Padrasto: - Como o meu colega alemão costuma dizer: "Pode-se fazer muita coisa, mas não se pode quebrar as leis da física."
- algures entre esta semana e a semana passada
domingo, 22 de janeiro de 2017
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«Um post-it a manter por perto todos os dias:
Uma vida chega para perceber que o que importa de verdade é escolher atravessar os dias de frente para o sol. É saber quem são os que caminham ao nosso lado sem filtros. É ter a coragem de não desistirmos de nós. É saber levantar, sacudir a poeira e dar sempre a volta por cima. É decidir que não importa quando, não importa como, não importa onde, o nosso plano é um só:
ser feliz e mais nada.
As coisas que nos acontecem têm (só) a importância que nós lhes dermos, e a vida vai-nos mostrando que nem tudo vale tanto, e quase nada vale tudo.»
É assim pessoas, aqui me confesso: não sei se vou querer seguir psicologia a nível profissional findo este ano, e principalmente psicologia clínica, em particular com adultos e em especial no sistema nacional de saúde, e ainda mais especificamente no local onde estou. Apesar de andar ligeiramente mais entusiasmada, a verdade é que este percurso ainda me dói muito. Guardo uma réstia de esperança que tudo melhore, que me deixe de doer ou que eu aprenda a tornar a dor suportável ou, pelo menos, não relevante para o meu bem-estar geral. Tenho estado a atribuir um peso imenso a tudo isto que estou a viver, já me apercebi disso e já o tentei relativizar - ajudou. Porém, vou entrar agora em fevereiro para o 5º mês de estágio e ainda não sinto, nem de perto, a motivação ou o amor que achei que ia sentir. Sabia, quando escolhi este estágio, que ia ser duro: sabia. Não sabia que ia ser tanto. E a minha estrutura treme, treme,... vou-me aguentando: vou-me aguentando que nunca fui de desistir às três pancadas. Porém, não estou a gostar nada desta coisa de estar com dificuldades em ver o belo da vida para além disto, de não ter tanto tempo para dedicar a mim própria, de sentir que não consigo investir tanto tempo naqueles que amo. Não estou a gostar do stress constante da corrida contra o tempo para ter o trabalho em dia, de apesar da corrida contra o tempo não conseguir ter esse trabalho em dia (continua a acumular, aliás), de deitar-me tarde, acordar cedo cansada e ansiosa, de estar sempre a contar o tempo até ao final do dia de trabalho chegar e da semana findar. Não estou a gostar de sentir as minhas inseguranças todas sobre o meu desempenho virem bater à porta do meu coração sempre que estou no estágio e fora dele, de me encontrar vezes e vezes sem conta a questionar o que raio ando a fazer em consulta e o que raio vou ter de fazer a seguir na próxima sessão. Pois bem: este ano tem sido uma prova de fogo, fogo por todo o lado, e eu ando a tentar manter a calma enquanto me vejo rodeada dele e sem ver grandes escapatórias por onde me meter. Lá me vou metendo, a rés-vés. E, para isso, também me tem valido muito o apoio e a paciência do meu amor que não me deixa cair ou me levanta, o companheirismo da Nês e da Rute que da mesma forma vão vivendo este ano com dificuldade por esta ou por aquela razão, as palavras queridas e tranquilizantes das Cláudias que já passaram por crises semelhantes nas suas áreas e percursos. Mas não estou a adorar o que estou a fazer da mesma forma que adorei o curso até agora: não estou. A meios que não sei bem o que hei de fazer à minha vida no futuro, a nível profissional. Logo se verá. Logo se verá. Pega num trevo de quatro folhas, reza, medita, faz o pino, e aguarda a resposta mágica do Universo.
Depois de já estar a definir os abdominais todos e ter arranjado uma namorada, eis que hoje se assinala o primeiro dia em que o meu irmão fez o bigode.
Mais uns meses e ultrapassa-me em altura. Já está do meu tamanho, pelo que não espera pela demora. As minhas mãos, ó: já são as mais pequeninas cá de casa (é inacreditável: tenho, realmente, mãos de criança quando comparado o seu tamanho aos restantes deste belo agregado).
«[...] This is a skill, and like any skill, it's meant to be done poorly before it can be honed. [...]»
- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy
«[...] They are spoken in a language based on fear, not on evidence. [...]»
- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy
«Reading about OCD when you have OCD isn't always easy. At times throughout this book, you may find yourself getting triggered, or "spiked", by its concepts. Take in the information at whatever pace feels appropriate for you. Challenge yourself to let the book present itself, but allow yourself whatever space or breaks you need to get through it. There's no prize for finishing this book in one sitting. We hope that your gaining the tools and strenght to fight your OCD will be the real prize.»
- por Jon Hershfield in The Mindfulness Workbook for OCD: A Guide to Overcoming Obsessions and Compulsions Using Mindfulness and Cognitive Behavioral Therapy
Falando não só de OCD (POC em português) como também da vida: é importante ir ao nosso passo - seja a caminhar, a correr, a pular, a rastejar, com retornos ou viragens à direita e à esquerda... É é importante ir ao ritmo que é nosso. Desafiá-lo (sim, claro: sabe sempre bem) - contudo, respeitando-o: sendo (auto)compassivo.
O meu amor tem medo de alturas. O meu amor insistiu mil para irmos andar de roda gigante na feira de Natal em Lisboa porque "eu sei que tu queres". Disse-lhe que não o ia submeter a isso, que não queria que ele fizesse isso. Continuou a insistir mil milhões para irmos. Fomos. Fechou os olhos, inspirou e expirou fundo, foi controlando a cadência da respiração, agarrou-se às grades. Disse-me "aproveita" e, uns segundos depois de começarmos a andar, "fiquei a odiar ainda mais a TVI" (aparente responsável pela roda gigante). A cada volta dada, ia dizendo uma tranquilização nova, progressiva: "ok, se isto não abanar está tudo bem", "ok, andar para trás não é tão mau", "ok, isto parou para as pessoas de baixo entrarem", "ok, já estou habituado". Nas últimas voltas já abria os olhos, já aparentava um rosto e uma postura mais calmos. Acabaram as voltinhas e saímos da carruagem. Ouvi um casal ao longe a dizer "sobrevivemos". Perguntei-lhe como se sentiu, disse-me "vivo".
Este ano peço uma lufada de ar fresco: esvazio o pote dos sonhos velhos e movo-os para a caixinha de recordações. Começo o projeto cada dia, um amor. A cada dia escrevo num papel um acontecimento bom desse ciclo de sol e lua, um amor portanto, e faço assim até daqui a 365 ciclos de 24 horas (é quase um project 365 em palavras, ao invés de fotografias).
Este ano peço uma lufada de ar fresco: a consciência da existência de pequenos sonhos todos os dias, e não só dos grandes para o futuro. ♡
Para tudo!!! O ano começa com a constatação que o meu irmão tem o seu primeiro amor (pelo menos oficialmente conhecido). Os meus pais resolveram fazer uma passagem de ano com a miudagem cá em casa e ele e uma menina acabaram de pedir para ficar sozinhos, e os restantes amigos a fazerem de propósito para tal... Ai que emoção!!! 13 aninhos e um amor.* Oh.