segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mas eu também sou pessoa

O estágio não anda a correr muito bem. Não tenho horário fixo: sei apenas que segundas, terças e quintas poderei ir ao estágio ou não, que quartas nunca o tenho e que às sextas são as reuniões de equipa. Fico sempre com uma semi-ideia dos horários às sextas-feiras, sendo que normalmente é: "terça aparece às 9h, para ficares com a assistente social". Boa, é uma equipa multidisciplinar e a senhora é um amor: mas como a minha supervisora da faculdade diz e bem: "apesar de não ter nada contra conhecerem outras valências do serviço, é suposto ser um estágio em psicologia, não em serviço social". Julgo que 1 mês na companhia da assistente social já deu para perceber o que é que ela faz - e sim, é super importante; e sim, já aprendi coisas. No entanto, onde fica a psicologia? No primeiro dia de estágio também observei consultas de psiquiatria, o que também foi interessante e, na minha opinião, mais próximo para com aquilo que vou fazer no futuro. Mas e a psicologia mesmo? Cadê? Em 1 mês de estágio - faz, aliás, precisamente hoje 1 mês - observei uma triagem e uma sessão de avaliação psicológica. Apenas e só.
Já tentei puxar pelo assunto de não ter horário mais do que uma vez, pois isto desorganiza-me completamente... Porém, não surtiu resultados. Já perguntei à estagiária do ano passado como é que a coisa correu com ela, e julgo que foi mais ou menos assim no início também (pela conversa percebi que foi só no início, e assim espero!). Quanto ao trabalho em psicologia, na semana passada, sexta-feira, tive o belo prazer de falar com a minha orientadora do local, que me deu a entender que a partir de agora as coisas iam começar a avançar. Quando lhe perguntei se não havia algumas provas e testes de avaliação psicológica que também pudesse ir cotando entretanto disse-me que sim: que havia uma que sim. Fui-me embora satisfeita da vida, esperançosa - embora também tenha tido de enviar mensagem à orientadora hoje para saber se vou ou não ao local de estágio hoje. Enviei mensagem às 9h10. São 11h50 e ainda não tenho resposta - enviei outra mensagem ainda agora. Estou tão farta de viver a minha experiência de estágio neste impasse, de nunca saber se os meus dias são assim ou assado e de que horas a que horas, já para não falar da ansiedade normativa de quem se está a iniciar no campo profissional e não tem ainda noção das suas competências como psicóloga clínica!... Não acho assim tão fora do comum ter de andar atrás da orientadora - não era nada que já não previsse que pudesse acontecer -, mas tirando isso não vejo muita consideração por mim em retorno: por muito que volta e meia ocorram contratempos e eu fique prejudicada; por muito que haja pacientes em sofrimento que requeiram uma resposta urgente e que à última da hora vão ao encontro das necessidades destes (e acho muito bem que o façam). Mas eu também sou pessoa e não deixo de o ser enquanto x ou y esperam pela resolução que merecem. Só que... e eu? Não mereço também?

[Qualquer dia a minha supervisora da faculdade tem de meter a mão nisto, e depois aí vai ser feio.]

2 comentários:

  1. isso costuma ser assim em coimbra, quase todos os meus colegas passaram por isso. o meu estágio não foi, mas o meu estágio era de outro planeta. o que te aconselho é: não envies mensagens, aparece. leva coisas para fazer e está por lá pelo menos dois desses três dias. define um horário e vai. envia mensagem a dizer que estás por lá, caso haja uma consulta a que possas assistir estás inteiramente disponível para participar. agradece a atenção. não metas supervisores ao barulho, isso é o último dos últimos recursos.

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    1. já estive de facto mais longe de perguntar se não posso aparecer na mesma e logo se vê se tenho oportunidades ou não de fazer algo. o problema principal disso é mesmo o espaço: não tem quase salas nenhumas e estão ocupadas a maior parte do tempo, e aí arrisco-me a ficar na cozinha sentada numa mesa minúscula à espera que alguém se lembre de mim, se calhar a não se lembrarem mesmo. mas se tiver de ser alguma vez até isto começar a arrancar, que seja. sim, acho que se a supervisora meter o dedo que o caso fica bem feio, também estou a torcer para que ela não se passe entretanto. anyway: acho que tenho boas notícias! vou fazer um post sobre isso agora mesmo.

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