domingo, 31 de maio de 2015

24. Pulseira

Não gosto de ter coisas muitas coisas nos pulsos, só o essencial. Não gosto de sentir muitas amarras. E a verdade é que é raro usar pulseiras... A não ser quando, numa qualquer fase, estou muito agarrada a um significado qualquer dei a uma dita cuja. Ou melhor: a não ser quando, numa qualquer fase, preciso de materializar um significado qualquer numa dita cuja. Nem que seja vaidosar-me. Porque há dias em que tudo o que apetece é isso: gritar "eu posso sentir-me toda bonitinha, dos pés às mãos e até à ponta dos cabelos". E pronto, dá-me para aí e lá vou eu.

sábado, 30 de maio de 2015

23. Vanguarda

- O que levas na vanguarda da tua alma?
- Emoções fortes.

22. Noite

Receber uma mensagem a meio da noite, mais especificamente às três da manhã, só a dizer "desculpa" é meio caminho andado para ter um ataque cardíaco. Por isso nunca façam isso a ninguém, por favor. Escrevam mais qualquer coisa, sim? Vá que foi só um susto, pelo que eu percebi... Que não aconteceu nada e que foi mero engano, que a pessoa se esqueceu de escrever o resto, soube pelo Fon, que às três da manhã estava acordado e foi logo averiguar a situação. Mas continuo à espera de resposta da pessoa que efetivamente me enviou a mensagem. E sei que só quando (ou se...) a receber é que vou respirar fundo.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

21. Ser

Ser feliz é deitar-me cinco minutos no chão abraçada ao Yeti.

20. Dar

Sim, já foi dado; porém, também não posso deixar de dar.

19. Dado

- Lança o dado e vê o que te saiu.
- Andar três casas.
- Força, então.
- Mas em que direção?
- Qualquer uma. Desde que estejas minimamente consciente do que estás a fazer, claro, pois isso vai influenciar tudo o que acontecerá de seguida. O peão és tu. Os dados são puras diretrizes, circunstâncias da sorte ou do azar; como jogas com isso depende de ti.

18. Vodca

Qual vodca, qual quê. Quando comecei a beber seja o que for - no segundo ano da faculdade, portanto - bastava-me três goles de sangria e já estava a dizer que a dita, no copo, fazia-me lembrar gelatina líquida...
Pois... Esta e outras histórias que é melhor ficarem no segredo dos Deuses (por isso é bom que eles existam nem que para isso, está bem?).

17. Aceitar

Aceitar? De momento estou em completa negação da decisão que tomei, tanto que não consigo perceber com clareza se devia ter feito o que fiz ou não. O facto de estar em negação conta-me que não o queria fazer (tal como acho que nunca quis), mas continua a deixar-me sem saber se, ainda assim - mesmo não o querendo -, agi como tinha de agir. O facto de pensar na coisa vezes e vezes sem conta num mesmo dia não ajuda, pois acabo por ficar exausta e não reflicto em nada - nem lido com nada - como deve ser.

Dos Mares


Tinha acabado de viver um acontecimento violento. As memórias de um peixe e de uma tartaruga tinham acabado de dar à costa e eu vi-os ali, estendidos, à espera da minha reação. Ia mesmo deixá-los secar, sujos pela areia como se nada fosse? Ia colhê-los e devolvê-los ao mar para que retomassem o seu caminho? Ou iria pegar neles, levá-los para casa, colocá-los num aquário e cuidar deles com todo o amor que conseguisse? Era assim que me sentia. Dividida, perdida, confusa naquelas memórias que sem querer se misturavam com o meu presente. Um antigo amigo voltou a falar-me, eu voltei a falar-lhe. Pensei no quão bonito seria voltar a cuidar de um aquário colorido e vivo. Mas depois assaltaram-me todas as outras memórias - não só as decoradas em conchas bonitas e brilhantes, como todas as forçosamente fechadas e adormecidas nelas. Ouviu-se uma rebentação dentro de mim. Num ápice, e porque algo tinha de ser feito antes que o peixe e a tartaruga me morressem ora por abandonados ora por erroneamente colhidos, resolvi-me, perante o que se fez meu alarme, a devolvê-los ao mar. Ao menos sabia que, aí, de uma maneira ou de outra, por já ser esse o seu meio natural, o peixe e a tartaruga tinham mais probabilidades de se safarem. Fi-lo, mas fi-lo e percebi continuar a ouvir o burburinho das ondas ao fundo (pois o mar nunca para - vim a entender mais tarde): não teria mesmo sido capaz de cuidar do peixe e da tartaruga? Teriam eles mais amor no mar do que comigo? Ainda iria a tempo de os encontrar, se me arrependesse por perceber que não tinha tomado a melhor decisão? O (a)mar é assim, feito de rebentações, de marés vazas e cheias; um passo e desfere-nos, outro e acalma os arranhões. Fazendo-me escutar nas minhas inquietações, acabaram por me recomendar os horizontes abertos. Deixar a opção que tomei surtir o seu efeito, pois só após os resultados é que podemos apercebermo-nos se há algo ou não a corrigir ou a melhorar. Não descartar a possibilidade de necessitar de correr ao mar por ver borbulhar ao fundo - sinal do peixe e da tartaruga estarem gravemente injuriados e no risco de perecer. Contudo, dar-lhes a oportunidade de morarem e crescerem felizes no caminho marítimo que é seu. 
Julgo mesmo que merecemos a oportunidade de morar e crescer felizes no caminho marítimo que é de cada um de nós individualmente. Sim: nós conseguimos!... Torço genuinamente por isso. Pois, de facto, merecemos vencer!

Para além da escrita criativa, o melhor remédio é-me...

Escrever cartas a mim mesma, tenho vindo a descobrir. Já lá vão três - duas por abrir, outra que tive de abrir mais cedo do que julgava que o ia fazer. Julgo que precisarei de escrever uma quarta.
Aconselho toda a gente a fazê-lo quando precisar ora de reorganizar ideias, ora de fazer um apanhado dessa reorganização - tornando-a, assim, mais consistente para si.
O coração pede-me muitas coisas para dizer, mas não me sabe ditar as palavras mais adequadas sem ter a certeza se me vai fazer escarafunchar as feridas ou não.
De momento, não estou sem chão. Só tenho o chão. E preciso de ir mais além. Fazer escavações até ao mais fundo de mim e depois criar e subir degraus que me permitam chegar a uma plataforma para voar. Mas tudo a seu tempo. Não há pressa. Agora preciso de não ter pressa e dar todo o espaço do mundo àquilo que sinto... Sentir-me desfeita mas saber que, tendo em consideração o que está para trás e todos os acontecimentos recentes que trouxeram à tona o que de mais humano existe, só faz sentido sentir-me assim... pelo menos por enquanto.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

The load is also important, but...

(What doesn't mean that sometimes it doesn't have to be that way...
At least at the start.)

16. Olho

- Tenho medo de olhar e ver o que não quero... o que não gosto.
- Tenho mais medo de olhar e não ver nada disso apesar de lá estar, e assim dar um passo em falso para o precipício.
- Não fechar os olhos de todo, então? Nem um olho aberto e outro fechado?
- Exato, os dois olhos bem abertos. Em alerta para o bom e para o mau. Não faz sentido veres só uma parcela da tua vida se ela tem mais do que uma. Assim só sobrevives à parcela que vês. Só aprendes os traços da que não recusas. Mas a que recusas está lá na mesma, e acaba por te chegar ou tu por chegares a ela; se nessa altura continuas a fazer de tudo para não a veres, acabas por te perder, por tropeçar nos limites e obstáculos do caminho, por cair e fazer arranhões, esfolar os joelhos e as palmas das mãos. E também podes, como te disse e extremando bem a coisa, correr o risco de assim te dirigires para o precipício e entrar em derrocada. 

15. Combinar

Maria e ansiedade: uma combinação perigosa que tenho claramente de (continuar a) fazer por amenizar. Combinei comigo mesma.

14. Subjetivo

Um objetivo está sempre sujeito à subjetividade, ouve o que te digo. Podemos tê-lo muito bem delineado, pronto a alvejar qualquer fim, mas para além de o podermos não conseguir, podemos consegui-lo por um caminho tudo menos linear - que é o que geralmente nos acontece com as grandes coisas, pelo menos. O futuro é subjetivo por muito que o tentemos objetivar, não só devido aos acontecimentos que nos são externos e nos quais não temos (e/ou não julgamos ter) qualquer controlo, como devido a todos os objetivos que estabelecemos conscienciosamente dentro de nós. Se são nossos, pessoais, bem delineados ou não, acabam, muitas vezes, por ter de membros a subjetividade, para além de poderem mudar totalmente de figura a qualquer momento (por nossa escolha ou não).

13. Necessidade

Do dia de estudo de hoje:
A pirâmide de necessidades do Maslow, há bocadinho.
A necessidade de vir aqui escrever, agora.