sábado, 12 de dezembro de 2015

23. Jarro

Deu-me o meu amor uma rosa vermelha no dia vinte e três de novembro. Foi de propósito dar-me um beijinho e uma rosa ao fim do dia à faculdade, embora só se pudesse demorar não muito mais que dois minutos uma vez que tinha de ir para o curso dele a seguir. Claro que me derreti, qual sua menina princesa. Mal cheguei a casa dei com o facto de não ter um único jarro, pelo que improvisei um num copo de vidro alto. E ali a coloquei, a meu lado na secretária. 
Tive o cuidado de mudar a água da rosa todos os dias e de falar com ela, desejando-lhe carinhosos bons-dias ou avisando-a de quando me iria ausentar mais tempo de casa. Riam-se, achem tonto, mas não me arrependo: acreditem ou não, e à parte de uma pequena, gradual mudança de tonalidade em algumas pétalas, consegui que durasse duas semanas inteirinhas sem dar sinais de querer murchar. E o que é que (re)concluo daqui? O amor tem (mesmo) qualquer coisa de poderosa.

Sem comentários:

Enviar um comentário