sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

«Vou dizer-te outro segredo, menino... Nunca ninguém está preparado.»

- por Richard Zimler in Uma dor tão desigual
«Deixa-me dizer-te uma coisa. A culpa, ao fim de algum tempo, é como engolir pedras. E o teu pai engoliu milhares durante anos. Aquele peso todo dentro dele... Já não consegue pôr-se de pé. Quer dizer, anda por aí às voltas, mas aquilo não é realmente andar.»

- por Richard Zimler in Uma dor tão desigual
«Seja como for, o teu pai acredita, tenho a certeza, e por isso pouco importa se tu acreditas ou não. Tens de compreender que é uma coisa que está dentro dele... e que sempre esteve.»

- por Richard Zimler in Uma dor tão desigual
«Hei de perceber o que procuro nos meus livros quando o encontrar.»

- por Richard Zimler in Uma dor tão desigual
«O meu pai tinha umas sobrancelhas que pareciam duas lagartas peludas. Quando eu era miúdo, pareciam-me muitas vezes implacavelmente críticas sempre que eu lhe fazia alguma pergunta.»

- por Richard Zimler in Uma dor tão desigual
«Afinal, qual é a diferença entre aquilo que se inventa e a realidade que recusa a cumprir-se enquanto exaltação e afogo?»

- por Maria Teresa Horta in Uma dor tão desigual
«Afinal, talvez eu não conhecesse bem o meu amigo de há tantos anos. Era então tristemente verdade que não há maior nem mais intransponível distância do que a que existe entre duas pessoas, pensar que se conhece o outro é um disparate. Ou talvez se conheça o outro num determinado lapso de tempo, talvez a passagem do tempo traga sempre mudança e a mudança faça necessariamente desconhecidos.»

- por Dulce Maria Cardoso in Uma dor tão desigual
«É certo que o passado chega sempre adulterado ao presente, minta-se ou não voluntariamente em relação a ele, e talvez a verdade esteja sobrevalorizada [...].»

- por Dulce Maria Cardoso in Uma dor tão desigual
«Ao encontrarmos no desconhecido os outros que já conhecemos, podemos presumir-lhe o pensar e o sentir, podemos prever as suas ações. Sossegamos em relação ao desconhecido quando o inscrevemos num estereótipo, ainda que ele continue durante muito tempo, talvez para sempre, desconhecido.»

- por Dulce Maria Cardoso in Uma dor tão desigual
«[...] o mundo que vemos é meramente uma página de um livro que não vislumbramos senão com o auxílio da imaginação, ou seja, vivemos num multiverso, em que cada pessoa é autora e única criatura do seu cosmos.»

- por Afonso Cruz in Uma dor tão desigual
«De fóssil a poesia, eis um destino possível.»

- por Afonso Cruz in Uma dor tão desigual
«Não há ninguém que saia desta vida sem ser interrompido.»

- por Afonso Cruz in Uma dor tão desigual

domingo, 5 de fevereiro de 2017

I'm Present

«Don't insist that meditation be pleasent. Insist that it be about presence.»

- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy

To Connect and Disconnect

«Sometimes the things we do to feel better, to escape reality when it's uncomfortable, become sources of discomfort and stress themselves. Tempting as they may be, these moments of silence you can achieve by forcing massive doses of unreality on your mind only embolden the OCD. The escape sends the very clear message that the present reality is not tolerable. So while you may enjoy the high you get from whatever source of unreality you choose, the OCD will wait for your return and will remind you of why you left.
Still, not all escape is bad or desctructive. Sometimes, temporarily leaving can be a shift to a positive, adaptive place, and returning can bring about a healthier perspective. A vacation or a strenuous workout can also be a form of walking away from stress. And not all escape has to be particulary meaningful either. Escaping into your favourite TV show or video game for a bit can be a healthy, positive reward for staying in reality all day. It may be necessary for you to assess, perhaps with the help of a loved one or a treatment provider, what forms os escape are adaptive and what forms are destructive.
If you are struggling with an addiction of any kind, it's important to get help and treat that alongside (if not before) working on your OCD. While one may exacerbate the other, addiction is its own beast and often requires its own treatment strategies.»

- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy

Lifestyle Shift

«Mindfulness is a major tool in the arsenal against OCD symptoms. Combined with cognitive and behavioral therapy techniques, it's a skill set that you can expect to hone throughout your life, just as martial arts master continues to train even after acquiring the highest possible belt. You can be a black belt in the MBCBT arts, but that includes adopting the philosophy of never giving up. It means looking at the goal as indefinite improvement - as a lifestyle shift, not a crash diet.»

- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy

POC

«Unwanted thoughts, feelings, and physical sensations are normal events. The urge to avoid them is a normal urge. The strategies we employ to escape them, however compulsive, are typically normal behaviours. It's being locked into the obsessive-compulsive cycle and having this vicious circle grossly impair your functioning that makes OCD a disorder. It's not the simple presence of these normal events.»

- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Little Brother

A namorada terminou com o meu irmão. Até aparenta estar a aguentar-se, considerando porém que é tudo muito recente e que ele é muito fechado em si. Sei, no entanto, que os dois abraços apertadinhos que lhe dei trouxeram-lhe aconchego. Sei que falámos naqueles abraços, não falando. Sei que foram uma troca de amor, um estou aqui para o que precisares. Creio que ele percebeu isso também.

Sobre a Correria que Podem Ser os Dias

Padrasto: - Como o meu colega alemão costuma dizer: "Pode-se fazer muita coisa, mas não se pode quebrar as leis da física."

- algures entre esta semana e a semana passada

domingo, 22 de janeiro de 2017



«Um post-it a manter por perto todos os dias:

Uma vida chega para perceber que o que importa de verdade é escolher atravessar os dias de frente para o sol. É saber quem são os que caminham ao nosso lado sem filtros. É ter a coragem de não desistirmos de nós. É saber levantar, sacudir a poeira e dar sempre a volta por cima. É decidir que não importa quando, não importa como, não importa onde, o nosso plano é um só: 
ser feliz e mais nada.

As coisas que nos acontecem têm (só) a importância que nós lhes dermos, e a vida vai-nos mostrando que nem tudo vale tanto, e quase nada vale tudo.»


Quase que vivendo para o 5º ano (não gosto disto!)

É assim pessoas, aqui me confesso: não sei se vou querer seguir psicologia a nível profissional findo este ano, e principalmente psicologia clínica, em particular com adultos e em especial no sistema nacional de saúde, e ainda mais especificamente no local onde estou. Apesar de andar ligeiramente mais entusiasmada, a verdade é que este percurso ainda me dói muito. Guardo uma réstia de esperança que tudo melhore, que me deixe de doer ou que eu aprenda a tornar a dor suportável ou, pelo menos, não relevante para o meu bem-estar geral. Tenho estado a atribuir um peso imenso a tudo isto que estou a viver, já me apercebi disso e já o tentei relativizar - ajudou. Porém, vou entrar agora em fevereiro para o 5º mês de estágio e ainda não sinto, nem de perto, a motivação ou o amor que achei que ia sentir. Sabia, quando escolhi este estágio, que ia ser duro: sabia. Não sabia que ia ser tanto. E a minha estrutura treme, treme,... vou-me aguentando: vou-me aguentando que nunca fui de desistir às três pancadas. Porém, não estou a gostar nada desta coisa de estar com dificuldades em ver o belo da vida para além disto, de não ter tanto tempo para dedicar a mim própria, de sentir que não consigo investir tanto tempo naqueles que amo. Não estou a gostar do stress constante da corrida contra o tempo para ter o trabalho em dia, de apesar da corrida contra o tempo não conseguir ter esse trabalho em dia (continua a acumular, aliás), de deitar-me tarde, acordar cedo cansada e ansiosa, de estar sempre a contar o tempo até ao final do dia de trabalho chegar e da semana findar. Não estou a gostar de sentir as minhas inseguranças todas sobre o meu desempenho virem bater à porta do meu coração sempre que estou no estágio e fora dele, de me encontrar vezes e vezes sem conta a questionar o que raio ando a fazer em consulta e o que raio vou ter de fazer a seguir na próxima sessão. Pois bem: este ano tem sido uma prova de fogo, fogo por todo o lado, e eu ando a tentar manter a calma enquanto me vejo rodeada dele e sem ver grandes escapatórias por onde me meter. Lá me vou metendo, a rés-vés. E, para isso, também me tem valido muito o apoio e a paciência do meu amor que não me deixa cair ou me levanta, o companheirismo da Nês e da Rute que da mesma forma vão vivendo este ano com dificuldade por esta ou por aquela razão, as palavras queridas e tranquilizantes das Cláudias que já passaram por crises semelhantes nas suas áreas e percursos. Mas não estou a adorar o que estou a fazer da mesma forma que adorei o curso até agora: não estou. A meios que não sei bem o que hei de fazer à minha vida no futuro, a nível profissional. Logo se verá. Logo se verá. Pega num trevo de quatro folhas, reza, medita, faz o pino, e aguarda a resposta mágica do Universo.