autor de uma escala (o único que te faltava!) não te responde nem por nada deste mundo. Pois bem: já tenho um outro tema como Plano B (e, confesso: até gosto um bocadinho mais do que o do Plano A). Vamos torcer para que estes autores sejam mais fofinhos.
terça-feira, 1 de novembro de 2016
Fazendo Disto Meu Mantra:
«- ❥-
Não precisas de ter todas as respostas, fazer tudo certo, ou ter sempre razão. Precisas da tua fé, do teu amor-próprio, e de acreditar que entre o que vem e o que vai, a vida conspira sempre a teu favor.
Não precisas de carregar o mundo nos ombros, viver os dias (pre)ocupada, de peito pesado. Precisas de te abraçar mais, de levantar sempre a cabeça, e de dizer a ti mesma: calma. O tempo é especialista em reviravoltas.
Não precisas de ser a melhor, nem de provar nada a ninguém. precisas de ser uma pessoa de bem com a tua vida e de acreditar, com toda a força do teu lado esquerdo, que ao longo do caminho importa muito menos aquilo que te acontece, e muito mais aquilo que tu és apesar do que te acontece.
Em frente.»
- in Às 9 no meu blog
Adorando o Poder das Aspas em "Provado"
«A seleção de dados da realidade externa que são coerentes com a auto-imagem obviamente confirma - de maneira automática e circular - a identidade pessoal percebida... Consideremos uma mulher que desenvolveu uma auto-imagem como "intrinsecamente não digna de amor"... Cada vez que é abandonada, ela processa os dados derivados da experiência com base em sua auto-imagem (de modo que esta é reconfirmada e fica mais estável a cada vez) e pouco a pouco a sua qualidade de "não ser digna de amor" torna-se algo certo e "provado"».
- por Guidano e Liotti (1983, citado por Young, 2003)
sábado, 29 de outubro de 2016
« [...] Foi difícil partir? Não, foi a coisa mais fácil que fiz na vida [...].»
«[...] Aprendi que a verdadeira generosidade para com o futuro consiste em entregar tudo ao presente. A minha vida tornou-se mais simples e significativa quando abandonei a bagagem do meu passado. No instante em que parei de gastar tempo a procurar os grandes prazeres da vida, comecei a desfrutar dos pequenos, como absorver os últimos raios de sol de um dia radioso de verão. Percebi que o que ficou para trás e o que tenho à minha frente não são nada comparado com o que existe dentro de mim, e a partir desse momento, garanto-te, tornei-me na melhor versão de mim mesmo.»
- por Robin Sharma
sábado, 22 de outubro de 2016
Do tema "Futuro" (parte II)
O ser humano é um ser obrigado a vergar-se perante a adaptação, sendo tanto servo como nobre no seu reino: tudo dependerá da sorte e também do esforço. De momento, a adaptação exigi-me que seja uma bebé capaz de dar passos de adulta. Terei de caminhar sem nunca o ter feito, sem saber ao certo como coloco e levanto os pés do chão de forma controlada e continuada. Terei de o fazer observando e repetindo todas as etapas vezes e vezes sem conta. Assim sou agora e sou-o, porém, ansiando pelo momento em que serei adulta brincando despreocupadamente como uma criança - podendo fazer e ser de tudo um pouco sem quase pensar no que vem a seguir.
O futuro - aprendi - não tem de aparentar-se lógico (nem sê-lo de facto). Nem sempre se começa por gatinhar para um dia mais tarde andar: por vezes começa-se logo a andar, e até há quem comece, desde logo, a nadar. Tudo dependerá de onde e como se nascer, de onde e como se crescer. O futuro não dá a cara de sequencial, não se antevê certo, e nem sempre cresce suave e sem se notar: é em tudo improvável. Um improvável que, contudo, não é impossível.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sábado, 15 de outubro de 2016
Sobre a Dor Psicológica
«Confundimos vezes demais a doença mental com violência e os doentes com pessoas perigosas, gente irrecuperável. Falar da loucura assusta por muitas razões, mas também porque nunca saberemos a fronteira entre as nossas fragilidades e as ‘deles’. Dos outros, a quem chamamos loucos. Ou malucos de manicómio. O tema é inquietante e a terminologia apavorante. Delírios paranóides, sintomas psicóticos ou sinais de esquizofrenia são claramente indicativos de doença mental, mas são também um vocabulário que nos atira para outra dimensão, para uma realidade que nos afasta e na qual erguemos muros quase intransponíveis. Põe-nos a milhas em termos de relações humanas. E, no entanto, não estamos assim tão distantes uns dos outros. Há mais semelhanças entre os que se consideram normais e os que consideramos loucos, do que pensamos. Cada dia há novos doentes psicóticos internados nos hospitais. E cada vez mais jovens. Bastam alguns excessos ou estar no lugar errado, à hora errada. O haxixe, por exemplo, cujo consumo e efeitos muitos miúdos acham que controlam, pode criar dependências e degenerar em surtos psicóticos. Mas há outros motivos que nos fazem adoecer mentalmente.
Não precisamos de ir ao Telhal, ao Júlio de Matos ou à Casa de Saúde da Idanha, nem a prisões ou enfermarias de doentes mentais para nos darmos conta de que há lá gente como nós. Pessoas que foram em tudo iguaizinhas até ao dia em que alguma coisa se agravou na sua vida emocional ou psicológica e toda a sua existência descarrilou. Vou e volto regularmente a estas instituições e saio sempre de lá convencida de que qualquer um de nós podia ser um deles. Claro que sei que a maioria dos internados são doentes mentais profundos, muitos dos quais nunca tiveram uma vida dita normal, e também sei que felizmente muitos de nós nunca nos transformaremos em doentes mentais, mas aquilo que me faz escrever sobre as fronteiras entre a loucura e a normalidade (sendo leiga na matéria e apenas visitadora voluntária em algumas destas Casas de Saúde) é precisamente esta certeza de que temos mais semelhanças do que diferenças. Senão vejamos.
Nos dias mais difíceis da nossa vida percebemos muito bem a angústia própria e dos outros, a inclinação humana para a depressão, o medo da morte, o terror da perda e da rejeição, a tristeza profunda, os pavores da solidão e por aí adiante. Todos acolhemos com horror um diagnóstico de Alzheimer de alguém próximo porque todos sabemos que amanhã poderemos ser nós a perdermo-nos de nós mesmos, dos outros e de todos no mundo. A loucura aterroriza e, para agravar, ninguém entende muito bem a dor psicológica. O problema é que o sofrimento psicológico dói e muito. A solidão transtorna-nos a tal ponto que preferimos despejar nas redes sociais as nossas perdas, mágoas, traições, tristezas e depressões, do que sofrer tudo isso sozinhos. E se assim é, e se todos percebemos que mesmo não correndo o risco de virmos a ser esquizofrénicos, todos estamos mais perto das fronteiras desse ‘adoecer mental’ do que gostaríamos, importa perceber as fronteiras comuns. E fazer o que estiver ao nosso alcance para desfazer estigmas e derrubar barreiras, mas também para apagar (eliminar!) a hostilidade com que olhamos para quem nos parece louco. A estranheza nos outros pode ser inquietante; os tiques da loucura podem ser assustadores, o olhar fixo-parado de alguns doentes mentais pode ser altamente perturbador, mas nada justifica um olhar ou uma atitude que desumaniza. Mesmo quando não conseguimos encontrar traços comuns nem somos capazes de nos identificar com pessoas com distúrbios mentais, temos que nos lembrar que a sua dor psicológica, bem como a dor das sua famílias ou cuidadores dói. E muito.»
- por Laurinda Alves; texto retirado daqui.
«[...] Porque o amor é, sim, paciente, mas tem o limite exato da dignidade que nos sobra ao fim do dia [...].»
- por Marcelo Camargo; texto integral: aqui.
[Memórias da Primeira Semana de Estágio]
Dos começos oficiais: 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental.
Dia passado a observar consultas de psiquiatria.
Mensagens bonitas de motivação por parte do meu amor.
Fins do dia na sala de espera para falar de algumas
observações quanto a um MoCA à orientadora.
10 e 11 de outubro, embora a fotografia corresponda a dia 11.
Gabinete do psiquiatra (dia 10) e da assistente social (dia 11).
Dia 11: conhecer o trabalho da assistente social.
Gabinete do psiquiatra (dia 10) e da assistente social (dia 11).
Dia 11: conhecer o trabalho da assistente social.
10 e 11 de outubro, embora a fotografia corresponda a dia 11.
Gabinete do psiquiatra (dia 10) e da assistente social (dia 11).
Dia 11: conhecer o trabalho da assistente social.
Dia 11: tentar perceber que todos os nervos e ansiedade
de hoje passarão a ser grandes aprendizagens amanhã.
[Dia 13 de outubro: fotografias inexistentes. Dia de observação uma
triagem e conversas importantes com a orientadora.]
Dia 14: reunião especial do serviço.
Fecho das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental.
Dia 14: seminário científico "The genetic basis of depression"
por Jonathan Flint na Fundação Champalimaud.
Sobre a Primazia da Mente
Fui tirar o siso na quinta-feira passada. Estava cheia de medo uma vez que todo o dente que tinha tirado até hoje havia sido de leite e já só agarrado por um fiozinho de raiz - pelo que a ideia de me desenterrarem um dente bem preso à gengiva não me parecia nada bem (e também não me ajudavam as lembranças da Nês e da Necas a sofrer à brava nos primeiros dias após passarem por tal procedimento).
Sei-vos dizer que reaprendi uma grande lição: a mente é que manda em tudo. Tudo. Não me doeu nada o arrancar do dente - só senti o dentista a fazer força e a revirá-lo para aqui e para acolá. Mas doer? Não doeu. Doeu-me foi a alma: uma hora e meia cheia de nervos. Saí do consultório absolutamente encharcada de transpiração nas costas e nas pernas. Foi um dos momentos mais penosos da minha vida pelo simples facto de ter sido passado numa ansiedade extrema que, afinal, não se justificava assim tanto. Até porque foi só começar a tomar os medicamentos e a fazer gelo que, no dia seguinte, consegui ir ao estágio na mesma sem uma pontinha de dor.
Mesmo assim, estou a considerar seriamente se me exponho a mais outra destas para tirar o outro que já tenho cá fora ou não, uma vez que ainda não deu problemas. Os dentistas recomendam que sim dado a raiz não estar ainda completamente formada (mas já está mais do que este que tirei). Por outro lado, agora a boca também já ganhou mais espaço, right? E diga-se de passagem que estar a comer líquidos e frios não é tão agradável assim - mesmo com a desculpa de poder comer mais gelados de colher.
Mesmo assim, estou a considerar seriamente se me exponho a mais outra destas para tirar o outro que já tenho cá fora ou não, uma vez que ainda não deu problemas. Os dentistas recomendam que sim dado a raiz não estar ainda completamente formada (mas já está mais do que este que tirei). Por outro lado, agora a boca também já ganhou mais espaço, right? E diga-se de passagem que estar a comer líquidos e frios não é tão agradável assim - mesmo com a desculpa de poder comer mais gelados de colher.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
sábado, 8 de outubro de 2016
Do tema "Futuro" (parte I)
A única altura em que o futuro depende de uma bola de cristal é quando detenho essa bola nas minhas mãos. E juro que a largo para se estilhaçar em mil pedacinhos ou a condecoro mero biblô, pois só assim a admito espelhar-me a mim e ao meu mundo: comigo a ditar-lhe, antes de mais, como quero ver-me no meu destino. Não lhe permito todo o enredo - ah, não; não se não puder participar da encenação. Mais que meu mapa astral ou que qualquer sorte tirada de um baralho, os meus passos traço-os eu ao mirar o céu e ao procurar a beleza das estrelas como guia, mesmo que haja névoa e que chova granizo - hei de aprender a lidar com o clima como quero aprender lidar com a minha vida. Aconteça o que acontecer: é minha. Não de objetos criados pelo Homem. Até porque eles só detêm o significado que lhes concedermos... e que, portanto, eu quero. E eu não quero dar-lhes nenhum.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
sábado, 1 de outubro de 2016
Dance It Out
«[...] 'dance while you can'. He didn't say dance well, and for that I'm grateful».
- por Weiner (2008)
Refletindo
«[...] A adaptação saudável está mais associada ao experienciar das emoções e, não tanto, à sua expressão, na medida em que o facto de estar em contacto com uma amplitude mais alargada de sentimentos, torna o Self mais apessoado e capaz de agir eficazmente em seu cuidado e também em cuidado dos outros significativos»
- lido em Conceição & Vasco (2005), embora corresponda a mais autores.
Ou seja: não temos de expressar sempre as nossas emoções. Desde que as sintamos e experienciemos nós, saberemos agir para nós mesmos e para com os outros. Daí a não haver necessariamente um problema com as pessoas que são mais "fechadas" do que as outras, desde que isso não seja sinónimo de estar a negar o que se está a sentir. Essa negação, aliás, também se poderá denotar nas pessoas mais expressivas, sendo que até há daqueles casos em que as pessoas depressa substituem certa emoção em favor de outra, de forma a que a última sirva de máscara. Estas máscaras é que não são saudáveis, este engano a que nos submetemos é que é problemático; ser mais introvertido ou extrovertido não é problema - é o que fazemos com isso.
Das Crenças e Suas Sequelas
Hoje descobri que sempre estive a tentar provar algo a mim própria, mas que não preciso de me provar nada... Quem me disse que eu tenho de me provar algo para ser feliz e estar bem? Isso foi uma condição que eu impus a mim mesma. É artificial e só cria pressão que não tem de existir.
Quando me apercebi que tinha ultrapassado a fase mais complicada da minha adolescência - aquela em que me dizia inadequada, uma porcaria, insuficiente e menos do que os outros -, comecei a ter outro tipo de conversa comigo mesma, mais ao estilo de "achares isso é só estúpido: és tanto quanto os outros e tens potencial próprio! E agora que entraste para a faculdade e podes recomeçar do zero de alguma forma, vais ver isso! Esta será a tua prova dos nove: aquela que verás se realmente já aprendeste que tens valor e que consegues lá ir por ti, fazendo o que achas que é melhor para ti". Se, por um lado, este foi o discurso mais encorajador que me fiz e que me trouxe onde estou hoje, ciente de mim e amando-me, também alimentou toda a pressão que imponho sobre mim mesma - toda a ansiedade que crio e em que caio, pois comecei a encarar a realidade como um teste diário às minhas capacidades e competências, o que me fez olhar-me em muitas situações do mundo como estando totalmente vulnerável, dependente do meu desempenho, e que este deveria ser bom para eu continuar bem. Foi hoje que cai em mim: eu não tenho de ter um desempenho perfeito ou muito bom. Eu posso ter o pior desempenho do mundo, ser colocada e olhada de lado e falhar em tudo aquilo que, supostamente, saberia fazer: não é isso que me fará infeliz; não é isso que me fará deixar de estar bem. Só se eu assim o acreditar, só se eu assim me julgar: só se for cruel ao invés de compreensiva. Só se me falhar a compaixão, querendo ser mais do que eu posso ser em determinado momento e local.
Quando me apercebi que tinha ultrapassado a fase mais complicada da minha adolescência - aquela em que me dizia inadequada, uma porcaria, insuficiente e menos do que os outros -, comecei a ter outro tipo de conversa comigo mesma, mais ao estilo de "achares isso é só estúpido: és tanto quanto os outros e tens potencial próprio! E agora que entraste para a faculdade e podes recomeçar do zero de alguma forma, vais ver isso! Esta será a tua prova dos nove: aquela que verás se realmente já aprendeste que tens valor e que consegues lá ir por ti, fazendo o que achas que é melhor para ti". Se, por um lado, este foi o discurso mais encorajador que me fiz e que me trouxe onde estou hoje, ciente de mim e amando-me, também alimentou toda a pressão que imponho sobre mim mesma - toda a ansiedade que crio e em que caio, pois comecei a encarar a realidade como um teste diário às minhas capacidades e competências, o que me fez olhar-me em muitas situações do mundo como estando totalmente vulnerável, dependente do meu desempenho, e que este deveria ser bom para eu continuar bem. Foi hoje que cai em mim: eu não tenho de ter um desempenho perfeito ou muito bom. Eu posso ter o pior desempenho do mundo, ser colocada e olhada de lado e falhar em tudo aquilo que, supostamente, saberia fazer: não é isso que me fará infeliz; não é isso que me fará deixar de estar bem. Só se eu assim o acreditar, só se eu assim me julgar: só se for cruel ao invés de compreensiva. Só se me falhar a compaixão, querendo ser mais do que eu posso ser em determinado momento e local.
- rascunhado por mim a 29 de abril de 2016 em papel e hoje colocado em palavras concretas.
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