sexta-feira, 18 de julho de 2014

TAC Estrutural & Teste de QI Linguístico - Exercício do Workshop de Escrita Criativa

Sobre a Tarefa: TAC porque este é o exercício em que, com toda a transparência, todos os possíveis problemas virão ao de cima. E Teste de QI Linguístico porque esta é, sem dúvida, uma bela forma de percebermos qual é a nossa capacidade ao nível da produção escrita. Aqui vai:

4 - 3 - 5; 1,4,3: 5. 1,3,1,5 - 2 - 1.
(parágrafo)
3: 4! 4, 2, 5; 5 - 3 - 3; 3, 2?
(parágrafo)
2 (3), 4 – 3...
(parágrafo)
1,2, 4. 3: 5, 3, 3; 1, 4, 6 - 4 -, 5, 3, 2: 4, 2. 
(parágrafo)
3.

Esse é o molde para o exercício.

Em que consiste: escrever um texto que encaixe no molde. Tal como nos exercícios anteriores deste género: os números presentes correspondem ao número de palavras. Por exemplo:

4 - 3 - 5; 1,4,3: 5.
Naquele dia de sol - um grande dia - resolvi ir à praia sozinho; feliz, mas mesmo muito feliz, dei um mergulho: o mortal mágico do costume.



4 - 3 - 5; 1,4,3: 5. 1,3,1,5 - 2 - 1.
Um dia vou vencer - na maior descontração - o campeonato contra mim mesma; e, sem mais ilusão alguma, entender a verdade: este fora em meu favor. Eu, então absolutamente encantada, sorrirei, sorrirei imenso e em gargalhadas - como nunca - estrondosas.

3: 4! 4, 2, 5; 5 - 3 - 3; 3, 2?
Sempre dei gargalhadas: mas nunca nessa forma! Numa forma de excitação, absolutamente pura, por nunca ter havido problemas; problemas verdadeiramente alarmantes e descabidos - fora do normal - face à coerência; coerência da vida, faço-me entender?

2 (3), 4 – 3...
Por enquanto (não sei quanto), ainda não consegui vencer - os obstáculos desafiam-me...

1,2, 4. 3: 5, 3, 3; 1, 4, 6 - 4 -, 5, 3, 2: 4, 2.
Contudo, se atenta, compreendê-los-ei como meros desafios. Obstáculos são desafios: não há qualquer anormalidade neles, nem lados lunares, nem fados mortais; sei, apesar de ser contra-indutivo, que não há quaisquer artimanhas obscuras - revoltas mundanas contra mim -, pois por muito que sofra, que doa intensamente, faz parte: lutar contra mim fere, é natural.

3.
Mas vencerei naturalmente.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

«Não sabia o que dizer. Aquilo que Edna disse não era globalmente falso. Lori não se dava bem na sala de aula. Era inegável que, em muitos aspetos, o seu comportamento era o de uma criança perturbada. Fora assim noutras ocasiões; seria certamente assim naquele momento. Lori precisava de ajuda. Mas essa não era a verdadeira questão. Quem pensávamos que estávamos a enganar? Estaríamos verdadeiramente convencidos de que aquilo que acontecera tinha sido culpa de Lori? Estaríamos tão cegos?
Não foi Lori. Fomos nós. Dan, eu, Edna, todo aquele estúpido sistema escolar. Os responsáveis éramos nós; não era Lori. Será inadaptação desistir? Quando estamos fisicamente incapacitados para fazer alguma coisa e, mesmo assim, tentámos fazê-la durante três anos, seremos loucos por já não aguentarmos a pressão? Se Lori fosse cega ou surda ou não tivesse braços, teríamos cometido a brutalidade de lhe provocar um esgotamento, mas, como tinha uma incapacidade que ninguém via, éramos capazes de deitar as culpas para cima dela. E podíamos ficar tranquilamente sentados e fazer aquilo em que os profissionais são bons: o papel de Deus.»

- Torey Hayden in Os Filhos do Afeto
«- Não, não. Não é isso que quero dizer. Não está bem porque não era assim que eu queria desenhar. Não era perfeito, como eu queria que fosse. Mas sabes uma coisa em que estava a pensar, Tor? - perguntou e fez uma pausa, com a voz trémula enquanto passava mais um olhar minucioso pelo desenho.- O que eu estava a pensar era: é perfeito. Não a parte que vemos, mas o que está dentro de nós. Na minha cabeça, o pássaro era perfeito.
Virou-se para olhar para mim e esboçou um sorriso.
- E isso para mim é o bastante para gostar deste desenho, mesmo que não seja realmente perfeito. Porque... bem, porque sei que podia ser... - afirmou e, virando-se para mim, perguntou: - Sabes o que quero dizer?
- Sim - confirmei, acenando a cabeça. - Creio que sei.
- As coisas nunca são realmente perfeitas - comentou. - Mas dentro de nós podemos sempre vê-las perfeitas se tentarmos. Isso torna as coisas belas para mim.
- És uma sonhadora, Lor.
Olhou-me fixamente, com aqueles olhos escuros e redondos e para além de todos os sorrisos. Não disse nada.
- É bom ser sonhador.

O desenho do pássaro azul nunca foi afixado no nosso jornal de parede. Levei-o comigo para casa. Afixei-o sobre a minha cama para me fazer lembrar, pelo menos duas vezes por dia, da beleza num mundo imperfeito.»

 - Torey Hayden in Os Filhos do Afeto

Quando a Estrada me transportou num Carro

Regresso a Lisboa de um fim-de-semana em família. Os meus olhos perdem-se algures entre a janela do carro e a paisagem enquanto estou imersa em pensamentos difusos e pouco definidos.
Subitamente, desperto. Noto na ponte que em tempos transportou uma menina sonhadora num autocarro - com o coração aos pulos porque ia ter o seu primeiro encontro. Ainda por cima com ele; quão tal me era doce... Vejo o Amoreiras lá ao fundo. Lembro-me do local em que vi o teu sorriso pela primeira vez, dirigido diretamente para mim.
Bons tempos. Boas memórias.
Depois, olho em frente. Desperto mais ainda. Estou noutra estrada completamente diferente - o que, de certa maneira, é reconfortante.
As bordas da estrada estão preenchidas por folhagem verde em todo o lado; desenham-se algumas árvores e arbustos pequenos que não se podiam assemelhar mais vivos. O sol brilha com toda a força. Também é bonita, esta estrada. E ainda bem.

domingo, 13 de julho de 2014

Filósofa de Banheira com "wanna-be" Psicologia à mistura (e, sobretudo, humanidade)

Despacho-me do duche. Como é hábito, pego na toalha húmida com a intenção de a estender lá fora para secar. Desço as escadas da vivenda que dão acesso para o jardim e passo pelo meu irmão a brincar com o primo. 
- Então...? 
Estão a divertir-se, pensei, completando a questão que lhes dirigia e que, verbalizada, se ficou pelo incompleta. A dar pelos rostos das crianças - iluminados pelos sorrisos, ritmados pelos risos - quis acreditar que sim.
Quis acreditar que sim.
De repente, dá-se uma recapitulação automática na minha mente de toda a divagação de pensamentos que me tinha ocorrido há momentos - no duche, está claro; quem é que nunca foi filósofo de banheira?
Promessas: tinha sido esse o assunto sobre o qual andara a refletir.
Estou a prometer, a mim própria, que está tudo bem. Que eles se estão mesmo a divertir. Estou a assumir isso.
Foi o que pensei imediatamente de seguida.
Sabem? Mais do que aquilo que as pessoas nos dizem, mais do que aquilo que elas nos mostram, o mais sensível e determinante de tudo é como nós pensamos acerca disso e, portanto, o que pensamos acerca disso. Esse é o limbo entre cair e manter o equilíbrio.
Mais sério do que o que os outros nos prometem é, talvez, o que prometemos a nós mesmos sobre os outros. Isso sim: é o verdadeiro causador de problemas quando uma promessa que o outro nos faz se quebra, seja por que razão. Ou quando, apesar de o outro não nos ter prometido nada, nós achamos que este o fez - nem que seja por sentirmos que é como se o tivesse feito através de ações, de forma indireta; nem que seja porque queríamos muito que, de facto, uma promessa tivesse sido realmente feita (e, em consequência, cumprida).
Erros de comunicação ocorrem a toda a hora - erros de leitura de segundos, de terceiros... e de nós mesmos. É normal.
Erros na vida e da vida.
O facto de uma promessa não ser cumprida - ou não se concretizar, pois de facto há quem como que prometa coisas sem recorrer a palavras (isto é, baseando-nos apenas nas intenções que dessas pessoas deduzimos) - não quer dizer que esta não fosse verdadeira quando criada. Claro que existem promessas que nada têm de verdadeiro desde início, mas há as que têm. Há quem prometa coisas com toda a sua vida. A genuinidade disso não deve ser posta em causa. O que deve ser posto em causa é que é "com toda a sua vida". Não é com a nossa. São vidas das quais não temos controlo nem podemos esperar ter. Se temos alguma influência? Sim, em parte. Controlo? Não. Nem na nossa própria vida temos total controlo, quanto mais na dos outros...
Acidentes de percurso ocorrem a todos. Imprevistos estão no virar da esquina. Até na esquina da mente - mas já dizia o James da Clínica Privada: If it felt like love, then it was. Don't let the perspective you have now diminish the feelings you had then. That wouldn't be fair. 
Quero dizer: lá porque as coisas já não são de x maneira no presente, não quer dizer que não foram de x maneira no passado. Tirem os macacos da cabeça, meus caros, que eu também já os tive e bem sei o quão desagradável é ter a cachimónia transformada numa selva - o que se vive para trás também é real. Não foi. É. Não deixou de ser só porque o tempo passou. No passado ninguém mexe, já ninguém altera. O presente é que mudou e é outro.
Retomando: mais sério do que o que os outros nos prometem é, talvez, o que prometemos a nós mesmos sobre os outros. Esse é o limbo: as expectativas que depositamos, não sobre os outros, mas sobre o que podemos determinar sobre os outros - sobre toda a nossa vida.
Sejamos cuidadosos. Não paremos de acreditar no que queremos e de lutar por isso, pois é assim que o obtemos. Contudo, não sejamos demasiado rígidos e implacáveis. Tiremos as palas. Saibamo-nos flexíveis perante o imprevisível e o indesejável, capazes de nos adaptarmos ao que antes nos parecia inconcebível de acontecer ou de aceitar. Aconteça o que acontecer, a nossa vida não terminou enquanto estivermos cá.
Estamos cá. E os nossos sonhos - talvez não em específico, mas no geral - não terminaram.

"Caixa das Palavras" de Julho

"Marimbei-me" - e aparenta ter sido assim: à grande - para a caixa das palavras do mês anterior, dados os já referidos exames da faculdade. Como já fazem, também, alguns dias do mês de julho (e visto que agora quero é organizar a minha vida e esticar dedos, mãos, pernas - tudo e mais alguma coisa), tive uma ideia brilhante - e que, por vezes (nas palavras que o justificarem), até poderá ter algumas parecenças com os exercícios de escrita criativa que foram propostos no workshop que ando a fazer (e que em breve publicarei aqui pelo blog).

Em agosto, a partir de dia 1, vou tentar criar um texto com a palavra do dia, não só do mês em questão, como de julho e junho. Isso mesmo: no dia 1 de agosto, vou escrever um texto com a palavra de dia 1 de agosto, 1 de julho e 1 de junho - assim por diante, até ao fim do mês.

Para já, aqui fica a lista de palavras de julho, para depois ser mais fácil fazer a misturada.

[ dia 1 ] - viajar
[ dia 2 ] - cheirar
[ dia 3 ] - yoga
[ dia 4 ] - retribuir
[ dia 5 ] - afocinhar
[ dia 6 ] - solidificar
[ dia 7 ] - safadez
[ dia 8 ] - sensatez
[ dia 9] - elástico
[ dia 10 ] - roda
[ dia 11 ] - recortar
[ dia 12 ] - transmitir
[ dia 13 ] - retocar
[ dia 14 ] - admoestar
[ dia 15 ] - transparecer
[ dia 16 ] - trabalho
[ dia 17 ] - mentira
[ dia 18 ] - revolto
[ dia 19 ] - galhofar
[ dia 20 ] - voar
[ dia 21 ] - soneto
[ dia 22 ] - adiantar
[ dia 23 ] - ponto
[ dia 24 ] - ziguezague
[ dia 25 ] - ubiquidade
[ dia 26 ] - batalhar
[ dia 27 ] - saborear
[ dia 28 ] - treze
[ dia 29 ] - solidariedade
[ dia 30 ] - senão
[ dia 31 ] - repousar

sábado, 12 de julho de 2014

Clichés em toda a parte, questões-chave

- Os clichés existem porque as pessoas são umas teimosas, não é? Têm de repetir as coisas na vida uma e outra vez até terem a certeza do que é e não é real...
- Umas glutonas, é o que elas são! Pares de olhos e de ouvidos que papam tudo. Sejam boas ou más bocas.
- São é umas ingénuas. Umas madre Teresa de Calcutá. Perdoam e deixam passar uma e outra deixa repetida, uma atrás da outra, como se nada fosse. Por ventura sabem a que se deve o uso da expressão "madre Teresa de Calcutá"? E tantas outras popularidades confundíveis com banalidades? Ou é preferível ficar na ignorância despreocupada?

Está aberto o diálogo.

Clichés à parte, frases-chave

«Insistir em algo que nunca dá certo é como calçar uns sapatos que já não servem. Magoam. Causam bolhas e às vezes até faz sangue. E aí percebes que o melhor é ficar descalço. Deixar totalmente livre o coração enquanto vives. Deixar livre os pés, enquanto crescem. O número muda. E o que insistias em calçar, não servirá mais. Ás vezes é preciso esquecer o que queremos para começar a entender o que merecemos.»

- por Daniela Fonseca

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Folha de linhas. Linhas de um Caminho de Ferro. De um Caminho Ferranho. A seguir.

Aquele momento em que estás a pôr em dia a leitura de todas as sessões do workshop de escrita criativa em atraso (estive com exames da faculdade, daí a ter negligenciado o tempo para tudo e mais alguma coisa exterior à vida académica, inclusive todos os escritos aqui do blog) e lês O comentário. Aquele que te obriga a parar porque algo dentro do peito saltou, estremeceu - não sei bem.


Não quisesse eu ser escritora e esse ser um dos meus sonhos mais upa-upa, não estava estarrecida e enternecida (sim, sim - exatamente assim: tudo ao mesmo tempo e à molhada) a olhar para o ecrã. Sem, ainda, conseguir continuar a ler as sessões.

Sim, Maria: estás a lutar por um sonho. Já reparaste? Já paraste mesmo para pensar nisso? Para o consciencializar?
Estás a ir a passos de bebé  - mas a caminhar. Quão poderoso soa isto? Quão audível é o som dos teus pés a tocar o chão? Ainda que devagarinho, devagarinho.

Devagarinho, devagarinho... vamos ver onde é que vamos dar.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Qual é o cenário da tua vida?

Queria um background cheio de flores...
Procurei-as.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

sábado, 7 de junho de 2014

quarta-feira, 4 de junho de 2014

04. Soldado

Soldado que não me deixas soldar esta saudade: de sol a sol lanço o dado por ti, à espera que saia a sorte grande e que voltes à casa de partida.

terça-feira, 3 de junho de 2014

03. Bolacha

Nos últimos dias a minha cabeça tem andado a migalhas. Quanto a ideias já se foi a última bolacha do pacote.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Só mais um parêntesis quanto a hoje:

"O problema é sempre a inexistência de ferida, nunca sará-la; nenhuma criança com os joelhos intactos é feliz, já reparaste?"

- Pedro Chagas Freitas

02. Explicar

Hoje tive duas discussões construtivas - ou que tinham a intenção de ser construtivas - na tentativa de entender o incrível fenómeno que é conseguir meter macaquinhos na cabeça.

Não me apetece escrever mais nada acerca da palavra do dia de hoje. Não me apetece explicar porquê.

domingo, 1 de junho de 2014

01. Linear

Infelizmente, a inteligência dela é copiar na íntegra as coisas de um lado para o outro - até do papel para a cabeça. É uma capacidade que dá imenso jeito a curto-prazo, mas a longo tenho dúvidas. As coisas na vida não são lineares e ela não se vai safar a pensar linearmente. É pena. Muita pena que, por vezes, a cabeça fale mais alto que o coração; que a doçura deste não chegue. Porém, se assim não fosse, revelariamo-nos todos uns influenciáveis: escravos da vontade dos outros, desligados da nossa. Os melhores corações são aqueles que estão conscientes do que estão a fazer.

sábado, 31 de maio de 2014

"Caixa das Palavras" de Junho

[ dia 1 ] - linear
[ dia 2 ] - explicar 
[ dia 3 ] - bolacha
[ dia 4 ] - soldado
[ dia 5 ] - silhueta 
[ dia 6 ] - pontualidade 
[ dia 7 ] - respeito
[ dia 8 ] - sentar
[ dia 9 ] - optimizar
[ dia 10 ] - revolução
[ dia 11 ] - nuvem
[ dia 12 ] - normalidade
[ dia 13 ] - soltar
[ dia 14 ] - sinceridade
[ dia 15 ] - telemóvel
[ dia 16 ] - falar baixinho
[ dia 17 ] - sobrehumano
[ dia 18 ] - sombra
[ dia 19 ] - voz
[ dia 20 ] - vinho
[ dia 21 ] - vento
[ dia 22 ] - zelar
[ dia 23 ] - amostra
[ dia 24 ] - visar
[ dia 25 ] - telefonar
[ dia 26 ] - álcool
[ dia 27 ] - aparte 
[ dia 28 ] - massagem
[ dia 29 ] - mente
[ dia 30 ] - memória

31. Obsoleto

Triste é quando alguém deixa o seu charme banalizar-se - e assim cair em desuso por tanto o usar.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

30. Nutrição

É possível - e aconselhável - nutrir a destruição. Não te preocupes se, por isso, passas a desnutrir a ilusão; se é ilusão, não existe de verdade. Não é preciso (nem faz sentido) alimentar coisas que não estão realmente vivas. É estar a deitar comida fora: atirá-la para o ar, deixá-la cair no chão - e, com ela, também tu te deixares voar e estatelar.

Peixinho do Mar

"(...) a questão é que eu não estou interessada meramente em ganhar experiência. Eu que seja a pessoa mais inexperiente do mundo mas que, quando seja para falar, seja para falar de amor. Se não é para ser nada de sério ou com a intenção de ser sério... 'migos, fui-me. Se não for ele há-de ser outro peixinho do mar. 'Peixinho do mar, podemos passar ou não?', 'Só quem tiver a cor... verdadeira!'"

- Maria numa conversa a 30 de maio de 2014

quinta-feira, 29 de maio de 2014

T.E.S. XI - Trabalho Entre Sessões

(Nota: o T.E.S. IX e X não foram muito relevantes para publicar aqui no blog, por isso saltemos para o XI)

Tarefa: colocar, em cada frase (acrescentando palavras, se necessário): pelo menos duas vírgulas; pelo menos um travessão e/ou dois pontos e/ou par de parêntesis.

"Parecia completamente surreal toda aquela situação. Era de facto estranho. A incerteza de ela estar na sua frente fazia-o esquecer-se da razão. Não havia distinção alguma do que era real e do que não era. Os sonhos e a realidade fundiam-se naquele instante. Não dá para acreditar a que ponto tudo isto chegou. Tudo parecia difuso e enublado."

Parecia (completamente) surreal que toda aquela situação estivesse, contra todas as suas expectativas, a acontecer. Era, de facto, estranho - muito estranho. Não o podia negar: tinha a incerteza de ela estar mesmo, ali, na sua frente - e isso fazia-o esquecer-se da razão. Não havia distinção alguma, que pudesse fazer, do que era real e do que não era - não se julgava capaz disso naquele momento. Os sonhos e a realidade fundiam-se, naquele instante, como se os milagres fossem possíveis: sempre havia julgado que não eram. Não dá para acreditar a que ponto tudo isto chegou: o seu mundo tinha, como acontecia a tantos outros (e tantas outras vezes), rodado a trezentos e sessenta graus. Tudo parecia difuso e enublado - mas o coração, esse, era claro: não aguentava nem mais um minuto longe dela.

29. Bingo

Rodam os números, confundem-se as horas, misturam-se os dias em correntes de sorte ou de azar. Vamos tendo cartão verde, amarelo ou vermelho para continuar.
Bingo! Não importa a cor: importa continuar.

28. Vertical

Olhar para o que está no nosso horizonte ou olhar para cima, para tudo o que ainda podemos alcançar?

terça-feira, 27 de maio de 2014

27. Sagacidade

A perspicácia de perceber que a saga da curiosidade continua...

26. Satisfazer

A curiosidade é uma coisa que não se satisfaz - nunca se satisfaz, pois isso implica que ela esta presente. Contudo, uma vez satisfeita, deixa de ser curiosidade. Passamos a satisfazer outra coisa qualquer.
Estou curiosa para saber o que é essa outra coisa qualquer. E agora?

25. Queijo

Claro que nos esquecemos de coisas quando comemos queijo: ele está cheio de buracos!

24. Voracidade

Voraz: esta cidade.

23. Sopa

Bem que se podia fazer uma analogia entre a vida e comer sopa: estamos sempre a uma colher de ser ainda mais fortes e saudáveis.

22. Abismo

Não fiques tão abismado! Todos caímos em queda livre de vez em quando.

21. Saciar

No mundo há muitas contradições - ou muitas pessoas ridículas. Todos já fomos ridículos pelo menos uma vez, em que foi o que menos nos satisfez que mais nos fez ter fome e pedir por mais.

20. Ausência

Podia dizer que não conheço ausências - precisamente por nunca as ter visto. Podia dizer que o que não se vê, não existe. Mas é mentira: uma grande, grande mentira. 
Às vezes, são as coisas que não acontecem que mais fazem as coisas acontecer - que mais nos fazem sentir existir.

19. Sul

Um dia encontrei e perdi o norte. Estou certa que está na altura de dar oportunidade ao sul para mostrar o que vale.

18. Surripiar

Naquela manhã, pensava em ti quando um passarinho piou à janela. "Pronto", pensei, "já fui."
Surripiaste-me a atenção, é certo; fizeste logo com que o dia, num mero pormenor, me sussurra-se toda uma melodia apaixonada.

sábado, 17 de maio de 2014

17. Pressentimento

Tenho o pressentimento (ou pré-sentimento) e que vou voltar a amar. Será que esta previsão (ou pré-visão) se irá mesmo concretizar?

sexta-feira, 16 de maio de 2014

16. Abrandar

Há pessoas demasiado impulsivas - demasiado brutas na interpretação do dia-a-dia. Em vez de tornarem mais brandos os seus passos, abrem o andar às largas na direção de um qualquer julgamento - como quem tem urgência de fazer valer o seu ponto de vista.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

15. Carta

Querido Eu do Presente,

Não desvalorizes absolutamente nada: nem sequer os silêncios no meio desta carta. Pode aparentá-lo - mas ela é tudo menos pequena.

Com amor,

Eu do Passado.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

14. Sonolência

A tristeza e a sonolência confundem-se no pesar das pálpebras; ambas denunciam cansaço.

terça-feira, 13 de maio de 2014

13. Mar

Estendo-me e enrolo-me, toco e fujo, avanço e recuo na areia que piso tal e qual uma onda do mar - uma onda de ser.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

12. Tangerina


Tangerina: uma fruta que sempre achei muito à tangente da laranja. Sinceramente, não compreendo o porquê de termos adotado o nome da última para falar de uma mesma cor. É devido àquela história do "respeitinho aos mais velhos"? É por isso?

domingo, 11 de maio de 2014

11. Separação

Da separação: qual será a outra fação? Se par há ação.

10. Altruísmo

Altruísmo: tentativa mais ou menos momentânea de estar à altura das expectativas bondosas que temos acerca de nós mesmos.

09. Calorias

Se está calor come-se gelado. 
Em vez de lógico é calórico.

08. Personalizar

Personalizamos tudo: o que vemos, o que ouvimos, o que cheiramos, o que tocamos, o que provamos.

07. Uva


Em vez de massa (cinzenta) tinha uvas na cabeça. Não se importava: a massa, por vezes, vinha transformada à priori e ela gostava de confecionar o produto final por si própria. 
Depois, bebia vinho para celebrar.

06. Livraria

A Bela não seria tão Bela se o Monstro não lhe tivesse dado uma livraria. Faltar-lhe-ia qualquer coisa: um pouco de encanto, talvez.
Quem me dera que os meus monstros me dessem livros - às vezes também sinto que me falta qualquer coisa no confronto com a realidade: um manual de instruções, uma visão mais mágica do mundo, um puxão que me faça ser mais terra-a-terra... Sei lá.

05. Agora

- Estamos oficialmente juntos. E agora? O que vai acontecer?
- Agora? Agora vamos parar à praça pública. Vais ver: seremos assunto de toda a gente não tarda. Vai haver muita movimentação, muitas bocas a falar: tal e qual acontecia nas ágoras da Grécia Antiga. Por muito que pareça que este palrar é coisa recente, por muito que isto vá ocorrer precisamente agora... estes hábitos não são de agora.

04. Susto

- Depois já sei como é que é: quando morrer, morres comigo.
- Ahn?! Tu partes e eu morro? Tornas-te fantasma e, a mim, obrigatoriamente, dá-me uma coisinha má? Nem pensar! Posso assustar-me contigo: morrer de susto já é esticar a corda. Vê lá o que dizes: ainda te enforcas nessas palavras.

03. Divertir

Sou só eu que consigo divertir-me ao reparar que nada de divertido está a acontecer aqui e neste preciso instante?

T.E.S. VIII - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: criar um texto - com princípio, meio e fim - com seis frases e em que haja quatro dois pontos.

Deitou-se ao fim de mais um dia, questionando-se o que é que tinha feito de errado: nada; não encontrava nada - nenhum momento em que não tivesse dado o máximo (o melhor possível) de si. Aparentemente, não tinha sido o que suficiente - ela: não tinha sido o suficiente. Apesar de toda a sua entrega, dedicação, compreensão - apesar da pessoa maravilhosa que era a toda a hora -, o seu amor deixou-a no último minuto. Largou-se a chorar noite dentro, só pensando no quão imensa era a sua falta de coragem para enfrentar o futuro: no quão desejava estar morta - tudo o que fizera, tudo o que era, tinha sido em vão. 
Acabou por adormecer (quiçá, achado que para sempre); contudo, acordou na manhã seguinte, lavou-se, vestiu-se, foi trabalhar - recebeu imensas chamadas do mundo. Uma delas foi da mãe: queria relembrá-la de como a avó sorria com tanta vitalidade sempre que a via e que, com certeza, nunca quisera deixá-la - que se havia lição a retirar dos tempos difíceis que se haviam passado (e que ainda iriam ocorrer no futuro) era a de que a força conseguia lá estar apesar da doença.

T.E.S. VII - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: Criar três exemplos de uso do travessão seguido de vírgula e três usos de travessão isolado - se possível num texto só (com, no máximo, oito frases).

Não era uma criança dada a desportos de velocidade - se era para fazer algo por desporto que fosse outra coisa. Não gostava de ocupar o seu tempo a correr de um lado para o outro no parque; dava-lhe a sensação que o tempo urgia - coisa que queria evitar que acontecesse a todo o custo e pela qual, portanto, não pretendia ser apanhada. Era uma criança que preferia - por exemplo - trabalhar em torno da sua resistência às brincadeiras. Preferia passar horas e horas a fio trancada num ginásio mental de diálogos entre os seus brinquedos e ver até quando os conseguia continuar a desenvolver. No entanto, chegando um ponto em que não os conseguia estender mais, eram os exercícios de flexibilidade os que acabavam escolhidos pois - já se sabe - ela não gostava de momentos encolhidos. Era pequena e gostava de tudo quanto pudesse puxar por si - não desejasse ela crescer a todos os níveis -, desde que fosse devagarinho - para não se ver logo acabada.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Estamos Desertos por ler coisas destas


«[...] Será o amor para sempre impossível? Não. Provavelmente só é muito difícil, como tudo o que vale a pena. Porque o mais fácil é apaixonarmo-nos. Complicado é mantermo-nos apaixonados, interessados. Não é obviamente em câmara ardente que se segura um amor para sempre, mas duvido que seja com renovação de roupagem que nos fazemos vestir de felicidade. Precisamos de saber dar aos outros como se fosse a nós mesmos e interessarmo-nos por quem amamos como se fosse connosco. Porque só assim nos mantemos interessantes, precisos, parceiros, nossos. Porque essa é a característica patente nas relações que duram: nas relações familiares, quase sempre imortais.

Embora fundamental, este altruísmo para com quem amamos não chega. Precisamos de saber renovar, de aprender e dar de novo, de começar tudo como se fosse hoje a última vez. Como se fosse a primeira vez, num rastilho com cheiro a pecado até o aroma ser doce outra vez. Porque um amor sem altos e baixos é como um deserto: adormecemos na monotonia de uma paisagem sem cor.»


Mais um post sobre amor; mais umas linhas através das quais me identifico - a mim e à minha história - nas entrelinhas.

02. Sair

Imagina que atravessas uma porta. Quando sais de algum sítio entras automaticamente noutro. 
Contudo, quando não tens a certeza se já saíste ou entraste, estás na ombreira. Como quem encara o passo que ainda tem de dar, mas refugia-se num ombro familiar.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sobre o Desafio "Caixa das Palavras"

Era para aderir ao desafio da Caixa das Palavras, lançado pela Pê, como uma espécie de "continuidade" do Palavrar a Cada Dia de abril. No entanto, estou cheia de trabalho. Nem cabeça tenho tido para estar cem por cento a par das aulas do Workshop de Escrita Criativa... Vou chegar ao fim-de-semana com duas sessões para pôr em dia - a da semana passada e a desta.
De momento, não me posso comprometer com cumprir desafio algum para além do meu próprio curso. Mas vá: cumpri o dia 1 da Caixa (em que a palavra era "vestido"). 

Para além de ter sido o dia em que me pus à procura de um vestido para o meu aniversário, escrevi o seguinte:

Apareceu vestido de verde. Disse-me que a esperança lhe assentava melhor, pelo que não podia não ter investido em si.

Finalmente o momento chegou

Um dos momentos altos da vida de uma pessoa será aquele em que se apercebe que está a completo cargo do seu coração, entendeu a Maria no dia 4 de maio de 2014, a vinte dias de fazer vinte anos. Tumba. Sinto-me, finalmente, livre... finalmente. O post de dia 30 fez por bater certo, veem? Não fosse a escrita uma das minhas melhores amigas. Não fossem os meus batimentos cardíacos intermediados por letras.

The problem...

...was not you. It was the fear you made me feel, pensou a Maria algures entre abril e maio - e muito bem.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

30. Coração

Fugiu para ti e de ti. Já chegou. Fique, agora, o coração a descansar dentro de mim.

terça-feira, 29 de abril de 2014

29. Calor

O calor é frequentemente associado a coisas boas, felizes ou intensas; o frio: o contrário. Porém, há quem encontre calor no frio: quiçá, numa manta - quiçá, em algo mais complexo do que isso.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

28. Mente

As mentiras podem ser tão complicadas de entender quanto a mente. Talvez, em parte, por serem feitas dela.

domingo, 27 de abril de 2014

27. Cigarros

Ela bem queria (na sua inocência) ser uma cigarra para que não parecesse tão mal que se casasse com cigarros.

sábado, 26 de abril de 2014

26. Anatomia

Que mania essa a de tentar descobrir a anatomia das coisas. Das físicas, das não físicas - e até das que têm física e não têm físico.
Nem tudo é (para o) animal. Nem tudo dá para descobrir a estrutura: o que é e como é cada parte.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25. Bar

- Traga-me mais um copo por causa da minha vida, caro senhor. Traga-me mais um copo que eu não a suporto mais a correr nas veias. Dizem-me que melhor será se for álcool que para aqui estiver, pois eu já disse que se é para me tirarem o sentido da vida, então tirem-me antes os sentidos.
Um bar é um local onde devia estar alguém que advertisse as pessoas para pararem de beber o próprio sangue. Um barman - um homem a sério, como aqueles que se descrevem por aí, sabem? Que tirasse o sentido a isto - nem que tivesse de recorrer a chapadas na cara para acordar esta gente.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

T.E.S. VI - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: produção de um texto, com sete frases, em que apareçam cinco parêntesis - em dois dos casos o que está lá dentro está, segundo o nosso entendimento de escrevente, num patamar inferior, e em três dos casos está em patamar superior.

O que é que há no fim (ou no princípio, não sei bem) do nosso mundo? Uma cascata de mágoas a cair num vazio (infinito)? Ou lágrimas de alegria a jorrar para o infinito (deixando o vazio para trás)? Por só conhecermos mundos em formato redondo não há o que nos permita ter a certeza de onde acaba um limite e começa outro, creio. Terminamos, muitas vezes, a rodar sobre aquilo que nos é familiar. Se é a tristeza quem conhecemos (tanto faz se ainda há pouco ou desde sempre) dificilmente conseguiremos imaginar o que há para lá do mundo senão desfeches em quedas de água. Se, pelo contrário, é o júbilo o felizardo, então, nunca haverá nada de finito num (improvável) fim.

24. Morango

Chá, torradinhas e doce de morango. Por não haver quem seja alvo do meu amor e mos traga à cama, vou eu mesma faná-los à cozinha para me armar esse cobiçado miminho. Se não gostares de ti, quem gostará? Não é isso que se indaga por aí? Todavia, tudo acaba por se suceder às custas do meu (ignorante) coração. Não vê ele que se deixa, por isto, consumir? Não?

quarta-feira, 23 de abril de 2014

23. Vivência

Quando penso em vivências... não me apetece pensá-las. É frequente que se insurjam na mente aquelas que tive contigo, em pleno confronto com aquelas que tenho agora sem ti. E, se há um confronto, há a ameaça iminente de um golpe desferido aqui ou acolá. Claro que não me apetece pensá-las - julgo eu: erroneamente. 
Não me apetece é revivê-las.

terça-feira, 22 de abril de 2014

22. Ficar

Ficar e partir aos poucos ou partir e ficar inteiro? A mudança assusta-nos ou é a sobrevivência que nos aterroriza as necessidades?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

21. Luta

Estás a lutar contra ou a favor do luto? Se vives tempos de guerra não fiques por te esclarecer.

Reasons Why I Love OUAT

I'm so damn romantic


Talvez a paz murche com o tempo... mas, por favor, não morra o amor.

- coisas que se passam no Instagram da Maria, parte II

domingo, 20 de abril de 2014

A pôr de parte o orgulho e o medo. Era isso que faltava, meus amores: não optar nem por um, nem por outro.

20. Meia

- Então? Que me dizes? Dividimos a casa a meias?
- Não. Desculpa, não posso aceitar uma proposta dessas. Não me agrada nada essa ideia de estabelecer fronteiras. Não quero nada a separar-me de ti. Se é para arranjar um local para viver, não quero nada disso; nada de cada um ficar na sua metade.

sábado, 19 de abril de 2014

19. Novo

Ainda era jovem e queria sempre fazer algo novo. Quando envelheceu, tudo o que queria era fazer(-se) de novo.

Sobre o Fim da Insónia de Ontem:

Foi quando pensei "um dia, vou ter insónias por boas razões" que, intimidada para com as suas parcas estruturas, a vigília teve um ataque de ansiedade; de tão fraca que se sentiu, foi-se abaixo.

Tragam-me um sonho, por favor.

(Des)pedem-se Respostas

in Farol do Cabo Sardão, abril de dois mil e catorze.

Não sei se sei apreciar, completamente, esse poema. Nem sequer sei se consigo entender em que medida, ou até que ponto, este mundo poderá ser considerado um poema. Mas vejamos: se eu conseguisse entender tudo, também conseguiria ser humana?
A (tua) natureza (a da tua vida) desafia-te.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

18. Janela

- Por favor, abre a janela! Quero atirar-me de cabeça. Estou a sufocar dentro desta casa; sinto-me esmagada, já não caibo neste ninho.
- Nem penses! Ainda não estás pronta. Primeiro tens de deixar crescer as asas. Antes disso, não vais voar... por muito que tentes.

T.E.S. V - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: produzir um texto, com sete frases (atenção: nem mais uma nem menos uma), em que haja (...) um ponto e vírgula em cada frase. Pode ter também vírgulas - mas tem de ter um ponto e vírgula em cada frase. Não mais, não menos: um ponto e vírgula. Mas frases ligadas entre si: um texto só. Sete frases = sete pontos (finais ou outros). E, no meio deles, um ponto e vírgula.

Uma vez, como tantas outras, pôs-se à caça; de todas as vezes que adotava essa postura procurava, sempre, a melhor presa possível. Deixava que a noite caísse e, então, embrenhava-se nas ruas; era rara a esquina que não explorasse. Se não fosse daquela vez seria, certamente, numa seguinte; parecia decidida a somar tanta gente quanto possível às suas garras. 
Não estava para brincadeiras; nem sabia o que isso era, fizesse isso parte da sua espécie. Havia uma fome que, quando ignorada, quase que a matava; havia uma necessidade urgente por saciar. 
Não era capaz de passar muito tempo sem se atirar a algum homem; o que lhe valia é que saía sempre bem sucedida. Foi assim que acabou com o rei na barriga; foi assim que, a partir daí, se tornou, oficialmente, a loba mais temida de toda a aldeia.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

17. Cama

De todas as vezes que mais enlouquecia estava na cama. Não devido ao sexo; não devido ao álcool. Mas devido à euforia; à alegria imensa que ameaçava explodir com o peito, combinada com mil e um sorrisos de fazer doer as bochechas. Ou, então, devido à dor; ao choro agoniante e contínuo que sentia - como se o quisessem transformar, à força, de humano em cascata.
Não era não conseguir controlar o que fazia o corpo aquilo que mais o enlouquecia, ao deitar. Era aquilo em que sabia que ainda podia ter alguma mão, de alguma maneira, mas que, por qualquer razão, se esquecia de que assim o era capaz.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Solidão? Dão - mas é a mão.

“Sabes uma coisa? – disse-me. – Por vezes sinto-me mesmo sozinho. Sinto-me mesmo, mesmo sozinho.
Fiz um gesto afirmativo com a cabeça.
- Sim, toda a gente se sente de vez em quando.
- Pois é. Toda a gente se sente.”

- in Os Filhos do Afecto, de Torey Hayden

Não; não me sinto sozinha. Já não, pelo menos. Quiçá, algures no tempo que lá vai, fosse assim. Mas o nevoeiro sempre se levanta, as cortinas afastam-se – e o mundo acaba por se tornar visível aos olhos. Não me sinto sozinha e, na verdade, nunca o estive; agora, sei-o. Tenho – sempre tive – três, quatro ou, até, cinco mãos cheias de amigos que fazem com que eu seja muito mais do que quem seria sozinha. 
Não me sinto sozinha. Este vazio não é a falta a quem dar a mão que, volta, não volta, apalpo à volta. Sinto é muito o espaço vago que ainda tenho para quem mais quiser entrar na minha vida.

16. Corvo

- Que tipo de pássaro a minha alma é?
- Como assim?
- Tenho pensado se as almas não poderiam ser comparadas a pássaros, caso aquela história de as almas voarem tivesse algum fundamento de verdade… Se assim fosse, o que achas que a minha poderia ser? 
- Não sei bem. Talvez uma arara. És muito alegre e uma imponente faladora… por vezes um pouco chata, confesso.
- Ei! – risos.
- Estava a brincar – risos. – Mas também és simpática e estás sempre pronta para a festança. Vives num mundo colorido. –  pausa. –  E eu? Que alma pensas que sou?
- Talvez um canário. És belo e encantador; a quem muito apraz cantar e ouvir cantar a qualquer hora, que será sempre um espanto.
- Não sei. Por vezes sinto-me mais como um corvo – negro que só eu, poisado no ramo de uma qualquer árvore, já velha, já a descascar; no meio de uma qualquer estrada abandonada.

terça-feira, 15 de abril de 2014

15. Ato

Atuar em palco é só uma maneira de seres mais sincero contigo mesmo porque, aparentemente, é a única maneira de seres sincero com quem te aplaude ou chora por ti. Ao menos, aí, sabem que estás a usar máscaras; que é assim que és e estás correto; que faz tudo parte do ato.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

14. Conseguir

Passar à frente do passado e viver mais o presente, no futuro. E conseguir desemaranhar isto?

domingo, 13 de abril de 2014

13. Viagem

Queria ver novos lugares. Alargar o meu mapa cerebral - o das terras e o das ideias.
Então, vi; arejei... 
Viajei.

sábado, 12 de abril de 2014

12. Determinação

O único propósito que admitia ter era a grande vontade que o evadia desde que se lembrava ser gente. Era lógico: estava (pré)determinado a fazer o próprio destino. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

11. Sonho

Fosse ou não fosse Natal, trazia sempre um prato cheio de sonhos; queria ser cozinheiro.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

T.E.S. IV - Trabalho Entre Sessões

(Antes de começar, faço um pequeno parêntesis: o T.E.S. II tratava-se da realização de uma ficha e, o T.E.S. III, de rever a matéria já leccionada. Daí a impossibilidade - e irrelevância - de os publicar aqui)


Tarefa: criar um texto em que só usem vírgulas e pontos - com não mais de 150 palavras.


É mais fácil começar a escrever sobre amor do que sobre qualquer outra coisa. Contudo, sabe-se, em termos concretos, mais sobre qualquer outra coisa do que sobre amor. Por isso mesmo, também se poderia dizer que é mais fácil pegar no dicionário, juntar-lhe a pontuação e a gramática, e começar a escrever, sabendo o que escrevemos, sobre seja o que for que queiramos escrever e que não seja amor. Resta tentar perceber porquê. 
Talvez o dicionário não tenha sido feito de forma suficientemente grande para definir amor. Quiçá a pontuação não sirva de nada, visto que ainda não inventaram um sinal para os suspiros. Quem sabe a gramática, aqui, só atrapalhe quem tenta construir uma frase que seja. Se assim for, então, também deverá ser por isso que, amando tanto que só nós, parecemos uns tontinhos, quando amamos. Tanto amamos que nada, sobre como amamos, conseguimos mostrar como, eventualmente, amaríamos.

10. Pensamento

Amo(-te) porque penso. Se não pensasse, duvido que (te) amasse. Não teria sentimentos – quiçá apenas emoções: uma paixão curta aqui, um encanto passageiro ali. Sentir(-te-)ia aqui, sentir(-te-)ia ali; mas logo me fugiria(s). Teria de (te) conhecer uma e outra vez, pois não me recordaria (de ti) no momento transato, no minuto seguinte.
Mas… amo(-te); porque penso. Anda(s)-me fugido. Falta-me conhecer(-te). Não (te) recordo. Mas sei que (te) amarei.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

09. Dor


Não te deixes convencer por essa ideia idílica de que fechar os olhos, temporária ou permanentemente, faz com que tudo melhore. Se assim fosse, porque choras ao tentares fazê-lo? Porque te dói? 
Desengana-te. Dormir nunca faz a dor se ir.

terça-feira, 8 de abril de 2014

08. Cidade

Era uma vez uma cidade onde cada avenida, cada rua, cada esquina, cada prédio, cada apartamento, cada pessoa, tinha, não uma, mas muitas histórias. Era, não uma, mas muita vez que essas histórias produziam mais trânsito, mais fumo e mais ruído do que a própria cidade.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

07. Sentimento

Achei que era feliz quando estavas a meu lado. Contigo, achei que vivia a verdadeira versão da felicidade. Agora, sem ti, perguntam-me como estou. Digo que não podia estar mais feliz e penso, para mim, que afinal não sei se sabia alguma coisa sobre o que era esse sentimento. Será que, sem ti,... minto?

domingo, 6 de abril de 2014

06. Azul

Uma vez, quase me fizeram crer que azul era a cor dos dias. De manhã à tarde, o céu era sempre azul claro: límpido, sem quaisquer brancos ou cinzentos a manchar-lhe a tão imensa luminosidade. Nem ao cair a noite, quando seria de esperar que tudo escurecesse, isso se perdia. Até era bonito de se ver, sabes? Tantas, imensas estrelas a cintilar, envolvidas por um manto azul escuro. 
Mas os dias acabavam sem eu me aperceber. Via sempre tudo da mesma maneira, de manhã à noite, e esqueci-me de pensar nas coisas do princípio ao fim. Então, vi-o partir para Inglaterra. Foi atrás de outro sonho que lhe tirasse o sono, que lhe permitisse apreciar, de novo, o horizonte. Senti-me triste. Azul, sabes? Em inglês dizem que é essa a cor com que se fica quando se está triste. 
Peço-te: não me deixes azul. Quero conhecer, contigo, todas as tonalidades que tem o mundo.

What I (Don't) Miss About You

sábado, 5 de abril de 2014

05. Água

São amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Depois, é o roçar de peles onde, sem dares por isso, és concebido por entre gotas de suor. Cresces dentro de um saco cheio de água durante nove meses que parecem ora uma eternidade, ora um par de momentos fugazes. Nasces a chorar e, quem te ama, quase se esquece do cansaço, da fome, da sede - só para poder olhar para e por ti, só por mais um pouco. Vais crescendo e, mesmo que tenhas olhos castanhos, derretes-te se te recitam poemas que dizem que eles são tão profundos como o tom do mar. Às tantas, também tu escreves sobre um grande amor. Mas ele passa a correr. É igual a tantos outros rios que te rasgam as paisagens. Até que, um dia, dás por ti a olhar a vida de maneira diferente e descobres um rio que se prolonga. E, nessa altura, são amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Tal como tu viste. Queres percurso mais transparente do que este?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

04. Brinde

Era uma criança despreocupada. Alegria, para ela, podia ser dar com um brinde numa caixa da Happy Meal ou num ovo da Páscoa. Algo simples e tão certo como, por vezes, encontrar um cromo num pacote de batatas fritas ou umas quantas amostras de champô nas revistas do cabeleireiro da mãe.
Mas o tempo passou e, como algo tão certo, a menina cresceu. Até casou. Foi então que ela viu que, afinal, era por ela se preocupar e por nada ser, na verdade, tão certo quanto pensava que ali estava: a brindar o homem a quem queria dar toda a alegria. Toda - e que, por infinitamente o amar, nunca bastaria.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

03. Faca

Há facadinhas que bem querem fazer-se passar por garfadas; mas não. Não nos picam, não nos espicaçam. Cortam-nos a língua e atravessam-nos a garganta.

02. Amor (um verbo é Amor; o outro, nunca o será)

Quando dou por mim, tudo se repete - (a)mando-te pedras e flores dos pés à cabeça.

01. Espera

Aguardo o meu agoirar a cada espera demasiado longa. Esperançosa. Espera presunçosa.

Desafio "Palavrar a Cada Dia"

Resolvi abraçar um desafio que vi ser referenciado no blog da Pê. Diz o dito cujo que ideia é pegarem na palavra do dia e escreverem. Não tem de ser no sentido literal, não tem de ser "acerca dela". Podem escrever textos mais longos, mas como o objectivo é ninguém desistir pelo caminho talvez os parágrafos mais curtos sejam uma boa solução. Identifiquem sempre o tema do dia. Escrevam, escrevam muito!



Assim seja. Os primeiros três dias aqui estampados, já de seguida! Contudo, fazendo um pequeno à parte, não sei se estes primeiros poderão ser chamados de "textos". Estarão mais próximos de micro-narrativas do que outra coisa, julgo. Um par de frases em que me diverti a brincar com as palavras - como quem não sabe fazer outra coisa senão continuar a vincar um hábito seu.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Sobre o Fim de How I Met Your Mother


Tears. Tears. Tears.
Série perfeita. Perfeita. Perfeita sendo imperfeita. Imperfeita, aqui, é um elogio. As it should be everywhere.

"Adorei. Adorei mesmo. Sinceramente... achei que o final foi o mais humano e realista de sempre.
'Na vida não há nem inícios, nem meios, nem finais perfeitos'... simplesmente, as coisas acontecem. E penso que foi isto que a série tentou mostrar. As coisas acontecem e, independentemente do que aconteça, a viagem vale por si. O relato do Ted... foi super humano e rico. A ideia era chegarmos aí, penso: tudo o que nos acontece... é imenso! Cada momento... mexe connosco. Preenche a nossa vida, FAZ a nossa vida. Só que as coisas não são lineares na vida... nunca foram, não são, e dificilmente o serão. Conseguimos muitas coisas que queremos (mas nem tudo) e muitas que não queremos. Mas é a vida. Imperfeita que só ela.
O problema é que, para muitos, o facto da vida ser imperfeita desta maneira não é algo bom...
Para mim, esta série retrata a vida. E é isso que a torna uma série perfeita... o facto de ser imperfeita e abalar as nossas expectativas. 'É o inesperado que torna os dias especiais'.
Adorei. Fiquei apaixonada por HIMYM para a vida; ainda mais do que já estava."


"and it was LEGEN - wait for it - DARY!"