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sábado, 12 de abril de 2014

12. Determinação

O único propósito que admitia ter era a grande vontade que o evadia desde que se lembrava ser gente. Era lógico: estava (pré)determinado a fazer o próprio destino. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

11. Sonho

Fosse ou não fosse Natal, trazia sempre um prato cheio de sonhos; queria ser cozinheiro.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

10. Pensamento

Amo(-te) porque penso. Se não pensasse, duvido que (te) amasse. Não teria sentimentos – quiçá apenas emoções: uma paixão curta aqui, um encanto passageiro ali. Sentir(-te-)ia aqui, sentir(-te-)ia ali; mas logo me fugiria(s). Teria de (te) conhecer uma e outra vez, pois não me recordaria (de ti) no momento transato, no minuto seguinte.
Mas… amo(-te); porque penso. Anda(s)-me fugido. Falta-me conhecer(-te). Não (te) recordo. Mas sei que (te) amarei.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

09. Dor


Não te deixes convencer por essa ideia idílica de que fechar os olhos, temporária ou permanentemente, faz com que tudo melhore. Se assim fosse, porque choras ao tentares fazê-lo? Porque te dói? 
Desengana-te. Dormir nunca faz a dor se ir.

terça-feira, 8 de abril de 2014

08. Cidade

Era uma vez uma cidade onde cada avenida, cada rua, cada esquina, cada prédio, cada apartamento, cada pessoa, tinha, não uma, mas muitas histórias. Era, não uma, mas muita vez que essas histórias produziam mais trânsito, mais fumo e mais ruído do que a própria cidade.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

07. Sentimento

Achei que era feliz quando estavas a meu lado. Contigo, achei que vivia a verdadeira versão da felicidade. Agora, sem ti, perguntam-me como estou. Digo que não podia estar mais feliz e penso, para mim, que afinal não sei se sabia alguma coisa sobre o que era esse sentimento. Será que, sem ti,... minto?

domingo, 6 de abril de 2014

06. Azul

Uma vez, quase me fizeram crer que azul era a cor dos dias. De manhã à tarde, o céu era sempre azul claro: límpido, sem quaisquer brancos ou cinzentos a manchar-lhe a tão imensa luminosidade. Nem ao cair a noite, quando seria de esperar que tudo escurecesse, isso se perdia. Até era bonito de se ver, sabes? Tantas, imensas estrelas a cintilar, envolvidas por um manto azul escuro. 
Mas os dias acabavam sem eu me aperceber. Via sempre tudo da mesma maneira, de manhã à noite, e esqueci-me de pensar nas coisas do princípio ao fim. Então, vi-o partir para Inglaterra. Foi atrás de outro sonho que lhe tirasse o sono, que lhe permitisse apreciar, de novo, o horizonte. Senti-me triste. Azul, sabes? Em inglês dizem que é essa a cor com que se fica quando se está triste. 
Peço-te: não me deixes azul. Quero conhecer, contigo, todas as tonalidades que tem o mundo.

sábado, 5 de abril de 2014

05. Água

São amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Depois, é o roçar de peles onde, sem dares por isso, és concebido por entre gotas de suor. Cresces dentro de um saco cheio de água durante nove meses que parecem ora uma eternidade, ora um par de momentos fugazes. Nasces a chorar e, quem te ama, quase se esquece do cansaço, da fome, da sede - só para poder olhar para e por ti, só por mais um pouco. Vais crescendo e, mesmo que tenhas olhos castanhos, derretes-te se te recitam poemas que dizem que eles são tão profundos como o tom do mar. Às tantas, também tu escreves sobre um grande amor. Mas ele passa a correr. É igual a tantos outros rios que te rasgam as paisagens. Até que, um dia, dás por ti a olhar a vida de maneira diferente e descobres um rio que se prolonga. E, nessa altura, são amores que, de tão comovidos, ameaçam saltar dos olhos apaixonados cá para fora - para o mundo, para toda a gente ver. Tal como tu viste. Queres percurso mais transparente do que este?

sexta-feira, 4 de abril de 2014

04. Brinde

Era uma criança despreocupada. Alegria, para ela, podia ser dar com um brinde numa caixa da Happy Meal ou num ovo da Páscoa. Algo simples e tão certo como, por vezes, encontrar um cromo num pacote de batatas fritas ou umas quantas amostras de champô nas revistas do cabeleireiro da mãe.
Mas o tempo passou e, como algo tão certo, a menina cresceu. Até casou. Foi então que ela viu que, afinal, era por ela se preocupar e por nada ser, na verdade, tão certo quanto pensava que ali estava: a brindar o homem a quem queria dar toda a alegria. Toda - e que, por infinitamente o amar, nunca bastaria.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

03. Faca

Há facadinhas que bem querem fazer-se passar por garfadas; mas não. Não nos picam, não nos espicaçam. Cortam-nos a língua e atravessam-nos a garganta.

02. Amor (um verbo é Amor; o outro, nunca o será)

Quando dou por mim, tudo se repete - (a)mando-te pedras e flores dos pés à cabeça.

01. Espera

Aguardo o meu agoirar a cada espera demasiado longa. Esperançosa. Espera presunçosa.

Desafio "Palavrar a Cada Dia"

Resolvi abraçar um desafio que vi ser referenciado no blog da Pê. Diz o dito cujo que ideia é pegarem na palavra do dia e escreverem. Não tem de ser no sentido literal, não tem de ser "acerca dela". Podem escrever textos mais longos, mas como o objectivo é ninguém desistir pelo caminho talvez os parágrafos mais curtos sejam uma boa solução. Identifiquem sempre o tema do dia. Escrevam, escrevam muito!



Assim seja. Os primeiros três dias aqui estampados, já de seguida! Contudo, fazendo um pequeno à parte, não sei se estes primeiros poderão ser chamados de "textos". Estarão mais próximos de micro-narrativas do que outra coisa, julgo. Um par de frases em que me diverti a brincar com as palavras - como quem não sabe fazer outra coisa senão continuar a vincar um hábito seu.