quinta-feira, 9 de julho de 2015

07. Relógio

Ainda há pouco me queixava para com os meus botões do barulho do tic-taquear de um dos meus dois relógios de pulso. Deixo-o sempre a repousar dentro do armário, ao qual por norma fecho as portas para não o escutar e assim todos (entenda-se: eu e ele) descansamos das pressas do dia a dia. Hoje deixei as portas abertas e ele ali a falar que era uma coisa que não se podia, ainda por cima num compasso tão previsível, tão monocórdico, arg (penso que todos sabemos o quão chato é sentir os sons a despejarem-se monocórdicos aos ouvidos durante horas a fio). Eis que resolvi ignorá-lo e então direcionar a atenção para outros aspetos da minha vida, uma vez que não me apeteceu levantar-me para fechar propositadamente o armário. Ora: já não vos sei dizer muito bem porque comecei nesta busca, mas pus-me a ouvir vídeos do Ondjaki a falar; quis conhecê-lo. Quando voltei a chamar-me à Terra, caí em mim: acabada de sair de um tal estado de absorção e encanto (vamos ser sinceras: ainda não saí de estado de encanto nenhum), perguntei-me "que é feito do som de fundo do relógio?" e já não era capaz de o escutar. Não durante um par de segundos. Incrível como perdemos mesmo noção do tempo, uhn? Em todos os sentidos (até no auditivo).

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