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quinta-feira, 24 de abril de 2014

T.E.S. VI - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: produção de um texto, com sete frases, em que apareçam cinco parêntesis - em dois dos casos o que está lá dentro está, segundo o nosso entendimento de escrevente, num patamar inferior, e em três dos casos está em patamar superior.

O que é que há no fim (ou no princípio, não sei bem) do nosso mundo? Uma cascata de mágoas a cair num vazio (infinito)? Ou lágrimas de alegria a jorrar para o infinito (deixando o vazio para trás)? Por só conhecermos mundos em formato redondo não há o que nos permita ter a certeza de onde acaba um limite e começa outro, creio. Terminamos, muitas vezes, a rodar sobre aquilo que nos é familiar. Se é a tristeza quem conhecemos (tanto faz se ainda há pouco ou desde sempre) dificilmente conseguiremos imaginar o que há para lá do mundo senão desfeches em quedas de água. Se, pelo contrário, é o júbilo o felizardo, então, nunca haverá nada de finito num (improvável) fim.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

T.E.S. V - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: produzir um texto, com sete frases (atenção: nem mais uma nem menos uma), em que haja (...) um ponto e vírgula em cada frase. Pode ter também vírgulas - mas tem de ter um ponto e vírgula em cada frase. Não mais, não menos: um ponto e vírgula. Mas frases ligadas entre si: um texto só. Sete frases = sete pontos (finais ou outros). E, no meio deles, um ponto e vírgula.

Uma vez, como tantas outras, pôs-se à caça; de todas as vezes que adotava essa postura procurava, sempre, a melhor presa possível. Deixava que a noite caísse e, então, embrenhava-se nas ruas; era rara a esquina que não explorasse. Se não fosse daquela vez seria, certamente, numa seguinte; parecia decidida a somar tanta gente quanto possível às suas garras. 
Não estava para brincadeiras; nem sabia o que isso era, fizesse isso parte da sua espécie. Havia uma fome que, quando ignorada, quase que a matava; havia uma necessidade urgente por saciar. 
Não era capaz de passar muito tempo sem se atirar a algum homem; o que lhe valia é que saía sempre bem sucedida. Foi assim que acabou com o rei na barriga; foi assim que, a partir daí, se tornou, oficialmente, a loba mais temida de toda a aldeia.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

T.E.S. IV - Trabalho Entre Sessões

(Antes de começar, faço um pequeno parêntesis: o T.E.S. II tratava-se da realização de uma ficha e, o T.E.S. III, de rever a matéria já leccionada. Daí a impossibilidade - e irrelevância - de os publicar aqui)


Tarefa: criar um texto em que só usem vírgulas e pontos - com não mais de 150 palavras.


É mais fácil começar a escrever sobre amor do que sobre qualquer outra coisa. Contudo, sabe-se, em termos concretos, mais sobre qualquer outra coisa do que sobre amor. Por isso mesmo, também se poderia dizer que é mais fácil pegar no dicionário, juntar-lhe a pontuação e a gramática, e começar a escrever, sabendo o que escrevemos, sobre seja o que for que queiramos escrever e que não seja amor. Resta tentar perceber porquê. 
Talvez o dicionário não tenha sido feito de forma suficientemente grande para definir amor. Quiçá a pontuação não sirva de nada, visto que ainda não inventaram um sinal para os suspiros. Quem sabe a gramática, aqui, só atrapalhe quem tenta construir uma frase que seja. Se assim for, então, também deverá ser por isso que, amando tanto que só nós, parecemos uns tontinhos, quando amamos. Tanto amamos que nada, sobre como amamos, conseguimos mostrar como, eventualmente, amaríamos.

sexta-feira, 21 de março de 2014

T.E.S. I - Trabalho Entre Sessões

Tarefa: escrever um texto com (não mais, não menos) sete pontos finais e (não mais, não menos) seis vírgulas.

Cá vai disto:

Pela manhã há um vazio. Já não sei o que é ouvir uma voz a espreguiçar-se a meu lado, a puxar por um par de sílabas sonolentas. Quem não dorme de todo são os ponteiros do relógio, esses brincam neste silêncio que, sendo assim, não é um silêncio. É uma inquietação, daquelas que ressoa sem parar. É o tempo a passar, passando com passos tão pesados que estremecem o chão e as paredes. A minha casa está a abanar. Resta saber se é a tremer ou a dançar.

- escrito dia 15 de Março pela uma da madrugada.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Os Efeitos Secundários de um Workshop Colectivo de Escrita Criativa Online

O ser humano tem manias e modas, para não falar da mania de andar na moda e da moda de ter a mania. Faço parte da blogosfera há oito anos. Ando a impulsionar o meu bichinho da escrita há aquilo, em tempo, que é quase metade da minha vida (contarei neste próximo Maio vinte anos). Até há cinco meses atrás, durante estes oito anos, escrevi sempre com maiúsculas como deve ser em bom português (ou diga-se antes em boa gramática, não importa a língua). Via uns quantos bloggers a pôr tudo corrido a minúsculas e achava-lhes piada. Ainda acho, mas isto só quando estamos a falar dos bloggers certos - aqueles que esgrimam as palavras que nem espadachins de alta competição, conscienciosos de cada jogada; com uma técnica tão estudada que na prática se torna estética. Ora, o que se sucede? De repente, vinda de lado nenhum (bom: tecnicamente, se é vinda, tem de haver pelo menos um lado de onde vir) dá-se toda uma reviravolta técnica na vida da Maria. E é claro que a estética vai atrás de arrastão; se for preciso (e mesmo que não fosse) até aos trambolhões. Não precisei de mais nada: eis ela, Maria, a ganhar a mania - a de colocar tudo corrido a letras minúsculas. Até podia ser uma mania desculpável se um acto de minúscula envergadura como esse servisse para evitar que os tralhos da estética fossem grandes demais quando puxada a reboque, sem dó nem piedade, pela técnica. É que as maiúsculas, por vezes, conseguem ser a coisa mais trapalhona do mundo. Vejam o M, por exemplo. Se se deslocar muito rápido ainda tropeça nas próprias pernas. E nem falemos no T. Se for a altas velocidades ainda se esquece de baixar a cabeça diante dos obstáculos e depois, pum, bate com a testa na ombreira de uma porta. Mas não foi uma mania desculpável destas a que se apoderou da Maria. Foi uma mania de andar na moda. Obviamente que, logo de seguida, surgiu a moda de ter a mania. Tocou logo à campainha cá de casa, ainda estava o T meio zonzo à porta e a sentir a sua testa toda achatada. E isto não ocorreu só uma vez! Então não é que a mania de que o blog ficava com uma estética muito bonita com tudo em letra pequena começou a tocar à malfadada campainha to-dos os di-as? Pois claro, se estava na moda ter a mania...
Contudo, as modas passam. Passam tantas vezes pelo mesmo sítio, que acabam por passar para ir para outro sítio. Isto é: retiram-se. E é então que surgem outras novas ou retomam as velhas. Nunca se sabe o que poderá vir a reboque da técnica - é como o que se encontra atrelado à traseira dos carros dos recém-casados. Como é moda dizer desde a velha-guarda, quando se casa casa-se com o novo e com o velho (ou passará a dizer-se agora por uma inovação de costumes).
Neste caso, recuperou-se a moda e a mania antigas: a de escrever tudo certinho e direitinho, num ode à escrita clássica. Se estivéssemos a falar de música, teria escrito antes "numa ópera à música clássica" ou "numa orquestra à música clássica". Como estamos a falar de escrita, ficou "ode".
Culpemos o meu (fantástico, maravilhoso, de babar e invejar) professor de escrita criativa por ter sido a fonte de inspiração para escrever este ode (ou texto, pronto). Culpemo-lo, porque agora que voltei a inspirar esta droga, a escrita, recuperei o vício antigo. Bastou um par de linhas para me viciar imediatamente outra vez. Disse ele "outro mandamento decisivo: rigor absoluto. Sempre. A escrever no chat, a escrever uma mensagem de telemóvel, a escrever um e-mail, a escrever numa caixa de comentários. Não há textos de primeira e textos de segunda. Se se escreve: escreve-se para ser perfeito". Fiquei-me logo por ali.
Mentira: não fiquei. E ele também não! Disse "outra dica ainda: usemos frases - aquelas coisas que têm pontos no final. Nada de palavras penduradas na web". Pronto. A partir daqui, não houve mais volta a dar. O vício de escrever, e escrever respeitando o mais possível cada palavra e cada letra fez casa. Não se limitou a tocar à campainha.

Obrigada, Pedro Chagas Freitas, pela experiência (que ainda agora começou).