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domingo, 31 de dezembro de 2017

Dream Trip: Walking on Scottish Lands [Day 5]





























 

Primeiro dia à séria em Edimburgo, e talvez aquele mais planeado em cima do joelho - ou não planeado de todo, que nem almoço sabíamos bem o que seria, pois no dia anterior, dado o cansaço, preocupámo-nos apenas e só em comprar mantimentos para o pequeno-almoço (acabou por ser este o dia em que almoçámos/alancharámos McDonald's lá para as 15h quase 16h, após subirmos ao Calton Hill - esse local onde as fotografias já contam o anoitecer). Portanto: após tomado o pequeno-almoço, saímos cedinho para a rua à descoberta. Passado o parque The Meadows, a primeira paragem foi o Greyfriars Kirkyard, onde nos deixámos encantar pela atmosfera mística, pintada a verde, a musgo, a cinzento e a um leve granizado sob algumas campas. Lá, procurámos encontrar o que contam os escoceses: potenciais nomes que tenham inspirado a J. K. Rowling nos nomes das personagens dos seus livros do Harry Potter. A busca foi longa, mas por fim encontrei um MacGonagall e dei-me por feliz e satisfeita. No entretanto, diverti-me também a identificar quem era o defunto mais antigo que ali estava e o meu amor a seguir-me para todo o lado, observando tudo, pensativo; destaco ainda o quão belas eram tantas campas, tão minunciosamente trabalhadas em pormenores e em pequenos bustos - cá em Portugal não há disso (pelo menos, onde vivo). Parámos também, por um momento, junto das sepulturas protegidas por enormes placas de metal - ali colocadas porque, em tempos, a malta da universidade de medicina gostava de desenterrar os corpos ilicitamente para fins de estudo (e vá-se lá saber que mais). Oh: e que seria relatar a passagem pelo Greyfriars Kirkyard sem contar a história que lhe deu nome? Parece que, há muitos anos atrás, um cãozinho (Greyfriars Bobby), após o dono morrer e durante todos os restantes dias da sua vida, ia para junto da campa do dono - como se esperando que ele regressasse, como se lhe fazendo a companhia possível. Ficou tão célebre por este gesto de amor que para sempre o quiseram homenagear. É amor, amor, amor.
Segunda paragem do dia: o Museu Nacional da Escócia, no qual gastámos umas boas duas horas e meia sempre a andar. Antes de viajarmos para Edimburgo havia sido um dos museus sobre os quais pesquisei, não me tendo parecido, à primeira vista, que seria a coisa mais interessante do mundo - confesso que expor coisas de todo o mundo e não exclusivamente da Escócia me fazia pensar que o nome do museu tinha sido uma infeliz escolha, e a parte dos animais empalhados, previa eu, era coisa para me pôr o estômago a dar voltas. Olhm, enganei-me: gostei bastante do museu. Não é, de longe, o museu mais giro que já visitei, mas adorei o conceito de ser um museu interativo. Sim: in-te-ra-ti-vo. Nunca na vida pensei que me mandassem tocar nos objetos expostos (fiquei ainda uns cinco minutos a ver se estava a ler bem as etiquetas junto a alguns artefactos), mas parece que ali é natural. E, guess what: a parte dos animais empalhados não me fez tanta impressão quanto eu julgava (desde que eu não pensasse demasiado no assunto) e acabou por ser uma das partes mais interessantes do museu para além da parte geológica e do espaço (perdoem-me aqueles que acham que pedras e tectos escuros com luzinhas a fingir de estrelas não têm lá muita graça, mas sou uma fã assumidíssima do cosmos e toda a cena de tocar em asteróides vindos lá do céu ou tocar em pedras que antigamente foram lava foi coisa que adorei). Ah: a ovelha Dolly é escocesa, sabiam? Pois: eu não. Era demasiado pequena na altura em que a fizeram clone para prestar atenção de onde é que ela advinha. Mas lá estava ela: empalhada numa vitrina central do museu.
Finda a visita ao museu foi hora de nos fazermos à estrada para comprar o nosso almoço/lanche e subirmos ao Calthon Hill, onde ficámos a conversar e a manjar até cair o anoitecer. Anoitecendo, fomos por fim às compras e voltámos ao hostel onde nos ocupámos a fazer o jantar e o almoço do dia seguinte (aqui pelo meio ainda nos encontrámos com o Jorge na Charlotte Square por uma última vez, não tivesse o meu amor perdido as luvas dele no dia anterior quando fomos jantar a casa do Jorge; acabou este por encontrá-las um pouco depois de nos termos ido embora e combinámos então um último ponto de encontro - local onde, por acaso, estava a ocorrer um evento de solidariedade por causa do Natal; pareceu-nos que dali a um bocado se iriam todos pôr a cantar em coro). Por fim, fomos descansar quase às onze da noite, planeando que, no dia seguinte, seria a vez de ir visitar o tão esperado Castelo de Edimburgo.

Nota: diz que quando uma pessoa morre é possível homenageá-la colocando uma descrição num banco à escolha, que normalmente é um banco situado num local de que a pessoa gostava. São às centenas estas homenagens Edimburgo fora - é raro o banco sem plaquinha de metal a relembrar alguém.

Nota 2: aquele coraçãozinho no chão é um coração para o qual os escoceses gostam de cuspir. Chama-se Heart of Midlothian, fica na Royal Mile e cuspir-lhe dentro simboliza o desdém pelas execuções públicas que ali costumavam ocorrer. 

Nota 3: quanto aos hóspedes do hostel em que ficámos: conhecemos uma rapariga da Roménia super simpática e que vai começar a estudar em janeiro ali na Universidade, estando já na cidade, contudo, desde agosto (vive no hostel, portanto). O meu amor andou todo entusiasmado a partilhar com a rapariga todo o conhecimento que tinha sobre a Roménia (é, ele é uma enciclopédia de bolso), o quão admirava a casa com olhos, a discutir as várias teorias e factos sobre o drácula, a tentar adivinhar como é que se diria figos em inglês enquanto se concluía por imagens no Google que era o fruto favorito da rapariga - enfim, uma festa (demorámos horas a fazer o jantar, então o convívio foi muito agradável). Também passou por nós um rapaz espanhol (igualmente a viver no hostel) que partilhou que estava a trabalhar em Edimburgo mas que não gostava da cidade, então estava mortinho para voltar para Espanha. De resto: um grupo de franceses antipáticos que não respondiam ao nosso good morning e uma senhora muito estranha que cirandava por todo o hostel sem grande objetivo aparente (às vezes, estávamos na cozinha a tratar das nossas refeições, ela aparecia, sentava-se um bocado em silêncio e uns minutos depois levantava-se e ia embora; passado um bocado, repetia o ritual).

sábado, 30 de dezembro de 2017

Dream Trip: Walking on Scottish Lands [Day 4]



























































Este último dia de excursão e de regresso a Edimburgo muito teve de especial. Escusado será referir, uma vez mais, o esplendor das passagens a fazer um conjunto perfeito com a luz do sol a todas as horas. Para além disso... o nevoeiro!!! O esperado nevoeiro, o sonhado nevoeiro!... Sou da opinião que, nestas terras em particular, o nevoeiro dá aquele toque místico final - é a cereja no topo do bolo.
Para além de termos voltado a parar para admirar o Castelo de Elian Donan em mais do que uma perspetiva, uma das primeiras paragens que realizámos foi para encher as nossas garrafas de água com água vinda diretamente da montanha. Depois, ouvimos ainda a lenda das Five Sisters of Kintail enquanto por elas passávamos - contado pelo guia tem toda uma outra magia, mas cá vai: 

Era uma vez um pai que tinha sete filhas. Como é de calcular, viver rodeado de tanta mulher não é tarefa fácil e, assim este pai ansiava pelo dia em que todas pudessem casar e ele pudesse desfrutar do resto dos seus dias em pleno sossego, em completa paz. 
Certo dia, chegaram à sua porta dois irlandeses que pediram duas das suas filhas em casamento. O senhor ficou bastante entusiasmado - entusiasmo, porém, de pouca dura, uma vez que se apercebeu que estes pretendiam noivar as duas filhas mais novas, quando todas as jovens de uma família deveriam casar, como ditava a transição, por ordem de nascença. Posto isto, os irlandeses  apressaram-se a estabelecer um pacto: casariam com as duas filhas mais novas e tratariam os seus  restantes cinco irmãos à Escócia num futuro próximo para casar com as outras raparigas. O senhor, contentíssimo com a possibilidade de se livrar de todas de uma vez e poder finalmente ter direito ao seu descanso, acordou. 
Uns dias passaram... e sem ainda sinais dos irlandeses. Umas semanas passaram... e nada de notícias. Meses se passaram... e ainda nada. Anos correram... e um contínuo silêncio. Os irlandeses não retornariam, e as cinco filhas mais velhas começavam a mostrar os sinais da passagem do tempo no semblante, perdendo aos poucos a sua beleza e jovialidade. Como iria o senhor casar as suas restantes filhas? Cada momento que passava tornava tal tarefa cada vez mais difícil. Em desespero, recorreu a uma bruxa local, pedindo que as suas filhas pudessem ser belas e admiradas por todos para sempre. A bruxa acedeu ao seu pedido, concedendo-lhe uma poção que as raparigas deveriam beber. E assim foi. 
No dia seguinte... qual não é o espanto do senhor ao acordar, deparando-se com cinco montanhas magníficas, imponentes e belas em seu redor. E assim, as cinco irmãs de Kintail foram, e continuam a ser, sempre belas e admiradas por todos os que por si passam.

Adorei esta lenda. Adoro o facto da Escócia estar carregadinha de lendas. Fale-se ainda no cemitério de fadas no qual parámos (aquela fotografia de pequenas pedras empilhadas por todo o lado) e, como é óbvio, no Loch Ness (cujo Nessie, digo eu, afinal, é aquele pato - poisava para todas as fotografias, o bichinho).
Fizemos ainda uma paragem num memorial dos comandos, local onde ocorreu uma batalha (e onde eu escorreguei e fiz sku) e numa das poucas florestas de terras escocesas que continua intacta desde o tempo dos romanos (infelizmente, 80% da floresta escocesa foi erradicada pelo homem - e olhem que os 20% ainda é muito, pelo que fizemos mesmo estragos astronómicos). Esta floresta em particular passou a ser um local muito especial para nós... isto porque o nosso guia usou-me a mim e ao meu amor como exemplo para demonstrar como é que eram realizados os casamentos na antiguidade (era ver-me a mim apanhada de surpresa mas a brilhar por tudo o que era sítio com o acontecimento e o Arlindo todo encavacado e a querer fugir da situação - mas ainda assim alinhou e disse que sim). Claro que tendo em conta que o Arlindo não quer casar e eu quero, já me dou por satisfeita de ter tido um casamento a fingir caso o real nunca venha a acontecer. Ainda para mais, realizou-se no local mais bonito que eu podia pedir: uma floresta antiga, com flores, neve, uma cascata, e o passarinho de barriga vermelha.
Finda esta paragem começou a anoitecer, pelo que tirando uma paragem estratégia para ir à casa de banho e comer qualquer coisa numa vilazinha algures, fizemos o restante caminho de seguida até Edimburgo. Este caminho não foi feito, contudo, sem um montão de histórias e de lendas contadas pelo Craig, como tudo aquilo que se sabe e conta sobre a Stone of Destiny ou sobre a Mary Queen of Scots.
Chegados a Edimburgo e após feito o check-in no nosso último hostel, fomos então jantar a casa do Jorge.

Nota: ainda não disse (infelizmente não tenho nenhuma fotografia disso), mas algo bastante típico das terras altas é verem-se as tabuletas da estrada escritas em duas línguas: inglês e gaélico. Infelizmente, após a Escócia ter sido conquistada por Inglaterra, para além de exterminarem os clãs e banirem os tartans, baniram também o gaélico. Como tal, hoje em dia apenas uma percentagem mínima da população mantém vivo esse idioma.