Primeiro dia à séria em Edimburgo, e talvez aquele mais planeado em cima do joelho - ou não planeado de todo, que nem almoço sabíamos bem o que seria, pois no dia anterior, dado o cansaço, preocupámo-nos apenas e só em comprar mantimentos para o pequeno-almoço (acabou por ser este o dia em que almoçámos/alancharámos McDonald's lá para as 15h quase 16h, após subirmos ao Calton Hill - esse local onde as fotografias já contam o anoitecer). Portanto: após tomado o pequeno-almoço, saímos cedinho para a rua à descoberta. Passado o parque The Meadows, a primeira paragem foi o Greyfriars Kirkyard, onde nos deixámos encantar pela atmosfera mística, pintada a verde, a musgo, a cinzento e a um leve granizado sob algumas campas. Lá, procurámos encontrar o que contam os escoceses: potenciais nomes que tenham inspirado a J. K. Rowling nos nomes das personagens dos seus livros do Harry Potter. A busca foi longa, mas por fim encontrei um MacGonagall e dei-me por feliz e satisfeita. No entretanto, diverti-me também a identificar quem era o defunto mais antigo que ali estava e o meu amor a seguir-me para todo o lado, observando tudo, pensativo; destaco ainda o quão belas eram tantas campas, tão minunciosamente trabalhadas em pormenores e em pequenos bustos - cá em Portugal não há disso (pelo menos, onde vivo). Parámos também, por um momento, junto das sepulturas protegidas por enormes placas de metal - ali colocadas porque, em tempos, a malta da universidade de medicina gostava de desenterrar os corpos ilicitamente para fins de estudo (e vá-se lá saber que mais). Oh: e que seria relatar a passagem pelo Greyfriars Kirkyard sem contar a história que lhe deu nome? Parece que, há muitos anos atrás, um cãozinho (Greyfriars Bobby), após o dono morrer e durante todos os restantes dias da sua vida, ia para junto da campa do dono - como se esperando que ele regressasse, como se lhe fazendo a companhia possível. Ficou tão célebre por este gesto de amor que para sempre o quiseram homenagear. É amor, amor, amor.
Segunda paragem do dia: o Museu Nacional da Escócia, no qual gastámos umas boas duas horas e meia sempre a andar. Antes de viajarmos para Edimburgo havia sido um dos museus sobre os quais pesquisei, não me tendo parecido, à primeira vista, que seria a coisa mais interessante do mundo - confesso que expor coisas de todo o mundo e não exclusivamente da Escócia me fazia pensar que o nome do museu tinha sido uma infeliz escolha, e a parte dos animais empalhados, previa eu, era coisa para me pôr o estômago a dar voltas. Olhm, enganei-me: gostei bastante do museu. Não é, de longe, o museu mais giro que já visitei, mas adorei o conceito de ser um museu interativo. Sim: in-te-ra-ti-vo. Nunca na vida pensei que me mandassem tocar nos objetos expostos (fiquei ainda uns cinco minutos a ver se estava a ler bem as etiquetas junto a alguns artefactos), mas parece que ali é natural. E, guess what: a parte dos animais empalhados não me fez tanta impressão quanto eu julgava (desde que eu não pensasse demasiado no assunto) e acabou por ser uma das partes mais interessantes do museu para além da parte geológica e do espaço (perdoem-me aqueles que acham que pedras e tectos escuros com luzinhas a fingir de estrelas não têm lá muita graça, mas sou uma fã assumidíssima do cosmos e toda a cena de tocar em asteróides vindos lá do céu ou tocar em pedras que antigamente foram lava foi coisa que adorei). Ah: a ovelha Dolly é escocesa, sabiam? Pois: eu não. Era demasiado pequena na altura em que a fizeram clone para prestar atenção de onde é que ela advinha. Mas lá estava ela: empalhada numa vitrina central do museu.
Finda a visita ao museu foi hora de nos fazermos à estrada para comprar o nosso almoço/lanche e subirmos ao Calthon Hill, onde ficámos a conversar e a manjar até cair o anoitecer. Anoitecendo, fomos por fim às compras e voltámos ao hostel onde nos ocupámos a fazer o jantar e o almoço do dia seguinte (aqui pelo meio ainda nos encontrámos com o Jorge na Charlotte Square por uma última vez, não tivesse o meu amor perdido as luvas dele no dia anterior quando fomos jantar a casa do Jorge; acabou este por encontrá-las um pouco depois de nos termos ido embora e combinámos então um último ponto de encontro - local onde, por acaso, estava a ocorrer um evento de solidariedade por causa do Natal; pareceu-nos que dali a um bocado se iriam todos pôr a cantar em coro). Por fim, fomos descansar quase às onze da noite, planeando que, no dia seguinte, seria a vez de ir visitar o tão esperado Castelo de Edimburgo.
Nota: diz que quando uma pessoa morre é possível homenageá-la colocando uma descrição num banco à escolha, que normalmente é um banco situado num local de que a pessoa gostava. São às centenas estas homenagens Edimburgo fora - é raro o banco sem plaquinha de metal a relembrar alguém.
Nota 2: aquele coraçãozinho no chão é um coração para o qual os escoceses gostam de cuspir. Chama-se Heart of Midlothian, fica na Royal Mile e cuspir-lhe dentro simboliza o desdém pelas execuções públicas que ali costumavam ocorrer.
Nota 3: quanto aos hóspedes do hostel em que ficámos: conhecemos uma rapariga da Roménia super simpática e que vai começar a estudar em janeiro ali na Universidade, estando já na cidade, contudo, desde agosto (vive no hostel, portanto). O meu amor andou todo entusiasmado a partilhar com a rapariga todo o conhecimento que tinha sobre a Roménia (é, ele é uma enciclopédia de bolso), o quão admirava a casa com olhos, a discutir as várias teorias e factos sobre o drácula, a tentar adivinhar como é que se diria figos em inglês enquanto se concluía por imagens no Google que era o fruto favorito da rapariga - enfim, uma festa (demorámos horas a fazer o jantar, então o convívio foi muito agradável). Também passou por nós um rapaz espanhol (igualmente a viver no hostel) que partilhou que estava a trabalhar em Edimburgo mas que não gostava da cidade, então estava mortinho para voltar para Espanha. De resto: um grupo de franceses antipáticos que não respondiam ao nosso good morning e uma senhora muito estranha que cirandava por todo o hostel sem grande objetivo aparente (às vezes, estávamos na cozinha a tratar das nossas refeições, ela aparecia, sentava-se um bocado em silêncio e uns minutos depois levantava-se e ia embora; passado um bocado, repetia o ritual).
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