sábado, 1 de outubro de 2016

Das Crenças e Suas Sequelas

Hoje descobri que sempre estive a tentar provar algo a mim própria, mas que não preciso de me provar nada... Quem me disse que eu tenho de me provar algo para ser feliz e estar bem? Isso foi uma condição que eu impus a mim mesma. É artificial e só cria pressão que não tem de existir.
Quando me apercebi que tinha ultrapassado a fase mais complicada da minha adolescência - aquela em que me dizia inadequada, uma porcaria, insuficiente e menos do que os outros -, comecei a ter outro tipo de conversa comigo mesma, mais ao estilo de "achares isso é só estúpido: és tanto quanto os outros e tens potencial próprio! E agora que entraste para a faculdade e podes recomeçar do zero de alguma forma, vais ver isso! Esta será a tua prova dos nove: aquela que verás se realmente já aprendeste que tens valor e que consegues lá ir por ti, fazendo o que achas que é melhor para ti". Se, por um lado, este foi o discurso mais encorajador que me fiz e que me trouxe onde estou hoje, ciente de mim e amando-me, também alimentou toda a pressão que imponho sobre mim mesma - toda a ansiedade que crio e em que caio, pois comecei a encarar a realidade como um teste diário às minhas capacidades e competências, o que me fez olhar-me em muitas situações do mundo como estando totalmente vulnerável, dependente do meu desempenho, e que este deveria ser bom para eu continuar bem. Foi hoje que cai em mim: eu não tenho de ter um desempenho perfeito ou muito bom. Eu posso ter o pior desempenho do mundo, ser colocada e olhada de lado e falhar em tudo aquilo que, supostamente, saberia fazer: não é isso que me fará infeliz; não é isso que me fará deixar de estar bem. Só se eu assim o acreditar, só se eu assim me julgar: só se for cruel ao invés de compreensiva. Só se me falhar a compaixão, querendo ser mais do que eu posso ser em determinado momento e local.

- rascunhado por mim a 29 de abril de 2016 em papel e hoje colocado em palavras concretas.

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