sábado, 29 de outubro de 2016

« [...] Foi difícil partir? Não, foi a coisa mais fácil que fiz na vida [...].»

«[...] Aprendi que a verdadeira generosidade para com o futuro consiste em entregar tudo ao presente. A minha vida tornou-se mais simples e significativa quando abandonei a bagagem do meu passado. No instante em que parei de gastar tempo a procurar os grandes prazeres da vida, comecei a desfrutar dos pequenos, como absorver os últimos raios de sol de um dia radioso de verão. Percebi que o que ficou para trás e o que tenho à minha frente não são nada comparado com o que existe dentro de mim, e a partir desse momento, garanto-te, tornei-me na melhor versão de mim mesmo.»

- por Robin Sharma

sábado, 22 de outubro de 2016

Do tema "Futuro" (parte II)

O ser humano é um ser obrigado a vergar-se perante a adaptação, sendo tanto servo como nobre no seu reino: tudo dependerá da sorte e também do esforço. De momento, a adaptação exigi-me que seja uma bebé capaz de dar passos de adulta. Terei de caminhar sem nunca o ter feito, sem saber ao certo como coloco e levanto os pés do chão de forma controlada e continuada. Terei de o fazer observando e repetindo todas as etapas vezes e vezes sem conta. Assim sou agora e sou-o, porém, ansiando pelo momento em que serei adulta brincando despreocupadamente como uma criança - podendo fazer e ser de tudo um pouco sem quase pensar no que vem a seguir.
O futuro - aprendi - não tem de aparentar-se lógico (nem sê-lo de facto). Nem sempre se começa por gatinhar para um dia mais tarde andar: por vezes começa-se logo a andar, e até há quem comece, desde logo, a nadar. Tudo dependerá de onde e como se nascer, de onde e como se crescer. O futuro não dá a cara de sequencial, não se antevê certo, e nem sempre cresce suave e sem se notar: é em tudo improvável. Um improvável que, contudo, não é impossível.

- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

sábado, 15 de outubro de 2016

Sobre a Dor Psicológica

«Confundimos vezes demais a doença mental com violência e os doentes com pessoas perigosas, gente irrecuperável. Falar da loucura assusta por muitas razões, mas também porque nunca saberemos a fronteira entre as nossas fragilidades e as ‘deles’. Dos outros, a quem chamamos loucos. Ou malucos de manicómio. O tema é inquietante e a terminologia apavorante. Delírios paranóides, sintomas psicóticos ou sinais de esquizofrenia são claramente indicativos de doença mental, mas são também um vocabulário que nos atira para outra dimensão, para uma realidade que nos afasta e na qual erguemos muros quase intransponíveis. Põe-nos a milhas em termos de relações humanas. E, no entanto, não estamos assim tão distantes uns dos outros. Há mais semelhanças entre os que se consideram normais e os que consideramos loucos, do que pensamos. Cada dia há novos doentes psicóticos internados nos hospitais. E cada vez mais jovens. Bastam alguns excessos ou estar no lugar errado, à hora errada. O haxixe, por exemplo, cujo consumo e efeitos muitos miúdos acham que controlam, pode criar dependências e degenerar em surtos psicóticos. Mas há outros motivos que nos fazem adoecer mentalmente.
Não precisamos de ir ao Telhal, ao Júlio de Matos ou à Casa de Saúde da Idanha, nem a prisões ou enfermarias de doentes mentais para nos darmos conta de que há lá gente como nós. Pessoas que foram em tudo iguaizinhas até ao dia em que alguma coisa se agravou na sua vida emocional ou psicológica e toda a sua existência descarrilou. Vou e volto regularmente a estas instituições e saio sempre de lá convencida de que qualquer um de nós podia ser um deles. Claro que sei que a maioria dos internados são doentes mentais profundos, muitos dos quais nunca tiveram uma vida dita normal, e também sei que felizmente muitos de nós nunca nos transformaremos em doentes mentais, mas aquilo que me faz escrever sobre as fronteiras entre a loucura e a normalidade (sendo leiga na matéria e apenas visitadora voluntária em algumas destas Casas de Saúde) é precisamente esta certeza de que temos mais semelhanças do que diferenças. Senão vejamos.
Nos dias mais difíceis da nossa vida percebemos muito bem a angústia própria e dos outros, a inclinação humana para a depressão, o medo da morte, o terror da perda e da rejeição, a tristeza profunda, os pavores da solidão e por aí adiante. Todos acolhemos com horror um diagnóstico de Alzheimer de alguém próximo porque todos sabemos que amanhã poderemos ser nós a perdermo-nos de nós mesmos, dos outros e de todos no mundo. A loucura aterroriza e, para agravar, ninguém entende muito bem a dor psicológica. O problema é que o sofrimento psicológico dói e muito. A solidão transtorna-nos a tal ponto que preferimos despejar nas redes sociais as nossas perdas, mágoas, traições, tristezas e depressões, do que sofrer tudo isso sozinhos. E se assim é, e se todos percebemos que mesmo não correndo o risco de virmos a ser esquizofrénicos, todos estamos mais perto das fronteiras desse ‘adoecer mental’ do que gostaríamos, importa perceber as fronteiras comuns. E fazer o que estiver ao nosso alcance para desfazer estigmas e derrubar barreiras, mas também para apagar (eliminar!) a hostilidade com que olhamos para quem nos parece louco. A estranheza nos outros pode ser inquietante; os tiques da loucura podem ser assustadores, o olhar fixo-parado de alguns doentes mentais pode ser altamente perturbador, mas nada justifica um olhar ou uma atitude que desumaniza. Mesmo quando não conseguimos encontrar traços comuns nem somos capazes de nos identificar com pessoas com distúrbios mentais, temos que nos lembrar que a sua dor psicológica, bem como a dor das sua famílias ou cuidadores dói. E muito.»

- por Laurinda Alves; texto retirado daqui.
«[...] Porque o amor é, sim, paciente, mas tem o limite exato da dignidade que nos sobra ao fim do dia [...].»

- por Marcelo Camargo; texto integral: aqui.

[Memórias da Primeira Semana de Estágio]

Dos começos oficiais: 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental.
Dia passado a observar consultas de psiquiatria. 
Mensagens bonitas de motivação por parte do meu amor.
Fins do dia na sala de espera para falar de algumas 
observações quanto a um MoCA à orientadora.

10 e 11 de outubro, embora a fotografia corresponda a dia 11.
Gabinete do psiquiatra (dia 10) e da assistente social (dia 11).
Dia 11: conhecer o trabalho da assistente social.

10 e 11 de outubro, embora a fotografia corresponda a dia 11. 
Gabinete do psiquiatra (dia 10) e da assistente social (dia 11). 
Dia 11: conhecer o trabalho da assistente social.

Dia 11: tentar perceber que todos os nervos e ansiedade 
de hoje passarão a ser grandes aprendizagens amanhã.

[Dia 13 de outubro: fotografias inexistentes. Dia de observação uma 
triagem e conversas importantes com a orientadora.]

Dia 14: reunião especial do serviço. 
Fecho das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental.

Dia 14: seminário científico "The genetic basis of depression" 
por Jonathan Flint na Fundação Champalimaud.

Sobre a Primazia da Mente

Fui tirar o siso na quinta-feira passada. Estava cheia de medo uma vez que todo o dente que tinha tirado até hoje havia sido de leite e já só agarrado por um fiozinho de raiz - pelo que a ideia de me desenterrarem um dente bem preso à gengiva não me parecia nada bem (e também não me ajudavam as lembranças da Nês e da Necas a sofrer à brava nos primeiros dias após passarem por tal procedimento).
Sei-vos dizer que reaprendi uma grande lição: a mente é que manda em tudo. Tudo. Não me doeu nada o arrancar do dente - só senti o dentista a fazer força e a revirá-lo para aqui e para acolá. Mas doer? Não doeu. Doeu-me foi a alma: uma hora e meia cheia de nervos. Saí do consultório absolutamente encharcada de transpiração nas costas e nas pernas. Foi um dos momentos mais penosos da minha vida pelo simples facto de ter sido passado numa ansiedade extrema que, afinal, não se justificava assim tanto. Até porque foi só começar a tomar os medicamentos e a fazer gelo que, no dia seguinte, consegui ir ao estágio na mesma sem uma pontinha de dor.
Mesmo assim, estou a considerar seriamente se me exponho a mais outra destas para tirar o outro que já tenho cá fora ou não, uma vez que ainda não deu problemas. Os dentistas recomendam que sim dado a raiz não estar ainda completamente formada (mas já está mais do que este que tirei). Por outro lado, agora a boca também já ganhou mais espaço, right? E diga-se de passagem que estar a comer líquidos e frios não é tão agradável assim - mesmo com a desculpa de poder comer mais gelados de colher.

Ora Bem:

(Ahahah!)

The Strongest Love Union: Mind & Body - Together, Forever

terça-feira, 11 de outubro de 2016

sábado, 8 de outubro de 2016

Do tema "Futuro" (parte I)

A única altura em que o futuro depende de uma bola de cristal é quando detenho essa bola nas minhas mãos. E juro que a largo para se estilhaçar em mil pedacinhos ou a condecoro mero biblô, pois só assim a admito espelhar-me a mim e ao meu mundo: comigo a ditar-lhe, antes de mais, como quero ver-me no meu destino. Não lhe permito todo o enredo - ah, não; não se não puder participar da encenação. Mais que meu mapa astral ou que qualquer sorte tirada de um baralho, os meus passos traço-os eu ao mirar o céu e ao procurar a beleza das estrelas como guia, mesmo que haja névoa e que chova granizo - hei de aprender a lidar com o clima como quero aprender lidar com a minha vida. Aconteça o que acontecer: é minha. Não de objetos criados pelo Homem. Até porque eles só detêm o significado que lhes concedermos... e que, portanto, eu quero. E eu não quero dar-lhes nenhum.

- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos

quinta-feira, 6 de outubro de 2016