sábado, 30 de dezembro de 2017

Dream Trip: Walking on Scottish Lands [Day 4]



























































Este último dia de excursão e de regresso a Edimburgo muito teve de especial. Escusado será referir, uma vez mais, o esplendor das passagens a fazer um conjunto perfeito com a luz do sol a todas as horas. Para além disso... o nevoeiro!!! O esperado nevoeiro, o sonhado nevoeiro!... Sou da opinião que, nestas terras em particular, o nevoeiro dá aquele toque místico final - é a cereja no topo do bolo.
Para além de termos voltado a parar para admirar o Castelo de Elian Donan em mais do que uma perspetiva, uma das primeiras paragens que realizámos foi para encher as nossas garrafas de água com água vinda diretamente da montanha. Depois, ouvimos ainda a lenda das Five Sisters of Kintail enquanto por elas passávamos - contado pelo guia tem toda uma outra magia, mas cá vai: 

Era uma vez um pai que tinha sete filhas. Como é de calcular, viver rodeado de tanta mulher não é tarefa fácil e, assim este pai ansiava pelo dia em que todas pudessem casar e ele pudesse desfrutar do resto dos seus dias em pleno sossego, em completa paz. 
Certo dia, chegaram à sua porta dois irlandeses que pediram duas das suas filhas em casamento. O senhor ficou bastante entusiasmado - entusiasmo, porém, de pouca dura, uma vez que se apercebeu que estes pretendiam noivar as duas filhas mais novas, quando todas as jovens de uma família deveriam casar, como ditava a transição, por ordem de nascença. Posto isto, os irlandeses  apressaram-se a estabelecer um pacto: casariam com as duas filhas mais novas e tratariam os seus  restantes cinco irmãos à Escócia num futuro próximo para casar com as outras raparigas. O senhor, contentíssimo com a possibilidade de se livrar de todas de uma vez e poder finalmente ter direito ao seu descanso, acordou. 
Uns dias passaram... e sem ainda sinais dos irlandeses. Umas semanas passaram... e nada de notícias. Meses se passaram... e ainda nada. Anos correram... e um contínuo silêncio. Os irlandeses não retornariam, e as cinco filhas mais velhas começavam a mostrar os sinais da passagem do tempo no semblante, perdendo aos poucos a sua beleza e jovialidade. Como iria o senhor casar as suas restantes filhas? Cada momento que passava tornava tal tarefa cada vez mais difícil. Em desespero, recorreu a uma bruxa local, pedindo que as suas filhas pudessem ser belas e admiradas por todos para sempre. A bruxa acedeu ao seu pedido, concedendo-lhe uma poção que as raparigas deveriam beber. E assim foi. 
No dia seguinte... qual não é o espanto do senhor ao acordar, deparando-se com cinco montanhas magníficas, imponentes e belas em seu redor. E assim, as cinco irmãs de Kintail foram, e continuam a ser, sempre belas e admiradas por todos os que por si passam.

Adorei esta lenda. Adoro o facto da Escócia estar carregadinha de lendas. Fale-se ainda no cemitério de fadas no qual parámos (aquela fotografia de pequenas pedras empilhadas por todo o lado) e, como é óbvio, no Loch Ness (cujo Nessie, digo eu, afinal, é aquele pato - poisava para todas as fotografias, o bichinho).
Fizemos ainda uma paragem num memorial dos comandos, local onde ocorreu uma batalha (e onde eu escorreguei e fiz sku) e numa das poucas florestas de terras escocesas que continua intacta desde o tempo dos romanos (infelizmente, 80% da floresta escocesa foi erradicada pelo homem - e olhem que os 20% ainda é muito, pelo que fizemos mesmo estragos astronómicos). Esta floresta em particular passou a ser um local muito especial para nós... isto porque o nosso guia usou-me a mim e ao meu amor como exemplo para demonstrar como é que eram realizados os casamentos na antiguidade (era ver-me a mim apanhada de surpresa mas a brilhar por tudo o que era sítio com o acontecimento e o Arlindo todo encavacado e a querer fugir da situação - mas ainda assim alinhou e disse que sim). Claro que tendo em conta que o Arlindo não quer casar e eu quero, já me dou por satisfeita de ter tido um casamento a fingir caso o real nunca venha a acontecer. Ainda para mais, realizou-se no local mais bonito que eu podia pedir: uma floresta antiga, com flores, neve, uma cascata, e o passarinho de barriga vermelha.
Finda esta paragem começou a anoitecer, pelo que tirando uma paragem estratégia para ir à casa de banho e comer qualquer coisa numa vilazinha algures, fizemos o restante caminho de seguida até Edimburgo. Este caminho não foi feito, contudo, sem um montão de histórias e de lendas contadas pelo Craig, como tudo aquilo que se sabe e conta sobre a Stone of Destiny ou sobre a Mary Queen of Scots.
Chegados a Edimburgo e após feito o check-in no nosso último hostel, fomos então jantar a casa do Jorge.

Nota: ainda não disse (infelizmente não tenho nenhuma fotografia disso), mas algo bastante típico das terras altas é verem-se as tabuletas da estrada escritas em duas línguas: inglês e gaélico. Infelizmente, após a Escócia ter sido conquistada por Inglaterra, para além de exterminarem os clãs e banirem os tartans, baniram também o gaélico. Como tal, hoje em dia apenas uma percentagem mínima da população mantém vivo esse idioma.

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