domingo, 30 de março de 2014

Dos poemas que dizem tudo sem dizer

"Eu quero escrever-te.
Escrever para te ler
para voltar a ti quando me apetecer
quando estiveres na tua vida que não tenho
entretida em coisas que não conheço
na superfície que a profundidade de nós não alcança
como fundo do mar que não vê o sol.
Para quando dormires como ontem.
Para quando os deuses não conspirarem a nosso favor.
Para quando o potencial de felicidade de afligir
ou fugires de nós, se tiveres coragem. Não tenhas!
Penso nisso, sabes.
E conspiro com os deuses para seres tão fraca quanto forte
Não é de ti esta imperfeição das palavras,
o sentido que fazem é menor do que o sentido que têm.
Eu quero escrever-te
para te esconder em mim
para te ver ontem, o resto da minha vida.
O nosso ontem [...]"



- "O nosso ontem!"
por Daniel Oliveira, in A Persistência da Memória

sexta-feira, 28 de março de 2014

Batismo (parte II): 27 de Março de 2014


Minha pequenina,
Aconteceu: foi água a escorrer pelos teus caracóis, mas também foi amor - água misturada com palavras que fazia questão de te dizer, que desejava muito que chegassem até ti para além do pedacinho do Jardim do Campo Grande que, então, se estava a tornar teu (e meu) para sempre. Sim, para sempre: não é todos os dias que água do lago se confunde com a da chuva e a das lágrimas... É um resultado único, inesquecível, que decorre de episódios muito, muito particulares - como quem diz... especiais.
É o que é inesperado que torna as coisas especiais... E foi assim que quis que este dia fosse para ti: que tivesse alguma coisa que não fosse expectável viveres de forma alguma. Que batesse à porta do teu coração de surpresa, de alguma maneira, como quem tenciona oferecer o ramo de flores que segura na mão. Ora, neste caso não era um ramo de flores, mas uma estima inestimável por ti, afilhada. Tanto assim foi que, depois, foi ouvir-te soluçar baixinho, de comovida, nos meus braços, e eu sem conseguir - nem querer - tirar o sorriso de derretida do rosto. Desconfio que, por estar tão anestesiada com o momento, mal conseguia fazer outra coisa senão isso... São efeitos colaterais de grandes intervenções, já se sabe, pois claro. Pelo que não me espanta nada ter caído a noite e ainda me encontrar no mesmo estado... ou, ao ter acordado hoje, ter sentido a necessidade de fazer mais um registo deste (tão indescritível) dia que ganhou um novo (e lindo) significado no calendário.
Nunca tinha tido a capa à chuva... senão por ti. Nunca tinha posto a capa sobre terra molhada... senão por ti. Nunca me tinha visto com um penico na mão e a postos para realizar um batismo... senão por ti. Ainda não estou nestas andanças, as do traje e da praxe, há muito tempo... Mas ainda bem que tudo isto começou por ser assim: por ti! Agora, sei-o, tê-lo-ia escolhido mil vezes: ser por ti!...
É uma honra ser tua madrinha; uma emoção feliz que toma conta de mim e que, espero, também venhas a sentir tomar conta de ti pelas mais variadas razões ao longo da tua história.
Que o sintas muitas vezes, seja por isto, por aquilo... seja pelo que for, desde que tenhas alguma alegria sempre, todos os dias - seja de que tamanho for, mas que esteja presente, nem que seja um bocadinho, todos os dias - a tomar conta de ti! No que depender de mim, sabes que estou aqui para tudo o que for preciso...
Numa frase: para ti e por ti, o melhor do melhor que for possível acontecer (e fazer acontecer).

«Quero ficar sempre estudante
Para eternizar a ilusão de um instante
E sendo assim, o meu sonho de amor
Será sempre rezado baixinho dentro de mim.»

Obrigada por, também tu, teres chegado para dar sentido a esta quadra... a esta etapa... e à minha vida.
Bem-vinda! ♥

"Se é para ir com o corpo gelado para casa mas com o coração quente, então vale a pena. 
Um batismo, um abraço... e uma amizade abençoada. Diz a chuva, mas primeiro nós! De ontem e de hoje em diante."

Da tua madrinha babada,
Maria

domingo, 23 de março de 2014

Batismo (parte I): 20 de Março de 2014


Seis da manhã. Ente veste collants, dá o nó à camisa, aperta botões, gira a saia e troca o passo, apita o telemóvel para minha surpresa... e quão doces podem ser as surpresas!... É uma mensagem da afilhada a desejar bom dia. Respondo-lhe, animada, e já a conceder-lhe esse desejo (tal e qual qualquer aspirante a fada madrinha) no meu coração. Há-de ser um bom dia, um grande dia - penso. E assim, com a pulsação a fazer festinhas na ansiedade miudinha (para a acordar, bem se sabe), desço e subo ruas de capa negra ao ombro rumo à paragem de autocarro. Ter uma afilhada que, embora não tenha ido à Faculdade a semana inteira por motivos de força maior, se pôs a conduzir, de propósito e de madrugada, de Santarém a Lisboa, para estar presente no dia de Praxe por que tanto aguardávamos, é só uma das milhares de razões que, naquele dia, me fez vibrar de amor por dentro (e por fora, como depois mostraram as tantas lágrimas de Maria Madalena ao fim da tarde - o que é digno de verdadeiro destaque, pois nem me chamo Madalena; mas já retomarei este assunto).
Começa o dia de Praxe, começam os jogos e começam os sorrisos. Começo a achar que é automático. Um automatismo que, felizmente, me faz tiro ao alvo desde o ano passado, quando também eu vestia a camisola do caloiro, toda sarapintada de tinta, terra, e outras substâncias que tais. Digam o que disserem, é inevitável: há de haver sempre alguém nas redondezas com um sorriso genuíno estampado no rosto. Saber que isso não muda para caloiros e trajados, seja qual for a sua geração, e por muitas voltas e reviravoltas que o mundo dê, é um grande motivo de orgulho para mim e aquilo que me faz continuar a achar que vale a pena - todas as penas, aliás (a dos passarinhos, dos patos, das almofadas, seja o que for) - vestir-me de branco e negro pela vida académica. Ou por toda a vida, para ser mais precisa, pois não há o que apague tudo aquilo que se vive na faculdade e graças a ela. Não esqueci, esqueço ou esquecerei como foi ser praxada ao lado de pessoas que rapidamente se tornaram parte de mim; e também sei, cada vez mais e melhor, que não me vou esquecer de como é trajar e praxar ao lado delas. De referir todas as parvoíces, conversas e confidências que, em tão pouco tempo, já fazem da nossa história algo tão imenso. De referir todas as gargalhadas que preenchem silêncios, e todos os choros que no silêncio irrompem mas que logo são afagados por abraços... abraços que não duram, apenas, aquele momento. Duram para sempre. Quando os damos, sentimo-lo, sabemo-lo de imediato: aquele momento não tem nem segundos, nem minutos por duração. Sejam quais forem as razões, boas ou más, que o sustenta. À semelhança do que fiz noutros textos, repito: o dito de que "os amigos da faculdade, são amigos para a vida" não podia fazer mais sentido. O circulo de amigos que ganhei e que é reforçado de forma intemporal, tal como eu tive a oportunidade de constatar, pela milésima vez, há três dias atrás, nesse tão querido dia do Batismo de que aqui tento falar, faz com que cada saltar para fora da cama ou cada retorno tardio e exausto a ela tenha outro conforto. Saber, então, que tudo isto é eterno... é indescritível.
Indescritível também foi sentir - algo que também não esqueci, esqueço ou esquecerei - uma alegria imensa a tomar conta de cada cantinho do meu corpo e alma enquanto caloira. E indescritível, também, é saber, cada vez mais e melhor, que não irei esquecer como é senti-la enquanto trajada. De facto, a vinte de março de dois mil e catorze, também tive a oportunidade de, uma vez mais, ouvir da boca e do coração FPIE-ULiano uma mensagem importantíssima dirigida aos nossos pequenos (e em tudo extensível à restante comunidade): "somos uma família. Sempre que falarmos da nossa instituição, do nosso curso, vamos estar a falar da nossa família".  Sabem? Não há maior verdade do que esta. Nem sempre estamos todos vestidos de igual. Nem sempre pensamos de maneira igual. Nem sempre concordamos ou suportamos variadas situações de maneira igual. Mas, daqui a uns anos, quando tivermos dito adeus à idade de estudante e seguido em frente com os nossos caminhos, vai saber bem ver alguém que estudou no mesmo sítio que nós a passar na rua. Mesmo que não seja a pessoa com quem mais nos identificávamos, vamos pensar "olha! Aquele/a era da minha faculdade" e, invariavelmente, sentir uma pontinha de satisfação que seja. Porque por muitos aspetos das nossas personalidades que possam discutir entre si, por muito que possam haver pessoas que não são, como disse, aquelas com quem mais nos identificamos, há um aspeto, pelo menos um, que faz a identidade de todos: somos uma família. E a família une-se, aconteça o que acontecer. A família continua a aparecer, a dar a cara - mesmo que o Universo esteja a um segundo de eclodir. Mesmo que o céu esteja tão negro que quase nos engole. Mesmo que haja zangas e divergências e que ninguém consiga ser perfeito. A família continua a lutar uns pelos outros. Não é que ponha de lado todas as fissuras, arranhadelas e feridas que possam existir - não põe. Não é que não haja momentos em que aquilo que mais apetece fazer é desistir - não. O que faz mossa continua lá... Mas é precisamente isso que torna tudo tão bonito. Apesar de tudo, continuo a testemunhar a minha família a juntar-se, a reunir-se. A união é incondicional e vai além de todas as aparências que possam tentar declarar o contrário. Aperceber-me disto de novo... garanto-vos: fez-me atingir todos os mais elevados graus de apaixonada pelos quais já estive pela minha Praxe Académica.
Finalmente, e falando em mais paixões... Da mesma maneira que não esqueci, esqueço ou esquecerei como foi transbordar de carinho enquanto afilhada, também sei, cada vez mais e melhor, que não me vou esquecer de como é fazê-lo na pele de madrinha. Minha querida afilhada, agora falando diretamente para ti: és um orgulho. Disse-te enquanto nos abraçávamos, submersas em emoção por, afinal, não te batizar naquele dia, e volto a dizer-te aqui e em todos os lugares do Planeta em que tal oportunidade me for concedida. Para além de tudo aquilo porque já passámos juntas e que já tanto me toca... Foste de propósito para a faculdade. Por mim, por nós. Por mais um momento juntas, o tal momento. Aquele que esteve lá desde início (não fossemos nós tão parecidas), e que mais tarde se traduziu nas palavras inevitáveis: "queres ser minha madrinha? Sim!". Tal não podia passar ao lado neste relato. E ver-te sorrir, tantas vezes, ao longo daquele dia... foi como se me tivesse sido dada (mais) uma prenda. Ver-te a transpirar de contentamento com os teus colegas, saber-te bem, e que se estava a formar em ti a memória de um Batismo verdadeiramente especial, não me podia ter preenchido mais por dentro. És a prova viva de que, no fundo, uma comparência maior ou menor nos dias de Praxe não faz, necessariamente, o espírito académico. Melhor: o espírito de adorar estar viva. Perdoa-me, pois realmente não te sei dizer como deve ser o quanto brilhaste aos meus olhos. Sejam ou não estas palavras exageradas para os demais, foi assim que te vi... e que te vejo, no teu dia-a-dia, sempre que falas de um sonho ou o percorres. Não te sei dizer quão derretida me deixaste quando, pelas atividades de Praxe se terem estendido um pouco mais do que o previsto, me disseste que te tinhas de ir embora mas que, assim, ias esperar pela tua amiga, que também tinha ficado triste por não conseguir ser batizada no dia para, então, serem batizadas juntas. És linda. De que outra maneira te poderei descrever? És linda. Espero, em breve, conseguir proporcionar-te a segunda melhor parte do batismo que alguma vez poderias ter tido. Estão ler isto, pessoas? Estão? É uma promessa. E vocês são as testemunhas.

«Chorar, como eu chorava
Ninguém pode chorar
E amar, como eu amava
Ninguém pode amar.»

Da vossa,
Maria (com o "Madalena" emprestado)

[À Inês, pelas gargalhadas engasgadas e pela companhia durante todo o almoço. À Maria, pelo momento das Marias Zen e Petrificada. À Rute, por ter vindo toda carregada para a faculdade para conseguir fazer tudo e, ainda assim, estar ali connosco. À Catarina, pelo abraço chorão que agora se tornou um marco. À Joana à e Carolina, por serem madrinhas exemplares, tanto para quatro meninas lindas, no sentido literal, como para mim, vossa amiga. A todas as outras que não estiveram lá nesse dia, mas que estão em todos os outros. À (outra) Inês, pela primeira prestação na TAPCE para a FPIE-UL, e que me marejou o cantinho dos olhos. Ao André, por ter feito com que eu e a Catarina não nos ficássemos apenas por um abraço chorão nesse dia. À minha Milene, por tudo aquilo que já aqui referi e ainda vou referir - por fazeres de mim a madrinha mais babada do Infinito.
A todos os que não mencionei, mas que ainda assim tornaram este dia especial, como já o fizeram em tantos outros: obrigada. Tanto que, em casa, voltei a largar-me a chorar quando me abracei à minha capa, cada vez mais valiosa para mim, antes de a guardar.]

sexta-feira, 21 de março de 2014

T.E.S. I - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: escrever um texto com (não mais, não menos) sete pontos finais e (não mais, não menos) seis vírgulas.

Cá vai disto:

Pela manhã há um vazio. Já não sei o que é ouvir uma voz a espreguiçar-se a meu lado, a puxar por um par de sílabas sonolentas. Quem não dorme de todo são os ponteiros do relógio, esses brincam neste silêncio que, sendo assim, não é um silêncio. É uma inquietação, daquelas que ressoa sem parar. É o tempo a passar, passando com passos tão pesados que estremecem o chão e as paredes. A minha casa está a abanar. Resta saber se é a tremer ou a dançar.

- escrito dia 15 de Março pela uma da madrugada.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Os Efeitos Secundários de um Workshop Colectivo de Escrita Criativa Online

O ser humano tem manias e modas, para não falar da mania de andar na moda e da moda de ter a mania. Faço parte da blogosfera há oito anos. Ando a impulsionar o meu bichinho da escrita há aquilo, em tempo, que é quase metade da minha vida (contarei neste próximo Maio vinte anos). Até há cinco meses atrás, durante estes oito anos, escrevi sempre com maiúsculas como deve ser em bom português (ou diga-se antes em boa gramática, não importa a língua). Via uns quantos bloggers a pôr tudo corrido a minúsculas e achava-lhes piada. Ainda acho, mas isto só quando estamos a falar dos bloggers certos - aqueles que esgrimam as palavras que nem espadachins de alta competição, conscienciosos de cada jogada; com uma técnica tão estudada que na prática se torna estética. Ora, o que se sucede? De repente, vinda de lado nenhum (bom: tecnicamente, se é vinda, tem de haver pelo menos um lado de onde vir) dá-se toda uma reviravolta técnica na vida da Maria. E é claro que a estética vai atrás de arrastão; se for preciso (e mesmo que não fosse) até aos trambolhões. Não precisei de mais nada: eis ela, Maria, a ganhar a mania - a de colocar tudo corrido a letras minúsculas. Até podia ser uma mania desculpável se um acto de minúscula envergadura como esse servisse para evitar que os tralhos da estética fossem grandes demais quando puxada a reboque, sem dó nem piedade, pela técnica. É que as maiúsculas, por vezes, conseguem ser a coisa mais trapalhona do mundo. Vejam o M, por exemplo. Se se deslocar muito rápido ainda tropeça nas próprias pernas. E nem falemos no T. Se for a altas velocidades ainda se esquece de baixar a cabeça diante dos obstáculos e depois, pum, bate com a testa na ombreira de uma porta. Mas não foi uma mania desculpável destas a que se apoderou da Maria. Foi uma mania de andar na moda. Obviamente que, logo de seguida, surgiu a moda de ter a mania. Tocou logo à campainha cá de casa, ainda estava o T meio zonzo à porta e a sentir a sua testa toda achatada. E isto não ocorreu só uma vez! Então não é que a mania de que o blog ficava com uma estética muito bonita com tudo em letra pequena começou a tocar à malfadada campainha to-dos os di-as? Pois claro, se estava na moda ter a mania...
Contudo, as modas passam. Passam tantas vezes pelo mesmo sítio, que acabam por passar para ir para outro sítio. Isto é: retiram-se. E é então que surgem outras novas ou retomam as velhas. Nunca se sabe o que poderá vir a reboque da técnica - é como o que se encontra atrelado à traseira dos carros dos recém-casados. Como é moda dizer desde a velha-guarda, quando se casa casa-se com o novo e com o velho (ou passará a dizer-se agora por uma inovação de costumes).
Neste caso, recuperou-se a moda e a mania antigas: a de escrever tudo certinho e direitinho, num ode à escrita clássica. Se estivéssemos a falar de música, teria escrito antes "numa ópera à música clássica" ou "numa orquestra à música clássica". Como estamos a falar de escrita, ficou "ode".
Culpemos o meu (fantástico, maravilhoso, de babar e invejar) professor de escrita criativa por ter sido a fonte de inspiração para escrever este ode (ou texto, pronto). Culpemo-lo, porque agora que voltei a inspirar esta droga, a escrita, recuperei o vício antigo. Bastou um par de linhas para me viciar imediatamente outra vez. Disse ele "outro mandamento decisivo: rigor absoluto. Sempre. A escrever no chat, a escrever uma mensagem de telemóvel, a escrever um e-mail, a escrever numa caixa de comentários. Não há textos de primeira e textos de segunda. Se se escreve: escreve-se para ser perfeito". Fiquei-me logo por ali.
Mentira: não fiquei. E ele também não! Disse "outra dica ainda: usemos frases - aquelas coisas que têm pontos no final. Nada de palavras penduradas na web". Pronto. A partir daqui, não houve mais volta a dar. O vício de escrever, e escrever respeitando o mais possível cada palavra e cada letra fez casa. Não se limitou a tocar à campainha.

Obrigada, Pedro Chagas Freitas, pela experiência (que ainda agora começou).

quinta-feira, 13 de março de 2014

de estados inteligentes no facebook toda a gente gosta

"é engraçado não é? como a vida muda assim de súbito, é tal como a música que tens na cabeça, um minuto está lá, depois pensas em algo e a música muda. mas às vezes sentes saudade de ter aquela música de antes e por isso buscas a sensação que te levou até ela. mas, até conseguires mantê-la na cabeça durante muito tempo, já é outro assunto. está na hora de mudar de música e de seguir em frente." 

créditos para o Afonso. o meu grande e sábio amigo, está visto.
"o primeiro amor nunca se esquece". parcialmente correto, meus caros, e estupidamente sobrevalorizado. nunca se esquece nenhum amor. nem um. tenha vindo na ordem que veio e que bem lhe tenha dado na gana. este era um ponto.
outro, era sobre esta mania de demarcar uma e outra vez, sem parar, em cada passagem, texto, livro, conversa, enfim, o primeiro amor como o derradeiro, o mais intenso, o único, o especial, o que é para durar a vida toda. já irrita. é só uma ideia pop e muito, muito pobre, potencialmente embrutecedora quando levada muito a sério. o impacto do primeiro amor resume-se à surpresa de sentir coisas que nunca antes se havia sentido dentro de nós, em relação a um outro ser humano. a força da coisa não vai além disso. dificilmente vai ser o melhor amor da vida de alguém, aquele ideal e tal que nunca se esquece, pelo qual se fica agarrado até ao fim dos dias, passe o tempo que passar. deus ma livre. vão ver, vão ver que, depois de terem vivido mais do que um amor, os que estão para trás mudam na relevância que têm: não na que tiveram no passado, essa fica intacta na nossa consciência e continuará a ter todo o reconhecimento que lhe é devido. mas na do presente. se em vez do primeiro amor falássemos do último, então estávamos bem. era isto.

quarta-feira, 12 de março de 2014

"os sonhos significam aquilo que lhes atribuímos depois"

até hoje, há três sonhos particularmente importantes que tive na minha vida. tu protagonizaste dois deles, e sempre depois de finda a nossa relação (na realidade).

foi em novembro do ano passado que tive o primeiro, pouco tempo após a dita cuja. "sonhei que estavas a meu lado, a falar com a minha mãe. às tantas, disseste-lhe algo como vou justificar todos os comportamentos que tive. mas disseste-o no sentido de 'a vida vai justificar-te a ti, Maria, todos os comportamentos que tive, os bons e os aparentemente menos bons'.
foi então que te abracei."

o outro data não mais do que quatro dias atrás. não tanto, se calhar. sonhei que (neste sonho, à semelhança do outro, também já tínhamos terminado) tiraste aquela que era a nossa cama de junto da parede e puxaste-a para ao pé da janela, colocando-a na horizontal. semi-nus, chamaste-me para me sentar contigo nela. "vem ver a lua e as estrelas", disseste. como se me dissesses o aclamado "está tudo bem" que tanto procuro, e eu imediatamente to retribuísse, ao responder ao teu pedido ou convite, não sei bem - quiçá fosse os dois. e assim ficámos, a mirar o céu azul escuro, de um tom quase elétrico, onde o brilho dos astros sobressaía com uma intensidade inigualável, mas natural, fácil. o quarto onde estávamos os dois, com os corpos semi-expostos frente a frente, estava emerso no escuro. mas, à janela, as coisas não eram tão assim. havia um pequeno sombreado, de uma cor diferente da escuridão do quarto, uma cor um pouco mais clara, mais suave, ligeiramente mais luminosa, a cair sobre os nossos ombros.

para além de ter sido um sonho bonito, por si, esmiucei-o em significados. o facto de teres deslocado a cama da parede para a janela foi como se tirasses a nossa história de um beco. como se a pusesses longe de um muro liso, em branco, impenetrável, para a aproximares de uma saída, porque quando se fecha uma porta, abre-se uma janela. como se pusesses a nossa história a postos para mirar o horizonte, posicionando, inclusivamente, a própria cama na horizontal. o que disseste a seguir, já eu referi o que sei que significou e a importância que conferiu a todo o desenrolar do acontecimento que aqui discrimino. e terá sido esse "está tudo bem" mútuo e bidireccional que levou a que o brilho das estrelas e da lua, então por nós objectadas, se insurgisse tão fácil e natural. o facto de estarmos semi-nus frente a frente, também sei o que significou. remetia para o facto de não sermos propriamente estranhos um para o outro. pelo contrário. conhecemo-nos relativamente bem. partilhámos ainda um considerável montante de coisas entre nós. o facto de ali estarmos, sobre a nossa cama - a nossa história, portanto - fintando, juntos, o que tínhamos à nossa frente, era-nos claramente importante. aquela vista noturna e, contudo, em tudo luminosa, tinha-nos um grande impacto em ser partilhada. um impacto positivo. como se, por ali estarmos, disséssemos "ainda há esperança e muitas coisas boas para nós lá fora. juntos, como amigos, e separados, como indivíduos". o facto de o quarto estar escuro, então, talvez remetesse para o de, por enquanto, encontrarmos a nossa relação num local meio apagado. contudo, à janela, lá estava ela representada: a luz, a possibilidade de reacender a nossa vida. e, então, talvez por isso, sob os nossos ombros não assentava uma carga tão pesada. a escuridão parecia mudar, devagarinho, para sombra, devido a essa luz. nunca poderia haver sombreados sem um pouquinho de luz; se não a houvesse, permanecia-se no escuro, carregado que só ele. então... então espero que, não só em sonhos, mas também no coração e onde nos realmente nos encontramos, haja sempre uma janela.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

(só pela piada) dizem eles que...


"a Maria é muito ligada à família. é emotiva e costuma exagerar nos seus cuidados, por isso, corre o risco de sufocar as pessoas que ama! tem muita energia e, como tal, deve sempre manter-se ocupada com alguma coisa. nos relacionamentos amorosos ou mesmo de amizade, quando se magoa, recolhe-se para dentro de si mesmo e só sai quando recebe um pedido de perdão."

- by Rádio Comercial

se algum dia entraste na minha vida, então...


you'll be in my heart

(acredita que sim.)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ainda a propósito do post anterior: brincar com as palavras para chegarmos a uma coisa à séria - o que significa conjugar um verbo (funciona com qualquer verbo e com qualquer tempo de conjugação)

naquele momento, tinhas de ser tu, tinha de ser eu. e fomos.

considere-se o tempo de conjugação do verbo em destaque. está no passado, mas a retratar uma realidade, algo que aconteceu mesmo. e, se aconteceu, contou. para ambos. já como, de que maneira, não importa: contou, pelo que marcou a diferença na vida um do outro. só por ter acontecido, já contou.

e pronto. a brincar, a brincar, dizem-se as verdades.

sobre ti: o (A)Final.

no final, podes não te ter revelado a pessoa certa para mim, nem eu a pessoa certa para ti. mas (afinal) não é, de todo, isso que conta: o que importa e sempre importará, é que nos revelámos a pessoa certa um para o outro em determinado ponto da nossa vida. e, nesse ponto, fomos verdadeiramente cruciais um para o outro. de uma coisa, eu sei: não faria sentido ter sido com qualquer outra pessoa. naquele momento, tinhas de ser tu, tinha de ser eu. e fomos.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

um capítulo às vezes solto por aí

ainda me dóis... às vezes. às vezes não é dia sem pensar em ti, embora a dosagem dessa droga que o cérebro me faz administrar nas veias rumo ao coração já não surta tanto efeito. ainda bem que já é só às vezes, ou assim me agarro à Esperança. porque, ora, como os pensamentos ainda não têm rosto, dá para inventar um se for preciso. para toda a tristeza, desilusão e mágoa, finge-se um está tudo bem e toca a andar, porque para a frente é que é Lisboa. como as palavras ainda não falam sozinhas, dá para deixar algumas coisas atravessadas na garganta, porque talvez assim se silencie a malícia dos gritos que nos ensurdeceriam o que as memórias têm de bom. é que ainda por cima, às vezes, parece que não sei onde se meteram as memórias que detenho enquanto nossas. encontro uma ou outra que lá se destaca mais, mas os pequenos detalhes desmontam-se do corpo de partida e bem deves imaginar o serviço que é para dar com eles. às vezes, quando tento adivinhar o que pensarias de determinado assunto ou como é que reagirias a determinada situação, assusto-me se me deparo com tudo às escuras. mal te vejo, como és tu? pergunto-me, e fico absolutamente desnorteada por me serem fornecidas tão poucas pistas. às vezes parece que sei pouco mais que o facto de seres uma excelente pessoa. será que na altura das mudanças terei posto o mais que pude de teu e da nossa casa dentro de uma qualquer caixa que ainda está por desempacotar? será que a caixa anda por aí perdida na escuridão? é verdade que ainda não tive tempo para arranjar todas as luzes de que preciso na minha nova casa, e talvez quando tudo estiver mais arrumado e nos conformes lá dê com a caixa em alguma divisão. espero que até lá não haja nenhum terramoto, pois aí não sei se saberia dizer se ele teria empurrado a caixa para um qualquer canto ainda mais recatado ou se teria posto a dita cuja mais ao meu alcance. daí a, às vezes, não ter a certeza se quero que as conversas que, às vezes, nos imagino a ter venham a ocorrer. se elas virassem terramotos de mim, o que aconteceria? qual destas coisas? às vezes o desconhecido assusta-nos. e por isso é normal que eu, às vezes, talvez, tente voltar a ter tudo sob controlo. quero dizer: às vezes faço por arrancar notícias tuas daqui e de acolá. procuro outros meios de continuar ligada a ti, pois ligada a ti sentia-me sob alçada da segurança. a propósito, a Robin Scherbatsky diz que o futuro é assustador, mas nós não podemos simplesmente correr para o passado porque nos é familiar.  aí está: talvez às vezes me arme em desportista de meia-leca. não pode ser. não posso ser meia-isto ou meia-aquilo. tenho de me ser inteira e, para isso, é perigoso reforçar a dependência face a ti seja no que for. como poderei sê-lo se achar que algo que só a ti te diz respeito me está condicionar em parte? não está. se sou eu que acho, sou eu que estou a colocar grades. às vezes, então, faço-me minha própria prisioneira. mas só às vezes. a droga que me levou à prisão perde qualidade dia após dia e o interesse nela esmorece.


- Maria, fevereiro 2014.

dia dos namorados, vida da Amizade.

diz-me a Mimoquinhas assim, depois de termos desejado uma à outra um bom dia dos Amores: "oh, amor. estou sempre aqui para ti. vais arranjar um príncipe lindo lindo, vais ver. és uma pessoa linda, toda a gente vê. só falta a pessoa certa para ti! também te adoro."

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

one of the million reasons why I love himym

"kids, I've been telling you the story of how I met your mother, and while there's many things to learn from this story, this may be the biggest. the great moments of your life won't necessarily be the things you do, they'll also be the things that happen to you. now, I'm not saying you can't take action to affect the outcome of your life, you have to take action, and you will. but never forget that on any day, you can step out the front door and your whole life can change forever. you see, the universe has a plan kids, and that plan is always in motion. a butterfly flaps its wings, and it starts to rain. it's a scary thought but it's also kind of wonderful. all these little parts of the machine constantly working, making sure that you end up exactly where you're supposed to be, exactly when you're supposed to be there. the right place at the right time."

- Ted Mosby, in How I Met Your Mother

again: não acredito que haja um plano, é preciso ter cuidado com as palavras que se usam e, para a visão que tenho da vida and stuff, neste mini-discurso nem sempre se fez a escolha mais acertada das mesmas... mas que o universo está sempre em movimento... se está!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

um capítulo aventureiro à solta por aí

não há começos perfeitos, nem fins perfeitos. nem sequer há viagens perfeitas entre esses dois pontos. claro que convém perceber a que “perfeito” me refiro quando escrevo isto. algo que sempre retive foi a delicadeza de cada palavra empregue e, a verdade, é que estas transportam significados extremamente poderosos – porém, quiçá, subjetivos. por vezes; pelo menos, por vezes, dependendo de quem as usa e de quem as recebe, seja lendo ou ouvindo…
espero que, com o decorrer deste livro, que espero que seja longo, muito longo, e não apenas longo o suficiente, mas longo o arrebatador, vão entendendo melhor o que quero dizer quanto à alegada falta de perfeição do começo das histórias, do seu decorrer e do seu fim.
tal e qual este começo. nunca na minha vida pensei começar a escrever um livro assim: sem uma ideia definida, sem nada de inspirador à minha volta a empurrar-me rumo a um objetivo específico, claro… mas não é assim mesmo que “a vida acontece”? vinda sabe-se lá de onde, como ou porquê?
a vida parece-me uma história sem regras ou linearidades aos nossos olhos. não vou aqui discutir se elas, embora não as vejamos, ainda assim, não terão a possibilidade de existir. sei que tudo indica para que morra sem conseguir uma resposta escarrapachada a qualquer indagação que faça nesse âmbito. como também não considero que esse debate me seja prioritário ou verdadeiramente útil, não lhe vou aqui dedicar nem mais uma referência.
aquilo que espero conseguir fazer-vos ver, caríssimos, é que não há cá regularidades entre expectativas e o que ocorre de facto. poderá haver alturas em que assim parece: que as coisas coincidem com aquilo que delas aguardávamos. porém, não creio que tais coincidências se verifiquem na totalidade. o mundo é demasiado complexo para que se consiga projetar cada detalhe da realidade.
engraçado como, dito isto, também eu já me fartei de declarar que “espero isto” e “espero aquilo”, ainda vou nos primeiros parágrafos. será possível existir sem expectativas, por muito matreiras que elas possam ser? bem o duvido. aliás, tenho a certeza que não é assim.
gostava ainda de ter escrito estas linhas numa tarde sentada frente ao rio Tejo, no Cais do Sodré. é, para mim, um local já com algum significado, para além de o achar cheio de potencial para dele arrecadar inspiração e nele construir um sentido pessoal ainda maior. quão bonito não seria dizer que comecei o meu livro diante do rio, ao ar livre, sentido o vento, ouvindo os pássaros e o embate das ondas, o som dos carros e das pessoas, tudo camuflado com um leve cheiro a maresia e com um ou outro olhar perdido para o horizonte… podem imaginá-lo?
contudo, estou sentada à secretária do meu quarto, com a cabeça sob o antebraço, caderno e caneta na mão. faz-se tarde, o meu irmão já dorme e os meus pais conversam por meio de sussurros, também eles já deitados. também eu quero ir dormir e, por isso, estou desejosa de terminar o que para aqui estou a escrevinhar. e esta? quem esperava esta? eu não.
é mesmo assim que vai começar este livro? parece-me que sim. nem tudo pode despoletar como queremos, mas isso não quer dizer que nada despolete de todo. a vida acontece. 
uma aventura absolutamente inesperada acabou de começar. com um começo tudo menos perfeito, mas começou.

- Maria, fevereiro de 2014.

about my life... I would do it all again.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

essencial é ter esperança.

ditos como um dia encontrarás a pessoa que te fará entender por que é que nunca deu certo com mais ninguém não me servem, estão fora do meu guarda fato se subentendem um qualquer plano predeterminado. para mim, o que acontece é, simplesmente, o que acontece - sem explicações misteriosas por trás.
não posso acreditar que vá encontrar a pessoa que ficará comigo para a vida. contudo, penso que (e por muito magoada) enquanto houver esperança de a encontrar, o mundo ainda não está perdido.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

I'm so damn funny


sou uma garrafa mas também tenho direito de me ver ao espelho, ou não?! ainda por cima tenho olhos e sou uma estrela!!...

- coisas que se passam no instagram da Maria.
nota: a ideia de pôr os olhos na garrafa foi da Mariana. o resto fui eu que inventei.