segunda-feira, 25 de maio de 2015

16. Olho

- Tenho medo de olhar e ver o que não quero... o que não gosto.
- Tenho mais medo de olhar e não ver nada disso apesar de lá estar, e assim dar um passo em falso para o precipício.
- Não fechar os olhos de todo, então? Nem um olho aberto e outro fechado?
- Exato, os dois olhos bem abertos. Em alerta para o bom e para o mau. Não faz sentido veres só uma parcela da tua vida se ela tem mais do que uma. Assim só sobrevives à parcela que vês. Só aprendes os traços da que não recusas. Mas a que recusas está lá na mesma, e acaba por te chegar ou tu por chegares a ela; se nessa altura continuas a fazer de tudo para não a veres, acabas por te perder, por tropeçar nos limites e obstáculos do caminho, por cair e fazer arranhões, esfolar os joelhos e as palmas das mãos. E também podes, como te disse e extremando bem a coisa, correr o risco de assim te dirigires para o precipício e entrar em derrocada. 

Sem comentários:

Enviar um comentário