quinta-feira, 9 de julho de 2015

08. Rever

Devíamos rever com amor. Devíamos - mas nem sempre o fazemos. E assim somos ingratos para connosco, para com os outros,... Para com a nossa vida inteira, na verdade. Sim, sim! Sem exageros: para com a nossa vida inteirinha - para com memórias do passado, para com o momento presente, para com todas as potencialidades de futuro.
Pelos mais diversos motivos, sujeitamo-nos a reatender situações e rostos que o sujeito que somos, na verdade, não queria nem quer atender. Se pudesse - se isto ou se aquilo (isto é: se esta ou se aquela des-culpa) não estivessem lá - o sujeito que somos tomava o controlo que é seu por direito e dever. Tomava-o e desligava a chamada que sente chamá-lo em vão - mais no caminho do vazio do que do preenchimento próprio.
Pergunto: porque é que ainda nos sujeitamos a rever coisas completamente desapaixonados delas? Que vamos nós retirar dessa nossa nova revista, afinal? Para quê visitar algo uma vez mais, se o olhar pesa e se fecha, mais do que tem vontade de se abrir para se encantar? Para quê? Se tudo o que o olhar quer é mesmo pesar e fechar-se perante a revisão, para então sonhar outras visões?

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