Percebes que associavas em muito o teu traje académico à Praxe quando deixas de fazer ativamente parte dela; quando, então e entretanto, sempre que trajas por algum motivo de ordem maior, já não sentes a mesma coisa. De início, até estranhas o traje. Porém, conforme o tempo vai passando, vais percebendo o que andaste a perder e que a associação traje-Praxe que fazias fica completamente arrecadada para um canto em comparação ao motivo de ordem maior que então te leva a envergar a capa aos ombros naquele dia.
Comecei a aperceber-me de todas estas coisas mal me afastei voluntariamente da Praxe, apesar de ter bem assente desde os primeiros momentos da minha vida académica a distinção entre trajar e praxar - que diferentes significados se subentendem num e noutro. Juro, sempre pensei que dava muito mais significado ao traje do que à Praxe em si, mas percebi rapidamente que não conseguia ver um sem o outro e que, quando o tentava fazer, provocava em mim a sensação de algo estar incompleto. Logo entendi porquê: vivi, efetivamente, muita coisa na e graças à Praxe e, na maioria das vezes que trajei, foi sempre em dias de Praxe. Assim, nunca tive (nem dei) muitas oportunidades a mim mesma para explorar o significado do traje e da Praxe em separado.
Hoje, se me questionar acerca deste assunto, as coisas já estão diferentes. Se vivi muito na e graças à Praxe? Sem dúvida (já o disse). Mas o que acabou por me ficar de forma mais perpétua desses tempos idos não foi nem o espírito de caloira nem o de praxante. Se foram reais na altura? Sim; marcaram-me imenso, fizeram-me todo o sentido, e devido a eles comecei e acabei muitos dias a sorrir, preenchida com os mais bonitos sentimentos e recordações, cheia de garra e de vontade de mais - não há como negá-lo. Contudo, não sou menina para voltar a nenhum desses momentos... não atualmente. Não por ter deixado de gostar da Praxe - quando "saí" dela o meu coração ainda lá se enquadrava em muito -, mas porque cheguei a uma altura da minha vida em que comecei a interessar-me por fazer tantas outras coisas aos níveis académico, profissional e pessoal que a Praxe deixou de encontrar lugar nos meus horários e agendas. O tempo foi passando, passando, e todas as coisas que eu conhecia da Praxe acabaram por ir sofrendo alterações por quem por lá se manteve. Então, quer eu o quisesse, quer não, deixei de me identificar. Por completo. E todas as vezes que, a partir daí, voltei a trajar, foi devido a outros motivos: desde a defesa de tese da minha madrinha, passando por ir ao TUIST com a Necas, até chegar ao jantar de entrega das fitas à Rute, que vai estudar e viver para fora. Estou aqui a falar de três pequenos momentos a título de exemplo - apenas três pequenos momentinhos sem qualquer Praxe à mistura e que, no entanto, tiveram tantos, mas tantos quilos de amor, carinho, amizade e cumplicidade associados, que me basta pensar nesses três (ou em apenas um deles) para visualizar, de forma clarinha clarinha clarinha transparente, a completa desvinculação simbólica entre traje e Praxe a acontecer dentro de mim. E sabem? Sabe tão bem.
A que sabe o Traje?
Sabe bem,
Sabe ao melhor que tem!
(A minha capa então... ♥)
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