sábado, 8 de agosto de 2015

07. Bilhete

Ontem passou-me pela cabeça a ideia louca de te escrever um bilhete. Realço o louca: seria como escrever a minha sentença, pois quando entrego palavras de mim a alguém vai todo o meu coração com elas. Expressar-te o meu carinho agora, do nada, apenas porque me apetece dizer-te o quanto te gosto, seria arriscar-me a entrar numa rua e vê-la ilusoriamente sem retorno no preciso momento em que te entregasse o manuscrito. Pelo que logo me detive, a detive (à ideia) e a expulsei. Não são becos que pretendo quando me faço à estrada, e por agora seria tudo o que conseguiria ver. Não é o momento. Se algum dia for, isto é, se algum dia conseguir ver outra coisa que não um muro, acredita que não terei receio algum em escrever todos os bilhetes (só de ida) do mundo.

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