“Sabes uma coisa? – disse-me. – Por vezes sinto-me mesmo sozinho. Sinto-me mesmo, mesmo sozinho.
Fiz um gesto afirmativo com a cabeça.
- Sim, toda a gente se sente de vez em quando.
- Pois é. Toda a gente se sente.”
- in Os Filhos do Afecto, de Torey Hayden
Não; não me sinto sozinha. Já não, pelo menos. Quiçá, algures no tempo que lá vai, fosse assim. Mas o nevoeiro sempre se levanta, as cortinas afastam-se – e o mundo acaba por se tornar visível aos olhos. Não me sinto sozinha e, na verdade, nunca o estive; agora, sei-o. Tenho – sempre tive – três, quatro ou, até, cinco mãos cheias de amigos que fazem com que eu seja muito mais do que quem seria sozinha.
Não me sinto sozinha. Este vazio não é a falta a quem dar a mão que, volta, não volta, apalpo à volta. Sinto é muito o espaço vago que ainda tenho para quem mais quiser entrar na minha vida.
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