sexta-feira, 17 de julho de 2015

17. Virtude

Pensar duas vezes para poder sentir, também, duas vezes - aí encontro a virtude: na capacidade de pôr de parte as primeiras impressões, não as assumir logo como as únicas impressões possíveis pois, na verdade, ainda é possível formar as segundas. Vejo virtude nessa vontade de compreender e conhecer melhor a pessoa antes de assumir seja o que for que ela seja devido a um par de atos ou palavras isolados, momentâneos, completamente desconectados de tudo o resto para quem está de fora. Vejo virtude nos olhares de fronte face aos olhares de lado - que saem mesmo (tantas, tantas vezes) completamente ao lado.
Podemos dar-nos a oportunidade de pensar e sentir melhor os outros? Pensar-lhes e sentir-lhes as singularidades, os percursos, os objetivos e os sonhos? Saber-lhes e estimar-lhes as feridas, as marcas, as cicatrizes? Reconhecer-lhes os talentos, os esforços e as vitórias? As lágrimas e os sorrisos? Sabê-los pele, carne, coração?
Podemos dar-nos a oportunidade de pensar e sentir melhor os outros e, quiçá, deixarmo-nos apaixonar?
Há coisa melhor que apaixonarmo-nos uns pelos outros?

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