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domingo, 1 de janeiro de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
Do tema "Viagem"
Vou ao sabor da corrente, das rajadas, das nuvens, da chuva, dos raios de sol, das estrelas, da lua: dos movimentos da Terra - da natureza. Vou ao sabor desta terra que também é minha: meu corpo; desta natureza que me faz eu: minha alma. Vou ao sabor da essência da vida, passando por trilhos em caracol e por outros a imitar planícies. Vou - acima de tudo, vou. Viajo. Vejo. Sinto. Sou.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
sábado, 3 de dezembro de 2016
Do tema "O Impossível"
Dormia tranquila sonhando com o céu estrelado quando ouvi algo bater com força na minha janela. Sobressaltada, pisquei as pálpebras repetidamente de forma a abri-las por completo e o mais rapidamente possível, desemaranhei-me dos lençóis de algodão e coloquei os pés descalços no chão de pedra gelado do meu quarto. Corri a levantar as persianas e pus-me junto ao parapeito, esbugalhando os olhos à procura de algo que pudesse ter caído. No meio de um arbusto, vi algo invulgar brilhando: pequenas pintas cintilantes, mas ainda assim maiores que pirilampos. Deparei-me então com pequenas estrelas cadentes estendidas, feridas em algumas das suas pontas. Voei até elas como voava tantas vezes nos sonhos, mas desta vez fora deles e sabendo-as fora também. Agarrei-as nas minhas mãos e levei-as para casa, chorosa: que não recuperassem totalmente da queda, que o céu com o qual sonhava então nunca mais voltasse a ser o mesmo na possibilidade delas nunca mais voltarem a casa. Porém, ainda que mais fracas na sua luz - por vezes num intermitente inconstante -, ainda lhes sentia na pele o calor que era só delas e foi nele que enfim me concentrei. Consciente de que também eu tinha calor para lhes dar, encostei-as ao coração e esperei. Esperei... continuei a esperar que o sentissem, espero que o sintam - e com ele o meu desejo e decisão de lutar por elas, de devolvê-las a esse céu bonito e sonhado. Assim lutei e luto, dias a fio: esperando que o amor seja curandeiro de grande parte das dores e dos arranhões, que o carinho constitua o seu bilhete de retorno a casa - por muito difícil ou intransponível que me pareça essa batalha pois, afinal, quem sou eu para conseguir devolver estrelas ao céu? Mas... a bem dizer, quem sou eu, também, para não o conseguir fazer? O impossível só existe até ser possível, e eu escolhi e escolho entregar-me a esse desafio - pelo sonho, pela causa que significa... até agora nunca ganha e, por isso, por ganhar por alguém.
Ainda não sei se conseguirei sair-me cumpridora para com esta minha missão... mas a verdade é que o horizonte nunca esteve tão perto como hoje, e isso faz-me querer que progressos vão sendo feitos, que vou, realmente e de novo, aproximando as estrelas em recuperação das nunca lesadas... que, um dia, a reunião será possível. O céu estará ao alcance.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
sábado, 12 de novembro de 2016
Do tema "Vício"
Se os nossos medos são hábitos bem instalados, por nada largados, então que toda a aprendizagem passível de fazer com o que nos faz tremer também vire vício.
- reflexão minha, publicada hoje, em Os Sonâmbulos
sábado, 22 de outubro de 2016
Do tema "Futuro" (parte II)
O ser humano é um ser obrigado a vergar-se perante a adaptação, sendo tanto servo como nobre no seu reino: tudo dependerá da sorte e também do esforço. De momento, a adaptação exigi-me que seja uma bebé capaz de dar passos de adulta. Terei de caminhar sem nunca o ter feito, sem saber ao certo como coloco e levanto os pés do chão de forma controlada e continuada. Terei de o fazer observando e repetindo todas as etapas vezes e vezes sem conta. Assim sou agora e sou-o, porém, ansiando pelo momento em que serei adulta brincando despreocupadamente como uma criança - podendo fazer e ser de tudo um pouco sem quase pensar no que vem a seguir.
O futuro - aprendi - não tem de aparentar-se lógico (nem sê-lo de facto). Nem sempre se começa por gatinhar para um dia mais tarde andar: por vezes começa-se logo a andar, e até há quem comece, desde logo, a nadar. Tudo dependerá de onde e como se nascer, de onde e como se crescer. O futuro não dá a cara de sequencial, não se antevê certo, e nem sempre cresce suave e sem se notar: é em tudo improvável. Um improvável que, contudo, não é impossível.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sábado, 8 de outubro de 2016
Do tema "Futuro" (parte I)
A única altura em que o futuro depende de uma bola de cristal é quando detenho essa bola nas minhas mãos. E juro que a largo para se estilhaçar em mil pedacinhos ou a condecoro mero biblô, pois só assim a admito espelhar-me a mim e ao meu mundo: comigo a ditar-lhe, antes de mais, como quero ver-me no meu destino. Não lhe permito todo o enredo - ah, não; não se não puder participar da encenação. Mais que meu mapa astral ou que qualquer sorte tirada de um baralho, os meus passos traço-os eu ao mirar o céu e ao procurar a beleza das estrelas como guia, mesmo que haja névoa e que chova granizo - hei de aprender a lidar com o clima como quero aprender lidar com a minha vida. Aconteça o que acontecer: é minha. Não de objetos criados pelo Homem. Até porque eles só detêm o significado que lhes concedermos... e que, portanto, eu quero. E eu não quero dar-lhes nenhum.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
segunda-feira, 19 de setembro de 2016
Am I More Close to Be a Writer to the World Now?
É oficial:
acabei de escrever um livro infantil (gritinhos e pulinhos de alegria)!!!
Acabei ontem e revi hoje (dreams)!
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
sábado, 3 de setembro de 2016
Do tema "Asas"
(1)
Liberta as asas, clamam os ditos. E há quem não perceba nada de que a dica era para se desprender da rotina e voar, voar mais longe: liberta antes a mão das asas das chávenas de café e chá, esses que engole à pressa em dias de trabalho rotineiro, e acaba por se queimar. Larga as asas, aconselham os amigos, a família... Só que há quem tenha os pés tão assentes na terra que leva na literal o que é metáfora, acabando por largar os sacos cheios de compras na direção dos dedos - e nem os sapatos os salvam de largar um grito de dor. Abre as asas, ouve-se por aí; e logo a seguir vê-se um senhor que segue a instrução à risca, transformando-se num ápice num lambão a querer todo o céu para si e a dar uma cotovelada ao vizinho do lado.
Por outro lado... olho para ti e flutuas só por andar. Tu flutuas ainda que com os pés no chão, ainda que muito ciente que por vezes não se pode fazer da vida um poema de sorrisos. Só que nessas alturas, se for preciso, sorris e e dizes que, lá por serem de lágrimas, não quer dizer que alguns não possam ser poemas - ou não os houvesse também de saudades, de perdas, de dores. Não tens asas das que se veem como se veem nos pássaros - mas é evidente que voas. Quem disse que as asas reais tinham de ser fisicamente visíveis? As tuas não são; porém existem e levam às nuvens num simples abraço.
(2)
Adoro que o nosso dar de mãos seja como um bater de asas que nos eleva juntos pelo céu ao mesmo tempo que nos permite a liberdade das direções a tomar. O amor é difícil de definir, mas com certeza não serão dois passarinhos juntos no baloiço de uma gaiola: chega a um ponto em já não sabem (nem conseguem) ser mais do que aquilo. Não nos encontro presos a essa definição de não-amor, felizmente; para dizer a verdade, não nos encontro presos a qualquer definição, seja do que for. O que bate certo, ou afinal o amor não é suposto ser isso mesmo? Algo sem limites, sem palavras? Não vamos por rótulos nesse tópico, que eles não o servem. Vamos por sentimentos, que só assim é possível falá-lo, escrevê-lo, pintá-lo, representá-lo,... demonstrá-lo. Só sei que te amo, e que amo sermos assim: algo além do baloiço fechado numa divisão - uma união que se formou e que se mantém livremente, decidindo, também, livremente voar um bocadinho mais longe, todos os dias, além barreiras.
- textos meus, publicados hoje, em Os Sonâmbulos
(Por Aqui Vagueou Hoje Inspiração)
Etiqueta de (re)nome:
(En)Cantos,
Entre dias e noites,
Sonho letras e vida em livros
Dos Que Escrevem
Acho que a mensagem principal da minha história mudou de repente. Nem eu estava à espera disto (sim: quem escreve não deixa de ser surpreendido, por muito que tudo aconteça em cada página se deva a si). Não era bem para aqui que imaginara caminhar, embora tenha de admitir que os últimos acontecimentos até encaixam melhor com o título que inicialmente atribui à história, o que me foi uma surpresa agradável (não pude deixar de achar engraçada a coincidência - pois claro que não! Sou a menina das ligações e associações mil entre isto, e aquilo, e aquele outro). Contudo, espero muito que as pessoas mais atentas descubram o que de inicialmente queria transmitir. Torço para que tenha conseguido deixá-lo subentendido em algumas passagens, e que tal seja suficientemente poderoso para ajudar o sorriso de alguém.
Além disso - apercebi-me agora com esta reviravolta - nada está garantido: falta escrever as últimas páginas. Poderá haver um entrelaçar de mensagens, poderá voltar a primeira, manter-se a última... ou ainda surgir uma outra qualquer. Tudo pode acontecer.
quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Sonhando-me, Recomeçando-me, Concretizando-me
Inauguro o mês de setembro contando ao mundo que tenho escrito regularmente em word - por outras palavras: tenho dado continuidade a um dos meus livros sonhados, e que há muito repousava na gaveta (há uma semana que não acumula mais pó).
sábado, 27 de agosto de 2016
Ora não me digas
Batam palmas face à "descoberta" do ano: sou mais produtiva com o Facebook desligado. Já tenho uns bons parágrafos acerca de Bruxelas escritos e hoje ainda peguei um bocadinho num dos meus livros antes de almoço.
Por muito tentador que seja e que quase todos gastemos (grande) parte dos nossos dias nessa rede social afamada, a verdade é que esta está armadilhada e bem armadilhada - cheia de atrativos dos quais o bom animal que é o ser humano vai atrás quase sem pensar, muitas vezes, aposto, arranjando desculpas esfarrapadas que diz a si próprio sem quase notar que o está a fazer (do tipo "deixa só cá ver como isto vai", entre outras). Why are we so dumb?
Etiqueta de (re)nome:
Entre dias e noites,
Mais Mundo,
O Bando de Bandas Desenhadas,
Sonho letras e vida em livros
terça-feira, 23 de agosto de 2016
sábado, 13 de agosto de 2016
Do tema "Horror"
De que cor é o horror? De que cor é a realidade que cai sobre ti - e que ganha vida, e que morre em ti -, ao veres que quando um Homem tem uma ideia negra, foi porque "uma lâmpada se lhe acendeu" ao surgir essa ideia?
Essa cor, diria, é escolhida por ti.
- texto meu, publicado hoje, em Os Sonâmbulos
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