domingo, 28 de agosto de 2016

Interrail: Bruxelas (2nd Stop)

Após deixarmos Paris de madrugada, chegámos a Bruxelas às 12h de dia 28 de julho. Teimosos que somos, nesta fase da viagem (e quase até às últimas cidades), ainda tentámos encontrar o hostel a pé, tendo-nos tentado ajudar um rapaz sensivelmente da nossa idade (fazia a sua vida de phones nos ouvidos, mas não hesitou na simpatia e colocou-nos rapidamente na rua que procurávamos para começar o nosso caminho); porém, e à parte de termos passado por zonas verdejantes bonitas e por um edifício que fazia lembrar uma torre de castelo, ao darmos conta de que estávamos a subir ruas há mais de meia hora sem fazer a mínima ideia para onde nos dirigíamos, lá desistimos da missiva e apontámos para outra: encontrar o metro e, assim, chegar ao hostel. Serviu-nos, aqui, a preciosa ajuda de uns senhores que estavam a trabalhar nas obras: encaminharam-nos no sentido de apanhar o elétrico e, num instante, estaríamos à entrada do metropolitano. Assim foi e, ao entrar na estação do comboio subterrâneo, vimos muita polícia armada que ia alternando a sua presença entre um e outro lado da plataforma (já em Paris vimos bastante polícia na rua e ouvimos inúmeras vezes sirenes de carros em emergência a passar, o que, de certa forma, transmitia alguma sensação de segurança - apesar de, aqui para com os meus botões, eu chamar-lhe "falsa" sensação de segurança, pois uma vez acontecendo algo só se poderia agir depois).
O hostel ficava na mesma rua que uma fábrica de chocolate gigante, pintada de branco (mal eu sabia o que me esperava quanto aos chocolates nesta cidade, mal eu esperava - já contarei) e, tirando o facto do rapaz da receção ser simpático q.b. e de resto muito recatado (parecendo, na verdade, querer incomodar-se o menos possível com a clientela - no sentido em que ficava a olhar para nós como que a chamar-nos de totós quando lhe fazíamos perguntas como "tem algum mapa da cidade?", o que dava a sensação de que, no seu juízo, já devíamos ter conhecimentos acerca do funcionamento de tudo), o hostel tinha um ar bastante simpático e acolhedor - senti-o, na verdade, como muito confortável (dos mais confortáveis em que estivemos, na minha opinião). Ficámos num dormitório para quatro pessoas e com vista para o jardim, embora, como viemos a descobrir na hora de fazer o check-out, tenhamos ficado com o espaço só para nós o tempo todo (pois por norma as pessoas podem chegar aos hosteis a qualquer hora: seja durante o dia ou durante a noite, pelo que nunca estivemos totalmente à vontade).


Almoçados e poisadas as malas, estava na hora de aproveitar os raios de luz do único dia na capital belga. A minha primeira constatação de encanto foram os postes dos cadeeiros com pequenos vasos recheados de flores (houvesse enfeites bonitos destes em todo o lado). Descemos então uma rua na direção da Praça Central, aquela que, a dada altura do ano, está, também ela, preenchida com um tapete florido no chão - algo que eu queria muito, muito ver. Pelo caminho, passámos pela estátua mais engraçada de sempre e também por um rio onde nas margens se espalhavam cataventos coloridos - coisa mai' linda e sonhadora de sua mãe.





Entretanto, ao longe, avistámos um edifício enorme que demorámos tempo a desvendar o que era, pois aparentava tratar-se de uma prisão ao mesmo tempo que com condições de luxo. Lá percebemos tal mistura: era uma prisão para presos políticos.
Continuando o nosso caminho, comecei a constatar que Bruxelas seria, talvez, das cidades mais habitadas por muçulmanos que alguma vez veria durante o Interrail (e foi): a cada minuto, mais do que uma mulher muçulmana passava por nós (pois só as mulheres saltam à vista). O meu amor observou, contudo, e bem, que provavelmente não era com aqueles muçulmanos que andavam nas ruas no seu dia-a-dia como qualquer outra pessoa com que nos tínhamos de preocupar - seria preciso muito azar. Pensando para comigo, de facto, tanto pode um qualquer muçulmano dar em doido e explodir como um ateu perder um parafuso e sair à rua para matar pessoas (a criminalidade e os homicídios existem desde sempre, não é? O estado de medo em que a Europa mergulha é que fomenta um medo dos muçulmanos que em qualquer outra altura não existia em tanta força. Sim: as ameaças são reais e as matanças, quando ocorrem, são de massas - e há que ter cautela, tomar precauções, protegermo-nos a nós mesmos e aos outros dentro do possível; mas é importante distinguir muçulmanos de terroristas, pois não são sinónimos diretos e muitos deles estarão, também, neste momento, a levar por tabela injustamente. Como uma vez já disse: o extremismo é o mal deste mundo).
Eis, pois, que a minha grande crise de Bruxelas começou quando entrámos nas ruas mais centrais da cidade... e um cheirinho a chocolate começou a impregnar o ar. Aviso, pois, desde já todos os amantes de chocolate que qualquer dieta vai ser garantidamente arruinada se visitarem o centro de Bruxelas. É impossível resistir pois, simplesmente, têm ruas inteiras ora com chocolatarias expondo chocolates de todas as variedades e feitios, ora lojas a vender waffles e outras coisas boas que tais acabadinhas de fazer banhadas em chocolate belga derretido. Eu não resisti, e o Arlindo também se divertiu a tentar-me quase por todo o sítio com chocolate por que passávamos, proferindo com um ar maroto "não queres isto?", "não te está a apetecer isto?", "olha, não olhes para ali". Acabei por ceder a um waffle a nadar em chocolate belga: ótimo, embora nem a metade ia e já se tinha tornado enjoativo. Tão enjoada estava que pus de lado a possibilidade de irmos visitar o museu do chocolate (apesar de uns dias mais tarde já me apetecer comer chocolate belga de novo - é tão, tãoooo bom!).
Uns metros mais andados, chegámos à Praça Central. Não encontrei o tapete de flores que ansiava por ver (pelos vistos, este só seria colocado em agosto). Quanto a flores, apenas dei com alguns canteiros junto à calçada apetrechados de roxo e cor-de-rosa... No entanto, o que vi em meu redor abriu-me a boca de tão maravilhada que fiquei e superou, sem sombra de dúvidas, todas as minhas expectativas. Acho que perdi a conta das vezes em que os meus olhos deram a volta à Praça e dos "isto é lindo, lindo" que disse. Senti, de verdade, que era capaz de passar uma semana inteira a admirar aquela Praça, e eu e o meu amor comentámos que não seria nada mau pensado voltarmos a Bruxelas só para termos o gosto de apreciar um pouco mais aquele cantinho: fosse explorando-o, escrevendo-o, desenhando-o, fotografando-o, ou meramente admirando-o. Todos aqueles detalhes minuciosamente trabalhados em jeito decorativo tornavam os enormes edifícios que nos circundavam estruturas verdadeiramente imponentes: desde pequenas formas cobrindo as paredes, a estatuetas nas fachadas e no topo, não esquecendo o grandioso contraste de tons dourados intercalados com tons neturos - o auge do belo. Ainda pensámos em visitar algum desses edifícios por dentro, mas decidimo-nos a aproveitar antes o autêntico museu ao ar livre que aquele espaço já era.











O restante tempo na cidade foi maioritariamente gasto a explorar a outra componente pela qual Bruxelas é conhecida: a banda desenhada. Para além de éne e éne murais decorados a preceito, entrámos em três lojas temáticas. A primeira foi a mais amor de todas, e que julgo que se tivéssemos dinheiro e espaço infinito, teríamos adquirido umas belas relíquias: montes e montes de merchandising oficial do Harry Potter, Lord of the Rings, Game of Thrones, entre outros, no andar principal; no andar debaixo livros e livros de banda desenhada a perder de vista; no andar de cima, paredes cheias de desenhos e posters, muitos deles também com personagens de banda desenhada. Foi algures por esta loja que dei com um peluche do Milou do Tintin, tendo soltado um gritinho perante a fofura. Desconfio que tal deverá ter motivado o Arlindo a, após visitada uma outra loja especializada em miniaturas e outro tipo de merchandising de um videojogo, me ter levado, de surpresa e após ter vingido que não fazia a mínima ideia onde era, à loja do Tintin (que também vale a pena, sem dúvida, espreitar). No meio destas visitas, demos ainda um saltinho ao icónico Manneken Pis e deliciámo-nos com o que de resto fazia a tipicidade das ruas de Bruxelas. Por fim, e antes de dar o dia por terminado, o meu amor levou-me a uma espécie de centro comercial fino ao ar livre - as chamadas Galeries Rouales Saint-Hubert, que diz que quando lá bate o Sol adquire tons dourados (não o apanhámos assim, mas não deixou de ser um local agradável de conhecer). Um saltinho até ao Parlamento Europeu também foi considerado como ponto de visita final, mas uma vez que o Arlindo já estivera em Bruxelas uma outra vez e opinou não se tratar de nada de mais comparado com tudo aquilo que já tínhamos visto (para além de ainda ser necessário caminhar um bocado até chegar ao Parlamento), acabámos por começar a fazer o regresso para o hostel, parando ainda num supermercado para fazer compras para o jantar e almoço do dia seguinte.







O jantar ficou à mercê das mãos talentosas do meu amor: francesinha - das melhores que alguma vez comi (é verdade que nunca fui ao Porto e que nunca comi francesinha de carne por não ter provado nenhuma antes de me tornar vegetariana, mas adoro a que é feita pelo meu príncipe e julgo que é isso que basta). Antes e após o jantar, aproveitámos para nos recostar na sala de estar do hostel e falar um pouco com os nossos pais tanto por mensagens como por chamada no Facebook (como foi o meu caso, que fiz uma mini-chamada para o meu pai e madrasta uma vez que lhes tinha transmitido a informação de ter tempo para falar por Skype com quem quisesse).
A noite acabou comigo e com o meu amor juntinhos numa da camas de beliche a ver episódios da série Avatar: The Legend of Korra, a continuação da série favorita dele de sempre (Avatar: The Last Airbender). Assim foi até o sono começar a fazer-se sentir, e então fomos dormir.
De forma a aproveitarmos o pequeno-almoço que nos era disponibilizado no hostel, no dia seguinte saímos mais tarde da cidade do que havíamos planeado inicialmente. O pequeno-almoço não se revelou tão espetacular como normalmente tenho a sorte de apanhar quando viajo em família para outros locais (o preço que se paga explica), mas também não era mau de todo.
Check-out feito (tivemos de deixar a chave do quarto no correio do hostel, pois por alguma razão ninguém estava na receção), lá fomos apanhar o comboio. Mesmo tendo saído mais tarde, estava previsto chegarmos a Amesterdão pelas 14h30, 15h - uma hora de chegada, penso, até bastante aceitável para quem ainda queira passear no destino. E assim foi.

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